Medina Carreira: Uma lúcida visão sobre a realidade portuguesa

Medina Carreira (http://nunoanjospereira.files.wordpress.com)

Medina Carreira (nunoanjospereira.files.wordpress.com)

O Professor Medina Carreira tem brindado a adormecida sociedade portuguesa com algumas declarações que têm tanto de bombásticas, como de certeiras… Recentemente, num programa televisivo tornou a agitar as consciências com frases que cedo abriram caminho pela Internet portuguesa e que agora aqui publicamos, com os nossos comentários:

“José Sócrates, é um homem de circo, de espectáculo. Portugal está a ser gerido por medíocres, Guterres, Barroso, Santana Lopes e este, José Sócrates, não perceberam o essencial do problema do país.”

– todos os políticos modernos o são. De Blair a Sarkozy, passando por Bush e Putin, a política tornou-se num autêntico circo mediático em que os seus agentes se assemelham todos entre si divergindo apenas no estilo ou na competência cénica com que desempenham os seus papéis e a as coreografias para eles arquitectadas pelas agências de marketing político, atividade em próspera expansão mas de graves efeitos para a qualidade da nossa democracia.

“O desemprego não é um problema, é uma consequência de alguma coisa que não está bem na economia. Já estou enjoado de medidinhas. Já nem sei o que é que isso custa, nem sequer sei se estão a ser aplicadas.”

– ora bem. Este é de facto o problema número um, dois e três. É o Nó Górdio que se for desatado, resolverá todos os demais, desde a crise orçamental (pela via da maior captação de impostos), à crise demográfica, à crise da segurança social. O modelo português não é único no mundo, e a flexibilização do mercado laboral não é resposta absoluta, mas a sua inflexibilidade relativa também não se tem revelado como parte da solução. Talvez a solução esteja algures a meio termo, numa flexisegurança à dinamarquesa (não como o modelo castrado proposto para Portugal, que flexibilize o Emprego e aumenta a dimensão e extensão da social de cobertura ao desemprego.

“A população não vai aguentar daqui a dez anos um Estado social como aquele em que nós estamos a viver. Este que está lá agora, o José Sócrates, é um homem de espectáculo, é um homem de circo. Desde a primeira hora.”

– Portugal, desde o 25 de abril, conseguiu erguer um “Estado Social” que no Antigo Regime não existia. Esta é aliás – com o Municipalismo – a grande conquista da Democracia e a sua importância não deve ser diminuída. O julgamento de Medina Carreira talvez seja neste ponto, demasiado excessivo, mas assente na realidade de que o país não conseguirá suportar durante muito mais tempo a carga imposta pelas benesses sociais, desde o Rendimento Mínimo, passando pelas pensões de reforma chorudas de muitos ou até os salários na função pública com salários muito superiores aos auferidos em empresas privadas. Há um certo desfasamento, entre estas realidades e as possibilidades de um Estado que tem sido apenas mascarada por uma carga fiscal superior à média europeia e à custa do estrangulamento do consumo dos particulares e do são desenvolvimento das empresas. A solução para este “Estado Máximo” não passa contudo pela minarquia dos neoliberais, mas pela sua repartição em entidades menores, de proximidade e que pela sua menor escala permitem realizar poupanças e aumentos de eficiência: os municípios. Descentralizar, sem Reduzir, essa é a solução para reduzir o peso asfixiante do Estado na Economia e Sociedade portuguesas.

“Ainda há dias eu estava num supermercado, numa bicha para pagar, e estava uma rapariga de umbigo de fora com umas garrafas, e em vez de multiplicar «6×3=18», contava com os dedos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7… Isto não é ensino… é falta de ensino, é uma treta! É o futuro que está em causa!”

– sem dúvida que a Educação publica e privada portuguesa tem optado por embarcar num clima de facilitismo que inebriado por estatísticas artificiais e transitórias não hesita em tudo sacrificar em nome de reduções artificiais do insucesso escolar. Em vez do rumo da exigência e do esforço, escolheu-se a via do facilitismo e da “passagem administrativa”. Este rumo – a prazo autodestrutivo – segue em absoluto contraste com o que se passa na maioria das economias emergentes, a começar pela Índia e pela China, onde os jovens têm uma perfeita percepção de que o seu sucesso profissional está intimamente ligado ao seu esforço e dedicação enquanto estudantes.

“Os números são fatais. Dos números ninguém se livra, mesmo que não goste. Uma economia que em cada 3 anos dos últimos 27, cresceu 1%… esta economia não resiste num país europeu.”

