Daily Archives: 2010/08/02

Fernando Nobre: Sobre as dificuldades do Voluntariado em Portugal

“O voluntariado autêntico no nosso país é escasso, mal formado e mal informado porque, historicamente, por razões políticas, nunca foi civicamente incentivado e porque a situação económica ainda vigente no nosso país não permite que a maioria dos espíritos se liberte da preocupação com a satisfação das suas necessidades básicas.”

As décadas de regime salazarista cobram ainda hoje o seu preço… depois de uma pesada marca que tornou os portugueses em escravos de um governo paternalista as cicatrizes assim deixadas na alma coletiva não se poderao evaporar facilmente. Esta longamente ensinada passividade e dormência cívica persistiu mesmo já sob o regime democrático e produziu os elevados níveis de abstenção que caraterizam a nossa democracia. Séculos de repressao produziram cidadaos odedientes, mas pouco participativos e criativos. É este círculo pernicioso que importa agora quebrar, resgatando a República das cliques que dela se apossaram.

“Não nos esqueçamos de que, para a União Europeia, cerca de um terço da população portuguesa viva na pobreza. Isso reflete-se nas grandes dificuldades actuais da gestão do voluntariado autêntico no nosso país, em geral, os voluntários não compreendem que ser voluntário é não só ter direitos mas também deveres.”

A persistência de uma grande camada de população que vive no limiar da pobreza ou mesmo abaixo desta linha de água determina que está pouco motivada para realizar intervenções de natureza cívica ou política porque o seu dia a dia está imerso em dificuldades das mais básicas e não lhe sobra nem tempo nem paciencia para voos mais altos. Sobretudo, grandes camadas da população não têm acesso à cultura nem à literatura, armas essenciais para o sadio despertar da consciência cívica. Os povos pobres são sempre povos pacíficos e dóceis para com os seus tiranos, não somente porque a fome lhe sorve a energia para se revoltarem, mas porque a iliteracia e a ignorância (tornadas assim em armas do Estado) lhes escondem as reais possibilidades de forjarem para si alternativa mais humana e uma sociedade mais justa.

Gritos contra a Indiferença, Fernando Nobre

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A novela dos “Patrulhões” (NPO) continua…

Arma principal (e única) dos Patrulhões (http://dn.sapo.pt)

Arma principal (e única) dos Patrulhões (http://dn.sapo.pt)

A novela dos “Patrulhões” continua… O primeiro navio, construído nos Estaleiros de Viana do Castelo, está já há mais de um ano em testes e ainda que a Marinha venha agora admitir que espera receber o navio no seu (cada vez mais escasso) inventário “em breve” a verdade é que tal entrega ainda não aconteceu.

Este “Patrulhão” será o primeiro de oito navios a construir em Viana do Castelo, navios que serão absolutamente cruciais para que as missões que eram até à bem pouco tempo cumpridas pelos 12 navios que durante apenas 4 anos, a Marinha já abateu aos seus efetivos e que como certamente se adivinhará corresponderam a sua redução da sua capacidade efetiva, algo especialmente grave num país de tradição marítima e com a extensa (e rica) Zona Económica Exclusiva de Portugal.

A causa dos problemas dos “Patrulhões” estão bem identificados. Logo desde o início, não houve uma clara percepção da complexidade dos sistemas embarcados nos navios e sem que existisse essa experiência em Portugal, foram cometidos varios erros que depois fizeram valer o seu peso. Nomeadamente, tornando os navios demasiado pesados e preenchendo demasiados espaços no seu interior.

A entrega dos novos navios vai permitir à Marinha uma redução dos seus custos operacionais, porque os navios que hoje utiliza (e que serão também depois abatidos) têm elevados custos de manutenção devido ao facto de alguns – como os patrulhas Cacine – terem já mais de 40 anos.

Atualmente, a Marinha Portuguesa tem um dispositivo naval de vigilância da costa composto por 3 patrulhas (já foram 10) um navio balizador e 5 corvetas (já houve 10). Seriam estes 10 navios que seriam substituídos pelos 8 “Patrulhões”, custando os dois primeiros, o ‘Viana do Castelo’ e o ‘Figueira da Foz’, contratados em 2003, cerca de 150 milhões de euros. “Seriam” porque ainda não foram, com grave prejuízo para a capacidade de vigilância marítima na nossa costa e grande vantagem para contrabandistas, pesqueiros ilegais, petroleiros com lavagens ilegais de tanques e toda a demais cáfila de meliantes que agora a Marinha já não consegue interceptar.

Fontes:
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1627475
http://www.gforum.tv/board/1513/403944/patrulhoes-sem-entrega-marcada.html

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Quids S20: Como se chamava este navio?

