Guerra de palavras entre Eurofighter Typhoon e Lockheed Martin F-35

Aproveitando a má imprensa do avião Lockheed Martin F-35, a Eurofighter europeia lançou uma campanha que afirma a superioridade do Typhoon sobre o F-35 em combate aéreo apontando para várias simulações que expõe a superioridade do seu aparelho se este for confrontado com um número superior de F-35s.

A campanha do Typhoon é contudo, mais reativa do que agressiva, já que surge apenas depois dos norte-americanos terem alegado que o F-35 usufruía de uma “vantagem de 6 para 1 no combate aéreo contra qualquer caça moderno”. O outro alvo dos europeus é demolir a alegação de que o F-35 seria um “caça de 5a geração” enquanto que o Typhoon seria ainda um aparelho de 4a.

A campanha da Eurofighter não aparece num momento fora de contexto já que vários países estão a reavaliar a modernização das suas forças aéreas devido às crises orçamentais que assolam a maior parte da Europa. Por exemplo, a Itália cancelou 25 Typhoons de Tranche 3B e agora a Eurofigher terá que procurar novos clientes para estes aparelhos ou simplesmente cancelar a sua fabricação.

O principal argumento da Eurofighter é de que o F-35 é uma plataforma adequada para ar-terra, mas que em ar-ar o Typhoon lhe é claramente superior.

O argumento da Lockheed é de que o “dogfight” é obsoleto e que “a manobrabilidade é irrelevante” porque hoje em dia existem mísseis capazes de atingir um adversário após voltas de 180 graus. A resposta da Eurofighter é de que o F-35 não é realmente stealth e que, logo, pode ser detetado e abatido antes de disparar os seus mísseis. Em simulações internas, a Eurofighter conseguiu que 4 Typhoons – guiados por um AWAC – derrotassem 85% das vezes um grupo de 8 F-35s.

À medida que as dificuldades orçamentais no Reino Unido, na Espanha e em Itália começam a levar à reavaliação da compra de novos Typhoon e que a Lockeed Martin aproveita esta reavaliação para propor a preços mais competitivos a sua alternativa estas guerrilhas serão cada vez mais comuns.

Fonte:
http://www.flightglobal.com/articles/2010/07/27/345265/eurofighter-boasts-typhoon-reign-over-f-35.html

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13 thoughts on “Guerra de palavras entre Eurofighter Typhoon e Lockheed Martin F-35

  1. Pingback: Guerra de palavras entre Eurofighter Typhoon e Lockheed Martin F-35 « PLANO BRASIL

  2. Saber explorar temas como esses que costumam ser ignorados pelos meios de informação convencionais, por diversas razoes é o que faz esse um dos melhores blogs que eu conheço.
    PS.: Clavis o q ouve com o óvni negro, esse ícone que passou a ficar quando posto os meus comentários é muito sem graça.

  3. ah, mudei o tipo de boneco…
    olha, se criares um perfil no wordpress podes escolher a imagem que preferires…

  4. certo mas eu ainda prefiro o OVNI negro

  5. e quem não?…
    mas não consta que o seu fabricante tenha morada conhecida…

  6. Lusitan

    A resposta dada pelo consórcio do F-35 desprezando o dogfight parece idêntica a uma parecida dada na altura da guerra do Vietname pelo consórcio que fabricou o F-4 Phantom. Originalmente o F-4 não tinha qualquer tipo de canhão dependendo apenas de misseis ar-ar para enfrentar os seus adversários pois considerava-se o dogfight obsoleto com o advento do missil guiado. Com o decorrer da guerra tiveram de engolir as próprias palavras sendo obrigados a instalar primeiro um canhão debaixo das asas e depois na fuselagem. Cheira-me que se vai passar algo de semelhante neste caso.

  7. Otus scops

    Portugal poderia aproveitar para renovar a frota de F-16 a preços de saldos se… não tivesse na penúria, aliás, como a generalidade dos países do consórcio (exceptuando a Alemanha).

    não acredito no fim do combate aéreo WVR (within visual range) para apenas BVR (beyond …), o combate próximo processar-se-á sempre e o treino dos pilotos será sempre um factor decisivo para o ganhar, mais até que o avião. a história tem mostrado isso.
    sou um admirador do Eurofighter. basta dizer que estão apenas 4 a fazer a defesa e interdição aérea das Falkland/Malvinas contra um país inteiro chamado Argentina, tal é a categoria do pássaro!

