Medina Carreira: A causa maior do desiquilíbrio crónico dos orçamentos de Portugal é a existência de mais de 6 milhões de pessoas que vivem de subsídios ou de ordenados. Ou não.

Medina Carreira (http://ruimacdonald.com)

Medina Carreira (http://ruimacdonald.com)

Recentemente, o economista Medina Carreira recordou aquilo que é efetivamente a causa maior do desequilíbrio crónico dos orçamentos de Portugal: a existência de mais de 6 milhões de pessoas que vivem de subsídios ou de ordenados da função pública, cativando assim perto de 87% de todas as receitas do Estado. Isto quer dizer que toda a margem orçamental à disposição de qualquer governo é de apenas 13%, ou seja, insuficiente e logo, passível apenas de ser reforçada com recurso a um aumento da carga fiscal.

Visto assim, parece inevitável que qualquer política séria e consistente de ajustamento orçamental tem que passar pela reducao da função pública e dos subsídios sociais. Mas terá mesmo que ser assim? A primeira falácia destes economistas está em que toda a despesa em vencimentos da Função Pública é irreprodutível, isto é, que nao produz riqueza. Isso, obviamente é falso. Se for tomado à letra, todos os setores de atividade indispensáveis à boa Administração da Res Publica, mas não lucrativos numa perspetiva economicista de curto prazo teriam que ser encerrados. E quem quer – a começar por Medina Carreira – viver numa Sociedade sem Polícia, sem Tribunais (por maus que sejam), nem Defesa? Se acabassemos com a Polícia e esta se tornasse numa rede de “seguranças privados” que apenas os ricos poderiam pagar como se poderia defender a propriedade e a vida de todos os cidadãos que nao conseguissem viver sob esse dispendioso guarda-chuva securitário? Se não existisse Justiça, como haveria Lei e sem Lei como se poderia viver sem anarquia? E como pode haver Democracia sem Saúde nem uma Educação gratuita e universal que dê a todos condições mínimas para poderem exercer as suas potencialidades como cidadãos úteis e geradores de riqueza? Todos os médicos e professores que permitem que estes cidadãos concretizem o seu pleno potencial são um “peso morto financeiro”, ou serão, pelo contrário, condições indispensáveis ao seu sucesso? Por tudo isto, e por muito mais que nao cabe aqui enumerar: cuidado com os discursos meramente economicistas de Medina Carreira…

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 12 comentários

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12 thoughts on “Medina Carreira: A causa maior do desiquilíbrio crónico dos orçamentos de Portugal é a existência de mais de 6 milhões de pessoas que vivem de subsídios ou de ordenados. Ou não.

  1. LuisM

    O Prof. Medina Carreira pode ter carradas de razão em algumas das suas afirmações, mas eu cá desconfio de alguém que sempre apresentou os problemas mas nunca deu soluções viáveis, mesmo quando era ministro, e esteve sempre desejoso que estrangeiros (FMI) intervissem no país para fazer o trabalho sujo que ele nunca teve coragem para o fazer.

    Ao fim ao cabo é a velha luta entre as sociais democracias/socialismo democrático que providenciaram o desenvolvimento da Europa do pós-guerra e o neoliberalismo selvagem que nos há-de apontar o caminho da servidão (para ser irónico)

  2. é verdade… ficaria mais sossegado se Medina Carreira tivesse tanta vontade de fazer como tem de falar.
    mas o que fala é certeiro e (assustadoramente) correto… e isso não há como escamotear!

  3. Lusitan

    Mas o que ele fala não difere assim tanto do que ouvimos nas mesas de café pro Portugal inteiro. Ou seja, para um professor universitário e ex-ministro é muito pouco!

  4. Fico cada vez mais convicto de que Medina Carreira, tal como Mário Crespo, ocupam a posição de “oposicionistas oficiais do regime”. O que dizem, há muito que é dito por outros – ocorre-me principalmente António Marques Bessa, mas outros existem – contudo esses outros são mantidos longe dos jornais e das televisões.

  5. cid simoes

    O Senhor Mario Soares , muito recentemente , num programa de televisão , prós- e contras , referiu várias vezes , que portugal é um pais de futuro e um pais de presente , é natural que ele diga isso , afinal de contas ele é um ” velhinho ” diferente de a maior parte dos velhinhos Portugueses , ele é um ” velhinho ” que nunca ” vergou a mola ” e tem uma reforma de cinco mil euros , ao contrários de quase todos os outros velhinhos portugueses , que sempre trabalharam que nem ” mouros ” e tem reformas de duzentos euros . O senhor Mario Soares é um ” velhinho ” que conseguiu enfiar o seu filho na politica , o seu filhinho é vereador de uma camara municipal e ganha dois mil e quinhentos euros por mês como vereador , o seu filhinho tem direito a uma boa reforma vindo da assembleia da republica . Obviamente que o Senhor Mario Soares tem que achar que portugal é um pais com presente e futuro , se eu tivesse o tacho dele tambem pensaria da mesma forma .Para o senhor mario soares este pais , potugal , é bem melhor que uma suecia , melhor que uma dinamarca , afinal de contas , quase aposto se ele vivesse num desses paises , jamais ele teria o tacho que tem , já mais o seu filho teria tambem o tacho que tem .
    E ainda por cima , pessoas como o senhor mario soares e companhia mafiosa legalizada , dizem é mal do Senhor Medina Carreira .
    É preciso ter muita lata !!!!!!

  6. sim, bem que gostaria, Lusitan, de ver MC assumir funções mais operativas e menos especulativas… mas é pelo menos um bom “reportador” e não vejo os demais peritos desmentirem o que ele diz…

  7. Fred

    Uma pergunta, e já me desculpo se a mesma for cretina, qual a carga triburária total para aquisição de um insumo? De modo geral, claro!

  8. Otus scops

    já agora, o Estado serve para quê senão para gastar o dinheiro?
    tenho curiosidade de ver um estudo comparativo de vários países com os seus gastos estatais.

  9. Fenix

    O desequilíbrio crónico dos orçamentos de Portugal tem varios factores.Má gestão politica,politicos incompetentes,corrupeção,cunhas,falta de profissionalismo do admistradores publicos,maquina fiscal ainda a ser muito melhorada,leis justiça paralizate,lobys e imponidade total ect…Sou afavor do sector estado profissional e não necessariamente pequeno.Sou afavor de vivermos a nossa realidade mas sem ser inferior, e nisso comcordo com Mario Soares temos futuro temos é de lutar por ele. E uma grande falta de um grande politico em Portugal…E um novo infante dom henrique mas primeiro tem vir outro dom Afonso Henriques para tirar corga ao pontápé daqui para fora.

    • Otus scops

      já perdi o entusiasmo do Plano Inclinado (na SIC Notícias)e nos comentadores de serviço – excepção feita ao excelentíssimo Prof. Nuno Crato – devido à falta de visão de contexto, ficam muito centrados nos números.
      gostava que o M.Carreira tivesse coragem de perguntar ao João Duque o que significa isto: http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/3711547.html
      para quem anda a apregoar rigor nas contas, prácticas honestas e blá, blá, blá, não consigo entender…

  10. A opinião 5 tem abusivamente a assinatura de Cid Simões

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