Daily Archives: 2010/04/17

Reformas, Prebendas, Prescrições e outras anomalias portuguesas: Marques Mendes, Odete Santos, Paulo Teixeira Pinto, António Carrapatoso, Scolari, Mira Amaral

Uma corrente de mail que circula há alguns meses pelas caixas de correio eletrónico dos portugueses sob o título “AQUI VÃO 4 VERGONHAS NACIONAIS” expõe uma série de factos sobre o tipo que vida e rendimentos que algumas figuras mediáticas portuguesas terão. No passado já escrevi várias vezes sobre a “Conspiração dos Quatrocentos” e é recorrente voltar a esta temática porque aquilo que os poderosos membros desta clique que parasita a nossa sociedade, sem piedade, nem inconstância, desde o tempo do Marquês de Pombal, atravessando impunemente vários regimes e repúblicas é de facto vergonhoso.

Marques Mendes:
Outrora a “consciência moral” do PSD, este pequeno senhor de 50 anos já requereu a pensão como deputado, no valor de uns insignificantes 2905 euros mensais. Nós, teremos que trabalhar (ou não, porque nos despedirão muito antes disso) até aos 67, mas a “consciência moral” do PSD, essa, vai reformar-se logo aos 50.

Odete Santos:

O PCP tem um discurso de rectidão moral, de sacrifício pela causa, de empenhamento na defesa da causa dos pobres e oprimidos que vincula todos os seus militantes e, particularmente, os seus militantes. Por isso, quando encontramos na declaração de IRS da ex-deputada Odete Santos de 2005:

“Deputada e Presidente da Assembleia Municipal de Setúbal
Trabalho dependente – 48.699,48€
Trabalho Independente – 6.860,19€
Rendimentos prediais – 1.369,38€

Património Imobiliário
– 1 prédio urbano em Setúbal,
– 1 fracção em Setúbal,
– 3 prédios rústicos na Guarda,
– 22 prédios rústico na Guarda
Certificados de aforro do Inst.Gestão Financeira no valor de 2.400.000 €

Mais 5 certificados de aforro no valor de:
300 mil €
621 mil €
400 mil €
1.613.000 €
391 mil €”

Eis alguém que acumulou ao longo de uma carreira política em defesa dos “interesses dos trabalhadores” uma considerável fortuna… E que é certamente um exemplo de sacrifício pela causa comum. E do enriquecimento próprio, claro. Nenhum problema, se não houvesse um contraste tão flagrante entre esta abastança e o discurso (aparentemente) hipócrita que produziu nas últimas décadas enquanto dirigente do PCP.

Paulo Teixeira Pinto:
Este antigo banqueiro – caído em desgraça no BCP depois de uma “guerra suja” com o seu antigo patrono da Opus Dei foi declarado Inapto por uma Junta Médica. Sim, por esse tipo de organizações famosas por dar como apto cidadãos comuns em cancro terminal. O banqueiro precisava aparentemente mais da reformazita do que nós – os tais “anónimos” tão odiados pelo “VIP” Sousa Tavares e precisava desesperadamente da sua reforma adicional da Segurança Social para complementar a sua pequena reforma do BCP de 35 mil euros mensais.

António Carrapatoso:
Este senhor, líder de um grupo “think thank” neoliberal e presidente da Vodafone foi beneficiário de uma “prescrição” de uma dívida de 700 mil euros ao IRS. Portanto, a ver se percebo: a nós as Finanças dão caça como doidos, à cata dos nossos rendimentos e ordenados, se temos uma dívida, mas ao presidente da Vodafone, não souberam-quiseram perseguir para lhe cobrar os 700 mil euros? Porque é que esta história cheira a podre?

