Daily Archives: 2010/02/07

TGV: Um buraco financeiro a prazo

Um estudo encomendado pelo ministério das Finanças conclui aquilo que muitos também já descobriram: o TGV nunca será mais do que um sorvedouro infindável de dinheiros públicos. Segundo o estudo, da Universidade do Minho, as linhas de TGV Lisboa-Porto e Porto-Vigo nunca serão rentáveis, sendo eternas fontes de prejuízo. O estudo revela também a motivação para a pressão de Madrid para que estas linhas sejam construídas: o único beneficiário com estas duas linhas é Espanha, que assim aumentará as suas exportações, reduzindo o preço dos seus produtos, conquistando uma ainda maior quota de mercado em Portugal e paradoxalmente, beneficiando as suas exportações e prejudicando ainda mais a balança comercial de pagamentos portuguesa, a expensas do erário público português! Isto é, Portugal investe, e Espanha lucra. Patético…

O estudo indica também que ainda que as restantes linhas possam ter retorno financeiro a prazo (longo…), sobretudo a Lisboa-Madrid, a sua construção vai implicar um aumento da dívida pública portuguesa, em condições mais gravosas hoje, do que em 2009, devido à queda do rating da República pelas agências internacionais de Rating. Ou seja, se já era uma má ideia fazer o TGV em 2009, agora, em 2010, é ainda uma ideia pior!

O estudo conclui, por fim, naquilo que o Governo está a fazer bem: investimentos na renovação das escolas e nas barragens. Uns e outros reduzem o desemprego, qualificam o sistema de ensino – sempre crucial ao desenvolvimento a prazo de um país – e na produção de energia hidroelétrica, essencial para a redução da nossa crónica balança de pagamentos e das nossas emissões de CO2.

O TGV assume assim neste estudo – cujas conclusões serão no essencial ignoradas pelo teimoso Governo do teimoso Sócrates – o papel de poço financeiro de um país endividado e em crise financeira. Poderá gerar chorudos à Mota Engil do “engrenheiro” Jorge Coelho, mas a nós, portugueses e seus descendentes (sejam eles quem forem), será uma dívida piramidal para pagar e uma construção faraónica que sorverá todos os anos milhões de euros aos cofres públicos. O TGV é um erro. Ainda que a linha Lisboa-Madrid seja rentável, não implicará um aumento da competitividade das nossas exportações. A aposta devia ser dada no Pendular, na modernização das suas linhas e na multiplicação de serviço e linhas suburbanas, de forma a oferecer uma alternativa cada vez mais viável aos transportes individuais e rodoviários de pessoas e mercadorias. Não a um TGV que irá beneficiar sobretudo as exportações de Espanha e as visitas de madrilhenos às praias da Caparica…

Fonte:
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1483852

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Energia das Ondas: uma alternativa viável para Portugal, apesar do flop dos Pelamis?

Apesar do facto do projeto escocês de Energia das Ondas de Peniche ser um fiasco, com os sistemas instalados parados à meses devido a fragilidades estruturais dos mesmos, a Energia das Ondas é viável e potencialmente uma das mais promissoras fontes de energia para o país.

A questão está nem tanto em procurar um sistema muito diferente, mas recorrer ao mesmo sistema, mas com materiais mais resistentes. Essa é a opinião de Manuel Mota, da Universidade do Minho, líder do Centro de Investigação de Engenharia Biológica.

O problema está em que os dispositivos Pelamis não foram capazes de resistir à forte ondulação do Atlântico… Se este problema for corrigido, a produção de energia a partir das ondas pode regressar à costa portuguesa, especialmente adequada a esta energia pela regularidade da ondulação entre Peniche e Caminha, podendo ser uma fonte complementar à energia eólica e um essencial suporte para a caprichosa e imprevisível hidroelétrica.

Fonte:

http://aeiou.expresso.pt/energiaenergia-das-ondas-tem-futuro-em-portugal-desde-que-sejam-encontrados-materiais-resistentes-a-forca-do-mar=f558394
http://www.pelamiswave.com/

Categories: Ecologia, Economia, Política Nacional, Portugal | 5 comentários

“Nas Nuvens”, com George Clooney: Crónicas de um Despedidor

Este é um filme independente norte-americano que nos trás um testemunho – infelizmente – muito agudo da triste realidade que afeta muitos de nós que é o Desemprego… O filme é também uma história de amor, mas de um amor frustado que o é porque o personagem é aquilo que é, precisamente por ser um despedidor.