– mas e que crescimento (ou estagnação) é esta? Muitos questionam hoje a validade dos critérios que definem o crescimento bruto e contínuo do PIB. Este crescimento é hoje sustentado em autênticas depredações sistemáticas aos direitos humanos e laborais na Índia e na China e responde por padrões ambientais e climáticos que a prazo não são sustentáveis. O problema de Portugal não é tanto o de não crescer, é mais o de não se bater suficientemente para alterar os critérios que definem o crescimento do PIB, devendo no entretanto ignorá-los e destacar aqueles onde melhor nos posicionamos (por exemplo na medida da “felicidade”, da baixa mortalidade infantil, dos relativamente elevados padrões de vida, etc). Medina Carreira é um economista da Escola Clássica e como os seus pares ainda continua a seguir demasiado religiosamente as suas bitolas… Como aquela que crê que a Terra pode suportar um crescimento contínuo ou que crescer é compatível com a degradação catastrófica do clima ou com problemas sociais explosivos a curto prazo criados pela desigualdade ou por níveis elevados de desemprego.

“Se nós já estamos ultra-endividados, faz algum sentido ir gastar este dinheiro todo em coisas que não são estritamente indispensáveis? P’rá gente ir para o Porto ou para Badajoz mais depressa 20 minutos? Acha que sim? A aviação está a sofrer uma reconversão, vamos agora fazer um aeroporto, se calhar não era melhor aproveitar a Portela?”

– o TGV é notoriamente um erro colossal e, pior, um erro conscientemente cometido a custo do sacrifício das gerações presentes e futuras em nome da satisfação de “dividas eleitorais” para com as grandes construtoras onde pontifica a Mota Engil do inefável Jorge Coelho. O TGV poderia ser facilmente substituído por uma renovação da linha ferroviária que permitisse que o Alfa Pendular alcançasse a sua real capacidade e o mega aeroporto de “Lisboa” por uma renovação da Portela e pela transformação de Alverca num aeroporto de Low Cost. Tal solução, com o atual abrandamento do tráfego aéreo, poderia oferecer uma solução “Portela mais um” que defendemos desde o princípio e corresponder a uma poupança muito notável. Contudo, infelizmente, esta solução não agrada aos lobbies da Construção Civil que tanta influencia têm nos governos do bi-partido PS-PSD em Portugal…

“Eu por mim estou convencido que não se faz nada para pôr a Justiça a funcionar porque a classe política tem medo de ser apanhada na rede da Justiça. É uma desconfiança que eu tenho. E então, quanto mais complicado aquilo for…”

– ora aí está uma boa e terrivelmente plausível razão que explica porque esse grande cancro da nossa sociedade que é a ineficácia da Justiça continua por resolver… É claro que ao longo das últimas décadas se têm multiplicado as “reformas” e as alterações de Códigos, mas findo todo este tempo a Justiça continua a ser o maior obstáculo isolado para o desenvolvimento da nossa economia (pela ineficácia na cobrança de dívidas, p.ex.) e para a Justiça social em Portugal. Sem Justiça não há democracia e com a Justiça coxa que temos temos uma sociedade que assiste à desfaçatez e aos abusos impunes dos mais poderosos que usam as curvas da lei ou poderosos escritórios de advogados para se furtarem à Lei.

“A educação em Portugal é um crime de «lesa-juventude»: Com a fantasia do ensino dito «inclusivo», têm lá uma data de gente que não quer estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar. Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida aqueles que querem estudar. Mas é inclusiva…”

– governos sucessivos, nos últimos anos, estiveram mais preocupados com a aritmética estéril das estatísticas do que com a qualidade do ensino. Sem pudor pela mentira, manipularam-se “rankings”, estabeleceram-se “currículos alternativos” e espalharam-se pelo sistema educativo mecanismo facilitistas. Tudo isto tem que acabar. Onde há facilitismo, deve haver exigência. Onde há facilidade, deve haver dificuldade. Só assim se reformará estas fábricas de mediocracia em que se tornaram hoje as universidades, com níveis assustadores de impreparação ao nível dos mais básicos conhecimentos de matemática e português. Os currículos do Secundário – nível essencial à formação de competentes gerações de universitários – devem ser simplificados, descartando toda a ganga que hoje ocupa a maior parte do espaço letivo e substituído pelo ensino das matérias fundamentais para desenvolver a compreensão das matérias: Português e Matemática, disciplinas que juntas devem ocupar mais de metade dos currículos, deixando o restante para disciplinas compatíveis com a área vocacional cientificamente determinada nas escolas, por peritos nesse domínio. Assim se poderá reformar o Ensino, devolvendo enfim a Portugal as virtualidades de desenvolvimento das capacidades dos portugueses, adormecidas longamente por alternâncias “democráticas” de uma partidocracia que tudo sacrifica à sua própria rotação no poder, e excluindo sempre qualquer forma de meritocracia, pela via da reforma do sistema educativa. Sem a devida Educação popular, as elites mantêm-se imperialmente em todos os segmentos do poder, razão primeira pela qual nunca se esforçaram verdadeiramente por a reformar.

