Portugal: o Vício da Dívida

Sejamos claros: Portugal está a gastar muito acima daquilo que efetivamente consegue produzir. Durante décadas, de facto, desde a rendição massiva da industria, da agricultura e das pescas à Europa (a troco de fatuos, mas consideraveis “fundos estruturais” que o país deixou de produzir sequer uma pequena parcela daquilo que consome. Restam assim duas opcoes: ou passa a consumir menos, ou passa a produzir mais… a segunda opção é impossível a curto prazo porque a Europa demorou décadas a demolir a nossa indústria, agricultura e pescas a troco de “subsídios”. resta assim a segunda opção… reduzir… reduzir consumos, níveis de vida e… salários tendo de permeio uma severa contenção do crédito, especialmente ao particular e de consumo.

Gastamos mais do que podemos pagar. E apenas foi possível viver assim durante quase vinte anos porque o crédito foi barato e estivémos a coberto do euro. Agora que a bolha do crédito eterno (e crescente) estourou e o euro revelou todas as suas contradições e fragilidades internas, nada mais nos resta além de salvar os empregos que restam, reduzindo o nosso nível de vida no imediato – de forma global e em todos os escalões sociológicos – e reinstaurando barreiras alfandegárias enquanto reconstruímos o tecido produtivo que a Globalização e os “Senhores da Europa” nos roubaram.

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Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 16 comentários

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16 thoughts on “Portugal: o Vício da Dívida

  1. Fenix

    As armas as armas contra a europa lutar…

  2. Odin

    Fenix,
    as armas para lutar contra a Europa?
    Não vou dizer que os governos mais recentes de Portugal não erraram em tomar algumas decisões, porque erraram sim. Mas a crise financeira que a Europa padece hoje, começou fora da Europa. Os primeiros que erraram foram os americanos, a crise imobiliária dos EUA. E os chineses pseudo-comunistas fazem concorrência desleal, usam mão de obra excessivamente barata, quase escrava. E não são as etnias chinesas o problema, mas quem comanda a China, os líderes de lá. Quando foi a bancarrota recentemente, a Islândia quase “se ajoelhou implorando” para ser aceita na UE. Será que vale mesmo a pena para Portugal sair da UE e se virar contra a Europa? Apesar de que tanto o Brasil quanto Angola podem ajudar Portugal a sair dessa “fria”. Mas para manter relações econômicas com o Brasil e os Palops, não é necessário “meter o pé” na Europa.

    • Fenix

      Com todo respeito,vai haver a hora que a paciência vai estorar:há grupos clandestinos já activos e já foram alguns investigados pelo sis segundo noticias de jornais;Eu não faço parte nem tenho nada haver com esses grupos nem nenhum outro. “As armas as armas contra a europa lutar…” As armas são as teclas os as canetas mas a cima de tudo são as ideias para lutar contra a união europeia neoliberal:De mudança que eu espero que possa ser pacificas,mas temo que os governates não veijam que estamos a chegar ao limite de sedencias á europa e ao grande capital.O que vai levar a que cada vez haja mais grupos radicais despostos a tudo mesmo á guerra.Os nossos dois partidos mais votados e mais outro aprovão tudo o que a europa pede.É legitomo e democrata a sua aprovação.Para uma verdadeia mudança politica e estrategica tem que se votar na esquerda verdadeira e isto segundo o nosso quadro parlamentar e partidario.Gostem ou não gostem do PCP ou BE.´Não tenham medo de votar a esquerda do ps porque se esse sinal não for lançado para a nossa arena politica não havera mudanças no ps nem na sua politica de direita.È logico que nunca podia estar contente com esta europa onde os partidos que tem assento são na sua maioria de direita e “democratamente eleitos”.È importante que todos os paises tirem por voto os neoliberais dos seu paises e da união o que acho não vai acontecer.E isso é barro e ferro a luta dos pobres e dos ricos os seus intereces não se ligão por isso a união esta condenada a uma morte terrivel se não haver mundanças de mentalidades economcas e politicas.

    • Odin

      Com igual respeito, eu não interpretei ao pé da letra. 🙂
      Entendi como uma forma de expressão, como “combater o ideal de união da Europa”. Não imaginei que foi proposto pegar literalmente em armas de fogo ou brancas, derramar sangue de outros europeus. Imaginei que foi proposto um combate ideológico, uma propaganda para que Portugal sáia da UE e do Euro.
      As nações não costumam fazer favores às outras nações sem nada em troca. Vou fazer uma comparação entre países de mesmo idioma. Pode ser que muitos indivíduos americanos vejam o Canadá, como um país irmão, e muitos canadianos vejam os EUA como um país irmão também. Mas governos e empresas, são motivadas por interesses econômicos e financeiros, e o Canadá não apóia incondicionalmente os EUA em tudo, há divergências de valores que impedem até uma união total (sem falar no detalhe do Quebec de língua francesa). O governo inglês não entrou em guerra contra o Iraque por preocupação com bem-estar dos americanos, com medo de ver a nação irmã ser humilhada ou machucada pelos iraquianos. Foram porque tinham algo a ganhar em troca. E os outros países árabes não reagiram em favor do Iraque, não lembraram que um país irmão foi agredido por potências estrangeiras. Por que? Porque são regidos por interesses econômicos e financeiros. Os países europeus vão querer algo em troca de qualquer um dos outros membros. Eu fico feliz que o Brasil não tenha feito a ALCA com os EUA. Como estaria o Brasil hoje, se tivesse feito livre-comércio com os EUA? Mas o caso de Portugal com a UE é outra realidade, não é a mesma coisa. Eu não sou “Nostradamus”, mas acho que a Alemanha, França e Benelux vão manter o Euro sim. Países como Grécia, Portugal e Espanha podem até sair do Euro, haver uma redução de países membros, mas o fim absoluto da UE, acredito que não está tão próximo assim.

