Sobre a adesão (adiada) da Guiné Equatorial

Ultimamente, muito se tem escrito sobre a eventual adesão da Guiné Equatorial à CPLP. É certo que esta antiga colónia espanhola tem dado alguns passos importantes para esta adesão com a introdução da língua portuguesa nos currículos escolares mas o seu regime continua sendo – no essencial não-democrático – e esse critério devia prevalecer sobre aqueles dois que parecem estar a sobrepor-se a todos os demais: o estrito economicismo das suas reservas petrolíferas e o estéril desejo de expansão da Comunidade.

A CPLP deve ser – na nossa visão e naquela publicamente defendida pelo MIL – um modelo de Liberdade, Boa Governança e Democracia. A Guiné Equatorial, apesar do seu passado Setecentista lusófono e da recente adoção do português como língua oficial e nos graus de ensino, não cumpre nenhum dos três critérios acima descritos.

Sou claro: nem sempre pensei (e escrevi) assim. Como muitos na CPLP (Brasil e Guiné-Bissau) acreditei que primeiro a Guiné Equatorial poderia aderir para depois, ir aplicando pressão para que mudasse o seu regime implantando instituições democráticas e libertando presos políticos. Mas estava errado.

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Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional | Etiquetas: , | 7 comentários

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7 thoughts on “Sobre a adesão (adiada) da Guiné Equatorial

  1. Fred

    Olá Clavis, como foi as férias? espero que bem!

    Sobre o tema, eu ainda acho! Creio que devemos permitir a adesão da Guiné e ir influenciando e condicionando sua atuação a correção dos pontos necessários.

    Parafraseando o D. João VI: é necessário colocar a coroa em nossa cabeça, antes que algum aventureiro o faça!

    Sendo prático, ou fazemos isso ou a China faz. E sabemos que os pontos necessários dela estão bem, bem longe dos nossos.

    E não é só a China, apesar de ser a mais interessada, existe muito interesse espanhol e americano.

    Abraço

    Fred

    • era a minha posição inicial, de facto… mas como o regime não mudou desde que aderiu como Observador, como mudará agora?
      E poderiam usar este seu desejo para forçar mudanças na GE!

  2. Odin

    Tudo bem, Clavis? Espero que sim! 😉

    A entrada da Guiné Equatorial na CPLP é polêmica sim. Já foi colônia portuguesa, a ilha de Bioko.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Guin%C3%A9_Equatorial#Dom.C3.ADnio_portugu.C3.AAs

    Mas esta Guiné foi colônia espanhola também. Minha posição é, por enquanto, não deve ser aceita. Primeira coisa, os nossos governos (em especial o brasileiro) deviam fazer intensa pressão para a Guiné Equatorial se democratizar. A CPLP devia “tomar vergonha na cara” e exigir democracia plena entre os seus membros. Portugal é o que mais respeita a necessidade da democracia. Parabéns ao Cavaco e ao Sócrates. Após a democratização, aí consultar a opinião da população da Guiné Equatorial se quer que seu país seja membro ou não. E se realmente concorda em aprender o Português, em tê-lo como um de seus idiomas oficiais, sem imposição tirânica. Uma Guiné Equatorial democrática, que respeite o Estado de Direito, e cuja população queira ingressar por livre vontade, com aprovação da maioria, é bem vinda na CPLP sim, da minha parte. Agora, um ditador, um tirano decidir que quer entrar e se impor à população, nada feito!

    A Guiné Equatorial tem Espanhol e Francês como idiomas oficiais, já estou até imaginando a Espanha querendo fazer da CPLP e a Cimeira Ibero-Americana uma coisa só, criar uma só comunidade de língua portuguesa e espanhola. Já pensou se os de língua francesa inventem de querer ingressar também, alegando que Português, Espanhol e Francês têm a mesma origem, depois os de língua italiana… até os de língua inglesa vão alegar que a região onde hoje é a Inglaterra chegou a ser ocupada pelos romanos, e que Londres foi fundada pelos romanos, e que tem raízes culturais latinas sim, então, têm argumentos para ingressarem também. Depois, os de língua árabe vão alegar que a Península Ibérica já foi árabe, que espanhóis e portugueses já ocuparam terras árabes, Al-Andaluz… os de língua hebraica vão lembrar dos judeus sefarditas de língua ladina… a Índia vai lembrar de Goa, Damão, Diu… a China de Macau… o Japão vai alegar que recebeu palavras do Português em seu vocabulário, e dos navegadores comerciantes portugueses em 1542-1543… a CPLP vai assimilar o planeta… 😀 (Este segundo comentário foi uma brincadeira minha).

  3. Fred

    Mesmo que entrem, se é que vão entrar mesmo, nada mudará rapidamente, o motor das mudanças seria com obrigações de ensino, intercâmbios, desenvolvimento da classe média e por ai vai. Afinal, ninguém sente falta do que não conhece.

    Acho que o contador de velocidades de influência da CPLP na GE seria em gerações e não em anos.

    Não sei se pressão funciona, os “grandes libertadores”, “lideres únicos” etc e tal, tem um que de não lidar muito bem com isso de ceder o poder, deve ser algum transtorno compulsivo qualquer. 🙂 Acredito mais em mudanças paulatinas e constantes.

    E para os demais interessados no butim negro, a democracia e bem estar da população não é condição necessária, na verdade até atrapalha.

    Abraço

    Fred

  4. Clavis,

    Adesões quando espontâneas, a priori devem sempre ser bem acolhidas. Os pilares que você considera essenciais e eu também (Liberdade, Boa Governança e Democracia) para que a Guiné Equatorial se torne membro integrante, na verdade não se fazem presentes, em parte ou na totalidade, na maioria dos países membros da CPLP.

    Por este aspecto, acho que se deveria acolher a Guiné Equatorial em nossa comunidade.

    Saudações cordiais

  5. bem, num… Angola, país onde a democracia é muito deficiente… e a Guiné, onde é melhor nem falar…

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