Daily Archives: 2010/04/09

Fernando Nobre: Parágrafos de Pensamento Político

Fernando Nobre (http://algarvepress.net)

Fernando Nobre (http://algarvepress.net)

Sobre o apoio a Durão Barroso:
“Exige ainda que se consulte os povos quando a opção da guerra não consta de nenhum programa eleitoral ou de governo” (…)

A Declaração de Guerra é um ato de extrema gravidade e de consequências tremendas para o maior bem que existe sob a Terra: a Vida. É assim compreensível que a Guerra só deva ser decretada em circunstâncias muito particulares e de extraordinária urgência e nunca de forma “preemptiva”, porque isso implica antecipação e planeamento e doses consideráveis de preparação.

“A boa governação não aceita que se façam guerras baseadas na trapaça e na mentira (como aconteceu com a guerra do Iraque) e que se encete, em período próximo de eleições, malabarismos de marketing, afirmando e prometendo tudo e o seu contrário ou pura e simplesmente que se fuja às suas responsabilidades, sobretudo se for para ocupar um lugar de maior destaque…”

Fernando Nobre apoiou Durão Barroso quando este concorreu às Legislativas. Fê-lo porque o havia conhecido pessoalmente enquanto secretário de Estado da Cooperação e enquanto presidente da AMI. O problema é que Durão Barroso desiludiu muita gente, incluindo do seu próprio partido, primeiro as ter um desempenho sofrível como Primeiro Ministro, depois ao fugir de Portugal, abandonando o cargo de Primeiro Ministro, para onde o povo português o tinha eleito em troca do fausto em Bruxelas e de uma posição subalternada e de apagado servilismo em relação aos “senhores da Europa”. Fernando Nobre também não esqueceu que Durão Barroso foi um dos raros líderes ocidentais que alinhou ao lado de Bush e das suas fabricações sobre “armas de destruição em massa”. Foi precisamente, primeiro, pelo apoio de Durão Barroso a uma invasão justificada com provas forjadas e, depois, com a sua saída precipitada para Bruxelas, em busca de honrarias e deixando para trás um cargo para onde tinha sido eleito e um país em crise, que Fernando Nobre retirou a Durão Barroso o seu apoio.

“Esses espúrios comportamentos e atitudes vergonhosas contribuíram decisivamente para a descredibilização das classes políticas e dos governantes responsáveis pela actual desorientação e desmotivação dos povos.”

– quando um político opta por uma atitude seguidista e acéfala ao aceitar como boas “provas” manipuladas que lhe são dadas por um aliado e, depois, quando a sua falsidade se torna manifesta, não exige publicamente um pedido de desculpas por quem o enganou e ao país que representa, então coloca em questão a própria democracia na pessoa do cargo para cujo cumprimento (e dignidade) foi eleito. Por outro lado, quando um líder eleito abandona o cargo a meio em busca de outro que – pessoalmente – acha mais interessante, então é a própria validade do voto que é questionada. Seja porque o cargo político perde credibilidade porque o seu detentor mentiu ou se deixou enganar, seja porque o político abandonou o cargo para o qual fez campanha ou foi eleito, de uma forma ou de outra, quem perde é a democracia.

Sistema de Governação Global:
“Ao fim e ao cabo, a liderança global já existe! Infelizmente, actualmente ela é secreta, feita de cima para baixo e nada democrática. Ela está inoperativa, descoordenada, cacofónica e descredibilizada com as guerras do Iraque e Afeganistão com as confusões do Kosovo (estendidas à Ossétia do Sul e à Abacásia), com a Crise Financeira e Económica sistémica, com as piratagens no mar da Somália e a desgovernação na República Democrática do Congo, no Zimbabué, na Somália, na Chechénia, Birmânia…”

