O Prémio Nobel da economia, Joseph Stiglitz, tornou a avisar os governos europeus de que os cortes orçamentais em curso estão a criar condições para que a recessão regresse e em força

Joseph Stiglitz (http://www.alquimidia.org)

Joseph Stiglitz (http://www.alquimidia.org)

Já não é a primeira vez… mas o Prémio Nobel da economia, Joseph Stiglitz, tornou a avisar os governos europeus de que os cortes orçamentais em curso estão a criar condições para que se anulem os pálidos ganhos dos últimos anos e que a recessão regresse.

Stiglitz alerta que “Cortar, com ou sem vontade, nos investimentos de alta rendibilidade apenas para fazer com que os números do défice pareçam melhores é realmente um disparate. (…) Porque tantos na Europa estão concentrados no número artificial de 3 por cento [de défice], que não tem qualquer realismo e só olha para um lado da balança, a Europa está em risco de entrar em nova recessão”.

Estes cortes orçamentais estão a ocorrer até nos países onde não são realmente necessários, como na Alemanha, país que tem a sua economia a crescer a bom ritmo graças a um impulso exportador que advém da descida do sobrevalorizado euro e de orçamentos saudáveis. Agora, a senhora Merkel decidiu fazer cortes orçamentais para “dar o exemplo” aos PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia, eSpanha), mas como a Alemanha é a maior economia europeia e um dos maiores importadores intracomunitários está-se assim a criar as condições para um agravamento da crise e logo, dos próprios défices orçamentais, que inevitavelmente irão sofrer com nova redução de receitas fiscais advinda do abrandamento economico que agora se antecipa como sério para 2011 e 2012…

Não há qualquer duvida de que muitos países europeus estiveram décadas a consumir muito acima das suas verdadeiras possibilidades. Escudados (acreditavam eles e os “economistas dos media”) num euro forte e credível, julgavam que havia excesso de crédito e que os juros seriam eternamente baixos porque nenhum pais do euro poderia jamais entrar em bancarrota. O caso grego provou, contudo, que não era nada assim… e todos foram então despertados brutalmente para a crua – mas necessária – realidade.

Perante uma situação em que a divida externa dos países do sul da Europa é já impagável a prazo (estima-se que em menos de 5 anos, Portugal, por exemplo, já não consiga pagar os juros dos seus empréstimos) e apesar disso, não pára de crescer, com novos empréstimos sendo colocados nos mercados praticamente todas as semanas. A situação não é sustentável e não serão cortes orçamentais mais ou menos draconianos que a vão resolver.

Não serão reduções orçamentais de 2 ou 3% que vão resolver défices de 130% do PIB, nem exportações de produtos que já não se fabricam na Europa e que várias Comissões Europeias deixaram que fosse invadidas pelos múltiplos dumpings chineses (laboral, humano, ecológico, etc). A via do Brasil, que a partir da década de 90 começou a pagar a sua dívida com um aumento radical das suas exportações não tem como ser imitada no sul da Europa. Então, que nos resta?

Cancelamento da dívida pela imposição unilateral da mesma (bancarrota) e severa contenção das despesas das empresas, do Estado e de todos os particulares com o fim brutal e súbito de todo o excesso consumista que foi promovido durante 20 anos neste país. Todos temos que pagar para que as gerações daqueles que hoje ainda são crianças possam ter ainda um Portugal para viver. De permeio, há que reconstruir toda a indústria que a União Europeia nos mandou entregar ao Leste ou à China, toda a Pesca que nos pagaram para abater, toda a Agricultura que nos subsidiaram para deixar de ter. É possível realizar tal renovação do tecido produtivo português com a tolerância daqueles que nos pagaram a sua destruição: os europeus do norte que mandam em Bruxelas? Duvido seriamente…

Fonte:
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=182279

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 2 comentários

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2 thoughts on “O Prémio Nobel da economia, Joseph Stiglitz, tornou a avisar os governos europeus de que os cortes orçamentais em curso estão a criar condições para que a recessão regresse e em força

  1. LuisM

    Paul Krugman alertou para o mesmo., também ele um partidário de Keynes.

  2. o qual deve andar a voltas no túmulo, perante todas estas medidas recessivas…

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