Confessions of an Economic Hitman (“Confissão de um Mercenário Económico”)

Um dos livros mais reveladores – e injustamente quase silenciados pelos Media – foi a “Confissão de um Mercenário Económico” ou “Confessions of an Economic Hitman”. O livro relata as aventuras e desventuras de um consultor de nome John Perkins que a soldo de grandes corporações e do governo dos Estados Unidos percorreu o mundo criando políticas favoráveis aos interesses dos Estados Unidos e das suas multinacionais procurando criar no mundo aquilo a que designaria de “corporatocracia”, ou “governo das corporações”. No seu livro, John Perkins alega ter ajudado os Estados Unidos a ludribiar países pobres um pouco por todo o mundo emprestando-lhes trilhões de dólares que sabia perfeitamente não terem condições para pagar e usando depois essas dívidas monstruosas para tomadas de controlo sobre as suas economias.

John Perkins publicou agora um segundo livro sobre a sua carreira de consultor intitulado “A História Secreta do Império Americano: Mercenários Económicos, Chacais e a Verdade sobre a Corrupção Global”.

Nestas obras, o autor explica como é que depois do final da Segunda Grande Guerra “mercenários económicos” como ele conseguiram criar o primeiro império global, sem o recurso a meios militares, algo que sucedeu pela primeira vez na história do Homem.

O método principal seguido nestas operações foi o de identificar um país do Terceiro Mundo com recursos naturais que pudessem ser explorados pelas grandes corporações norte-americanas. De seguida, haveria que encontrar forma de ceder a esses países empréstimos de grandes valores recorrendo a fundos do Banco Mundial ou de outras instituições semelhantes. O “truque” consistia em fazer com que esse dinheiro nunca fosse entregue de facto a esses países, mas diretamente às multinacionais que queriam explorar os seus recursos e construíam megaprojetos (estradas, barragens, portos, etc). Quando estes projetos terminavam estes países ficavam com dívidas monstruosas, impossíveis de saldar. Quando se chegava a este ponto alguns “mercenários económicos” visitavam esse país e exigiam posições nos recursos naturais que ao fim ao cabo haviam sido o objetivo final de toda a operação.

Nota Biográfica:
Após se licenciar em Harvard, em Gestão, John Perkins foi trabalhar para a NSA. Esta coloco-o na ONG norteamericana Peace Corps no Equador onde acompanhou a luta das tribos indígenas contra várias multinacionais petrolíferas norteamericanas, treinando-se para o segundo nível da sua carreira na NSA. É então colocado na Charles T. Main, uma empresa de consultoria com mais de dois mil empregados, chegando aqui ao cargo de “economista chefe” depois de ter executado várias missões a favor dos interesses dos EUA, um pouco por todo o mundo.

Fonte:
http://mysticalmusingsandpolitics.blogspot.com/2009/09/how-to-destabalize-countries-legally.html

Categories: Economia, Política Internacional | 8 comentários

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8 thoughts on “Confessions of an Economic Hitman (“Confissão de um Mercenário Económico”)

  1. LuisM

    Assustador!

    E é óbvio que não foi só em países do 3º mundo.

    É por isso que sou de opinião que as nações europeias deviam ser muito cautelosas em relação ao atlantismo, isto apesar de já ter tido os EUA como a grande referência.

    Outro exemplo é a Rússia. Se não tivessem aí aplicado as terapias de choque puras e duras provavelmente haveria aí hoje um poder mais benévolo e menos autocrático.

    Para quando defenderemos os nossos verdadeiros interesses?

  2. Teseu

    Estranho os ianques ainda não terem atirado o “novo Brasil” ao chão… se o fizeram com a Argentina quando esta era a 10ª potência económica mundial. Atenção Brasil!
    Quanto a Portugal, a independência já se perdeu, para mãos inesperadas… a Alemanha. Qualquer dia pedem-nos para acabar com o exército, marinha e força aérea, porque dá despesa e ficamos só com a GNR (vejam quem anda nas missões de paz). Aí meus amigos, Portugal acabou de vez.

    • Otus scops

      ai são os Alemães??? excelente escolha!
      pontualidade, rectidão, moral Calvinista, competência e mérito premiados (não a cunha ou o cartão do PS/PSD), tecnologia, etc.
      Willkommen Deutsch!

  3. Ótimo post Clavis, por essas e outras que os meios de comunicação, ainda não li e duvido que vá conseguir um exemplar dele por aqui, mas vou tentar.

    Tais políticas causaram uma serie de prejuízos as economias dos países pobres, e foram uma ajuda adicional a instalação de regimes ditatoriais por todo o mundo, bom ver que ao menos alguém confesso.

  4. Lusitan

    Não sejam cegos. Isso chama-se diplomacia económica neocolonialista. Portugal também o faz, o Brasil anda a dar os primeiros passos.

  5. Pegasus

    O Obvio, agora, colocado no papel, algo que muitos falavam, mas varios diziam que era besteira.

    Ah, Teseu, não se preocupe com o Brasil, se voce notar, as maiores empresas de exploração no Brasil são estrangeiras, empresas de exploração mineral, telefonico, distribuição de energia e petroleo, sim, petroleo, afinal, no Brasil são vendidas cotas de exploração de petroleo, então a Petrobras não é monopolista e no ultimo leilão de exploração das ja famosas reservas do pre-sal, na verdade uma area e não toda a area descoberta, a Petrobras se aliou a outras empresas, num consorcio pra dividir o investimento de 50% e seu consorcio conseguiu comprar 40% dos lotes em leilão, ja que a Petrobras tem 50% do consorcio, ela so levara 20% de toda essa area que ja foi dita como prodiga em petroleo; se isso não é um roubo legalizado ja não sei mais o que é, portanto, enquanto o Brasil for um paraiso para exploração e ter a maior taxa de juros para capital estrangeiro no mundo, nós não temos o que temer de represalias, no mundo financeiro ninguem da “tiro no pé”.

  6. isso é preocupante… o mesmo cenário se traça infelizmente aqui, em Portugal: quando a Economia cai nas mãos de capital estrangeiro (e anónimo) estamos entregues a gente sem cara e sem escrúpulos, porque sem ligação às realidades locais.
    Por isso, defendo tanto o reenfoque Local das Economias e o desvio radical do “Global”.

  7. Bem esse é grande perigo, que infelizmente já deu as caras aqui no Brasil no inicio dos anos 90, graças a Collor houver uma abertura econômica e financeira que beneficio e muito essa gente “sem cara e sem escrúpulos” como você bem disse Clavis. O mesmo aconteceu ao Haiti e deu no que deu, agora so nos resta tentar reverter ao maximo os estragos que foram causados e tentar seguir em frente.

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