“Nós estamos com um endividamento diário nos últimos 3 anos correspondente a 48 milhões de euros por dia: Por hora são 2 milhões!”

– em 1890, a dívida de Portugal era 15 vezes superior a todas as receitas anuais do Estado e duas vezes o PIB. A situação hoje é consideravelmente melhor, e além do mais, a integração no euro e na UE, servem como redes de segurança adicionais que então não existiam. Mas esta dívida – que não pára de crescer – será rapidamente, talvez em menos de dez anos, um problema tão grande como em 1890, se nada de muito radical não alterar entre nós. Na época, Oliveira Martins, ministro das Finanças, teve a fibra para declarar a bancarrota parcial, suspender os pagamentos da dívida externa, renegociá-la e estabelecer novos impostos e cancelar subsídios estatais às grandes empresas. Faltam hoje líderes com a coragem de reduzir a um terço o pagamento das dívidas externas ou a sua conversão em títulos de dívida interna, como exigiu Oliveira Martins, para grande ira dos financeiros internacionais da época. Então, em 1891, de um défice de 15190 contos, passou-se para um de apenas 2186, logo em 1896. Na época, nas palavras de Pedro Lains “optou-se por cortar no pagamento de juros, interrompendo-se o fluxo de importações de capitais mas sem apertar a agricultura e a indústria. E o proteccionismo teve um efeito positivo na economia.” E hoje? Onde estão estes líderes frontais e corajosos?

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 19 comentários

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19 thoughts on “Medina Carreira: Uma lúcida visão sobre a realidade portuguesa

  1. Lusitan

    Há quantos anos é que ouvimos o mesmo discurso a Medina Carreira? Há quantos anos o ouvimos criticar tudo e todos? Há quantos anos vem dizendo que as soluções tomadas são sempre as soluções erradas? Há quantos anos é que andamos a engolir o sapo Medina Carreira? Alguém alguma vez o viu a debitar soluções para os problemas de Portugal? Quando lhe fazem a pergunta então o que fazer para sair da crise a resposta é sempre a mesma… blablabla… eu sei mas não digo! Afinal de contas quem é que é o charlatão e o palhaço?
    O sr. Carreira debita uns números em directo, diz mal de tudo e toda a gente vai atrás da conversa, só não percebendo que a conversa se assemelha em muito a uma conversa de café em que alguém com um pouco mais de cultura geral deixa todos boquiabertos ao debitar simples banalidades. Se andarem de táxi em Lisboa ou em qualquer outra cidade de Portugal ouvirão o condutor do veículo a debitar os mesmos problemas do país que o sr. Medina Carreira tanto apregoa. Ao contrário desse senhor ao menos os taxistas ainda mandam alguns bitaites sobre as melhores saídas para a crise.

    Devo dizer que o discurso de Medina Carreira para quem o ouve pela primeira vez é bastante apelativo (não há nada mais apelativo do que dizer mal de algo que não gostamos), agora para além de ser repetitivo, não apresenta nada de novo para a sociedade nem aponta qualquer saída para o atoleiro em que Portugal se tornou.

    Outro que também tem um discurso que é bastante cativante para quem ouve pela primeira vez, nem que seja por ter um tom de voz que inspira confiança, é Pedro Passos Coelho. Quem o ouve falar da liberalização e da privatização da economia portuguesa parece que vê finalmente chegar D. Sebastião. No entanto quando começamos a pensar um pouco na mensagem dele vemos que tem algumas falhas.
    Primeiro porque quer liberalizar a economia… mas esperem… a crise económica em que nos encontramos não foi obra precisamente da liberalização desenfreada?
    Depois porque quer privatizar empresas estatais… vejamos… quais é que quer ver privatizadas? Ah pois as que dão lucro ao Estado… e que tal começar por vender as que são um buraco financeiro?
    Depois fala em desgovernamentalizar… sim, ok… mas afinal não é contra a regionalização?
    E podia estar aqui a noite toda a falar do novo Messias, do seu plano para a Saúde e para a Economia.

