Sobre os crónicos problemas orçamentais de Portugal e o seu sobreendividamento

Portugal parece fadado a seguir ao lado da Grécia nos seus desmandos orçamentais… O facto de a “solução” ao problema orçamental implementada pelo governo Sócrates ter sido demasiado enfocada no aumento das receitas fiscais (pela via do aumento de impostos e da eficiência da máquina fiscal) e não pela mais saudável e duradoura via da redução das despesas faz agora pagar o seu preço: um desequilíbrio orçamental que a recessão global não fez mais do que agravar, mas que lhe era muito anterior e que reside em problemas estruturais que ameaçam a prazo a própria sobrevivência nacional: Portugal tem feito depender a maioria dos seus investimentos em capital emprestado do exterior. Empresas, particulares e Estado têm assim recebido uma parte maioritária dos capitais que pedem emprestados não das poupanças acumuladas em Portugal, por portugueses, mas de capitais que nos chegam dos estrangeiro e sujeitos a taxas de juro que agora estão a subir para a estratosfera.

Teixeira dos Santos deixa suspirar que agora, depois da Grécia, “a presa dos mercados agora somos nós”. E isso é verdade depois das irresponsáveis declarações do comissário espanhol (tinha que ser) Joaquín Almunia, quando disse que “Grécia, Portugal e a Espanha têm muitos problemas semelhantes”. A solução para este problema pode passar no curto prazo por tranquilizar os mercados, mas a prazo algo de mais radical tem que mudar em Portugal. E esse algo tem que ser esta “cultura do crédito” que vê a multiplicação de empresas de crédito de consumo (estéreis e gerados de défices comerciais), endivida o país e empobrece as famílias, fazer retornar os preços do imobiliário para valores não especulativos, proibir empréstimos bancários absurdos como aqueles para comprar plasmas e viagens de turismo e determinar spreads máximos a uma Banca que mesmo em momento de recessão nunca deixou de apresentar crescimento dos seus lucros. Para baixar as suspeições dos Mercados, nada como travar o endividamento, começar a pagar as dividas já existentes e detonar esta armadilha mortal que é o sobreendividamento das famílias.

Fonte:
http://feedproxy.google.com/~r/PublicoRSS/~3/ws_bLpK8CbQ/noticia.aspx

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Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 6 comentários

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6 thoughts on “Sobre os crónicos problemas orçamentais de Portugal e o seu sobreendividamento

  1. Fenix

    Problemas cronicos do orsamento de estado. A maquina fiscal ainda não esta a 100% por muito que se almente os impostos á ainda um grande numero de fugas aos mesmos.Tendo imposto altos e não havendo uma justiça fiscal nos mesmos “quem mais ganha mais paga”o que por vezes é ao contrario em caso de empresas que ganham milhões e e pagam impostos ridiculos ou são livres dos mesmos.A justiça pelos cortes orçamentais não funciona porque as leis são mal feitas evita-se prender para delibradamente não agravar o proprio defice publico ect…

  2. a eficácia da máquina fiscal é hoje contudo muito superior ao que era antes do socretismo… isso é inegável, mas a sofreguidão do Estado também aumento, assim como a despesa…
    Os ricos continuam contudo a fugir, com esquemas em offshores, por pura imoralidade e ambição desregrada.
    a solução? descentralizar, criar mecanismos de eficiência e prémios de desempenho e gestão a todos os escalões…

  3. Fenix

    Sim a maquina fical é sem duvida melhor do que antes do governo socrates mas ainda pode e deve ser melhorada.Mas para isso temos que ter melhores leis e uma justiça que realmente seja cega e implacanvel no bom sentido.Os paraiso fiscais deviam de acabar em todo o mundo e também sou afavor de decentralização tenho algumas duvidas sobre os premios desempenho depende quem avalia os mesmo .

  4. francamente, acho que ela chegou ao limite… além deste, s´´o lhe resta mesmo os muito ricos que pagam a advogados e a especialistas engenharias fiscais para se furtarem aos impostos e o combate a estes tem que ser global, criando proibições a offshores, acabando com países com sigilo bancário, taxando ações e especuladores em todo o mundo, em suma, algo que deve ser feito globalmente, e não localmente.

  5. luisa reis

    Meus caros Senhores , penso que a união europeia não irá abandonar a grecia . Por mais que os contribuintes alemães , franceses ou holandeses não queiram , vão ter que abrir os cordões á bolsa e ” salvar ” a Grecia , não por motivos de solidariedade mas sim por necessiade politica . A grecia é um pais balcanico e se a grecia entre em colápso economico , toda aquela região balcanica se irá ressentir , o que poderá trazer grandes dissabores a toda a europa. As manifestações de rua gregas são extremamente violentas , e das pedras arremessadas pelos manifestantes , ás armas de fogo , vai um pequeno passo . Se a grécia entrar em colápso economico iremos assistir ao aparecimentos de grupos militares clandestinos e o sangue irá correr nas ruas de toda a grecia , iremos assistir então ao efeito contágio aos restantes paises vizinhos da grecia , os balcãs serão um enorme pesadelo europeu . É por isso que eu acredito que a união europeia jamais irá abandonar a grecia . Pelo contrário , Portugal , um pais á beira mar plantado , se entrar em colápso economica a união europeia não verá nenhuma necessidade em nos ajudar , como tal , é urgente os nossos governantes tomarem as medidas certas para salvar o nosso pais , caso contrário , iremos caminhar a passos largos para a miseria e sem nenhum ombro para nos apoiar , é mais facil a UE deixar ” arder ” portugal , do que deixar ” arder ” a grécia .
    As vezes só me apetesse fogir daqui !

  6. a UE não tem recursos suficientes! basta recordar que 2/3 do seu orçamento vão para a PAC e que boa parte do resto é absorvido por uma eurocracia de nababos onde Fujão Barroso é (de longe) o maior gastador!
    a Grécia pode bem colapsar, mas para já o seu povo parece aceitar o “apertar do cinto”… é claro que os gregos não são os portugueses…
    fugir daqui… mas tudo está a ficar mau!
    temos que tentar é mudar o sítio onde vivemos, agindo civicamente ou politicamente, sempre que possível e resgatando dos políticos profissionais e da partidocracia a cidadania que estes nos roubaram e…
    mudar isto!

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