Scolari e CTTs:
Corria o dia 14 de Janeiro de 2005, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, quando num encontro dos CTT o “dono da Bola” Felipe Scolari, famoso por ter abandonado a nossa Selecção em pleno Europeu, debitou palha durante 40 minutos e embolsou por tal tão extraordinário feito 19 mil euros. A palha debitada teve o título “Como fortalecer o espírito de grupo” e obviamente teve tanto efeito como ouvir o chilrear de sapos (que não chilreiam) durante o mesmo tempo, mas teve a enormíssima vantagem (para Scolari) de o enriquecer com ainda mais patacas.

Mira Amaral:
Mira Amaral é um dos meus “ódios de estimação desde que me passou à frente na fila do Cartão do Cidadão. A baixa moral revelada pelo personagem era contudo compatível com um gestor de nomeação política que saiu da CGD depois de um apagado mandato com uma reforma de 18 mil euros mensais depois de pouco mais de um ano de trabalho, que acumulou com a reforma de 1800 euros de deputado.

Existem vários pontos que merecem a maior das censuras nestes exemplos. Desde logo, revelam que enquanto a nós (os “anónimos” de Sousa Tavares) nos aumentaram a idade de reforma no PEC de 65 para 67 anos, os políticos, logo que partem na reforma ao fim de carreiras muito mais curtas do que aquelas que nos impõem têm reformas muito mais consideráveis que ainda por cima cumulam quase sempre com outras e com “empregos” em conselhos de administração e de consultoria, ocupando postos de trabalho e tirando trabalho e oportunidades a jovens que assim ficam impedidos de provar o seu valor.

Importa moralizar estas reformas babilónicas dos gestores e, sobretudo, dos gestores de nomeação e carreira política. A Política é – ou devia ser – uma Missão e um Dever, não uma carreira e num país com mais de 600 mil desempregados, com a juventude com taxas de desemprego superiores a 20% e sobretudo, onde o salário médio não ultrapassa os 600 euros este tipo de reformas é imoral e um insulto pessoal a todos aqueles que são forçados a viverem nas condições acima descritas. Daí o meu apelo: da próxima vez que votar na partidocracia ou no bi-partido, lembre-se destas reformas e prebendas, exerça o seu Direito e Dever de voto e puna os partidocratas que se servem da República no mesmo momento em que a deviam Servir.

Fontes:
Corrente de Mail e
http://jn.sapo.pt/blogs/zedegaia/archive/2010/02/06/marques-mendes-novo-pensionista.aspx

Categories: Política Nacional, Portugal | 7 comentários

Da crise da Democracia Representativa

O estudo “Representação política – O caso português em perspetiva comparada” dos politólogos André Freire e José Manuel Leite Viegas, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE concluiu que o nível de satisfação dos portugueses para com a democracia se encontra num nível muito baixo. O estudo confirma a conhecida “maioria sociológica de Esquerda” e uma aversão pelas maiorias absolutas que, efetivamente, os resultados eleitorais do pós 25 de abril já deixavam revelar. O estudo revela algo que conforma na perfeição com uma das causas do MIL, que é a da refundação da democracia participativa pela diminuição do poder (quase monopolista) que a partidocracia exerce sobre ela.

O estudo – o mais exaustivo de sempre – é o produto de inquéritos que abrangeram a população “comum” e os deputados da Assembleia da República. E além das conclusões acima listada revela também que nem sempre os deputados pensam no mesmo sentido dos seus eleitores… Por exemplo, os deputados do PSD estão em posições mais à Esquerda que o seu eleitorado e os do BE mais à Esquerda que os seus eleitores.

A grande conclusão deste estudo do ISCTE é contudo a insatisfação global dos portugueses quanto à qualidade da sua democracia. Existe um sentimento generalizado e crescente de que não se encontram bem representados e uma vontade de aumentar os conhecidos baixos níveis de participação e empenhamento cívico, muito além do monopólio imposto pelos Partidos. Um dos autores do estudo, acrescenta mesmo que “nos últimos anos os partidos tornaram-se meros instrumentos dos seus líderes”

Fonte:
http://www.publico.pt/Pol%EDtica/confianca-na-democracia-bate-no-fundo_1424863

Categories: Política Nacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Portuguesa | 5 comentários

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