  3. Odin

    Eu sei que a relação entre os europeus ocidentais é ‘fria’. Não há uma alma comum. Também não gosto da forma como ingleses, holandeses, belgas e luxemburgueses tratam os portugueses, discriminam os lusos. Se um indivíduo português faz algo de indevido, todos da comunidade portuguesa são criticados e humilhados. Os justos pagando pelos pecadores. Entre os belgas, os flamengos não respeitam nem os valões. Mas o Japão se tornou o que se tornou porque após a II Guerra Mundial, os japoneses enviaram os seus jovens para estudar em universidades americanas e voltar com o conhecimento para aplicar no Japão. Era isso que o governo português tinha que ter feito, enviar os “miúdos” para estudarem as diversas engenharias, profissões cuja base são a Matemática, a Física, a Química, a Biologia e a Informática, em universidades alemãs, francesas, britânicas, suíças, suecas, italianas, holandesas… e aplicar o conhecimento adquirido em Portugal, desenvolver a tecnologia portuguesa, e lecionar em universidades portuguesas também. Ainda há tempo de fazer isso, mas se Portugal se virar contra a Europa, poderá perder a oportunidade.

    • Otus scops

      Odin

      1. “… a relação entre os europeus ocidentais é ‘fria’” primeiro teríamos que ver se isso é bom ou mau. depois generalizar desta forma é redutor. há os países e há as pessoas e entren esses há temperaturas para muitos gostos. uma curiosidade: então e nos europeus orientais como é?
      2. “Não há uma alma comum” o que é isso e onde é que existe tal??? há uma série de princípios e regras descritas em tratados que são do conhecimento de todos, dando obrigações e direitos. só está na UE quem quer e pelos vistos são muitos a querer. agora existe é uma matriz cultural e identitária comum e acho que é suficiente.
      3. “… discriminam os lusos.” eu não me queixo. há casos de discriminação sem dúvida mas são casos esporádicos que não reflectem nenhum tipo de política activa seguida qualquer país europeu, isso é contrário ao espírito da UE. cada vez há mais gente jovem a fazer o programa de intercâmbio universitário Erasmus que com o passar das gerações vais esbatendo e eliminando os preconceitos herdados, alguns com fundamento outros nem tanto. a Europa é constituida por uma série de povos, nações e países, com línguas muito diferentes, histórias da maior violência já vista na Terra, ainda há bem pouco tempo. são memórias – ainda muitas vivas – que não se apagam de um momento para o outro. este projecto é mais uma experiência de vanguarda que a Europa dá ao mundo, juntando tanta gente diferente numa mesma organização, partilhando em vários assuntos a própria soberania nacional, sem fronteiras, reconhecendo diplomas, direitos tentando dotar todos os seus habitantes de tudo o que há de melhor numa civilização, segurança, defesa, saúde, educação, justiça, meio-ambiente, paz, etc. claro que nem sempre funciona de agrado a todos, claro que há uma ditadura dos grandes países (por vezes até é bom) e nem sempre o processo é democrático, claro que há falhas e lacunas mas para projecto inicial não está nada mal. consequências, não há guerra na UE desde 1945, a prosperidade aumentou desde essa altura sem parar e melhor que tudo a qualidade de vida é a mais elevada que existe em qualquer dos blocos geo-estratégicos. isto são os factos. claro que há muita coisa a melhorar, aliás estas coisas nunca são um projecto acabado, ten sempre de evoluir e aperfeiçoar-se.
      4. “Se um indivíduo português faz algo de indevido, todos da comunidade portuguesa são criticados e humilhados” este é para completar a anterior,como já disse isto é um exagero. apesar de tudo se for alguém. com qualquer outra nacionalidade acontece também. não nada contra os Portugueses em particular em lado nenhum mas é bom não esquecer que na Europa há muitas organizações de direitos humanos, quando acontecem estas coisas há também um sem numero de pessoas que fazem manifestações contra estas situações. agora há uma certa corrente xenofoba, nuns países mais do que outros, contra estrangeiros, nomeadamente muçulmanos.
      5. “…os japoneses enviaram os seus jovens para estudar em universidades americanas.” talvez mas o Japão era antes da derrota uma potência industrial e tecnológica. e depois devem o seu crescimento aos vencedores, os biliões de dolare$ e o Gen. McArthur explicam isso muito melhor.
      6. “…o governo português tinha que ter feito, enviar os “miúdos” para estudarem…” não envia, já disse atrás que existe o programa Erasmus que permite a qualquer um, mediante certos critérios, ir estudar e aprender por essa Europa fora. mas caro Odin, vem muitos Europeus e estrangeiros (e muitos patrícios Brasileiros) estudarem nas nossas universidades. Portugal tem todos os cursos certificados pelo Tratado de Bolonha, ou seja, exibe os mais elevados requisitos de qualidade, como uma qualquer universidade alemã, italiana ou outra. o mal dos nosso país são as lideranças, políticos e patrões (minha convicta opinião) que comandam mal os destinos do país. temos cientistas e académicos a trabalhar em todo o lado a receber os maiores elogios, incluindo nos EUA. neste aspecto Portugal está nos patamares mais elevados.
      7. do comentário anterior “…tanto o Brasil quanto Angola podem ajudar Portugal a sair dessa “fria”” já estão a ajudar sobretudo há cerca de 5 anos a esta parte com maior intensidade. a diferença é que no Brasil (por enquanto) são negócios de grandes empresas, multinacionais e empresas estatais, enquanto que Angola estão a ir também pequenas e médias empresas e muita gente a título individual, ou seja, sente-se o impacto dessa emigração para África do que para o Brasil. não podia deixar de fazer justiça a Moçambique que tem recebido muitos Portugueses tambám, além de obviamente, a UE.
      para terminar, os Portugueses ao irem trabalhar para esses países também ajudam, pois se não fossem necessários e úteis nem Brasil nem Angola, nem nenhum outro “ajudariam”…

