Mário Soares, Fernando Nobre e as possibilidades (reais) desta candidatura presidencial

Jantar do 1 de maio com o Dr. Fernando Nobre

Jantar do 1 de maio com o Dr. Fernando Nobre

Mário Soares numa entrevista recente a Mário Crespo afirmou aquilo que fica evidente a quem quer que siga as notícias: os Media não dão à campanha presidencial de Fernando Nobre a mesma atenção que dedicam às demais candidaturas, especialmente à de Manuel Alegre. Soares referiu também algo que quem siga minimamente os Media não pode deixar de observar: há uma descarada falta de atenção mediática à candidatura de Fernando Nobre. Por exemplo, no jantar de 1 de maio, no Mercado da Ribeira (Lisboa) o candidato reuniu perto de 530 apoiantes naquele que foi maior encontro jamais organizado via facebook em Portugal mas um jantar de tal dimensão não mereceu das televisoes mais que um minuto e meio de atenção!  Em contraponto, o mais insignificante encontro de Alegre merece ampla cobertura mediática e o mais irrelevante arroto de Cavaco é imediatamente alvo de total cobertura televisiva.

Tenho que ser claro: não aprecio todo o percurso político de Soares e não lhe posso deixar de imputar uma importante parcela de responsabilidade no doentio Rotativismo com que os governos do bipartido PS-PSD nos brindaram nos últimos trinta anos e que respondem pelo essencial da responsabilidade da gravíssima crise financeira que atravessamos. Mas Soares – num quadro geral de incompetência e de tibieza gerais – é uma das maiores figuras políticas da nossa democracia. Por isso, aquilo que diz deve ser escutado e, no minimo, ponderado por todos. Sobretudo, aquilo que Mário Soares diz deve ser escutado com especial atenção no seu próprio Partido, o PS. Soares sempre teve algo que falta hoje a muitos políticos: instinto. E diz-lhe o instinto que não serve ao PS nem ao país o apoio a um candidato tão egótico e esvaziado de conteúdo ideológico como Alegre.

Assim que surgiu a notícia de que Fernando Nobre iria avançar como candidato presidencial, surgiram notícias que davam conta de que o estava a fazer sob “comando remoto” de Soares. Isso não corresponde à verdade, tendo tido eu próprio oportunidade de confirmar isso mesmo junto do próprio Fernando Nobre. O presidente da AMI, não é de resto do tipo de pessoa que deixe manipular como se de um simples e passivo peão num jogo de xadrez soarístico-vindicativo se tratasse.

Apesar de ser literalmente “levado em ombros” sendo cada uma das suas mais insignificantes ações de pré-campanha amplamente coberta pelos Media, Alegre já perdeu a primeira grande batalha: unir a Esquerda em torno da sua candidatura. A sua aproximação ao BE foi bem sucedida, mas custou-lhe a repulsa de grande parte do eleitorado do PS que Sócrates tantas vezes afrontou no Parlamento e que agora tem que engolir.

O grande problema de Alegre não é contudo Sócrates, mas Fernando Nobre. Existe uma possibilidade muito séria de que logre agregar mais votos do que o próprio Alegre, que pelas suas hesitações e oscilações diversas acabou por repelir boa parte dos votos que reuniu em 2006. Como o meu, por exemplo… É claro que Nobre não vai captar apenas votos à Esquerda, já que o seu percurso humanista, discurso patriótico e até simpatias pessoais irá provar-se como capaz de recolher alguns votos que Cavaco Silva, pelas suas múltiplas asneiras soube malbaratar. Só isso, pode alterar radicalmente o quadro eleitoral e impedir a eleição de Cavaco à primeira volta, que em 2006 apenas a impediu por escassos 0.6% dos votos. E sem dúvida que Nobre recolherá muitos votos no BE (que apoiou nas últimas eleições para o Parlamento Europeu), no PS (e nao somente entre soaristas, mas também entre socráticos) e até no PCP pelo seu percurso de vida e alinhamento político-ideológico à Esquerda.

Nobre beneficia contudo e sobretudo de um descontentamento generalizado do país para com uma classe política que não soube resolver os problemas da maioria da população e que nos levou à maior crise financeira das últimas décadas. Nobre tem assim o potencial para recuperar o milhao de “eleitores de protesto” que Alegre cativou em 2006.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/o-factor nobre=f582600

Categories: Fernando Nobre, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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