Fernando Nobre: Sobre as dificuldades do Voluntariado em Portugal

“O voluntariado autêntico no nosso país é escasso, mal formado e mal informado porque, historicamente, por razões políticas, nunca foi civicamente incentivado e porque a situação económica ainda vigente no nosso país não permite que a maioria dos espíritos se liberte da preocupação com a satisfação das suas necessidades básicas.”

As décadas de regime salazarista cobram ainda hoje o seu preço… depois de uma pesada marca que tornou os portugueses em escravos de um governo paternalista as cicatrizes assim deixadas na alma coletiva não se poderao evaporar facilmente. Esta longamente ensinada passividade e dormência cívica persistiu mesmo já sob o regime democrático e produziu os elevados níveis de abstenção que caraterizam a nossa democracia. Séculos de repressao produziram cidadaos odedientes, mas pouco participativos e criativos. É este círculo pernicioso que importa agora quebrar, resgatando a República das cliques que dela se apossaram.

“Não nos esqueçamos de que, para a União Europeia, cerca de um terço da população portuguesa viva na pobreza. Isso reflete-se nas grandes dificuldades actuais da gestão do voluntariado autêntico no nosso país, em geral, os voluntários não compreendem que ser voluntário é não só ter direitos mas também deveres.”

A persistência de uma grande camada de população que vive no limiar da pobreza ou mesmo abaixo desta linha de água determina que está pouco motivada para realizar intervenções de natureza cívica ou política porque o seu dia a dia está imerso em dificuldades das mais básicas e não lhe sobra nem tempo nem paciencia para voos mais altos. Sobretudo, grandes camadas da população não têm acesso à cultura nem à literatura, armas essenciais para o sadio despertar da consciência cívica. Os povos pobres são sempre povos pacíficos e dóceis para com os seus tiranos, não somente porque a fome lhe sorve a energia para se revoltarem, mas porque a iliteracia e a ignorância (tornadas assim em armas do Estado) lhes escondem as reais possibilidades de forjarem para si alternativa mais humana e uma sociedade mais justa.

Gritos contra a Indiferença, Fernando Nobre

Categories: Fernando Nobre, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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