F-X2: Estado atual do programa: (Rafale F3, Gripen NG ou Super Hornet)

Existem notícias relativamente seguras segundo as quais a Força Aérea Brasileira (FAB) teria optado pelo Saab Gripen NG para o F-X2. Este é um indício de que o favoritismo do Dassault Rafale está em questão, ameaçado pelo elevado custo unitário de cada aparelho. A Dassault assume essa diferença, alegando que esta dá ao Brasil “uma opção de menor risco” e acrescentado que “o nosso produto pode ser mais caro que o sueco, mas é preciso ver que no longo prazo esse investimento trará menos riscos e, provavelmente, menos custos à FAB”. O caça francês mantêm aparentemente a preferência do ministério da Defesa, um apoio suportado pela tão almejada “independência tecnológica” que só a França parece ser capaz de assegurar. É claro que o Gripen é consideravelmente mais económico que o Rafale, em custo (metade do preço) e em manutenção. Além do mais, também oferece interessantes contrapartidas tecnológicas. Nestes pontos, a opção norte-americana, o Boeing F/A-18 está bem aquém do caça sueco assim como do francês.

Atualmente parece haver uma guerra de bastidores entre o governo (que favorece o Rafale F3) e a FAB (que favorece o Gripen NG) quanto a quem serão comprados os 36 caças. Ninguém parece estar a torcer pelo Super Hornet…

A preferência da FAB consta de um parecer com 390 paginas e divulgado no Folha de São Paulo e que apresentaria as preferências da FAB na seguinte ordem: Gripen NG, Super Hornet e, por fim, a preferência política, o Rafale.

Contra os suecos, corre também o facto do Gripen NG ainda não ser mais do que uma proposta… Ao contrário do Rafale F3 e do Super Hornet. Essa incerteza pode até anular a suposta vantagem financeira do Gripen, já que é difícil estimar com exatidão o custo de compra e manutenção de um avião que ainda não existe. A divulgação pública da preferência da FAB indica – que indignou Lula da Silva – terá servido como uma forma de pressão contra o Governo e, paradoxalmente, pode acabar por se virar contra o Gripen e afastá-lo de vez do concurso F-X2.

Esta luta “fratricida” entre a FAB e o Ministério da Defesa pode significar um novo adiamento da decisão do aparelho vencedor até – talvez – ao sucessor de Lula na presidência! Algo que já foi negado pelo próprio Lula, mas que fica sempre no campo das possibilidades… Neste aspecto, o adiamento seria uma boa notícia para adversários do Gripen, já que permitiriam ao Brasil “renegar” o acordo militar de cooperação com a França, assinado em 2009 e no âmbito da qual Lula chegou até a dizer que o Brasil estava disposto a negociar com a França a compra dos Rafales. Estes indícios têm sido reforçados várias vezes por declarações do ministro da Defesa e do próprio Lula da Silva que, recentemente, terá afirmado que o “preço dos 36 aviões-caças para renovar a frota da FAB (Força Aérea Brasileira) não é um fator determinante para sua escolha e que sua decisão vai levar em conta a soberania do país, inclusive a tecnológica.”

Fontes:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u676389.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u676636.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u676857.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u677070.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u679133.shtml

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Categories: Brasil, DefenseNewsPt | Etiquetas: | 14 comentários

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14 thoughts on “F-X2: Estado atual do programa: (Rafale F3, Gripen NG ou Super Hornet)

  1. Fernando FGRpapa

    O colega deveria se informar melhor, o Rafale F3 já existe e as aeronaves antigas da Marinha e Força aérea francesas estão a ser convertidas para este padrão. O valor do Rafale não foi divulgado (e provavelmente não o será).
    Quanto ao preço do Gripen NG, pelo fato de estarmos tratando de um avião que ainda não existe, os preços de seu desenho, desenvolvimento, testes e aprovação com certeza vão coloca-lo muito em um patamar de preço muito mais caro que os outros dois concorrentes, o preço do avião poderá ser mais barato, mas o desenvolvimento vai custar muito caro.
    O F18 é uma carta fora do baralho, os EUA tem demonstrado seguidas obstruções à transferência de tecnologia e não será uma aprovação do congresso deste governo que alterará as relações entre os dois países, sem contarmos que o F18 é um avião antigo, com projeto alterado para levar mais carga-mais longe, e com conseqüentes problemas de estrutura, sua linha dificilmente aceitará mais desenvolvimentos e este caça começará a ser substituído nos próximos 2 anos, então teremos o fechamento de sua linha de produção.
    O FX2 foi criado para que o Rafale fosse escolhido… um avião francês pré-escolhido, um avião americano e um frankenstein que já se sabe que terá um motor americano… que ainda não existe “nem no papel”