    Eu não gosto nem de Messias nem de velhos do Restelo! Gosto de gente pragmática com ideais, mas se não tiverem ideais ao menos que sejam pragmáticas!

  2. Lusitan

    E para onde é que foi o meu comentário?

  3. estava na caixa de spam… já o “libertei”

    Medina Carreira não tem “costas limpas”, eu sei. Por exemplo, apregoa-se como “economista”, quando de facto nunca acabou esse curso, terminando os de Ciências Pedagógicas, em 1954, e em Direito, em 1962.

    Teve responsabilidade governativas, no período pós-Revolucionário e negociou um importante empréstimo com o FMI, ou seja, sabe do que fala, mas que facto, não se tem esforçado para passar à pratica as suas atoardas, concordo contigo. Quem mantêm um discurso tão consistente e ácido contra o regime, tem o dever moral de procurar introduzir-se no sistema. Mas aposto que se p.ex. Passos Coelho o convidar para Ministro das Finanças, ele rejeita. Vai uma aposta?
    Em suma: sim, fala bem e acertado. É capaz de passar à prática? Duvido…

    • Jota

      Concordo, e sempre facil negativamente fazer criticas ao que ja esta mal, mas encontrar solucoes e aplicalas e que se devem concentrar todos os esforcos e com muita tristeza que vejo meu pais neste estado, eu mesmo tenho comprado dividas de Portugal esperando que torne positivo.

  4. rui dinis

    Sr Medina Carreira , um homem que um dia já fez parte do sistema , conheçe o sistema por dentro . podia fazer como muitos , ficar em casa a gozar á grande a sua bela da reforma e lavar as mãos como fez pilátos . Mas pelo contrário , luta hoje como pode contra este sistema nojento que está arruinando o nosso pais muito lentamente.
    Possivelmente recusaria ser ministro das finanças , pois ele iria mexer com muitos tachos e isso iria trazer situações perigosas que já não são para um homem da idade dele , 83 anos . Chamam-lhe o profeta da desgraça , o velho do restelo , mas na minha opinião os que lhe chamam isso são os mesmos que (des)governam o nosso pais á mais de trinta anos , estes sim , os verdadeiros profetas da desgraça , os velhos do restelo , o mensageiros da pobreza mais do que certa para o nosso pais .
    Sr Medina Carreira , tem o meu respeito , é um homem honesto .

  5. Darth Vader

    Concordo com o que diz o Lusitan.
    O Medina Carreira encarna de facto o profeta da desgraça, infelizmente não aponta um caminho como os restantes profetas da matriz judaico/cristã. hehehe.

    Não sou grande grande apreciador do seu estilo, mas não posso negar que algumas das coisas que diz são de facto evidências que políticos (e comunicação social) tentam branquear.

    O meu verdadeiro receio, ou talvez não, é que o Medina tal como estes senhores
    http://economix.blogs.nytimes.com/2010/04/15/the-next-global-problem-portugal/
    tenham razão.

    Resta-nos aguardar!? Não poderemos fazer nada?

    Gostava de ouvir o que Fernando Nobre tem a dizer sobre este assunto, i.e, o possível colapso da economia Portuguesa.

    • Nobre tem sido silenciado pelos media… basta ver como estão a focar o discurso num confronto entre Alegre e Cavaco, como se o primeiro não estivesse já em nítido declínio e o segundo não fosse o mais impopular (e inculto, e inepto, e incapaz) presidente de sempre.

  6. Lusitan

    O sr. Medina Carreira abdicou da sua reforma choruda por ter sido ministro? O sr. Medina Carreira aponta algum rumo para sair da crise? Se não aponta, isso não é o mesmo que lavar as mãos como Pilatos? Ninguém duvida da sua honestidade per se, duvido é da sua honestidade intelectual! Ou apontar erros sem indicar como os corrigir não é desonesto?
    “Está mal!”
    “Como é que se emenda?”
    “Eu sei mas não digo!”
    Faz-me lembrar o discurso do antigo treinador do Sporting Octavio Machado que enquanto esteve no Porto andou caladinho em relação ao sistema… quando saiu do Porto só dizia “Vocês sabem do que estou a falar!” sem nunca dizer nada! Ao não afirmar claramente que havia corrupção e quer eram os corruptos Octavio Machado estava a ser conivente com o sistema implementado, tal como o faz Medina Carreira.

