O “Plano Obama para o Espaço”

O recentemente apresentado “Plano Obama para o Espaço” representa uma viragem radical no programa espacial tripulado dos EUA. A grande orientação governamental é agora a de fazer residir estas missões em naves espaciais construídas por privadas e não mais naquelas construídas pela NASA.

Um outro aspecto do Plano Obama é o (esperado) prolongamento da vida da Estação Espacial Internacional (ISS) e o (igualmente esperado) abandono do projeto de regressar à Lua até 2020.

Esta alteração da política espacial dos EUA vai implicar a entrega de mais seis biliões de dólares às empresas norte-americanas capazes de entregar foguetões e cápsulas tripuladas, como o SpaceX e a Orbital, algo que além de radical, é também muito arriscado, já que até agora e embora a SpaceX esteja muito perto, ainda nenhuma delas conseguiu colocar um só astronauta em órbita. Seis biliões de dólares podem, contudo, fazer toda a diferença, já que estas empresas nunca tiveram tal escala de capital à sua disposição…

O abandono desse legado eternamente subfinanciado da Era Bush, o Ares-Constellation e a transferência destes objetivos para empresas privadas irá também libertar recursos para que a NASA possa enviar astronautas para um asteróide ou para uma das luas de Marte.

A decisão de retirar à NASA a missão de conceber e produzir um novo lançador e cápsula tripulada terá certamente impacto no emprego gerado indiretamente pela agência nas empresas suas subcontratadas, como a Boeing ou a Lockheed Martin, especialmente na Florida onde essa industria é particularmente vigorosa.

A visão de Obama passa também pela concepção pela NASA de um novo lançador pesado, a ser usado nas missões tripuladas a asteroides e às luas de Marte.

Já se sabia que Barack Obama não era um “homem do Espaço”. O tempo que demorou a nomear um novo administrador para a NASA, depois da demissão de Griffin já disse, aliás, isso mesmo… Agora, e com o inevitável último voo do Space Shuttle, o fim do Ares-Constellation e a aposta arriscada nos lançadores privados, estaremos no ocaso dos EUA, enquanto potencia espacial?

A decisão pode soar a acertada no clima atual de recessão e de défice orçamental galopante, mas custará milhares de empregos de alta tecnologia a curto prazo e implicará o prolongamento quase certo dos pagamentos à Rússia em troca de lugar para astronautas americanos nas cápsulas Soyuz. A entrega de 6 biliões de dólares a empresas norte-americanas poderá recuperar alguns destes empregos, mas sempre com um défice final considerável, já que SpaceX e Orbital empregam muitos menos que as grandes e tradicionais empresas aeroespaciais norte-americanas.

Fontes:
http://news.discovery.com/space/nasa-former-administrator-weighs-in-on-obama-no-moon-plan.html
http://www.spaceref.com/news/viewpr.rss.html?pid=30099
http://www.space.com/news/obama-nasa-space-plan-reactions-100128.html

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