– alguns ficaram chocados com esta aparente defesa de uma “governação global” por parte de Fernando Nobre. Mas não é assim tão simples… Nobre começa por escrever que essa governação global já existe e aponta os seus (numerosos) defeitos: secreta, ademocrática e ineficiente. É precisamente pela listagem dos seus defeitos que encontramos o tipo de governação global defendida pelo candidato presidencial: pública, democrática e eficiente. As organizações multinacionais que a efetivamente formam, da ONU à OCDE, devem abandonar a sua lógica cooptativa ou de nomeações e passarem a assumirem na sua própria essência os princípios e a submissão ao julgamento dos sufrágios. Grupos semi-clandestinos de propósitos ocultos e certamente contrários (porque ocultos) aos interesses da maioria da população devem ser suprimidos e o seu espaço preenchido por instituições que de facto já existem mas que carecem ainda da representavidade democrática que lhes garantiria uma maior eficácia, já que os grosseiramente ineptos não seriam reeleitos.

“A Terra precisa de um Sistema de Governação Global (SGG) ético, credível, respeitado e operativo. É vital que se integrem nesse SGG personalidades de grande craveira moral, ética e sábios. Elas existem! Alguns, poucos, Prémios Nobel da Paz, da Economia, da Literatura… Bem peneirados, pois não há nenhum prémio, como não há nenhum grau ou qualidade científica e académica que garanta, de per si, aos seus titulares a integridade, seriedade e coragem necessárias. Precisamos de espíritos livres com coluna vertebral!”

– é neste contexto de uma “boa governação global” que Fernando Nobre defende a instauração de um “Sistema de Governação Global” (SGS), baseado em sufrágios democráticos realizados à escala global e devidamente aconselhado por um “senado de sábios”, de certa forma semelhante à Câmara dos Lordes, mas sem o aspecto hereditário destes, que permitisse que este SGS tivesse além da essencial representatividade e controlo democrático também um tipo de ponderação e aconselhamento que essas personalidades poderiam oferecer.

“Sabemos, sei, que a ideia e a concretização de um Sistema de Governação Global não vai ao encontro dos ideais sectários e nacionalistas daqueles que ainda sonham, querem e lutam, com todos os meios legítimos e ilegítimos ao seu alcance, pela constituição de governos imperialistas sustentados por determinadas ideologias, que sempre excluem o outro.”

– tal Sistema de Governação Global (SGS) seria certamente um alvo privilegiado de todos os grupos e grupúsculos estritamente nacionalistas. Com efeito, a aparição de um SGS verdadeiramente eficaz seria além do mais um garante definitivo contra qualquer conflito militar ou guerra entre os Estados que o comporiam, mas seria também uma forma de virar finalmente a página aos Nacionalismos que estiveram da direta origem de tantas guerras, dor e sofrimento ao longo da História. Pela supressão desse nível Estatal-Nacionalista e pela sua substituição por uma governação muito mais local e transnacional, encontraríamos uma governação mais eficaz, mais focada nos problemas locais dos cidadãos.

Apoios ao PSD:
4. “aceitei integrar a Comissão de Honra da recandidatura de António d’Orey Capucho à Autarquia de Cascais, uma vez que sou munícipe deste Concelho há 15 anos e me sinto, naturalmente, envolvido no futuro do Município. Mais uma vez, a minha decisão tem como única origem a minha consciência e única causa o que penso ser o meu dever de cidadão independente e livre.”

