Fernando Nobre: Sobre a contestação social contra as restrições do PEC

Fernando Nobre (http://www.aulamagna.pt)

Fernando Nobre (http://www.aulamagna.pt)

Parece claro que dada a situação de endividamento galopante e de desequilíbrio orçamental crónico do nosso país, se chegou a um ponto em que se impõe estabelecer um sério e determinado pacote de medidas de austeridade. Simplesmente, todos nós, particulares, Estado, Empresas e Autarquias – tidos no seu todo – gastaram o que tinham e o que não tinham, escudados por uma convicção infundada de que o Euro impediria qualquer bancarrota e que o tempo do crédito barato era eterno.

O problema está em que esta contenção não está a ser para todos. A recente manifestação da CGTP – promovida contra as medidas de austeridade do Governo – foi “genuína”, como afirmou Fernando Nobre: “Compreendo a manifestação de hoje, inclusive alguns apelos do doutor Manuel Carvalho da Silva [líder da central sindical], porque se podem fazer poupanças noutros sectores que não penalizassem aqueles que já estão em situações fragilizadas e por isso o que hoje assistimos no país é uma manifestação genuína pela qual eu só posso demonstrar solidariedade e total compreensão”.

Num país onde existe um défice claro do terceiro pilar do Estado (a Cidadania) não pode deixar de haver abusos de autoridade e desequilíbrios na participação de todos para a a causa do Bem Comum. Se uns – como os Trabalhadores e Desempregados – vêm subir a sua fatura fiscal todos os meses, os ricos esses recuperam já das perdas de 2009 e vêm neste mesmo preciso ano de severa contenção orçamental aumentar ainda mais a sua riqueza. E demonstrar assim que importa elevar o pilar da Cidadania para que a República Portuguesa seja uma sociedade mais justa e equilibrada, porque não se compreende como é que os cidadãos aceitam de forma tão passiva tamanhas desigualdades… Urge assim dar um grito de revolta contra esta Indiferença instalada, instalar o equilíbrio e a Justiça e dar o primeiro grande abanão num sistema bloqueado e usurpado pelos poderes económicos e financeiros, que tornaram a partidocracia refém dos seus Favores e Prebendas, contra todos nós e contra Portugal. Apoiemos este sinal de revolução social e política que é a candidatura genuinamente suprapartidária (mas não apolítica) de Fernando Nobre, colaboremos na recolha de Assinaturas e votemos no candidato em janeiro de 2011!

Fonte:
http://noticias.pt.msn.com/Politica/article.aspx?cp-documentid=153579502

Categories: Fernando Nobre, Política Nacional, Portugal | 5 comentários

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5 thoughts on “Fernando Nobre: Sobre a contestação social contra as restrições do PEC

  1. JoanaC.

    “(…)os ricos esses recuperam já das perdas de 2009 e vêm neste mesmo preciso ano de severa contenção orçamental aumentar ainda mais a sua riqueza(…)”, não creio justo ou ético uma apropriação de um cliché revolucionário – os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres – sem fundamento para incitar à revolta. Sem argumentos que não cedam em uma ou duas perguntas, como esperam vencer? Em que sentido os “ricos” recuperam já das perdas de 2009? Os “ricos” não são também trabalhadores?

  2. Otus scops

    olá Joana
    – “não creio justo ou ético uma apropriação de um cliché revolucionário”. porque não??? qual é o dogma??? são os factos infelizmente. essa passividade acrítica tem levado as “hordas” de ignorantes a legitimarem constantemente os políticos e respectivos amigalhaços do sistema, os únicos beneficiários deste colectivo imaginário designado sociedade.
    – “sem fundamento para incitar à revolta” tem todo o fundamento (infelizmente) e não incita à revolta. mas se alguma houver é porque é necessária, qual é o problema??? mas espero sinceramente que não seja necessário…
    – “Em que sentido os “ricos” recuperam já das perdas de 2009” neste sentido: http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=993930 , neste : http://aeiou.expresso.pt/portugal-tem-mais-600-milionarios=f590102 , ou neste entre muitos: http://dn.sapo.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1602270 .
    – “Os “ricos” não são também trabalhadores?” isto de juntar todos no mesmo grupo é realmente pernicioso, por vezes é abuso de linguagem realmente. claro que há pessoas que constroem a sua fortuna ao longo de anos a trabalhar mas há também muita gente que o consegue por malas-artes, favorecimentos (exº A.Amorim), facilidades (exº filho do J.Gonçalves), etc… o problema é filosófico, eu não tenho nada contra os ricos – tenho pena de não ter arte/mérito para o conseguir – e fazem falta, agora ver legiões de pessoas a empobrecer indignamente e alguns a “engordar” descaradamente dá que pensar nos métodos, não??? é que a história está farta de nos dar lições e estes (novos) ricos são tão estúpidos…

  3. por ricos quero dizer pessoas de altos rendimentos.
    Como diz o Otus, eles já recuperaram, ao contrário do resto da população e isso só pode significar uma coisa:
    vivemos numa sociedade profundamente desequilibrada e disfuncional no que respeita à distribuição da riqueza e o resto é conversa.

