Portugal e a sua (quase inexistente) indústria de Defesa

O governo do bi-partido (na presente fase de “alternância democrática” nas mãos do PS) descobriu agora a evidência: nas palavras do novo ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, Portugal deve “deixar de se colocar apenas na posição de comprador”. Lamentamos que só agora é que o seu governo tenha reparado que não temos industria de defesa, razão aliás pela qual é que os “pacotes de contrapartidas” negociados nas últimas décadas não têm surtido efeitos práticos… E ou instalamos urgentemente essa rede industrial e de pesquisa, ou perdemos mesmo completamente o barco, tornando-nos em meros consumidores passivos.

O tristemente famoso (pela sua ineficácia e incumprimento impune) regime das “contrapartidas” está aliás de finados, com a erupção da “estratégia europeia de Defesa” que pressupõe a existência de empresas nacionais capazes de participar na construção dos equipamentos adquiridos enferma de um ponto fraco: essas empresas, mercê da desindustrialização das últimas décadas, praticamente já não existem.

Portugal tem atualmente na área de Defesa algumas empresas capazes do elevado grau de know-how técnico exigido hoje em dia na área de Defesa, especialmente na área de comunicações e tecnologias de informação, como a Efacec e a Critical Software, mas faltam-lhe empresas de tecnologia aeronáutica “pura”, onde as OGMA, atualmente da Embraer brasileira, são o único operador com significado internacional.

Para que Portugal deixe de ser esse comprador passivo, é preciso que os empresários portugueses sejam capazes de mais visão do que a necessária para comprar ações da PT ou da Galp na Bolsa e se abalancem a criarem um cluster nacional da área de Defesa. Este pode partir da Efacec ou das OGMA e assim estabelecer o esteio de uma participação em projetos futuros comuns, comunitários ou com o Brasil, que façam com que o país reassuma o papel de produtor desse tipo de equipamentos que já teve no passado, na década de 70. Tal desenvolvimento iria aumentar o emprego, criar emprego altamente qualificado, aumentar as exportações e reduzir o défice da balança comercial. No arranque, o Estado poderia ter que oferecer garantias a estes empreendedores, mas logo que este cluster estivesse montado, nada obstaria a que fosse autónomo e muito rentável. De permeio, os produtos que resultassem desses projetos sairiam a custos unitários muitos inferiores aqueles que teriam se fossem comprados ao estrangeiro… E naqueles em que o uso duplo (civil e militar) fosse possível, como nos helicópteros ou em navios, a própria indústria civil poderia beneficiar a curto prazo…

Para que tais clusters possam arrancar, para além da aparição de entidades privadas interessadas e com a ambição necessária, é também preciso estabelecer parceiras multinacionais. Hoje em dia, nem mesmo os ditos “grandes países”, são capazes de erguerem um grande projeto sozinhos. Tal foi o caso do F-35 dos EUA e do Gripen sueco (como motores e aviónica norte-americana). Aparelhos como o Rafale francês seriam hoje impossíveis de desenvolver num quadro mononacional, pela escala do investimento necessário. Mesmo o PAK-FA (T-50) russo está a ser desenvolvido em parceria com a Índia, e neste contexto, Portugal tem que se começar a posicionar a pensar nos projetos que num futuro próximo irão surgir na Europa e no mundo lusófono.

Assim, e aproveitando a ligação umbilical entre a Embraer (o quarto maior construtor aeronáutico do mundo) e as OGMA e o arranque do avião de transporte militar KC-390, assim como o interesse da empresa brasileira em fazer as OGMA participarem no projeto, assim como outras empresas nacionais, Portugal pode equacionar a inevitável substituição dos seus Hércules C-130H por estes novos aparelhos, estabelecer parcerias com outros países lusófonos, como Angola e Moçambique, e definir um quadro de exportações garantido por contrapartidas diversas com esses países, usando a sua presença na UEO e na NATO, para propor esse avião da Embraer como alternativa ao grande flop que é o A400M…

Fonte:
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1468958

Categories: Brasil, DefenseNewsPt, Defesa Nacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | 15 comentários

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15 thoughts on “Portugal e a sua (quase inexistente) indústria de Defesa

  1. Fenix

    Concordo temos que ter uma industria de defesa capaz.

  2. Isso deve ser defeito de nossos países …aqui no BRASIL acabamos com a oitava industria bélica do mundo, A IMBEL…mt estupídez.