– uma das críticas que mais frequentemente é arremessada contra Fernando Nobre é a de uma certa incerteza quanto à direção para onde escolhe os seus apoios políticos: PSD (Capucho e Durão), PS (Mário Soares) ou BE (Parlamento Europeu). Este aparente desnorte só o é aparentemente. Na verdade, esta multiplicidade de apoios resultou não de inclinações partidárias múltiplas, superficiais ou pendulares, mas do conhecimento direto e pessoal que o presidente da AMI foi estabelecendo ao longo da sua carreira com estas personalidades. Fernando Nobre não passou de apoiante do PSD, a apoiante do PS, de novo do PSD e daí em diante do BE. De todas estas ocasiões apoio sempre pessoas concretas, que conhecia pessoalmente e em quem confiava. E pelo menos numa destas ocasiões admitiu ter-se enganado… Nomeadamente com Durão Barroso, devido ao seu torpe apoio da invasão do Iraque e à irresponsável fuga para Bruxelas. Não há assim inconsistência, mas um apoio consistente a pessoas de confiança, erróneo num dos casos, como seria de esperar de encontrar em qualquer escolha humana, porque nem todos de nós “têm sempre razão e raramente se enganam”.

A Explosão Demográfica:
“Estes números querem dizer apenas isto: desde o ano em que a minha querida Mãe nasceu a população do Planeta mais do que triplicou e desde que eu nasci mais do que duplicou, com o consumo a disparar tanto na vertente alimentar – mais carne (o que consome muito mais energia para a sua produção: no mínimo 6 vezes mais do que os cereais para o mesmo número de calorias), mais carros, mais televisões, mais computadores, mais telemóveis, mais i-pods…”

– não há qualquer dúvida: não existem hoje sob e sobre a Terra recursos suficientes para dar à população do planeta os mesmos níveis de vida que são experimentados no Ocidente. A recente ascensão de centenas de milhares de chineses e indianos a esses padrões de nível de vida já tornou a China no maior poluidor global e é certo que as consequências da explosão demográfica e de consumo energético irão destruir a curto prazo o delicado equilíbrio ambiental e climático que assegura a nossa sobrevivência na Terra. E na direta razão destas dificuldades está o agora quase esquecido problema da explosão demográfica. Perante a multiplicação para além de qualquer racionalidade da população mundial, e especialmente naquelas parcelas do planeta mais empobrecidas e com menos recursos agrícolas e aquíferos estamos confrontados com algo que coloca em risco a sobrevivência da espécie e de toda a vida sobre a Terra. Se a humanidade insistir em portar-se perante a Terra como se de um vírus predatório se tratasse, então o globo acabará por nos devolver a agressão e levar-nos à extinção.

Pegada de Carbono:
“Tornou-se então necessário, indispensável, calcular a pegada das pessoas, empresas e nações (consumo e subsequente produção do nocivo CO2) para chegar à impossível conclusão, a presente quadratura do círculo: o Planeta não aguenta mais! Tanto mais que os povos dos países emergentes e os outros prosseguirão as suas ambições, estão no seu mais estrito direito, de quererem adoptar o nosso modo de vida e consumo…”

– na verdade não é somente a população que urge controlar. É também a “pegada de consumo” de cada um de nós. É a quantidade de energia e matéria prima que consumimos para mantermos o tipo de nível de vida que nos habituámos a ter ou que aspiramos a possuir, é a quantidade de CO2 que emitimos (a dita “pegada de carbono”) é a quantidade de água que gastamos, etc. Urge estabelecer limites voluntários e auto-impostos, complementados com “impostos de carbono” e patamares máximos de consumo que estabeleçam limites razoáveis à nossa “pegada de consumo” no Ocidente e que permitam que as populações dos países em desenvolvimento aumentem significativamente os seus padrões de consumo, absorvendo esse crescimento com a contenção dos mesmos no mundo desenvolvido.

Sociedade Civil:
“De facto, a implicação sistemática da Sociedade Civil organizada nos processos de decisão de assuntos que dizem respeito à vida dos cidadãos, é decisiva, se quisermos um Portugal, uma Europa e um Mundo aberto e democrático que, efectivamente, pretenda, e talvez consiga, erradicar a pobreza e promover um desenvolvimento sustentado e durável para todos.”

