João Cravinho defende a venda dos dois novos submarinos u-209P

João Cravinho, o antigo ministro do PS remetido para um exílio dourado depois de ter tentado (em vão) levar o seu partido numa cruzada contra a corrupção defendeu recentemente a venda dos dois novos submarinos como uma medida para combater o défice orçamental.

Cravinho referiu que o corte de 750 milhões de euros na Lei de de Programação Militar (LPM) pode prejudicar seriamente o cumprimento de algumas missões essenciais das forças armadas e que seria mais lógico vender estes dois submarinos, já que estes, não só não as cumprem (a própria NATO o admitiu) como o seu sacrifício poderia até representar uma entrada líquida de dinheiro para os cofres da Defesa, já que valerão em teoria mais de 800 milhões de euros.

A venda dos submarinos é desde logo lógica porque a redução prevista da LPM vai significar que estes meios ficarão praticamente imobilizados por falta de dinheiro para os manter em missões operacionais. E mesmo que fossem realizados alguns cortes na LPM, em simultâneo com a sua venda seria possível preservar o controlo do estado sobre os CTT e a REN, uma presença que ainda não há muito tempo o candidato presidencial Fernando Nobre julgava essencial como pilar da soberania (juntamente com a Banca e a Hídrica).

Contudo, não é provável que esta voz sensata pelo partido que repeliu este seu deputado quando este tentou avançar a serio contra a corrupção… A venda dos submarinos não iria reduzir significativamente a capacidade operacional das FA, enquanto que o corte a eito na manutenção, uso de equipamento e treinamento que se está a fazer, vai… E a venda dos Correios e da REN (duas empresas estratégicas para a nossa economia) significará a entrega de mais um setor vital da economia nacional para mãos estratégicas e uma cedência radical aos princípios economicistas incompatíveis com duas empresas de serviço público como a REN e os CTT. A obsessão do défice continua a fazer vítimas, porque se insiste em marchar pela via suicidária da venda dos dedos, quando se devia seguir… Pela via da eficiência de funcionamento dos serviços do Estado, da redução da sua burocracia e pela transformação da administração pública num alforje de amiguismos e bois e bóias numa verdadeira meritocracia, gerida por objetivos e premiando os seus melhores.

Fonte:
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=165441

Categories: DefenseNewsPt, Defesa Nacional, Economia, Política Nacional, Portugal | 15 comentários

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15 thoughts on “João Cravinho defende a venda dos dois novos submarinos u-209P

  1. Paulo Paixão

    Se quiseres, podes vender cá ao Brasil. Assim, seria uma “venda casada”. E, com a futura Federação Brasil-Portugal, os sobmarinos estariam à disposição de Portugal novamente, com a unificação das Forças Armadas.

  2. Fred

    Ola Clavis, como vai?
    Primeiro peço desculpas por discordar, pois não tenho noção real da situação econômica por ai, apenas o que sai na mídia, porém acredito que a venda destes meios irão trazer um sério e alto custo para a doutrina de vossa armada.

    Os custos dos equipamentos são insignificantes perto dos custos para recuperar a doutrina e voltar as operações submarinas com eficiência.

    Dependendo do tempo para o retorno somado a compra de novos subs, possivelmente pode não haver mais operações submarinas para Portugal.

    forte Abraço!

    Fred

  3. tudo bem, Fred!
    ainda que perto da bancarrota, aparentemente! 😉
    sempre fui um cético da utilidade destes meios… e da sua não-prioridade sobre outros, nomeadamente fragatas e corvetas!
    o argumento da “escola submarinista” é conhecido, mas não me convence… esta pode ser reposta, mais tarde, com os recursos que então forem alocados a esta recuperação.
    Agora, arriscamo-nos seriamente a ter 2 modernos submarinos… na doca. por falta de dinheiro para os mandar para o mar. E assim sendo, de que serviriam?

  4. HSMW

    Por SSk no FD ( http://www.forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?f=5&t=294&start=1725 )

    ” Para que serve então o COMINT e o ELINT e diria mesmo o ACINT nos novos submarinos? Só para a guerra? Não será desperdício? Seria aí sim, um brinquedo para brincar às guerras um pouco caro, como diz o BE. Este submarino vem preparado para todo o tipo de emprego que a Marinha o queira usar. Desde guerra de minas, seja minar ou mesmo encontrar um campo minado, vigilância de costa, seja a nossa ou outra, e com o ELINT e o COMINT cobrir uma grande área de Oceano durante 45 dias. O potencial é elevado, assim se queira usá-lo…

    O submarino é como um agente da PJ infiltrado, só nós é que sabemos que ele lá está, e acredite já se fazia com os Albacora missões de fiscalização e com bastante sucesso. Não se podem é esquecer de uma coisa, nunca mas nunca surgirá nas notícias que o submarino contribuiu para apreensão seja do que for!!! Tal como nunca ouviu que na apreensão tal a PJ usou o “Xico Alberto” infiltrado… “

  5. Fenix

    O problema não é o preço do submarinos e a sua utilidade.Neste pais que era o pais com menor taxa de individamento dos paises ocidentais desde que se entrou na união europeia foi so gastar a roudos a pedir emprestado para estradas e mais estradas para quê?! Isso ainda vai dar uma guerra civil o governo não tem nem vai ter campo de manobra para nada.Porque as pessoas vão sair as ruas…

  6. Fenix

    Eu sou contra a venda dos submarinos.Vendam os auto-estradas em asta publica para pagarem os milhoes que pediram para os fazer não fazam o tgv nem o aeroporto e pessam ao senhor soares,cavaco e afins o dinheiro que eles com a sua mal gentão gastaram seija responsablizados eles os governantes por má gestão de dinheiros publicos.