  2. Fernando FGRpapa

    Boa perte das notícias que aparecem na imprensa são pagas, plantadas pelos lobbies para este ou aquele interesse e há muita pressão por uma escolha americana com os motores GE ou então para que se “mele” o processo FX02 e não se escolha aeronave nenhuma (para no futuro venderem uma aeronave americana).
    O colega deveria se informar melhor, o Rafale F3 já existe e as aeronaves antigas da Marinha e Força aérea francesas estão a ser convertidas para este padrão. O valor do Rafale não foi divulgado (e provavelmente não o será por ser assunto de segurança nacional).
    Quanto ao preço do Gripen NG (o embuste da SAAB), pelo fato de estarmos tratando de um avião que ainda não existe; os preços de seu desenho, de seu desenvolvimento e dos testes de aprovação não foram sequer mensurados e com certeza vão coloca-lo em um patamar de preço muito mais caro que os outros dois concorrentes, o preço do avião NG poderá ser mais barato, mas o desenvolvimento vai custar muito caro. Muitas promessas de emprego e o lobby bem pago de ex-militares da força aérea ligados à SAAB tem lutado muito para esconder este detalhe (de que nem o próprio país quer pagar os custos do desenvolvimento para a SAAB).
    A manobra da SAAB é utilizar os custos do “Gripen antigo” como informação para o NG… se serão dois aviões diferentes porque os dados de um estão sendo utilizados para o outro? E se são o mesmo avião… porque o estão a vender como se fosse um avião diferente?

    O F18 é uma carta fora do baralho, os EUA tem demonstrado seguidas obstruções ao nosso setor aero-espacial e à transferência de tecnologia e não será uma aprovação do congresso deste governo que alterará as relações entre os dois países, não existe confiança, sem contarmos que o F18 é um avião antigo, com projeto alterado para levar mais carga-mais longe, com diversas “gambiarras” e com conseqüentes problemas de estrutura que aumenta seu custo hora em virtude das constantes manutenções, este produto dificilmente aceitará mais desenvolvimentos e este caça começará a ser substituído nos próximos 2 anos, então teremos o fechamento de sua linha de produção. O tão propalado F18 nova geração mundial não passa de um canto de sereia para enganar os incautos, não vai existir nova geração do F18, o que pode ocorrer é a criação de um F18 para países de 3o. mundo, com menos armamento e radar mais barato.
    Resumindo:
    A shortlist do FX2 foi criado “pela FAB” para que o Rafale fosse escolhido… Temos então um avião francês pré-escolhido, um avião americano e um frankenstein que já se sabe que se vier a existir um dia, terá um motor G&E americano, que já testou diversas tecnologias utilizando-se de um avião velho (chamado de gripen demonstrador de tecnologias)… mas que ainda não existe “nem no papel”.
    Não é difícil entender que o governo terá uma tarefa fácil para aprovar o Rafale… o congresso brasileiro vai fazer pressão “para inglês ver”, mas no fim, vai “sair à francesa”.

  3. concordo e reconheço o lapso: o F3 já existe e voa:
    http://www.defesabr.com/MB/mb_rafale.htm
    obrigado pela nota, Fernando.
    E sim… por aqui tenho torcido pelo Rafale, desde sempre, que me parece a melhor opção.
    Ainda que o seu custo de voo seja elevado.
    Esperemos que não os comprem, para depois ficarem nas pistas por falta de orçamento…

  4. Clavis o confronto não é entre Ministério da Defesa e a FAB. Mas do alto comando militar (incluindo o Ministério da Defesa) e da elite contra o governo Lula e sua candidata Dilma Rousseff.