– a democracia representativa continua a ser – nas palavras de Winston Churchill – “o melhor dos sistemas possíveis”, mas os fenómenos recentes de ascensão do poder e influência das multinacionais e dos grupos financeiros têm erodido significativamente a efetiva capacidade das democracias. Parcelas cada vez maiores do governos democráticos têm assim caído na esfera dos lobbies e grupos de pressão não-democráticos e frequentemente subterrâneos ou secretos. Dos grandes Bancos, às Seguradoras globais, passando pelos grandes grupos de informação ou pelas multinacionais mais ricas que muitos Estado, todos têm devorado espaço e poder aos governos democraticamente eleitos, à custa de um espaço de cidadania que urge recuperar, sob pena de transformarmos as nossas democracias em plutocracias e tecnocracias.

O perdão da dívida:
“O perdão da dívida dos países em desenvolvimento e o congelamento das contas bancárias astronómicas dos seus corruptos e insensíveis governantes, a defesa das mulheres no mundo, a luta pela democracia participativa em todos os países, mesmo nos actualmente ditos democráticos, o fim dos regimes ditatoriais e corruptos, a luta pela salvaguarda do meio-ambiente, o fim do trabalho e da prostituição infantis”
– para quem – como certo professor universitário com direitos de Primetime” – não era suposto ter um “pensamento político”, Fernando Nobre faz aqui uma notável condensação do seu (existente) pensamento político… A lista de medidas aqui enunciada é clara e foca diretamente no grande cancro que impede o são desenvolvimento das economias mais pobres do mundo:
— “o perdão das dívidas fiscais dos países pobres” é em primeiro lugar um imperativo moral, já que na sua esmagadora maioria os empréstimos já estão pagos e se pagam agora serviços de dívida que consomem parcelas muito significativas destes países. Em 1892, Portugal consumia em juros mais de 40% do seu orçamento, até que Oliveira Martins assumiu a pasta das Finanças e impôs uma moratória do pagamento desses juros. É esse exemplo que importa recuperar, de forma a que os financeiros parem de explorar esses empréstimos antigos (alguns com mais de 20 anos) e que estão agora a serem recomprados por “vulture funds” e a lançarem processo que exigem que verbas dadas pela comunidade internacional a estes países pobres sejam de facto, entregue as estas opacas sociedades especulativas.

Congelamento das contas bancárias dos corruptos:
“congelamento das contas bancárias astronómicas dos seus corruptos e insensíveis governantes”: se África vive hoje uma situação humanitária e económica mais frágil do que em 1945, tal deve-se em grande medida à corrupção endémica dos líderes africanos e à tolerância criminosa perante esta situação de muitos países mais desenvolvidos. Para resolver este problema de fraca governância, a imposição de punições severas e internacionalmente reconhecidas é vital.

— “a luta pela democracia participativa em todos os países”: não impondo democracias apressadas e frágeis pela via das armas, como se fez no Iraque, mas instalando efetivos mecanismos de discriminação desses regimes, estabelecendo boicotes de materiais de Defesa e Segurança, congelando contas bancárias de ditadores e expulsando esses países de todas as instituições internacionais.

Emigração e Comércio Justo:
Em Janeiro de 2007, escrevi este texto, hoje prefácio de um livro prestes a ser publicado: “Comércio Justo para Todos”, de Joseph Stiglitz e Andrew Charlton. Com a actual crise e os novos proteccionismos, como já era previsível em 2007, a ronda de Doha foi remetida para as calendas gregas… com essa atitude, os países ricos contribuem para que os ditos PVD não se possam desenvolver… A emigração continuará!…”