1. Todos os quids valem um ponto.

2. Os Quids são lançados pela manhã. Entre as 21:00 e as 24:00 (Hora de Lisboa)

3. As pistas só serão dadas à hora de almoço (12:30-14:30) ou mais cedo, se possível. Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, desde que pedidas por um (qualquer) dos participantes.

4. Só há quids entre 2ª e 6ª (incluindo feriados). Salvo imprevisto…

5. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 20 pontos.

6. A qualquer momento, poderão sair “QuidsExtra” de texto ou de imagens, com as mesmas regras dos demais, mas sem limite de dia ou de hora. Estes quids valerão sempre 3 pontos e correrão até que um nickname novo, num IP novo, chegue aos 100% ou se tendo passado mais de 48 horas, ao participante que recolher melhor classificação.

7. É vivamente desencorajado o uso de vários nicknames para o mesmo concorrente, já que desvirtua o espírito do jogo. Lembrem-se que o IP tudo revela…

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Sobre o envio de Força Lusófona de Manutenção de Paz no âmbito da CPLP para a Guiné-Bissau

Militares guineenses (http://www.stratfor.com)

Militares guineenses (http://www.stratfor.com)

O país que ainda hoje atravessa a maior crise social, política e económica de toda a Lusofonia é a Guiné-Bissau. Este país está envolto numa corrupção absolutamente descontrolada. Em Bissau os militares caminham lado a lado com as máfias da droga colombianas, são pagos por elas e protegem ilhas inteiras que estas máfias utilizam e encerram o aeroporto de Bissau sempre que chegam grandes carregamentos de droga. Na Guiné Bissau, o Exército tornou-se num bando de mercenários dos barões da droga e está em fase terminal.

Na última cimeira da CPLP, em Luanda, o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, invocou a necessidade de a Comunidade contribuir para a devolução da Guiné ao Estado de Direito através do envio de uma força militar de intervenção. Em resposta, o secretário executivo da CPLP respondeu que concordava, mas que esta força só poderia ser convocada após o recebimento de um pedido explícito das autoridades guineenses.

Domingos Pereira acrescentou ainda que o envio dessa força lusófona de manutenção de paz “corresponde àquilo que vínhamos a dizer desde abril de 2009”. O problema é que na situação atual em Bissau, onde diversos grupos militares se combatem mutuamente servindo os interesses nem sempre coincidentes de diferentes máfias colombianas, não existem condições para que o Governo possa pedir à CPLP o envio de qualquer força militar. Enviar forças sem o apelo expresso de um governo da Comunidade também é eticamente complexo, a menos que haja um mandato do Conselho de Segurança ou que os países da CPLP acordem mutuamente e unanimemente que esse tipo de intervenção. Sem uma, nem outra condição a intervenção está fora de questão… a menos que alguém em Bissau tenha tanta coragem como aquela que é necessária ou que… saia do país (por exemplo, para Cabo Verde) e faça a partir daqui este apelo por uma Força Lusófona de Manutenção de Paz como aquela a cuja criação apela o MIL: Movimento Internacional Lusófono.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/cplp-envio-de-tropas-para-a-guine-bissau-esta-condicionado-a-pedido-explicito-das-autoridades-guineenses-secretario-executivo=f596719

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A Foxconn quer compensar os aumentos de salários

Recentemente, numa conferência, o vice-presidente da tristemente famosa (pela vaga de suicídios) Foxconn anunciou que a empresa estava à procura de formas de absorver os recentes aumentos salariais que teve que adotar para responder à contestação internacional de que foi alvo quando vários dos seus funcionários se atiraram do terraço da suas fábricas.

As opções que a Foxconn está a avaliar são a redução de custos pela via da automação e o aumento dos preços dos produtos que fabrica para as grandes multinacionais norte-americanas da Informática.

Sendo esta a maior empresa chinesa a exercer atualmente atividade nesta área, as suas medidas serão certamente seguidas pelas suas congéneres locais e acelerar o fim daquele que é ainda hoje o essencial do “modelo chinês de Desenvolvimento”: mão de obra abundante, barata, sem direitos laborais ou humanos. A via da robotização industrial num país que sempre optou pela mão de obra intensiva para vai criar Desemprego num país desprovido de cobertura social e onde as mais reduzidas taxas de Desemprego podem criar o caos nas grandes cidades. Aumentar os salários vai pelo seu lado repelir as imorais multinacionais da China e fazê-las procurar alternativas noutras paragens do globo. De uma forma ou de outra, seja pelo Desemprego, seja pela via do aumento de salários esta China está a chegar ao seu ocaso e o mundo que a usou como “fábrica” também… não sabemos é, ainda, o que lhe irá suceder… nem se será um mundo pior ou melhor.

Fonte:
www.engadget.com

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