    • rangel

      Pode-se ler em alguns comentários espalhados pela NET coisas tipo “medina foi ministro das finanças e nada fez…” Ou “não me lembro de nada de relevante que ele tenha feito…”. Quero aqui esclarecer que O Dr. Medina Carreira foi ministro entre 76 e 78, daí que muito boa gente não se lembre ou fale sem conhecimento. Também não me parece, ao contrario do que muita gente afirma, que tenha alguma reforma choruda.

  7. ele apontar, aponta… não demonstra coragem, vontade ou disponibilidade para se atravessar.
    contudo, participou num encontro de apoiantes de Passos Coelho, pelo que palpita-me que se este chegar a governo (não digo que isso seja coisa boa, contudo…) será certamente convidado.
    mas digo também:
    certamente negará.

  8. joão tavares

    SR DR Medina carreira , o profeta da desgraça , digam-me então o que chamar a este senhor ? Simon Johnson , preocupante !!!
    Simon Johnson, antigo economista chefe do FMI, considera que Portugal, tal como a Grécia, “corre risco de falência económica” e é hoje um país mais arriscado que a Argentina de 2001.
    Simon Johnson, antigo economista chefe do FMI, considera que Portugal, tal como a Grécia, “corre risco de falência económica” e é hoje um país mais arriscado que a Argentina falida de 2001.
    “O próximo no radar é Portugal. Este país só não está no centro das atenções porque a Grécia caiu numa espiral descendente. Mas estão ambos perto de falência económica e parecem hoje bem mais arriscados do que a Argentina quando entrou em incumprimento, em 2001”, lê-se num artigo assinado em conjunto por Simon Johnson, antigo economista chefe do FMI, e Peter Boone, do ‘Center for Economic Performance’ do London School of Economics.
    Para estes dois especialistas “nem os líderes da Grécia nem os de Portugal estão preparados para impor as políticas necessárias” e, no caso português, “não se está sequer a discutir cortes sérios”.
    Certos de que as políticas projectadas são insuficientes, Simon Johnson e Peter Boone antecipam que “Portugal e Grécia vão ter níveis de desemprego elevadíssimos nos próximos anos” e afirmam que “Portugal está esperançado que poderá sair desta situação pelo crescimento, mas isso só poderia acontecer com um extraordinário boom económico”.
    “Tenhamos dó dos políticos portugueses mais ponderados quando dizem que a probidade orçamental exige apertar o cinto mais cedo (…) Os políticos portugueses nada podem fazer senão esperar que a situação vá piorando para depois pedirem ajuda externa”, declaram.
    Tal como a Grécia, Portugal entrou numa espiral de dívida insustentável, defendem os autores.
    “Portugal gastou demasiado durante os últimos anos, com a dívida pública a atingir os 78% do PIB em 2009 (comparando com 114% na Grécia e os 62% da Argentina, quando entrou em incumprimento). Esta dívida tem sido financiada sobretudo por investimento estrangeiro e, tal como a Grécia, em vez de pagar os juros desses títulos, Portugal optou por, ano após ano, refinanciar a sua dívida”, sustentam.
    “Em 2012, o rácio dívida pública/PIB português deverá atingir 108% se o país atingir as suas metas de corte do défice. Chegar-se-á no entanto a um ponto em que os mercados financeiros vão simplesmente recusar-se a financiar este esquema Ponzi”, concluem.
    Depois de descreverem a situação portuguesa, Johnson e Boone acusam as agências de ‘rating’ de terem medo de “tocar em Portugal”.
    “Hoje, e apesar dos perigos evidentes e dos elevados níveis de dívida, as três grandes agências de ‘rating’ estão certamente assustadas em dar o passo de declarar a dívida grega como ‘junk’. Têm também um receio parecido em tocar em Portugal”, lê-se no texto.

  9. joão tavares

    Para clavis
    “… será certamente convidado.mas digo também:certamente negará…” o homem tem mais de oitenta anos , diga.me SR Clavis , voçê com oitenta anos tambem se iria chatear , iria “comprar” guerras ? Parece-me que não.