– com efeito, a “solução” para o problema crescente das migrações ilegais, não passa pela construção de uma muralha militar e policial em torno do mundo desenvolvido, nem pela instauração de um Estado Policial ou de políticas de expulsão em massa, mas pela promoção de verdadeiras políticas de desenvolvimento nos países que são gerados destes fluxos migratórios. Não duvidemos: todos aqueles que emigram, prefeririam continuar as suas vidas nos seus países de origem, entre os seus e a par das suas famílias, antepassados e quadros culturais. Se saem destes quadros, é porque não encontram aqui as condições mínimas para poderem viver em dignidade mínima e para eficazmente nutrirem as suas famílias.
– para criar condições de desenvolvimento social e económico nestes países de onde emanam os fluxos migratórios, importa reinstaurar condições de verdadeira concorrência económica e de desenvolvimento local. As políticas europeias e norte-americanas de forte subsidiazição dos setor agrícolas e pecuários, e de inundação dos mercados dos países em vias de desenvolvimento, com contributos alimentares gratuitos (vindos dos excedentes de produção) têm que ser reavaliados. É preferível que se combatam os excedentes de produção, a promovê-los pela via dos subsídio e destruindo depois as economias agrícolas de países que assim se tornam em crónicos dependentes das “generosas” dádivas destes países. Em vez de alimentos (necessários, contudo, em momentos de crise), importa disponibilizar recursos, técnicos e financeiros, que permitam um alavancamento sólido das economias locais, sempre numa lógica de auto-subsistência, numa primeira fase, e evitando a lógica das “Plantações” que tanta miséria trouxeram a África, e complementando depois esta produção de subsistência com produções mais exportativas e interessantes aos mercados internacionais.

Micro Crédito:
“o desenvolvimento do micro crédito (é essencial que os decisores globais e o sistema bancário tenham em atenção as pessoas e entendam, por isso mesmo, que a microeconomia é necessária e indissociável da macroeconomia)”

– o presente “Capitalismo Total”, a forma e Capitalismo que os teóricos e crentes praticantes do neoliberalismo impuseram ao Planeta, à custa do seu Clima e dos sacrifícios de centenas de milhões de pessoas marginalizadas pelo sistema chegou ao seu limite: o Capital, força essencial para o saudável desenvolvimento das sociedades está cada vez mais virtualizado e monopolizado por uma reduzida clique de entidades e oligarcas cada vez mais ricas e poderosas que dominam todo o sistema financeiro. Quem não é aceite ou não aceita esta monopolização do Capital – determinada por Bancos cada vez maiores – tem apenas uma opção viável: o Micro-Crédito. O Micro-Crédito é a forma de democratizar o acesso ao Capital, de permitir que tantos cidadãos declarem a sua independência económica e financeira de um sistema económico opressivo.

Fundo de Emergência para a África:
“a criação de um fundo de emergência e salvação para a África subsariana, constituído pelos fundos das contas dos corruptos, por uma taxa sobre as transacções financeiras (tipo Taxa Tobin), por uma taxa sobre as transacções de armamentos e por uma taxa sobre os voos aéreos”

– a dependência de recolhas de emergência quando ocorre uma emergência humanitária, de eficácia reduzida, seria reduzida se existisse um fundo internacional, recolhido regularmente nas nações mais desenvolvidas e pela captura dos milhões de dólares que a corrupção desvia em todo o mundo, mas sobretudo em África. As restantes taxas globais – sugeridas por Fernando Nobre e muitos economistas – serviriam para complementar este fundo internacional de emergência.

Comércio Justo:
“o desenvolvimento do comércio justo que incentive e proteja a sobrevivência dos pequenos agricultores do Sul”

– e não há tal coisa como “comércio justo” nas relações comerciais entre os países desenvolvidos e a China: os países mais pobres (e ricos em matérias primas) são parceiros menorizados em relações económicas que favorecem ora os detentores de Capital ocidentais ora os produtores de bens manufaturados chineses. Os países que apenas participam de forma secundária nas redes globais de comércio vêm os seus melhores terrenos agrícolas apropriados por culturas de plantação e as suas incipientes indústrias locais por ferozes e inclementes dumpings industriais chineses que arrasam com qualquer tentativa de industrialização local. Contra este desregramento neoliberal apenas pode haver a barreira do neoprotecionismo, do estabelecimento de barreiras alfandegárias que defendam a geração e a manutenção local de Emprego e Riqueza e que restabeleçam algum tipo de Justiça e Equidade nas relações comerciais entre países pobres e ricos.