    Esse conflito teve inicio no lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, que possui entre sua várias propostas, acabar com alguns subterfúgios da legislação, para garantir que violações aos direitos humanos, como as cometidas pelo regime militar, sejam apropriadamente investigadas e julgadas. O que certamente incomoda algumas pessoas no comando militar. A mídia pró-elite(Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, etc) se aproveitou desta “crise militar”, para enfraquecer o governo.

    Este ano eleitoral no Brasil, é com certeza vital para a mídia. O presidente Lula convocou recentemente uma confederação para a reformulação da comunicação. Nesta CONFECOM foram definidas várias propostas que se virarem leis, serão um grande pesadelo para a mídia de massa(tradicionalmente manipuladora). Caso o candidato do governo(Dilma Rousseff) seja eleito, com certeza boa parte destas propostas se concretizarão. Mas caso o candidato da elite(José Serra) seja eleito, com certeza nenhuma das propostas vai para a frente.

    Por isso a mídia está tão desesperado em apoiar José Serra.
    Se não me engano, a FAB oficialmente negou está preferência pelo Gripen. E reafirmou que só dará seu parecer após a conclusão do relatório do FX-2.

  5. ora bem: uma importante achega que traz muita luz sobre este processo e o seu contexto político… obrigado, Daniel.

  6. ..é + ou menos por aíh, são grupos pró ianks é seus caças o gripen produzido na suécia e o f.18 o puro sangue deles + já vestuto…estão plantado contrainformações a baldes.Já perderam.

  7. Também tem disso deles serem tradicionalmente pró-ianks. Mas o objetivo mesmo, é causar confusão.

  8. mas em termos de aparelhos, a opção da FAB, no passado, foram aviões franceses… Os Mirage, certo?

  9. Sim, uma boa quantidade de Mirages foram adquiridos e foi demonstrado simpatia em relação ao Rafale.

  10. em que os Mirage IIIBR e os novos 2000 parece ter dado boa conta do seu papel… algo que terá pesado na preferência pelo Rafale, penso eu de que…

  11. Dennis LA

    Pelas informações que coletei sobre o assunto, inclusive conversando com um ex membro da Aeronáutica do Brasil apesar do francês se mostrar como o com maior independência tecnológica e mais confiabilidade, o resultado da aquisição de aeronaves francesas no passado é fruto somente de dor de cabeça para os aeronautas, uma porque despois de certo tempo pararam de ser fabricadas peças de reposição, sendo assim de por exemplo 16 Mirage somente metade chegou a voar, sendo que a outra metade foi desde o início desmontada gradualmente para repor as peças da em operação. Adicione a isso a falta de qualquer suporte técnico por falta dos franceses, isto o ex aeronauta com quem eu conversei afirmou: os brasileiros aprenderam na marra como consertar e operar os aviões comprados. Sendo assim porque devemos jogar fora propostas tão atrativas quanto as outras duas para apostar numa parceria que até hoje só deu prejuízo para nós? É lamentável que nosso presidente se sujeite a ficar nas garras de gente que não está nem aí para o Brasil ou o seu povo.

  12. Dennis LA não duvido de nada disso. Com certeza governos e empresas não são almas caridosas, há sempre a possibilidade de “calote”. O olho tem que ficar aberto, não só para a Dassault, mas também para a Boeing e para a Saab.
    Não acredito que a Dassault faça uma coisas dessas, a curto ou médio prazo, devido a sua condição atual. Ele está praticamente sem vender seu produto, e qualquer “calote” dado por ela, com certeza seria ruim para seus negocios.
    No mais, resta esperar que o governo de meu país seja mais esperto e sutil e não seja feito de trouxa.

  13. Uma noticia denunciando lobby francês.
    De 2005 ainda, na época daquela compra tapa buracos.
    http://www.defesanet.com.br/fx/tribuna_nery.htm

  14. Srs. já deu Rafale…hoje (04/02/2010 ), vamos ver o desdobramento deste acordo com os francos, espero q o meu BRASIL, continue grande ,coeso, é benigno..Vivas ao BRASIL e Vive le FRANCE.

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