    • Odin

      Otus Scops, vou tentar não escrever um texto longo e exaustivo, mas acho que não vou conseguir.
      Você está dentro da UE, eu estou fora. Então, não vou querer teimar com você quem sabe mais sobre a UE, pois é evidente que você sabe mais. 🙂
      “ Alma comum”, é o que o Agostinho da Silva via nos países lusófonos, o que motiva o Clavis Prophetarum e o pessoal do MIL a divulgarem o que divulgam.
      Você mesmo não se queixa, mas li queixas de outros portugueses através da internet.
      Respondendo o comentário número 4:
      http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=1148192
      http://www.publico.pt/Sociedade/reino-unido-emigrantes-portugueses-sofrem-represalias-pela-morte-de-hayley-richards_1225986
      O Diário de Notícias e o Público generalizaram na forma que expressaram o título? É claro que não são 100% dos ingleses que são xenófobos, óbvio que são casos isolados. Quis ser objetivo, direto, eu não quis generalizar. Toda pessoa que tem condições de analisar sabe que não é 100% das pessoas de um determinado país que é xenófoba.
      http://tv1.rtp.pt/noticias/?article=56323&visual=3&layout=10
      Não é 100% da comunidade que está lá que se sente discriminada. Mas não será um exagero , então, quase a metade? Mais é claro que não são 100% dos luxemburgueses que rejeitam quem é de fora.
      http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=631731
      http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=213108 (nos comentários feito pelos leitores)
      Discriminar pessoas por diferenças étnicas, para mim, é errado independente de quem contra quem.
      No Diário Económico, nas notícias sobre a disputa entre a Telefónica e a PT sobre se vende ou não a Vivo, além de ofensas constantes e infindáveis ao Sócrates, os muitos dos comentaristas portugueses parecem querer guerra contra a Espanha e a União Européia. 😀
      É muito bom saber que há cada vez mais gente a fazer o programa Erasmus. No meu ponto de vista, o melhor que algo como a UE pode oferecer é a troca de conhecimento, de informações que ajudem a melhorar a sociedade cada vez mais. As universidades portuguesas estão nos patamares mais elevados? Ótimo! Que permaneçam nos patamares mais elevados! O futuro de qualquer país depende da qualidade da educação. Então, o mal do seu país é semelhante
      ao mal do meu? A classe política. (Embora o meu tenha mais males ainda). Qual é a solução?
      Eu acredito no potencial dos cientistas e acadêmicos do seu país, tanto que sou favorável à proposta dos cientistas da Universidade do Minho. O Brasil tem cientistas, inclusive alguns na NASA, tal como há portugueses lá, ou seja, investindo corretamente na educação, qualquer país tem futuro. Mas, se não forem pagos salários bons a eles, com certeza vão embora em busca de salários mais altos, o que é natural. Nisso, tanto Brasil quanto Portugal devem valorizar os seus cientistas e acadêmicos. O Brasil, eu sei que falha neste quesito. Otus, é lógico que os tugas que estão em Angola, Moçambique, Brasil ajudam, contribuem. E é claro que existem brasucas que ajudam em Portugal, não é possível que existam só criminosos e prostitutas dentre os brasucas que estão aí.
      Agora, sobre essa idéia de muitos portugueses, incluindo alguns de nossos colegas que participam do Quintus, de que a UE é o grande inimigo de Portugal, que a solução é sair da UE e fazer uma união similar com outros países de língua portuguesa… perdoem-me, mas não é a melhor opção para Portugal neste momento. Não sendo português, mas sendo lusófono de outro país, se eu estimulasse isso, estaria agindo de má fé com Portugal. O economista Paul Krugman disse na entrevista ao jornal “Estadão” é verdade. Essa conversa de que o Brasil é ou está se tornando uma potência mundial é pura especulação. Não há garantias nenhuma disso. Está numa fase boa, de crescimento, expansão, mas não garante que vamos mesmo ser uma das potências mundiais. Eu não sei como será o Brasil no ano de 2110, ou no ano de 2060, mas o Brasil do ano de 2010 não pode oferecer à Portugal o que os países de primeiro mundo da Europa podem. E o bem-estar pessoal de cada cidadão é importante, não podemos ignorar isso. Que os governos construam uma comunidade de nações de língua e ortografia portuguesas, que a Galiza independente da Espanha venha a fazer parte, por mim os galegos são bem-vindos, façam essa CPLP de enfeite funcionar de verdade, ter real utilidade. Mas começar já com “passaporte lusófono, a livre circulação entre cidadão lusófonos”… eu tenho que ter bom senso e dizer “não”! Já pensaram se os criminosos, traficantes, PCC… venha a ter entrada livre em Portugal, Palops e Timor? E mesmo criminosos destes países entrarem livremente no Brasil? 😦 Não posso apoiar uma idéia como essa. Têm que garantir a segurança dos cidadãos dos países primeiro, depois liberam o acesso. Já eliminar impostos de produtos, mercadorias e serviços, vale a pena como um começo. Mas, não posso aconselhar que Portugal, e mesmo a Galiza caso se separe da Espanha, fiquem fora da UE. Se a UE vier a convidar Portugal a sair do clube, coisa que eu não acredito que vá acontecer, aí é diferente. Mas se eu realmente tenho simpatia por Portugal, não posso defender a saída deste da UE agora. A UE ajudou muito a Portugal, e devem tentar vencer a crise juntos. Agora, se a maioria da população portuguesa quer a saída da UE e ponto final, respeito a vontade do povo português, continuarei a desejar o bem de Portugal do mesmo jeito! 🙂