    Para o SR Lusitam

    “…apontar erros sem indicar como os corrigir não é desonesto?..”
    Olhe que ele para alem de apontar os erros tambem tem apontados as soluções , aliás , soluções que qualquer português menos informado tambem sabe, ou seja , revisão salarial da maior parte dos ordenados da função publica , revisão de um grande parte das reformas dos ex-funcionários publicos , diminuição de trabalhadores na função publica ( a saida destes sem direito a reformas antecipadas ) , diminuição drastica de funcionários de trabalhadores e gestores das empresas publica ( RTP, CP , PT , EDP , CGD , Metropolitano de lisboa , empresas autarquicas etc etc…) , diminuição do numero de deputados e revisão das leis de aposentação destes , melhor controlo e actualizações das rendas das casas dos bairros sociais ( mais de um milhão e meio de portugueses vivem nestes bairros sociais ) etc etc..
    estas medidas já foram anunciadas á muito por ele , por outros economistas , até mesmo, pelo cidadão comum , agora eu pergunto , coragem para tomar estas medidas ? Quem é que está na disposição de ” comprar ” uma guerra social de consequencias imprevisiveis ? O DR Medina carreira ? um homem com mais de oitenta anos ? claro que não. Que sejam então outros a faze-lo .

  10. Uma carreira de ministro não é uma carreira de 10 ou 10 anos… Oliveira Martins, em 1911 pôs em ordem a casa em pouco mais de 2 anos, o que nos falta agora é alguém com a determinação idêntica à deste republicano.
    Medina Carreira parece ter a determinação bastante para tal, mas terá a vontade? É isso que é duvidoso.

  11. Fenix

    Desde o 25 abril de 1974 que Portgal está em “falencia tecnica” porque tinhamos estreturas para um pais maior do que aquele que temos agora.Ficamos limitados e reduzidos apenas aquio que somos hoje “pequenos” demais para termos uma economia propria e estrutorada.Quando se pensou que cee podia ser o balão de oxigenio para economia Portuguesa passa-se outro grande fenomeno o pouco que tinhamos e produziamos deixamos de o fazer em prol de outros e pensou-se que Portugal podia ingenuamente viver de servisos e turismo.E importar tudo. Quando já na união europeia se começa a falar do euro uma moeda mercantil e não igualitaria esse é outro erro podiam nessa altura ter igualado tudo e feito um mercado global europeio com igualdade ordenados entre os varios paises mas não ainda assentuamos mais as diferença entre as economias europeias e insentivamos mais a imigração e a expluração para prudozir o mais barato possivel.Outro grande erro este foi a entrada da china no comercio mundial e global.Isto por igoismo de alemães e americanos entre outros.Que vem na china um mercado gigantesco de possiveis comsumidores mas a que custo para quem nada prudos como nos desemprego e mais desemprego impostos cada vez mais altos encaresendo ainda mais tudo o que importamos facilitando ainda mais a espluração empregados.È um retor ao Mediavalismo social educativo e etico em prol da economia.O que é puramente errado humanamente e eticamente e moral.Mas o que importa é alguns saberem viver com desgraça de outros até quando?

  12. mas nunca esteve tão perto da bancarrota como agora… ironicamente precisamente com um “presidente economista” eleito precisamente com um discurso (falso) de que o seu estatuto de economista lhe iria permitir ser um melhor presidente.

  13. Fenix

    Ele é culpado de muita coisa como a economia do betão as privatizações.Ironicamenrte o senhor dos serviço e turismo.O senhor prof devia era ter continuado a dar aulas.Porque de economia real não é como se ensina vivesse no dia a dia.Eu acho que isso não vai lá com economistas desprovidos de senso comum.

  14. rui pinto

    O sr Cavaco foi o responsavel pelo desmantelamento da nossa metalurgia , das nossa pescas , da agicultura , o sr Cavaco foi o responsavel pelo crescimento de um monstro chamado estado !!!
    Se Portugal cair na banca rota , então ele , e outros como ele , deveriam ser julgados num tribunal internacional europeu .

  15. a mil por cento de acordo!
    se este país se tornou num “país de serviços”, cheio de seguradoras e bancos, estradas e turismo, mas sem nada do resto (daquilo que realmente importa) foi porque Cavaco nos vendeu em troca de uns subsídios que nem sequer soube aproveitar e que colocavam em Lisboa, por dia, mais do que a Pimenta e o Ouro do Brasil, colocavam na sua época, para se ter bem uma noção da oportunidade perdida nos “anos de ouro” do cavaquismo!

  16. Sergio

    Este “Lusitano” tem o típico discurso demagógico de intelectual de esquerda. “ele sabe criticar mas não abdicou da reforma de quando foi ministro das finanças”. Que argumento imbecil…

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