  7. Fred

    Pelo que ando lendo a situação financeira é realmente preocupante, mas continuo achando uma temeridade a venda dos subs. O saber usar bem necessita um treinamento longo e caro, muitas vezes superior ao preço do sub e do tempo de construção.
    Talvez seja possível utilizá-lo com limitações, por exemplo sem usar o AIP que é carissimo por mn navegada, (maldade minha, admito) 😉 mantendo-se assim a doutrina.
    Deve haver tantas outras coisas para vender antes de vender sua, se não a mais importante, com certeza uma delas, arma de dissuasão.

    A situação está tão grave assim? Acompanho pela imprensa e parece-me mais um exagero de falta de confiança, que crise realmente.
    Como daqui deste lado de baixo do equador, tudo parece mais lindo, mais tranquilo, posso estar enganado.
    Abraço
    Fred

  8. aip… sim! lembro-me bem desse debate entre nós!
    quem diria que meses depois estaríamos a falar da venda dos aip?
    o resto, não é vendável… por exemplo, temos uma esquadra de F-16 MLU para vender e ainda encaixotados que ninguém quer…
    a situação é grave, mas não ainda catastrófica. Podemos aguentar o atual nível de dívida mais uns 5 ou 10 anos, mas nesse período temos que a começar a amortizar e a retomar crescimentos do PIB superiores a 3% ou então…
    é a bancarrota.

  9. Fred

    Não precisa vender os MLU, não tem mais nada do estado para vender? rodovias? transporte público? Coisas desse tipo. Sem falar que não se sabe se os subs são vendíveis, vide o ex-papaniqualquercoisa.

    Nossa, será necessária uma gestão na ponta do lápis, e com ponta bem fina.
    Para crescer por volta dos 3% a receita é antiga e sei que não é bem do agrado de um Schumacheriano clássico.
    É trazer gente para o consumo, consumo este, de produtos portugueses ou com valor agregado português.
    E numa conta simplificada, para crescer por volta de 3 % será necessário investir algo entre 15% e 16% do seu PIB no ano, e por repetidos anos. Um verdadeiro desafio.
    Só chamando os Varões assinalados de volta. 🙂

  10. os mlu nunca foram usados…
    eram uma 3ª esquadra que nunca chegou a ser montada, logo pode (e deve) ser vendida…
    o que se pode vender está à venda… como a empresa de aeroportos (a ANA)
    e investir nessa escala está fora de opção, dado o grau de endividamento.
    por isso acredito que a situação é mesmo muito má…

  11. Fred

    Dificil é achar comprador pros MLU, como vai ser difícil arranjar comprador pros SUB, ainda mais tendo AIP a hidrogênio. 😉

    Por aqui, o primeiro mandato do Lula foi praticamente pagando contas, crescimento pequeno e quando dava adiantando pagamentos para baixar os juros, o mundo todo surfando acima dos 6% e aqui 3% era uma festa. (mais ou menos, os especialistas sempre meteram a boca).
    Com o segundo mandato entrou o esborço do PAC e ai fomos para 5%. Depois a crise e a meta agora é crescer pouco mais que 5%, quase 6%.
    Por culpa dos longos anos pagando contas (não só no governo Lula), não temos infraestrutura, formação de pessoal capacitado, geração de energia e capacidade de produção que acompanhe proporcionalmente um crescimento do PIB superior a 6% ao ano.
    Pelo o que você falou, vocês vão ter que apertar o cinto por algum tempo, mas como tudo tem lado bom, quem sobreviver vai sair bem mais fortalecido.

    Abraço

    Fred

  12. Clavis

    pois… não será fácil. mas também não estão (ainda?) à venda…
    Portugal irá sobreviver, esta não é a primeira, nem será a última, mas espero que saia dela diferente… radicalmente diferente e que os nossos dirigentes percebam finalmente que o nosso futuro não é a Europa, mas sim a Lusofonia!
    Espero em vão? talvez.
    Mas não desistirei de esperar e de me bater por tal.

  13. Fenix

    Grave e muito grave daqui a uns meses quando começarem a despedir funcionarios publicos e a vendem a saude e a educação a privados depois veremos como vai ser se saimos a rua como os gregos ou ficamos em casa como ratos.

  14. isso está já nos planos.
    se até final de 2010, o PIB não recomeçar a crescer (com base nas exportações) muito acima dos números esperados pelo Governo. O que convenhamos é improvável… medidas como as irlandesas (redução de salários) e gregas (supressão do 13º e 14º mês) estão previstas… depois disso… tudo pode acontecer, como essas privatizações.
    O pior nisto é que há de facto algo aqui insofismável: gastamos mais do que ganhamos e temos que sacrificar o nosso nível de vida. Por mim, já fiz a minha parte, devido ao desemprego da minha mulher, os meus rendimentos familiares de hoje já são metade do que eram em 2007. Mas todos poderemos suportar tal escala de redução? Não me parece… e todos os gestores e administradores irão pagar a sua parte na factura? Também não me parece provável…

  15. otusscops

    Portugal precisa de 3.
    deviam de oferecer mais um, de borla para compensar aos cortrapartidas nunca cumpridas, pela corrupção e luvas dispersas.
    na Alemanha já houve condenados, enquanto que aqui nem a julgamento vão.
    é por isso que respeito os alemães, lá há ordem, há um projecto civilizacional. são eles que devemos seguir em milhentas coisas.

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