1. Psicopata

As pessoas que fazem este tipo de trabalho – eufenistica e cobardemente – intitulado de “outplacement” têm que pertencer a um tipo diferente de pessoa. É impossível ganhar a vida fazendo um trabalho que consiste basicamente em destruir a vida de pessoas que não conhecemos sem ter que ser um tipo especial de pessoa. Por muitas auto-desculpas que consigamos arquitetar, é preciso ser um tipo de psicopata, ser senhor de uma incapacidade de sentir a dor e o sofrimento dos outros. Porque é isso que um despedidor é: alguém que deixa atrás de si uma onde de morte e destruição. Alguém que sabe que cria nas pessoas “o maior trauma possível, comparável apenas à morte de um familiar” (palavras do filme) e que consegue “dormir à noite” (palavras do filme) não pode ser uma pessoa normal, sociável, amada e amante, capaz de criar laços sociais e afetivos duradouros e capazes de sobreviver à teia dos interesses e das alianças de curto prazo. Esse é o quadro psicológico de um despedidor e dos psicopatas…

2. O mito do Outplacement

Em época de recessão global, onde as taxas de desemprego disparam em todos os países até valores inéditos e semelhantes apenas aqueles que existiam em 1929, na época da “Grande Depressão” as empresas que assumem a tarefa suja de despedir os “colaboradores” (o novo manbo-jambo corporativo para “trabalhadores”) florescem, desenvolvem e emanam o seu aroma fétido com redobrada intensidade. “Nas Nuvens” alude também à felicidade destas empresas perante a infelicidade alheia, já que quantas mais pessoas tiverem a sua vida destruída, mas elas aumentam a sua faturação e mais “clientes” (os “patrões cobardes” do filme) angariam.

3. O mito da Mudança pela Mudança

Uma das frases feitas mais repetidas no filme, Clooney, é precisamente “que todos os imperadores e todos os grandes homens do passado, estiveram na mesma situação em que se encontra agora”. Obviamente, é uma falácia… Alexandre Magno e Júlio César nunca foram despedidos por um empregador. Aliás, os chefes militares e políticos não são propriamente “despedidos”, pelo que a comparação é demagógica. E “mudar por mudar” é uma parvoíce. Não se muda algo que funciona bem, apenas porque se deve “mudar”… Isso poderá convir aos “gestores mercenários” que pululam de empresa em empresa de dois anos, porque deixam sempre para terceiros a correção das mudanças-pela-mudança erradas que deixaram atrás de si, mas não convêm às próprias empresas e à sociedade.

4. As frases feitas, o fluxograma e as palavras proibidas

Todo o filme está recheado de palavras-feitas… É o caso de “despedir”, por exemplo, que faz parte da lista de palavras que os “despedidores” profissionais estão absolutamente proibidos de utilizar. Essa e tantas outras como “mudança”, “reengenharia” são usadas e abusados nestes meios.

5. Conclusão

“Nas Nuvens” é mais do que um filme. É uma reportagem-documentário sobre um fenómeno global que é do despedimento feito de forma industrial, desumanizada e geralmente recaindo sobre os “colaboradores” (eufenismo pós-moderno para “trabalhadores”) com mais de 40 anos, que à luz dos dogmas idiotas dos “gurus de gestão” são hoje universais. O modelo do “despedidor profissional” desempenhado com grande profundidade e excelência interpretativa por Clooney não é diretamente aplicável em Portugal, sendo único somente aos EUA, mas existem no nosso país vários escritórios de advogados com pessoal especializado nos mesmos rituais de destruição de vida e que carregam em si, as mesmas contradições do personagem. Existem também empresas de outplacement, cumprindo o mesmo tipo de missões cosméticas e inúteis que pouco mais fazem do que consumir recursos e tempo preciosos a empregados e empregadores e que prosperam indecentemente no presente clima de emprego.

“Nas Nuvens” é um filme de reflexão. Vale muito mais por aquilo que planta nas nossas cabeças, do que pela excelência da sua mensagem, pela consistência das suas personagens ou pela resolução da sua trama interna. É um filme único e possível apenas de ser produzido pelo cinema independente norte-americano e numa época tão estranhamente desumana como aquela em que vivemos… A ver, decididamente.

Categories: Cinema, Economia, Política Nacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Portuguesa | 3 comentários

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