  3. McCann Unravels. “Los MCcánn nó són víctimas són verdúgos”

    “ENCUBRIENDO EL MALTRATO INFANTIL ABUSOS SEXUALES Y ASESINATO en primer grado” “UN SPSICÓPATA”
    Gerry MCcann es pederásta y no le ímporta que sea niño o niña lo que les interesan a los pederastas es su infáncia. LA JUSTICIA CUMPLE SE REHABRE EL CASO . SOS: EL RESCATE, DE MADELEINE (MCCANN) LA NIÑA “INGLESA” RAPTADA EN (PORTUGAL)
    “AQUI HAY TONGO”
    Madeleine MCcann el gobierno portugues y ministro de justicia mas fiscal y el juez toman una alternativa para los “Mccann” no hay cadaver no hay juicio.El juicio de “Marta Del Castillo” no hay cadaver pero se hace justicia………………….
    Madeleine MCcann En la primera anestesia la niña se despertó cuando se encontró al padre abusando de ella fue golpeada salvajemente por el propio padre al darse cuenta que no era bien recibido y volvió a ser anestesiada de hay la sangre de la niña de los golpes recibidos recordando en todo momento que estaba bajo los efectos del alcohol de hay el ataque cardíaco. Cadena perpetua para Un Pederasta y pedofilo Fueron los padres los asesinos mas torturaban a la niña. Los McCann y sus siete amigos cenaban cada noche durante sus vacaciones en Portugal, incluida aquélla en la que desapareció Madeleine, aseguraron que éstos bebían entre 10 y 12 botellas de vino, a las que precedían cervezas y cócteles durante el aperitivo mas lo que tomaban durante las comidas . kate y Gerri de profesión médicos anestesiaban a Madeleine puesto que lloraba 18 horas al día con mucha regularidad porque tenían en casa a su maltratador era ese el motivo de su llanto y se combirtio en un suplicio o martirio para el matrimonio causa del asesinato premeditado en primer grado aquí no podía haber ningún accidente por exceso de anestesia puesto que los dos son médicos .Estos asesinaron a su hija con premeditación .Los Mccann tenían deudas de tres mensualidades de su hipoteca de tres mil euros mensuales y las cuentas al rojo y se tomaron unas vacaciones veraniegas mas 40 días sin pagar nada por sentirse el director del hotel responsable de la desaparición de Madeleine total unas vacaciones a lo grande y todo a costas del asesinato premeditado en primer grado. No hay ningún retrato robot que valga basta, basta, de tanta comedia la falsa del retrato robot inventado por Remenber de Rokley portavoz del gobierno Británico y periodista que costo un millón y medio de Euros que tubieron que pagarles los Mccann por limpiar el nombre. La verdad de Madeleine MCcann DIRÉ PARA MI PESAR QUE BÚSCO DE ÉSTE MÚNDO LA HÓNRADEZ Y DIRÉ QUE ÉSTE COMUNICÁDO ESTÁ YÁ EN PUBLICACIÓN DE MÁS DE 1800 BLOGG DISTRIBUIDO POR LA CIUDAD DE ALGÁRVE Y PORTUAL ES DE HÓNRADEZ LO QUE ESTOY PUBLICÁNDO CON EL BLÓGG MÁS ANTÍGUOS QUE HOS MANDÉ EN SU TIEMPO MUCHAS GENTES SE QUEDARÓN EN PÁRO EN ALGARVE Y PERDIDAS DE TURÍSMOS POR CÚLPA DE LOS MCCANNES ARROGÁNTES PREPOTENTES GENTÚZAS SÍN ESCRÚPULOS AMBICÍOSOS PEDERÁSTA Y ASESÍNO CASO MADELEINE MCCÁNN…SÍ MADELEINE MCCANN ESTÁ VIVA PERO EN NUESTROS CORAZÓNES.PORTUGÁL TERRA DE TRABALLADORES Y EMIGRÁNTES QUE SÓN LOS QUE LA HÁN LEVÁNTADO.Cuando se descubra la verdad se recuperara el turismo y la alegria de algarve recuperacion de empleos y la normalidad con el mundo.Está la reputación de portugal en jaque. “El último gríto de Madeléine MCcánn”
    En vez de mistério tuvo más de círco y todo para tapar un asesinato que un niño no lo pasaria
    desapercibido, lo demás de rísa por no llorár… Quisiéron hacérles al múndo un labádo de cerébro con retratos robot y comedias con el porta voz al frente.
    Caso Madeleine McCann – Operación Task…
    Es una manipulacion de ciertos jornaleros implicados con los MCcanes y remenber para segir estafando y sacando fondos Estamostodosaqui…Estamos hante una Máfia Órganizada …

  4. jos

    O A400M é flop porquê? qual é a fundamentação científica? É por ser caro (mas só o é porque existem n países envolvidos), mas é por ter chegado mais de 20 depois do 1º acordo? mas isso foi porque as nações não precisam na altura do avião. E não tenho dúvida, se o C390M não vier rapidamente, com bom preço, com capacidade e eficiência como o C130H (não o J isso sim é que foi flop e dos grandes…grande pezada a da lockeheed!) vai vender mais alguns! A bem da aeronáutica portuguesa que tarda em evoluir (os interesses são muitos e a ignorância de quem gere estas coisas muito maior).