    • Otus scops

      olá Odin

      invoco Huginn e Muninn para responder com a máxima sabedoria e qualidade que me mereces. 🙂
      “… pois é evidente que você sabe mais” provavelmente, da mesma maneira sabes mais do Brasil e permites-me comentar também o teu país e região. mesmo que não saibas tudo as opiniões dos “de fora” tem muito valor para mim. gosto sempre de saber que imagem tenho (neste caso colectiva) ou deixo e no que os outros pensam e sentem. mais ainda com um interlocutor da tua qualidade!
      uma das coisas que me fazem gostar imenso do Quintus e me identificar com ele é o meu profundo respeito pela figura do Prof. Agostinho da Silva, filósofo de vanguarda e idealista. o sonho comanda a vida!
      costumo dizer que “o que hoje é uma utopia, amanhã pode ser uma realidade”. mas o Prof.A.Silva não vivia na realidade, os ideais dele só serão possíveis quando uma série de condições físicas e mentais fiquem resolvidas. (devo dizer que não conheço em pormenor o pensamento dele nesta quastão)
      por outro lado o Prof. Eduardo Lourenço http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Louren%C3%A7o o digno sucessor do Prof. A.Silva, é um europeísta convicto! por isso é um dos seus maiores críticos (à UE) mas que nunca exclui a Lusofonia da sua Weltanschauung (http://pt.wikipedia.org/wiki/Weltanschauung). é uma pessoa completamente diferente do Prof.A.Silva, lida com políticos, estrategas, univesidades, centros de estudo, think-tanks, com uma postura diferente em relação ao real.
      mas aquilo que vejo por aqui e que me aborrece não é a Lusofilia mas a Eurofobia. é globalmente injusto e totalmente errado.
      a glória de Portugal aconteceu e só foi possível quando aconteceram duas situações (no sec. XV):
      1. Portugal enviou para a Europa muitos cidadãos estudar e aprender e ao mesmo tempo chamou muitos estrangeiros para virem trabalhar no reino
      2. as riquezas eram vendidas para a Europa
      ou seja, Portugal viveu o seu melhor período realizando-se com a Europa e na Europa! quem não entender isto é…..
      é positiva para a Lusofonia Portugal na UE. até Cabo Verde é falado como um potêncial candidato!

      “Respondendo o comentário número 4” mantenho integralmente tudo o que disse: um exagero empolamento de um caso exporádico. analizei o caso Trowbridge. é uma aldeola com 28.000 pessoas tacanha com alguns agitadores possivelmente. acontece por todo o lado. quando Portugal elimina a Inglaterra em futebol (já é uma tradição), existem estes fenómenos um pouco por toda a Inglaterra, mas sempre em vilas e cidades pequenas. é uma notícia equivalente á de um tiroteio que houve ontem em Lisboa entre ciganos.
      no caso do DN “Portugueses discriminados nas escolas inglesas” é um enorme sensacionalismo dos cabeçalhos.
      são reportados 2 casos esporádicos. conheço mais de uma dezena de pessoas e amigos que estudaram na Inglaterra (e por lá continuam alguns) e nunca me falaram nada sobre discriminação. caro Odin estes exemplos são completamente inócuos, confirma o que digo, não há má vontade generalizada contra os Portugueses, são casos isolados. mas queria realçar os seguinte, as autoridades inglesas, quer policiais, quer judiciais, mais a representação consular portuguesa actuaram! grande Europa! o(s) estado(s) de direito a funcionar.

      no caso Holandês é uma situação recorrente. casos de exploração de e por portugueses são várias. o mesmo com vários outros, holandeses, espanhois, franceses, etc. mas se reparares – mais uma vez – mete autoridades holandesas e políticos portugueses. lá por estarmos na Velha Europa não significa que sejam todos bem comportados, longe disso! mas o exemplo que dá ao mundo é que as autoridades dos países não ficam de braços cruzados, actuam e em cooperação.
      temos tráfico de mulheres, sobretudo oriundas do Leste Europeu e do Brasil que é combatido pelas autoridades, tendo sido já apanhados agentes das forças policiais. e não esquecer que a notícia tem 5 anos! é maldade… é o mesmo que eu ir buscar notícias da ditadura militar e dizer que o Brasil não é uma democracia…

      quanto à xenofobia no Luxemburgo dá-me vontade de rir… Odin, tu não conheces os portugueses. tal como todos os povos os portugueses não são uma massa homogenea que se comporta da mesma maneira, há classes, estratos sociais, etc.
      se calhar não sabes mas o Luxemburgo tem 500.000 habitantes e cerca de 10% são Tugas. ou seja, seria proporcionalmente teres cerca de 20 milhões (por exemplo) de Bolivianos (se tal fosse possível). qua achas, os Brasileiros ficariam mais xenofobos ou não??? mas no Luxemburgo não é assim. pode haver casos de discriminação, não o nego, mas esta gente costuma ser ingrata e lamechas. quando vem de férias a Portugal queixam-se que “os de cá” também os tratam mal! deviam era dar graças aos deuses por um povo (Luxemburgo) ter aceite que 10% da sua população seja de portugueses e ainda por cima pagar-lhes os melhores salários de toda a Europa! se não gostam mudem de país. portanto se os 1400 estrangeiros da sondagem, não sei quantos eram portugueses (mas se fossem uma centena) a responder pelos 50.000 e por azar serem daqueles que andam sempre a queixar-se pode adulterar um resultado e leva-te a tirar uma conclusão incorrecta induzida por uma notícia com pouca sustentação científica. não devemos concluir certas coisas sem juízo crítico.

      “muitos dos comentaristas portugueses parecem querer guerra contra a Espanha e a União Européia” outra frase insidiosa, são outros tantos (ou mais até) os que apoiam a posição da Espanha e da UE. só mencionaste aquilo que te agradou… falta de isenção! 😦

      “sou favorável à proposta dos cientistas da Universidade do Minho” qual proposta???

      “tanto Brasil quanto Portugal devem valorizar os seus cientistas e acadêmicos. O Brasil, eu sei que falha neste quesito” não conheço a situação do Brasil. posso assegurar-te que a comunidade cientifica em Portugal sabe e reconhece à ciencia do Brasil o maiores elogios. existem alguma desconfiança com alguns cursos de certas universidades menos conceituadas e temm havido alguns problemas com a veracidade de alguns diplomados… existem muitos Brasileiros e leccionar no ensino superior e outros segmentos do ensino cá pelo burgo. além de quadros superiores por todo o tecido empresarial e industrial português. artistas e criativos também há muitos. existem centros de excelência do melhor que se faz no mundo aí por Terras de Vera Cruz.
      o problema português é que os ciêntistas são algo valorizados, os meios que lhes põem ao dispor é que são fracos e por isso optam por sair (ou por não vir…).