Patentes:
“a moralização, nomeadamente da OMC e da sua nefasta política proteccionista de patentes de certos medicamentos e espécies agrícolas”

– é incompreensível que países pobres sejam obrigados a pagar patentes a laboratórios farmacêuticos já imensamente ricos e que recuperam rapidamente os seus investimentos em investigação e desenvolvimento nos países ricos. Este “proteccionismo inteletual” tão contrastante com a liberalização comercial que a OMC impõe em todos os outros domínios tem que acabar. Sementes geneticamente modificadas, que podem salvar da fome e da seca milhões de africanos e asiáticos não podem estar sujeitas ao mesmo regime de patentes a que estão submetidas no Ocidente e o mesmo deve – moralmente – ser aplicado a medicamentos como aqueles que combatem os efeitos assassinos do SIDA, cujos custos são incomportáveis para países pobres e que assim levam à morte milhões de pessoas todos os anos, “apenas” em nome dos lucros (já à muito amortizados) dos laboratórios
farmacêuticos.

Produtividade:
“se sabemos ser eficazes e produtivos no Luxemburgo, na Bélgica, na Austrália ou nos Estados Unidos porque não em Portugal? Ousemos pois interrogar-nos!…)”

– porque em Portugal o quadro produtivo e empresarial está infetado por gestores incompetentes e nepotistas, e por uma dependência doentia e paralisante do Estado como principal (ou único) motor de toda a Economia. Falta um Estado pequeno, ágil, excelente nos domínios que são seus (Saúde, Educação, Segurança e Solidariedade), descentralizado no quadro municipalista e não regional e ágil e rápido o bastante para se poder adaptar a circunstâncias cada vez mais fluidas e imprevisíveis.

Corrupção:
“combate determinado à fraude e evasão fiscais (o que será facilitado se o Estado for visto como pessoa de bem!)”

– onde a verdadeira (e não meramente estatística) reforma da Justiça se impõe como crucial. Precisamos de uma Justiça muito mais rápida e descentralizada, entregando aos municípios o essencial da sua gestão, descentralizando e responsabilizando os seus agentes pelas suas ineficiências. Se esta reforma não teve ainda lugar no quadro legislativo e executivo tal deve-se ao facto de os maiores corruptos circularem precisamente por pelos corredores do poder e dos maiores corruptores viverem no essencial de chorudos contratos com o Estado. Quem poderia reformar a Justiça é assim direto beneficiário da sua ineficiência (que de resto usa a seu favor contratando os grandes escritórios de advogados e empregando-se neles) e os agentes da Justiça (de Juizes a Procuradores) não se esforçam por a renovar porque são cumulados de prebendas e privilégios e se deixam absorver num enredo laudatório que acaba por anular o seu papel moral e moralizador enquanto pilares fundamentais do Estado de Direito.

Cidadania Empresarial:
“desenvolvimento do fundamental conceito de “Cidadania Empresarial”, valorização da competência profissional, do método e da organização em detrimento do laxismo, do amiguismo e do clientelismo político que já tanto prejudicaram o País”

– as empresas modernas têm que compreender que além de produzirem lucros a dividir pelos seus proprietários ou acionistas têm também um papel social e solidário a cumprir. Uma empresa com uma má imagem pública – devido à forma como trata os seus trabalhadores ou clientes – malbarata em horas investimentos publicitários de milhões de euros. Uma empresa cumulada de tachos, nepotismos e cunhas partidárias, expõe ao mundo a ineficiência da sua gestão, a sua incapacidade para ser gerida segundo os principais da excelência e da meritocracia. Uma empresa que despreza o seu papel ecológico e ambiental, é uma empresa assassina que será cúmplice a prazo da destruição do nosso planeta.