  5. é caro, atrasadíssimo.
    o custo inicial saltou para a estratosfera
    é um flop, sim, mas nada comparável ao J…
    esse sim, um megaflop.
    p.ex.:
    http://www.govexec.com/dailyfed/0105/012405cdpm3.htm

  6. Lusitan

    Call me a dreamer… mas como eu eram o Infante D. Henrique e os exploradores portugueses. Eu considero que o futuro está na exploração espacial. Se a Virgin já consegue colocar naves no espaço, acho que se o país colocar como estratégia nacional a exploração espacial e a criação de um cluster de engenharia aeroespacial, não só conseguiriamos sair desta “crise existencial” nacional, como poderíamos ainda colher muitos proveitos desta nosso espirito aventureiro. Foi quando os países europeus estavam em constante luta para o dominio do continente que nos aventurámos à conquista do mundo e nos tornámos grandes. É agora que as potências se degladiam silenciosamente para dominar o mundo que devemos tomar uma atitude para conquistar o espaço. Deixemos de fazer negócio com EDPs e Galps, etc. e comecemos a investir num futuro melhor para o país e veremos que sobra dinheiro para investir em pequenas empresas com grandes ideias para a exploração espacial. A Virgin já provou que não precisamos de grande quantidade de dinheiro para chegar ao espaço, só temos é de saber utilizar melhor os recursos que temos.

  7. de acordo a mil por cento!
    esse aliás é um dos meus cavalos-de-batalha no MIL e aqui, neste espaço!
    a situação não é muito diferente da de Quinhentos: há meios, há vontade, mas ainda nos falta um Infante capaz de traçar um projeto nacional a longo prazo que dinamize as energias adormecidas de Portugal e dos portugueses e este, bem que pode ser o Espaço!
    E de facto, não precisamos dos biliões dos EUA… basta abordagens inteligentes, como as da Virgin ou SpaceX.
    E vontade política… e visão…
    e que haja uma inclinação para as coisas da Ciência e do progresso científico, que ainda não existe na nossa população…
    mas fazemos trabalho de sapa para que haja!

  8. Lusitan

    A população não tem de estar inclinada para a Ciência. Na época vicentina também não estava. Foram-se buscar os melhores matemáticos e astrónomos à Europa para criar a melhor escola de navegação do mundo. Quantos cientistas não abandonariam tudo o que estão a fazer por um programa espacial bem delineado mesmo que isso implicasse uma redução não significativa do seu ordenado (sendo que a maioria já é mal remunerada na maior parte das vezes)? Quantas empresas não estariam desejosas de investir num programa espacial em troca de futuros retornos da exploração espacial? Não é preciso ficarmos à espera que os recursos apareçam de repente no rectângulo mais a oeste da Peninsula Iberica, é preciso é atraí-los com um bom projecto, e se for preciso despedem-se alguns gestores de empresas públicas para pagar os ordenados dos cientistas.

  9. é verdade. De facto não estava, nem precisa de estar.
    mas é preciso criar as condições nos níveis mais básicos de ensino que promovam o ensino da matemática e da ciência e que invertam esta tendência exagerada de frequência de “cursos de letras”, que a prazo, formam apenas desempregados e operadores de call centers.
    Falta a Portugal um grande projeto nacional, polarizador e cativador de energias.
    Um projeto a longo prazo, como o do Caminho Marítimo para a Índia, ou a Expansão para Oriente e Brasil.
    Esse projeto pode residir num programa espacial, modesto, mas decidido e de amplos horizontes.
    E sobre isso, irei escrever mais brevemente…

  10. Lusitan

    O problema é que Portugal continua com os mesmos dois designios nacionais desde a época dos Descobrimentos. O MAR e a independência em relação a Espanha. Não há mais nenhuma estratégia nacional desde que o Mestre de Avis chegou ao trono. E mesmo o Mar começou por ser apenas um meio para garantir a independência em relação a Espanha.

  11. e nem o Mar é seguido a sério… veja-se o abate da nossa frota pesqueira, a ausência de uma política de exploração dos recursos submersos da ZEE e a quase total evaporação da marinha mercante.

  12. Lusitan

    Portugal tinha uma frota pesqueira grande, mas a maior parte podre de velha. O abate tinha de ser feito. A política de exploração dos recursos submersos existe. Há no entanto poucos meios e a tecnologia necessária para o fazer é cara. Tem havido na ultima década um verdadeiro esforço de mapeamento do fundo maritimo da nossa ZEE.
    A marinha mercante tem de ser custeada pelos privados. Estes não podem viver permanentemente às custas do Estado.

  13. o abate, tinha, mas substituí-lo por nada?
    ou melhor substituir essa frota de traineiras por arrastões espanhóis?
    o erro foi fazer esse abate em garantir que seriam construídas novas embarcações, alimentando estaleiros nacionais e uma renovação da frota.

  14. Lusitan

    Isso mais uma vez cabia aos privados… se não me engano houve subsidios para a aquisição de novos barcos. Mas não… está sempre tudo à espera da mama do Estado.

  15. pois houve, mas o Estado não soube (não quis?) fiscalizar a sua aplicação e se a cada tonelada abatida correspondia pelo menos uma tonelada construída…
    muitos armadores aproveitaram o dinheiro para se reformarem, deixando o mar aberto para a frota espanhola…
    e quase nenhum novo armador surgiu, no seu lugar,
    como sempre: boas leis, mal vigiadas e pior aplicadas.

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