Em Portugal “político reformado” dá sempre em “novo gestor”: com as belas consequências para a economia que se sabem

Fernando Nogueira (http://www.psd.pt)

A confusão ente política e meio empresarial é um dos focos de corrupção do país e uma das causas primeiras pela qual Portugal não tem parado de cair nos índices de corrupção internacionais, como por exemplo, naquele que é mantido pela “Transparency International”. É certo – e justo – que indivíduos de especial valor e mérito sejam procurados pelas empresas privadas para exercerem nelas os seus méritos, mas quando vemos políticos de carreiras apagadas ou mesmo, medíocre, singrarem vitoriosamente em Conselhos de Administração ou na Presidência de empresas que têm no Estado um dos seus principais clientes, as suspeitas de tráficos de influência, corrupção e de prejuízo do erário público reforçam-se e a Política perde ainda mais credibilidade, o Estado eficiência e nós todos, crença na Democracia.

Eis alguns exemplos desta confusão entre políticos “reformados” e novos “gestores”:

Fernando Nogueira:
Ontem – Ministro da Presidência, Justiça e Defesa
Hoje – Presidente do BCP Angola

José de Oliveira e Costa:
Ontem – Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais
Hoje – Presidente do Banco Português de Negócios (BPN) e utente de uma conhecida cadeia lisboeta

Rui Machete:
Ontem – Ministro dos Assuntos Sociais
Hoje – Presidente do Conselho Superior do BPN e Presidente do Conselho Executivo da FLAD

Armando Vara:
Ontem – Ministro adjunto do Primeiro Ministro
Hoje – Vice-Presidente do BCP e notório suspeito de corrupção

Paulo Teixeira Pinto:
Antes – Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
hoje – ex-Presidente do BCP e um dos reformados mais abonados do Universo

António Vitorino:
Ontem – Ministro da Presidência e da Defesa
Hoje – Vice-Presidente da PT Internacional e Presidente da Assembleia Geral do Santander Totta e comentador residente na RTP

Celeste Cardona:
Ontem – Ministra da Justiça, conhecida então pela sua incompetência unanimemente reconhecida
Hoje – Vogal do Conselho de Administração da CGD

José Silveira Godinho:
Ontem – Secretário de Estado das Finanças
Hoje – Administrador do BES

João de Deus Pinheiro:
Ontem – Ministro da Educação e Negócios Estrangeiros
Hoje – Vogal do Conselho de Administração do BPN

Elias da Costa:
Ontem – Secretário de Estado da Construção e Habitação
Hoje – Vogal do Conselho de Administração do BES

Ferreira do Amaral:
Ontem – Ministro das Obras Públicas, o mesmo que deu em concessão à Lusoponte as pontes sobre o Tejo
Hoje – Presidente da Lusoponte

Esta mistura entre “Res Publica” (Coisa Pública) e meios empresariais denota uma perigosa confusão entre os mundos privados e públicos, que abre todo o espaço para a corrupção – que se diz endémica na política portuguesa – para uma criminosa ineficiência na administração pública e para a clássica ineficácia governativa que explica o declínio constante do país nos últimos séculos.

Fernando Nobre interrogava-se porque é os portugueses seriam trabalhadores tão produtivos na Suíça ou no Canadá e porque não o seriam em Portugal. A resposta está na gestão, ou melhor na incapacidades de gestores como aqueles que constam nesta listagem, na ineficácia dos métodos de seleção e recrutamento destes gestores, tantas vezes mais assentes no nepotismo e em redes clientelares do que na meritocracia ou na saudável avaliação de desempenhos e currículos. É este circulo que contamina os círculos empresariais com estes políticos “reformados” ou com descendentes das mesmas “400 famílias” que se revezam no poder e político e económico desde o Pombalismo. Renovemos Portugal, reciclando a sua elite, abrindo-a a todos aqueles que esta aristocracia repele e democratizemos verdadeiramente a nossa sociedade. Só assim poderemos revificar a participação cívica de todos nós reafirmando a importância do pilar da Cidadania, entre os outros dois pilares da Democracia: o Estado e a Justiça e dinamizando uma sociedade que está amorfa e desmotivada à demasiado tempo.

