Tradução livre do texto “A Grande Transição” da E. F. Shumacher Society

A principal questão que precisamos de obter acerca de qualquer visão do futuro é o que é nela propele a mudança. No caso da Grande Transição, é o custo ascendente de regressar ao “business-as-usual”, ao enorme custo cumulativo das Alterações Climáticas e aos custos cumulativos dos altos níveis de desigualdade.

Os fatores da mudança são frequentemente desconfortáveis, e não estamos perante uma excepção. O que é fascinante com a Grande Transição é que estabelece um caminho credível para vários passos grandes e radicais para uma sociedade e economia capaz de oferecer vidas longas, felizes e equitativas, dentro dos limites impostos pelo planeta.

Esta visão levará contudo a que o PNB “convencional” de um país como o Reino Unido irá cair para um terço do valor atual, contudo assim poderemos evitar algumas das consequências mais trágicas do Aquecimento Global e os custos do colapso social que é iminente nas sociedades ocidentais atuais.

O economista Andrew Simms declarou que “durante anos disseram-nos que não existia alternativa a uma economia que despedaçava o meio ambiente e que piorava a desigualdade. Disseram-nos que vivíamos numa época de prosperidade, quando na realidade não éramos mais felizes do que há 30 anos atrás. Disseram-nos que “crashes”, Bolhas e Recessões eram parte do ciclo natural das economias. Mas confrontados com mudanças climáticas irreversíveis e desigualdade corrosiva, estes são contos de fadas perigosos.”

O problema está em que o PNB é uma medida de progresso muito fraca: os lucros gerados pelo sistema financeiro pelos especuladores das Bolsas são construídos sobre uma pirâmide de derivativos tóxicos e são somados ao PNB. O mesmo sucede com a limpeza dos efeitos da poluição e com os custos de níveis de criminalidade galopantes. Este não é apenas um ponto de vista académico: o que ele mede acaba por determinar aquilo que todos fazemos. A Grande Transição propõe uma deslocação para além do PNB, de forma a começar a medir as coisas que realmente produzem valor, para as nossas comunidades, sociedades e ambiente.

O relatório “Grande Transição” determina sete áreas fundamentais de intervenção:
1. Uma Grande Reavaliação de forma a garantir que os preços refletem os seus custos sociais e ambientais verdadeiros.
2. Um Grande Reequilibro que determine uma nova relação produtiva entre os Mercados, a Sociedade e o Estado.
3. Uma Grande Irrigação Económica que ajude o capital e o investimento a fluir para onde eles fazem mais falta.

Como chegar a esta visão?

As “Terras Comunitárias” (as “Community Land Trusts” já ativas em vários Estados dos EUA) são centrais a esta Grande Transição. O relatório propõe a redistribuirão do tempo de trabalho pela definição de uma semana de trabalho de 4 dias para todos, esta medida irá reduzir o PNB em um terço, sem implicar uma significativa perda de empregos.

O relatório propõe também uma grande reorganização das empresas, em que aquelas que estejam cotadas na Bolsa devem progressivamente transferir estas ações para os seus colaboradores, dando-lhes controlo real sobre as empresas onde trabalham. Isto levará à criação de uma série de cooperativas de produção, funcionando em Mercados regulados, e sujeitas a competição por parte de outras empresas. Isto irá alterar as relações de trabalho, criando novas formas de democracia económica, precisamente onde a democracia mais tem estado alheada: as empresas, precisamente o local onde a maioria de nós passa a maior parte do seu tempo e onde a democracia não entra.

O relatório recomenda também o estabelecimento de taxas variáveis de consumo que substituam os impostos de rendimentos atuais e que reflitam os custos sociais e ambientes da produção de Bens e Serviços. Uma taxa sobre as empresas de exploração de combustíveis sólidos, por exemplo, poderá servir para financiar projetos de investigação em energias limpas. Recomenda-se também empréstimos diretos do Governo a projetos de Energia Verde e de transportes através de um novo “Banco de Investimentos Verde”, de capitais públicos.

A “Grande Transição” defende igualmente o estabelecimento de novos regulamentos sobre os Bancos que os forcem a dedicar uma parte dos seus investimentos a projetos ligados ao ambiente ou de teor social, algo que também retirará capital da especulação e da formação de bolhas especulativas.

O relatório “Grande Transição” foi concebido como uma forma de responder aos problemas que atualmente pendem sobre a economia britânica, mas muitas das suas medidas podem ser aplicadas em qualquer país desenvolvido e quase todas são altamente polémicas. Mas é exatamente disso de que precisamos agora: de ruturas que quebrem o Status Quo que nos levou até à maior Recessão Global desde 1929 e que não será vencida enquanto a estrutura que a criou não for radicalmente alterada. Algo a que a “Grande Transição” se propõe a fazer, merecendo de nós o mais absoluto apoio.

Fonte:
www.smallisbeautiful.org
www.neweconomicsinstitute.org

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Categories: E. F. Schumacher Society, Economia, Movimento Internacional Lusófono | Etiquetas: | Deixe um comentário

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