Sobre a Recessão Global:
“Os mercados terão que ser muito mais regulados, as Off Shores (paraísos das fraudes e outras evasões fiscais) terão que ser banidas, os Estados vão ter que controlar os pilares mestres do seu sistema bancário, segurador, energético e hídrico (e não abrir mão evidentemente dos seus sistemas de segurança interna e externa assim como das suas relações exteriores…), e será necessário regulamentar com um mínimo de ética e bom senso as obscenas disparidades actuais nos salários (e outros bónus) e nas reformas!”

– a regulação tem que substituir a desregulação que os economistas neoliberal impuseram ao mundo como “pensamento único” desde meados da década de noventa. Perante a gritante incapacidade dos mercados e dos financeiros de se autoregularem, os Estados têm que intervir, estabelecer metas, mecanismos de vigilância e punição adequados que façam reverter o Capital de volta para os setores produtivos e que determinem travões às espirais de ganância e descontrolo que caraterizam ainda hoje a maioria das atividades financeiras. Onde falta ética e decência, têm que haver Lei e Ordem, rápidas e eficazes de forma a impor aos financeiros as rédeas curtas que eles souberam resgatar (pela via dos grupos de pressão e do enfeudamento das democracias representativas) nos últimos anos.

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Quids S19: Quem é este pintor?

Regras:

1. Todos os quids valem um ponto.

2. Os Quids são lançados pela manhã. Entre as 21:00 e as 24:00 (Hora de Lisboa)

3. As pistas só serão dadas à hora de almoço (12:30-14:30) ou mais cedo, se possível. Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, desde que pedidas por um (qualquer) dos participantes.

4. Só há quids entre 2ª e 6ª (incluindo feriados). Salvo imprevisto…

5. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 20 pontos.

6. A qualquer momento, poderão sair “QuidsExtra” de texto ou de imagens, com as mesmas regras dos demais, mas sem limite de dia ou de hora. Estes quids valerão sempre 3 pontos e correrão até que um nickname novo, num IP novo, chegue aos 100% ou se tendo passado mais de 48 horas, ao participante que recolher melhor classificação.

7. É vivamente desencorajado o uso de vários nicknames para o mesmo concorrente, já que desvirtua o espírito do jogo. Lembrem-se que o IP tudo revela…

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Mais um passo a caminho do… Computador Quântico

Foi dado mais um passo importante na direção de um computador quântico. Físicos da Universidade de Wisconsin-Madison conseguiram criar um circuito atómico através do controlo de um par de eletrões durante “uma janela de oportunidade” de apenas sete milionésimos de segundo.

A computação quântica é a derradeira forma de conseguir manter o aumento exponencial da capacidade de processamento que os computadores conheceram nas últimas décadas. Os métodos tradicionais de aumentar o poder dos processamentos e que passavam essencialmente por diminuir o seu tamanho e aumentar a sua velocidade de funcionamento começam a bater nos limites determinados pelas imutáveis leis da Física, barreira em que a mecânica quântica pode abrir um novo universo de possibilidades. A equipa liderada pelo professor Thad Walker conseguiu usar átomos neutros para criar aquilo que designou como um portal “controlled-NOT” (CNOT), um elemento que será indispensável a qualquer computador quântico que se venha a ser desenvolvido.

A equipa usou uma combinação de lasers, frio extremo e vácuo para imobilizar dois átomos de rubídio com “armadilhas óticas”. De seguida, utilizaram um laser para excitar os dois átomos até um estado de alta energia de forma a criar um portal quântico entre os dois, obtendo assim uma “ligação quântica” entre ambos, algo que permite medindo um, obter o estado do outro.

A fase seguinte é ligar entre si um conjunto de 50 átomos de forma a testar a escalabilidade do conceito e criar o primeiro… Computador quântico.

Fonte:

http://www.spaceref.com/news/viewpr.rss.html?pid=30297

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