Fontes:
http://www.transparency.org/
http://www.transparency.org/news_room/in_focus/2005/policy_briefs
Vários emails que circulam na Internet

Categories: Política Nacional, Portugal | 7 comentários

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7 thoughts on “Em Portugal “político reformado” dá sempre em “novo gestor”: com as belas consequências para a economia que se sabem

  1. Otus scops

    este post é fabuloso (comentários incluídos).
    1. fico envergonhado por estes desavergonhados e pelo povinho “que deita” sempre nos mesmos, dando-lhes maiorias absolutas e não exigindido contas pelos incumprimentos e desvios às promessas (incluo-o me a mim).
    2. o Fernando Nogueira retirava-o da lista, pois ele está em Angola à bons anos, era uma instituição privada e tem desenvolvido vários “negócios lusófonos” como tanto gosta o MIL… considero-o útil (daquilo que sei).
    3. o clube BPN criação do cavaquismo, doa a quem doer, também é uma instituição privada, é normal estas pessoas serem aproveitadas pelo capital de conhecimento acumulado nas funções políticas. “buisness is buisness”.
    4. quanto à reforma de 35000 € do Teixeira Pinto e do Jardim Gonçalves (mais as sumptuosas regalias) quem quiser que as sustente, eu não. a minha conta foi encerrada à muito (eu tinha transitado do saudoso BPA) por consciência. não posso participar nestas iniquidades! nós comuns cidadãos queixa-mo-nos muito (e muitas vezes com razão) mas não exercemos a nossa cidadania deixando pura e simplesmente de comprar ou contratar os serviços.
    5. quanto à CGD, a plêiade de empresas públicas e municipais, são autênticos covis para estes “lobos” sem escrúpulos que nos pilham e pior que tudo ainda nos chateiam! é por aqui que a democracia vai pelo cano a baixo (sanita é mais apropriado). agora até penso na proposta do PPaçosCoelho em privatizar tudo, assim acabava-se a mama, tinha que fazer pela vida. só penso…
    faltam aqui Santana Lopes, o Penedos, o Mexia, a “defunta” min. educação Márilu que foi nomeada para a FLAD e agora anda a aprender inglês!!!! for god sake!!! isto é o cúmulo do ridículo! e muitos mais. depois temos os tachos das câmaras municipais, que são mais perigosos, pois acontece muito não serem eleitos, exº Carrilho, Elisa Ferreira, o próprio PPC, etc… enquanto não houver leis para terminar a pilhagem perpetrada por esta camarilha estaremos sempre pobres. e o pior são eles que as fazem (as leis).
    6. falta aqui os boys, os homens de mão tipo Rui Pedro Soares, um castiço do PS que era maqueiro e chegou à câmara de Almodôvar, o Saleiro, os Rocha de Matos, Melancia, etc, sem responsabilidades directas na governação, frequentam os corredores do poder na penumbra, fazendo coisas e assessorando governantes para depois serem nomeados para excelentes tachos. lugares chave muitas vezes liderados sem recrutamento baseado nas competências mas no compadrio, amiguismo e cumplicidade.
    7. agora, tenho a ousadia (pois não sou dono do blog) para propor vários Quids: quem serão e/ou para onde irão os novos “desempregados” do PS quando levarem um chuto no … ? (e tenho dúvidas se tal acontecerá brevemente…)

  2. Nogueira pode estar agora em Angola… mas estaria se não tivesse passado antes pelo Governo? É esse o busilis da questão… e esta permeabilidade entre funções públicas e cargos privados é a raiz de muitos dos nossos presentes males e uma boa razão para o problema número um da nossa economia: a má qualidade média dos nossos gestores.
    e faltam muitos, claro… quando comecei a reunir nomes, eles não pararam de aparecer. Tive que parar a um dado ponto pelos que os nomes que citas já não “entraram”… 😉

  3. LuisM

    Esqueceu-se do Coelhone!!!

  4. tem razão!
    um dos meus ódios de estimação!

  5. rui montenegro

    Quando deixar o País na mais completa miséria Socrates terá certamente um lugar nas energias renováveis!
    Vamos ver se não tenho razão

  6. ou noutro lugar… mas o meu palpite é que será chutado para um exílio dourado, na ONU ou na UE… vai uma aposta?

  7. Francisco Luiz

    Sócrates d.C. irá tentar ser filósofo tentando dar alguma fidelidade ao nome… Pena é que não vá tomar o chasinho de “sicuta” tal como o verdadeiro Sócrates a.C. o “Grego”.

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