      “Agora, sobre essa idéia de muitos portugueses, incluindo alguns de nossos colegas que participam do Quintus, de que a UE é o grande inimigo de Portugal, que a solução é sair da UE e fazer uma união similar com outros países de língua portuguesa… perdoem-me, mas não é a melhor opção para Portugal neste momento” a partir daqui estou globalmente de acordo contigo. esta resposta já vai longa.

      agradeço a Huginn e Muninn pela inspiração. 🙂

    • Odin

      Olá, Otus Scops! Tá certo! 😀
      Eu gosto muito de dialogar com participantes como você, o Clavis Prophetarum, o Carlos Argus, o Fenix, o Renato… porque me ajudam a crescer e discordam de mim com educação, com respeito, com paciência, porque não sou dono da verdade, estou sujeito a estar com um ponto de vista errado, e posso aprender algo novo. 😉
      >“provavelmente, da mesma maneira sabes mais do Brasil e permites-me comentar também o teu país e região…”
      Re: Mas é claro que sim. Uma das funções do fórum virtual do Quintus é essa! Pra mim é muito interessante conhecer análises sobre o meu país feita por pessoas de outros países. Às vezes, as opiniões podem não ser agradáveis, mas não deixam de ser uma oportunidade de perceber erros que daqui de dentro não percebemos, às vezes. Nem sempre vamos ser aprovados, não é possível agradar à todos, mas podemos melhorar um pouco mais.

      >“…o Prof.A.Silva não vivia na realidade, os ideais dele só serão possíveis quando uma série de condições físicas e mentais fiquem resolvidas…”
      Re: Eu não tenho mais, graças à Deus, complexo de “colonizado” e, minha opinião pessoal, não acho que o meu país tenha que ser o número um do mundo em tudo. Quero que seja um país desenvolvido de fato e que tenha forças para se defender, se for necessário. De resto, podem ter mais de 100 países com o PIB maior, com mais armas, com frota maior, com mais medalhas olímpicas, com mais taças de mundiais de futebol, tecnologia mais avançada, etc… quando alguém de outro país vem propor que seu país venha a se unir voluntariamente ao Brasil num mesmo país, pra mim, a princípio, é um elogio, e não uma ameaça a nossa soberania, etc… seja Portugal, sejam Palops, seja Índia, Tailândia, México, Arábia Saudita… alguém me dizer que quer que o país dele e o meu sejam um só, é elogio. Agora, há casos e casos. Não vou aceitar anexação forçada e opressão econômica vinda de outro país. União para o bem comum dos povos, como é proposto aqui, é um elogio ao Brasil, na minha opinião. Mas, querendo ser realista, temos que verificar a vontade das populações dos países e o que pode ser feito a respeito. Qual a melhor forma de se trabalhar rumo a uma união, ou a uma comunidade forte. Não é simples assim, vai ser um processo trabalhoso, mas quem é a favor, que tente! Que não desista, siga em frente…apesar dos povos indígenas, eu entendo que há um vazio no passado brasileiro que Portugal, Galiza e os Palops podem preencher. Então pra mim, isso não é nocivo, se for muito bem planejado. Mas muitos brasileiros e muitos portugueses não pensam como eu.

      >“…aquilo que vejo por aqui e que me aborrece não é a Lusofilia mas a Eurofobia. é globalmente injusto e totalmente errado… Odin, tu não conheces os portugueses…”
      Re: Comentários em contextos diferentes, mas quero aproveitar para respondê-los. Sim, só mantenho contacto com portugueses pela internet. Fora alguns imigrantes que há muito tempo estão aqui, mas não chego a ter amizade. Mais pela internet mesmo. Eis a minha visão de Portugal. Primeiro, eu gosto de história, e vejo que quem trouxe o Brasil a existência foram os portugueses. Já li na internet galego afirmando que a língua verdadeira do Brasil é o galego, que o nosso dialeto se parece mais com o deles do que com o dos portugueses. E os galegos contribuíram com peso para povoar o Brasil desde os tempos coloniais, coisa que a maioria dos brasileiros desconhece. Os nossos ‘criadores’ são os portugueses. É por isso que tenho interesse em conhecer sobre os portugueses e sobre os galegos. O nosso idioma nasceu ao norte do rio Douro e se expandiu para o sul, formando Portugal e depois veio pra cá. Quem criou o Brasil como Estado político e jurídico foram portugueses. Africanos cativos vieram para cá, foram forçados a ajudar a povoar e deixaram marcas importantes na nação, mas quem criou o Estado-Nação brasileiro e o idioma, foram os portugueses. Tive a sensação que chatiei alguns colegas favoráveis a substituição da UE pela UL. Até peço desculpas ao Luís e ao Fenix. Não foi a minha intenção. O que percebo, vendo de fora, é uma frustração muito forte devido as medidas de austeridade, o que é normal, e por não estar diretamente envolvido com o problema, quis apenas abrir os olhos no sentido de aconselhar a não tomarem medidas precipitadas e radicais. Foi só isso. Não sou contra confederar os países de língua portuguesa, e mesmo outros países de línguas neolatinas, apenas quero que o pessoal vá com calma, paciência, que sejam feitas algumas transformações internas em cada um dos países antes. E que mexam na CPLP, fortaleçam-na. E analisem bem as consequências de sair da UE antes de saírem. Mas, eu entendo a frustração dos tugas, pois desde que nasci, senti três vezes aqui no Brasil. Na ocasião do impeachment do Collor, e eu estava no começo da adolescência, também quando achei que o Brasil fosse à bancarrota junto com a Argentina em 2002, e no escândalo de corrupção do mensalão, que envolveu o atual governo. Eu tenho noção da dor e do sentimento de humilhação dos portugueses ‘eurofóbicos’. O que acontece hoje é muito, muito grave. Quase insuportável prosperar e depois perder tudo o que conquistou. Tem gente que se suicida, não aguenta a frustração. Sei o que é querer ter um emprego, trabalhar, produzir, querer tirar o seu sustento e não conseguir o emprego, enquanto os políticos que foram eleitos para ajudar, prejudicam. Só que a Europa e os países lusófonos não são Asgard e nem Vanaheim, e nem o Olimpo. 😀 Ou seja, não são habitados por deuses, mas por mortais, então cuidado aonde se põem às esperanças. Humanos estão sujeitos a falhas. Que eles não odeiem os vizinhos da rua tanto assim. Os demais europeus também tentaram, mas falharam. A crise econômica foi mundial. É claro que o comportamento, da Alemanha principalmente é irritante, mas calma! Odiar não leva a nada de bom.