    • Otus scops

      CP, excelente frase: “vivemos numa sociedade profundamente desequilibrada e disfuncional no que respeita à distribuição da riqueza”. eu acrescentaria esquizofrénica pois está dissociada da realidade.

      li este artigo no FTimes sobre o comportamento dos multimultitititimilionários armadores gregos e da desfaçatez com que lidam com a situação no seu país. vivem numa “realidade paralela” de fausto e luxo, sem nenhum tipo de patriotismo, interesse pelos seus concidadãos ou até filantropia. afirmam sem pudor que “se o governo tentar taxa-los que se mudam imediatamente para Londres ou qualquer outro país” donde já tem escritórios preparados para esta eventualidade.
      a completa impunidade. depois admiram-se que os povos se revoltem e existam ditaduras do proletariado! nestas alturas ter inveja e ódio é muito saudável! e útil.

      para os que não tem acesso ao Financial Times deixo o texto na íntegra (em inglês):

      http://www.ft.com/cms/s/0/651e3d0a-758e-11df-86c4-00144feabdc0.html

      SHIPPING TYCOONS PARTY AS GREECE STRUGGLES

      By Robert Wright in Athens

      Published: June 11 2010

      At the lavish parties around Athens this week, it would have been easy to forget that Greece faced a dire economic crisis. But, in many ways, the events to mark Posidonia – the big shipping industry get-together held every two years – had as little connection with the rest of Greece as if it had happened on Mars.

      Shipping tycoons from Greece, the world’s biggest shipowning nation, and elsewhere have been celebrating the tailing off of a shipping crisis that a year ago had potential to wreck many of their businesses.

      Tycoons slapped each others’ backs into the small hours while consuming vast amounts of cocktails and sushi, shellfish and beef.

      The best-attended events were at the Astir Palace, a resort complex on a pine-dotted private peninsula – well-removed from the street beggars, anti-government protesters and teachers facing big pay cuts that have become emblems of Greece’s fiscal crisis.

      “It’s a parallel world,” John Liveris, chairman of the New York-listed Ocean Freight, explained during an interview on the Astir Palace’s grounds.

      The question is whether Greece’s crisis will bring the separate societies into collision and how shipowners would react if they ended up at the receiving end of a government crackdown?

      Greek shipowners’ main specialist sectors – moving bulk commodities and shipping oil and its products – have recovered, mainly because of the strength of China’s economy, rather than domestic factors.

      Most of these tycoons do their banking and chartering deals in London, list their companies in New York and undertake other business wherever else in the world suits them.

      Few have more than a small management office in Greece to worry about if the government decided to act on demands to tax owners’ international earnings.

      Evangelos Marinakis, a Piraeus-based owner, said his companies had offices in London, Russia, Singapore, the Philippines and Romania. “For us to switch the management operations out of Greece could take minutes,” he said.

      Michael Bodouroglou, the chairman of Paragon Shipping, a dry bulk operator, puts Greek shipping’s success down partly to its independence from government. “The public sector is really suffocating the private sector with its bureaucracy, its inefficiency and, in some cases, even its corrupt practices,” he said.

      Yet Greek owners insist they feel sympathy for their compatriots and actively prefer life in Greece over potential boltholes such as Cyprus, Malta, Monaco or Switzerland.

      The choice is easy to understand, as George Economou, a prominent Greek owner, explained beside a beautiful sunny bay.

      “Most of us are here because we like the climate,” he said. “We’ve created a cluster here that we can operate in – meaning the people that man the industry. But, if need be, it can be done elsewhere.”

      The socialist government has annoyed shipowners by abolishing the ministry of merchant marine, which used to co-ordinate policy towards the sector.

      Yet Greek governments show no signs of believing that taxes on shipowners or seizures of their assets would achieve any more than leaving them alone. Mr Economou said their position had been protected by the constitution for more than 40 years. The parallel world of parties and beggars looks set to continue.

  4. Fenix

    Não á Pec.A é que sair da União europeia.

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