Google: O princípio do fim?

A presente recessão mundial demonstrou que a economia atual estava erguida sobre movimentos cíclicos de Bolha-Rebentamento-Bolha. E nada é imune a este ciclo neoliberal, tanto mais certo, quanto mais “livres” e desregulados forem os Mercados… A Publicidade não é imune a este fenómeno cíclico, dependendo ela também muito de percepções e de sentimentos de valor. E se assim então a Publicidade é ainda um fenómeno mais sujeito a estes fenómenos cíclicos. E se é, então… O presente sucesso estrondoso da Google, é, ele mesmo: cíclico ou… Bolha.

Julga-se que a Google terá hoje perto de um milhão de servidores, espalhados pelo mundo fora, em centros de dados mais ou menos secretos, mas todos de enormes dimensões. Destes, haverá entre 12 e 15, que gerem um volume de tráfego de dados que faz com que a Google seja hoje o terceiro maior emissor de tráfego na Internet, sendo que a empresa não paga praticamente nada por ele, devido às especificidades do seu negócio…

No que respeita a motores de busca, a Google tem liderança absoluta, com mais de 83% de todas as pesquisas feitas em 2009.

No que respeita a dados de georeferenciação, até à pouco tempo, o famoso Google Maps comprava as suas imagens de satélite a empresas terceiras, como a NAVTEQ e a Tele-Atlas, mas agora a Google usa dados próprios e distribui-os de forma gratuita. De facto, a empresa “do no evil” está a repetir a mesma coisa que a Microsoft fez para eliminar o Netscape: distribuir o seu produto (o Internet Explorer) de graça. Algo de semelhante ocorre também no mercado dos smartphones, onde a Google está a distribuir o Android gratuitamente, comendo mercado à Microsoft e à Nokia.

Todo este modelo de gratuitidade de serviços pode terminar se o domínio quase absoluto da Google no mercado publicitário for colocado em causa. Se tal suceder, este monopólio efetivos nos mapas, nos telemóveis, nas aplicações Office (via Google Docs), etc pode subitamente passar a ser cobrado, num ambiente onde virtualmente toda a concorrência foi extinta.

E o fim do domínio pode estar para breve… O estudo “Natural Born Clickers” da ComScore e da Starcoma
Revela que em apenas dois anos houve uma queda de 50% nos anúncios clicados e que apenas 8% de todos os utilizadores da Internet respondem por 85% destes cliques. Sobretudo, este estudo de 2008 revela que metade de todos os clique vêm de adultos com baixos rendimentos. Este estudo indica que o modelo comercial da Google já passou – como o petróleo – o seu Pico de Produção e que daqui em diante é sempre a descer… E é natural que com essa queda, a empresa decida passar a cobrar pelos serviços que hoje são gratuitos e onde por essa mesma razão assumiu posições monopolistas.

Fonte:
http://www.linuxjournal.com/magazine/eof-google-exposure

Categories: Informática, Sociedade | Etiquetas: | 2 comentários

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2 thoughts on “Google: O princípio do fim?

  1. Daniel de Souza Telles

    Aí que entram os padrões abertos.

  2. assim esperamos…

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