A “Converxencia XXI”: um partido Reintegracionista galego?

Sempre houve no espectro político galego uma lacuna de peso: Não existia um partido político de inspiração “Reintegracionista”, isto é, um partido que se possa afirmar como o herdeiro dos “lusistas” (termo hoje usado de forma injustamente depreciativa) do século passado. Não existia… até agora.

Finalmente, os cidadãos galegos que se identificam com o Reintegracionismo linguístico e cultural encontram uma voz política compatível com os seus interesses e os do movimento lusófono galego.

Na atualidade, existem duas posições diferentes sobre a natureza da língua própria da Galiza: a oficial, que entende que o galego e o português são duas línguas diferentes e que, em consequência, defende que devem possuir duas grafias completamente distintas, sendo a grafia da língua galega mais próxima da do castelhano do que da grafia da língua portuguesa. Esta é a corrente “Isolacionista”, que domina os órgãos do Estado e as Universidades. A outra corrente é conhecida por “Reintegracionista” pelos seus adeptos ou “Lusista” pelos seus adversários e defende que a Língua Galega é mais corretamente identificada pelas expressões “Galego-Português”, “Português da Galiza” (PG) ou ainda como “Portugalego”. Para os Reintegracionista, a língua própria da Galiza é uma variedade do português e consequentemente defendem que a mesma ortografia seguida em Portugal, deve ser utilizada na Galiza, como forma de purificar esta língua dos elementos exógenos castelhanos que a infectaram durante os séculos de repressão e assimilação linguística e cultura de Espanha.

Este novo partido galego de inspiração Reintegracionista é o “Converxencia XXI” (http://www.converxencia.eu) que ainda que recorra à norma oficial isolacionista “oficial” nas suas publicações e na sua presença cibernética, é adepto moderado das teses Reintegracionista sem procurar hostilizar os galegos mais moderados através de uma adopção generalizada e sistemática da grafia Reintegracionista. De orientação mais centrista que o Isolacionista Bloco Nacionalista Galego (partido próximo do Bloco de Esquerda português), a “Converxencia XXI” é um partido centrista que ao se alhear de certo radicalismo estéril existente em algumas correntes extremas do Reintegracionismo pode colher uma representação parlamentar significativa, pelo menos no plano teórico.

O alinhamento Reintegracionista da “Converxencia XXI” fica nítido no seu objetivo q)

“q) considerar a Portugal como espazo próximo de gran valor xeoestratéxico, económico, político, cultural e lingüístico para nós. Defender o Reintegracionismo lingüístico desde un punto de vista exclusivamente utilitarista e para poñer en valor esa avantaxe competitiva do noso país ata agora desaproveitada.”

Um ponto que ainda que esteja escrito com grafia Isolacionista deixa clara a orientação para buscar em Portugal um eixo cultural e político decisivo para refundar a identidade nacional galega.

Com a aparição de um partido galego mais claramente orientado para Portugal e para a sua própria identidade e não para serventias com Madrid ou com redes clientelares locais, será mais fácil congregar apoios à causa galega por parte dos demais países lusófonos, especialmente do fronteiro Portugal e do economicamente cada vez mais poderoso Brasil.

Existe um patente bloqueio entre a Galiza e os países lusófonos. O bloqueio foi criado ao longo dos séculos por políticas concertadas e bem executadas por parte de Madrid, que sempre receou que Galiza e Portugal vissem a evidência da sua proximidade cultural e linguística e buscassem juntos um destino diferente daquele almejado por Madrid. Este bloqueio explica parcialmente porque é que não encontramos entre a Galiza e os outros países lusófonos os mesmos laços que unem a Holanda e a Flandres belga ou entre a Grécia e os cipriotas. Mas não explica tudo… O sucesso das políticas de separação de Madrid tem existido porque os lusófonos, e muito especialmente os portugueses e os seus pífios governantes têm preferido sacrificar os seus irmãos galegos e até o seu próprio território nacional (Olivença) a troco da “doce” simpatia castelhana. O comércio, a tradicional vontade de “não criar problemas” e servilismos crónicos, por parte de Portugal têm feito o jogo de Madrid na perfeição. Enquanto os portugueses quiserem. E cabe ao MIL fazer com que despertem e reencontrem na Galiza que Madrid nos tem tentado (inutilmente?) fazer esquecer.

Fonte:
A partir de uma conversa com José Manuel Barbosa Alvares
(que esteve em Lisboa, a 5 de dezembro para o http://movimentolusofono.wordpress.com/2009/11/03/debate-publico-o-futuro-da-galiza-no-espaco-lusofono-5-de-dezembro-1500/)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Reintegracionismo

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