      >“sou favorável à proposta dos cientistas da Universidade do Minho” qual proposta???
      Re: A proposta de se criar a Agência Espacial Conjunta para o Brasil e Portugal. Se a NASA consome tecnologia de vocês, quem somos nós pra recusarmos uma sugestão vinda de cientistas portugueses. A Agência Espacial Brasileira parece que é de enfeite, que tá morta, se lá! E é sabido que é vacilo do governo federal, e não dos cientistas da AEB. Quem sabe uma Agência Espacial Plurinacional consiga enviar uma missão tripulada ao espaço mais rápido do que o Brasil sozinho.

    • Otus scops

      Odin

      que conclusões tiras desta notícia?

      http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1619059

      “Não há uma alma comum. Também não gosto da forma como ingleses, holandeses, belgas e luxemburgueses tratam os portugueses, discriminam os lusos. Se um indivíduo português faz algo de indevido, todos da comunidade portuguesa são criticados e humilhados” queres acrescentar alguém à lista??? os próprios portugueses??? 🙂

      NOTA: mais uma vez saliento a acção do estado(s) de direito democrático(s) e suas instituições. “Um homem de 27 anos, (…) foi constituído arguido por suspeitas de ter explorado quatro jovens portugueses em Espanha, anunciou (…) a Polícia Judiciária da Guarda” e “A investigação da PJ da Guarda foi realizada em colaboração com as autoridades espanholas”. mais um bom exemplo de cooperação transnacional, graças à UE.

    • Odin

      Otus, na verdade, não preciso acrescentar mais ninguém à lista, você já o fez. 😉
      Você entendeu que eu acho que os Poderes Públicos dos países europeus não prestam socorro aos imigrantes???? Não! Os xenófobos são alguns dos cidadãos comuns. Agora, nenhum governo da UE vai negligenciar reação em favor de cidadãos de outros países membros da UE. Em sã consciência, qualquer governo de algum país membro da UE vai tomar a defesa dos cidadãos comuns da UE, se o migrante reclamar, não admitir desrespeito aos seus direitos, com certeza vai ser socorrido. Agora, algumas pessoas na Holanda, na Bélgica, na Inglaterra, na França… não gostam de gente vinda de fora e não há como obrigá-las a gostar. Mas, há como persuadi-las a concordar em respeitar. 🙂
      Ah, e tu concordas, então, que jornais podem agir com sensacionalismo, fazer pequenos incidentes parecerem que são catástrofes, e distorcer os factos?

  4. Fenix

    Aculpa da divida não é toda nossa,maior parte é importada com os fundos europeios que o estado se teve se individar para haver investimento dos mesmo fundos pagado a sua parte e empresas privadas também e os anos do credito barato que os bancos alemaes feneficiaram.Apesar de eu achar que os fundos no seu geral foram mal investidos o que era de esperar…quem nunca teve mel acaba melado.e uma completa deriva estrategica em que os exemplos são as privatizações e sectores a investir os fundos hora pescas,hora agricultura,hora turismo, hora serviços, e agora empresas de alto valor tecnologico vai ser outra falacia porque não temos bases nem uma cultura de investigação e desenvolvimento nem empresarios cultos com dinheiro para tal. A questão da saida da união europeia. Tem ser faciada no tempo,estamos mas não estamos na união europeia até eles se fartarem de nos.E tem que haver um pacto politico para tal.O que ainda vai demorar pois o que nos elevou ela foi as grandes oportunidades para o grande capital e seu egoismos.Vai haver revolta sociais guerras por essas europa fruto da esploração dos trabalhadores com pretextos dos difices e crises. economicas.Estrategia mesmo secretamente te ser o nosso mar investir nele em tudo pois ele é que faz de nos Portugueses sermos maiores.Depois da fenix renascer das cinzas e melhor atão se os nossso irmão quiserem ter um futuro em comum e todos deixarmos de ser nacionalistas cá estaremos de braços abertos para ter nação multicontinental e sermos o QUINTO IMPERIO.

  5. Odin

    Fenix,
    sim! A culpa não é só de Portugal. É claro que outros países europeus vacilaram. E Portugal é mais vítima do que culpado pela situação. A humanidade foi com muita rapidez rumo a globalização da economia. Deviam ter ido um pouco mais devagar. Eu vou ser sincero. Não sou favorável ao neoliberalismo. Concordo com alguns elementos defendidos pelos neoliberais, mas não concordo com a ausência total do Estado na economia. Sou favorável ao Estado do bem-estar social sim. De vez em quando, governos privatizarem algumas empresas públicas visando a melhoria na qualidade das coisas, tudo bem! Não é a primeira vez que o liberalismo provocou crise mundial. Já aconteceu antes em 1929. Keynes é o teórico mais “equilibrado” entre Adam Smith e Karl Marx, os dois “extremos”. É a minha leitura da história. O neoliberalismo foi um erro mundial, há pessoas que não querem aceitar e me chamam de “comunista”, paciência, mas é a realidade do mundo. Mas, já que entraram na UE, tentem vencer a crise juntos, é só isso que eu quis propor! Não odeiem tanto alguns outros países europeus, eles também erraram em suas decisões. E é um defeito do ser humano tender a querer culpar os outros. Então vem uns tipos sem bom senso e cria uma sigla pejorativa, como se os países deles também não tivessem cometido erros. Gastar como os americanos gastam nessas guerras insensatas que eles financiam na Ásia, quanto dinheiro disperdiçado em guerras, em matanças! E vem as agências de rating que se acham acima do bem e do mal, se acham deuses, acham que têm o direito de empurrar países para a bancarrota, colocam mais lenha na fogueira, fazem terrorismo psicológico nas cabeças das pessoas… e não são só os americanos, há outros países também. Mas enfim, a decisão final é de vocês. Se o povo português optar pela saída da UE e do Euro, eu respeito. Pois a maior riqueza que Portugal tem é o seu povo, os portugueses. Se vocês forem unidos, vão vencer todas as dificuldades. Vou perguntar também à você sobre procurar soluções para problemas, já que é formar um país mundial de língua e ortografia portuguesa. O nossos dois países, Brasil e Portugal, temos problemas sérios de insatisfação popular contra os políticos. Certo? O Lula sozinho pode ter popularidade, mas a opinião dos eleitores brasileiros sobre os deputados e senadores é de decepção. Em ambos os países, pessoas querem reformas no sistema. O que você poderia me sugerir sobre reforma política e eleitoral? Você acha que está bom, não precisa mudar nada? Ou você concorda que ambos os países precisam de mudanças?