    Lusitan, a comparação com o F-4 é interessante e bem lembrada. mas o F-4 tinha outros predicados, velocidade, voo sustentado em curva excepcionais, aviónicos e contra-medidas avançadas (ainda hoje a Grécia usa um bom número deles), era uma máquina multi-tarefa, não apenas caça.

    • é verdade: quando os MiG-21 começaram a abater F-4s a ideia de que havia chegado ao fim a era do dogfight foi ao ar…
      tinha pensado em falar nesse exemplo (bem relevante), mas acabei por me esquecer de o introduzir neste artigo.

  8. Judas

    As qualidades dinâmicas do avião são agora mais importantes que nunca, e o desenvolvimento de motores que sustentam velocidade de cruzeiro supersónica é nesse sentido. Os mísseis ar-ar e terra-ar não funcionam segundo o princípio “cada tiro,cada melro”. As probabilidades de um disparo BVR atingir o alvo são geralmente inferiores a 50%, inclusivé contra alvos despidos de ECM, e a probabilidade de impacto decresce exponencialmente com o aumento da velocidade, altitude e capacidade de manobra do alvo. Contra um alvo rápido, manobrável e bem defendido por ECM, pilotado por alguém que não tenha sofrido de esgotamento ou falta de treino, as probabilidades de um tiro BVR o atingir são quase nulas. Tacticamente esses disparos a longa distância contra um adversário experiente são usados para forçar o alvo a manobrar e perder energia de maneira a permitir que o atacante se aproxime em vantagem. A distâncias mais curtas o cenário muda completamente porque os mísseis de curto alcance guiados por IR são praticamente invulneráveis a ECM e têm taxas de sucesso de 80% ou mais.
    Os argumentos da LM são uma fraude muito fácil de desmascarar. A LM afirma que o combate BVR prevalece e que o seu avião tem superioridade sobre os restantes porque é furtivo, sobretudo pela frente. Na realidade não o é se quiser disparar contra o inimigo. Para disparar um míssil guiado por radar contra o inimigo é necessário ligar o radar e aí acaba-se a furtividade porque o inimigo detecta a origem do ainda forte sinal de radar muito mais fácilmente do que o avião de origem consegue processar o sinal de retorno atenuado em muitos dB. Para se manter furtivo não pode ligar o radar e não pode disparar um míssil guiado por radar, tendo por isso que se aproximar a curta distância, onde já será fácil detectá-lo e superá-lo. Os argumentos da LM são cheios de contradição e demagogia, uma amálgama de ruídos que tentam desesperadamente ocultar o estado de crise em que o projecto se encontra. Um caça, ao contrário de um bombardeiro, não pode nunca ser verdadeiramente furtivo porque isso implicaria desligar todos os sensores activos. Se fosse como a LM argumenta, então porque houve necessidade de dotar o seu F-22 de enorme velocidade de cruzeiro supersónica, capacidade para grande altitude e extraordinária manobrabilidade? Não bastaria ter colocado um radar e mísseis ar-ar num F-117? Porque nunca o fizeram? Porque não passaria de um “sitting duck”, e o F-35 pouco mais é que isso. É um bombardeiro táctico, desenhado para penetrar defesas aéreas em silêncio e despejar bombas sobre o inimigo. Mas argumentar que é superior ao Typhoon em ar-ar é um insulto à inteligência.

    • Ora bem. Excelente observação. Nada a acrescentar…

    • LuisM

      Mais que uma observação, um tratado!

      🙂

      Quase que diria que é um piloto profissional a falar.

      Correm rumores que as vantagens da dupla F22/F35 não são assim muito significativas quer em relação aos caças de 4ª geração ocidental como o Typhoon, Gripen ou Rafale mas também em relação à família “soviética” SU35/SU37 já para não falar do PAK-FA.

      Há cerca de 2 anos houve um Red Flag em que participaram os SU-35 indianos. Geralmente os resultados são abertos e discutidos mas neste caso foram…como dizer…”inconclusivos”. Os indianos referiram a sua supremacia mas obviamente são suspeitos.

      Provavelmente mesmo os cortes na produção desta dupla (F22/F35) se ficará a dever ao facto de que a vantagem adquirida não justificar os custos megalómanos.

      Paralelamente desenvolveram uma “stealthização” do F-15 Eagle, o Silent Eagle que poderá ser uma alternativa relativamente boa e com preço em conta para produzir em largos números caso as necessidades estratégicas o ditem.

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