    • Odin

      Retificando:
      >”Vou perguntar também à você sobre procurar soluções para problemas, já que é formar um país mundial de língua e ortografia portuguesa. O nossos dois países, Brasil e Portugal, temos problemas sérios de insatisfação popular contra os políticos. Certo? O Lula sozinho pode ter popularidade, mas a opinião dos eleitores brasileiros sobre os deputados e senadores é de decepção. Em ambos os países, pessoas querem reformas no sistema. O que você poderia me sugerir sobre reforma política e eleitoral? Você acha que está bom, não precisa mudar nada? Ou você concorda que ambos os países precisam de mudanças?”

      Aqui o espaço é sobre “Portugal, o vício da dívida”, então sobre esta proposta, poderíamos dar continuidade no tópico “Vantagens da integração…”

  6. Fenix

    Réplica a Gaitero sobre as Economias Locais e o Futuro da Lusofonia
    Posted by Clavis Prophetarum em 2009/02/20

    (Logotipo da E. F. Schumacher Society in http://www.schumachersociety.org)

    Este pequeno artigo é uma réplica aqui deixada pelo nosso comentador habitual Gaitero a propósito da atual recessão mundial no passado dia 6 de fevereiro.

    “O sistema capitalista já nasceu com problemas graves e já nasceu fardado a acabar.”

    O Capitalismo Liberal é contudo o mais resiliente, porque flexível e adaptável sistema económico jamais concebido pelo Homem. Levado à classe de dogma religioso, o sistema de organização económica designado por “capitalismo” expõe as suas contradições e incapacidades. Capaz de gerar riqueza, não toma em consideração as consequências desta geração no meio ambiente, nem as condições de vida que impõe aos seus produtores. O Capitalismo não é pois um sistema capaz de auto-regulação (como querem os neoliberais), mas tem de a receber do exterior, dos Estados (cuja redução de Poder e amplitude, defendem os neoliberais) e sobretudo das Democracias e dos seus legítimos e eleitos representantes.

    “Estamos passando por uma crise das maiores já enfrentadas, tudo graças ao sistema capitalista em sua totalidade, o ser humano não existe única e exclusivamente para o consumismo, não devemos mais pensar desta forma, não podemos mais aceitar a atual conjuntura.”

    É aquilo a que Agostinho da Silva intitulava de “cidadão produtor-consumidor”. Uma versão diminuída e acefalamente “limpa” por intermédio de doses massivas de publicidade e de controlo dos meios de comunicação. No atual desregrado sistema capitalista, como dizes, o ser humano é apenas um “recurso humano”, dispensável, redutível à desumana condição de robot, ou, na melhor das hipóteses, de consumidor acrítico e desprovido de critérios morais ou ecológicos na selecção dos bens ou serviços a consumir.

    “É preciso, é necessário que se faça que se desenvolva um novo modelo econômico-social, o sistema capitalista significa nada mais que ”tudo na mão de poucos e nada na mão de muitos ”. Este sistema deu espaço para a Burguesia tomar o poder do mundo, os bancos hoje são os verdadeiros governos, muitos seres humanos estão morrendo de fome, morrendo de doenças graves, muitos seres humanos não tem educação, não tem direito a uma vida digna, isto não esta certo.”

    A distribuição de riqueza sempre foi o grande problema do Capitalismo. A América do sul é neste contexto um excelente (e simultaneamente, péssimo) exemplo: as políticas neoliberais do FMI foram aplicadas cegamente em muitos países a partir da década de oitenta e a Colômbia é neste contexto provavelmente o melhor exemplo: o aumento dos índices macro-económicos não foi acompanhado pela melhoria dos rendimentos das camadas mais pobres nem pela redução da distancia entre classes sociais. O liberalismo, a forma atual que assume o Capitalismo, produziu riqueza, mas não a soube repartir. Os anos do grande Boom da Globalização de finais da década de oitenta e 2007 são bom sinal disso mesmo: em países como a China e o Vietname houve muitos novos ricos e uma melhoria sensível do nível de vida do geral da população, mas os mais ricos, os empresários e os funcionários do Partido, ganharam incomparavelmente mais do que os operários e, especialmente, que os agricultores e os habitantes das zonas rurais.

    “Não estou aqui dizendo para que se volte o socialismo.
    Mas que se crie um novo modelo um modelo com base no comunismo, que mantenha a comunhão a sociedade acima de tudo, um novo modelo que tenha por base o ser humano, um modelo que permita a todos direito a água, luz, saneamento básico, saúde, segurança e principalmente educação.”

    A palavra “Comunismo” está hoje ferida de morte. Tive a sorte de poder visitar a Checoslováquia dois meses apenas depois do colapso do regime comunista e garanto que na época ninguém, mas ninguém mesmo queria falar de comunismo… O exemplo da aplicação “na Terra” da utopia de Marx, na versão gizada por Lenine e Estaline na década de vinte e trinta, haveria de revelar-se profundamente ferida de irrealidade e de dar origem a algumas das maiores vagas repressivas e tiranias mais cruéis da História.

    O falhanço do comunismo, ou melhor dizendo do “sovietismo”, porque é disso que verdadeiramente se tratava, reduziu muito do apelo pela Esquerda, em todo o mundo. A queda do Muro de Berlim arrastou atrás de si, muitos partidos comunistas ou “adoçicou-os” tornando-os mais ou menos “social-democratas”. Esse processo curiosamente não se registou em Portugal, onde o PCP, se manteve fiel à sua “linha dura”. Mas o fim desse “Comunismo” não vedou o futuro a outras alternativas a este Capitalismo neoliberal cujas fragilidades a grave crise económica atual expôs de forma absolutamente gritante. Se as promessa do “Comércio Livre”, de desregulação do sector financeiro nada mais fizeram do que entregar a um grupo muito restrito de especuladores e de Executivos parcelas crescentes de abastança enquanto que a parte do Trabalho era cada vez menor, então é porque estamos num sistema político-económico onde a concentração empresarial corresponde à concentração da riqueza. Onde fusões sucessivas e deslocalizações sistemáticas esvaziam o Ocidente e os países que mais direitos humanos e laborais tinham, e que ameaçam todas as formas de protecção social duramente conquistadas. É preciso acabar com a doentia primazia do sector financeiro sobre o produtivo. Enquanto que um investimento na especulação imobiliária ou bolsista for mais seguro e rentável do que o mesmo investimento num sector produtivo, então estamos no reino do Capital e não do Homem.

    “É preciso unir os povos do nosso planeta, unir a nação Lusófona, por exemplo, seria o começo, e criar programas de identidade, nacionalismo, educação e transferência de riquezas, tornarem o povo igualmente rico, igualmente inteligente.
    Acabar com a PIG (Partido da Imprensa golpista), acabar com os governos corruptos, tornar a sociedade mais digna, mais harmoniosa.”

    Os povos lusófonos têm um papel especial ainda por cumprir na História… Não é por acaso que mesmo nos mais duros anos da ditadura militar nunca o Brasil se lançou em qualquer aventura militar externa. Portugal foi o único império colonial que deixou o seu rei como imperador da colónia emancipada e o único que durante alguns anos deu à colónia o estatuto de capital. Nenhuma outra potência colonial recrutou tantas forças indígenas na sua Guerra Colonial e em nenhuma outra guerra de indulgência, os soldados coloniais, no dia seguinte à assinatura dos acordos de paz, se entregavam a apaixonados jogos de futebol com aqueles que horas antes os atacavam com morteiros e rajadas de Kalashnikov.

    A missão que poderá caber a uma união dos povos lusófonos, que poderá ser prefaciada por uma união política Cabo Verde-Portugal, Portugal-Brasil ou Portugal-São Tomé e Príncipe, sendo depois seguida pelas demais nações lusófonas, poderá ser essa: a de anunciar novas formas de organização dos homens e das economias: mais humanas, essencialmente locais e justas, ecologicamente sustentáveis e que privilegiem o Homem e não o Capital, os interesses financeiros e os indicadores macro-económicos.

    “E tudo deve começar pelo sistema econômico, tudo deve começar com um aumento dos lucros dos funcionários, com a redução da jornada de trabalho, com o aumento da escolaridade, com a criação de projetos, de programas, que envolvam a comunidade, que permitam ao povo que vive dentro de seu bairro tirar um dia da semana para realizar ações educativas. Seja arrumar uma praça, seja limpar um rio, ou reflorestar um parque, um terreno, para fazer brotar em cada ser humano um sentimento de comunhão, de união hoje praticamente instinto.”

    A Economia, a organização do Trabalho e a sua sustentação ecológica serão sem duvida os pontos mais importantes da ação política nos próximos anos. A redistribuição da riqueza, a devolução aos trabalhadores dos rendimentos que têm vindo a perder desde a década de oitenta assim como o regresso a padrões de vida familiar saudáveis é, de facto, imperativa. É impossível continuar a ver as empresas a encontrarem formas mais ou menos subtis de levarem os seus funcionários a cumprirem jornadas de trabalho diárias de dez e doze horas, a trazerem consigo equipamentos portáteis (laptops com 3G, blackberries, telemóveis de serviço, etc) nas ferias, nas baixas por doença, nos fins-de-semana e noites e esperar que ao fim de anos destes abusos as pessoas continuem a manter os mesmos níveis de produtividade.

    Eu não consigo acreditar que o ser humano tenha se tornado fantoche de grandes empresas, que tenha se tornado simplesmente um consumista louco, sem intelectual, sem instinto de discernimento, eu não acredito que nos tornamos monstros prestes a destruir nosso Planeta, prestes a acabar com o próprio povo, prestes a se auto-exterminar. Concordo contigo, quando afirmas que é preciso encontrar formas de ligar as pessoas à comunidade, inserindo-as em associações que se dediquem à melhoria do bairro, da aldeia, enfim, da comunidade local. Todos temos que ter uma intervenção cívica nas nossas comunidades, não deixando esgotar a nossa intervenção política em conversas de café ou em estéreis debates, mas levando-a até às nossas comunidades locais, participando da economia local, consumindo com critérios éticos, ecológicos e favorecendo sempre os produtos produzidos ou transformados por organizações locais. De permeio a tudo, terá que haver um sistema educativo que promova o mérito, a exigência, e, sobretudo, a criatividade em desfavor do ensino escolástico ou demasiado dependente de memorizações massivas. Esta será uma educação popular, no sentido em que respeitará a alma popular e não tecnicismos estéreis tidos como fins em si, quando não passam de meios para alcançar objetivos. Esta “educação popular” respeitará a visão pedagógica de Agostinho da Silva, com uma programação de matérias muito essencial, focada no ensino dos três pilares: matemática, português e artes, deixando todo o demais espaço lectivo para seminários práticos e criativos que respondam à vocação e inclinações de cada um, cobrindo toda as disciplinas do entendimento humano.

    Esta é a visão do futuro e do papel nele que julgo ter a Lusofonia, entendida aqui como o cumprimento do verdadeiro destino de Portugal, malbaratado aquando da imposição do “capitalismo de Estado” e da transmutação perversa e megalómana dos Descobrimentos em Expansão imperialista e do decaimento da atividade exploratória do mundo em atividade exploradora.

    • obrigado, Fenix… às vezes – no meio de tanto texto e resenha – perdemos o foco dos textos mais antigos e importantes, e esse, de facto, é um deles.

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