Re-Acordo Ortográfico em curso?

O Congresso Nacional brasileiro pode vir a autorizar o governo a rever o Acordo Ortográfico de 1990. O movimento a favor da revisão do texto está a ser conduzido pela senadora Marisa Serrano, do PSDB-MS e resulta não somente de um movimento que vem do interior deste partido da oposição brasileira, mas também de uma audição pública feita na Comissão de Educação, Cultura e Desporto.

A senadora prepara-se assim para propor no Congresso uma lei que autorize o governo brasileiro a sugerir alterações ao Acordo Ortográfico. Estas alterações seriam no sentido de procurar identificar e de corrigir as razoes que fazem com que o Brasil seja ainda hoje o único país a seguir a nova norma, oficialmente e efetivamente, nas novas edições.

No Brasil é conhecida a oposição muito tenaz de largos setores da sociedade lusófona (nomeadamente escritores portugueses) contra o texto de 1990, como reconhece o presidente de honra da Academia Brasileira de Filologia, Leodegário Amarante de Azevedo Filho. Mas o presidente coloca o dedo na ferida ao admitir aquilo que é evidente: somente no decurso da entrada na vida ativa de uma nova geração de alunos é que a grafia do Acordo se irá introduzindo, discreta, mas solidamente nas sociedades lusófonas.

Contudo, mesmo este defensor do Acordo, admite problemas com a redação do texto de 1990 (que usamos para escrever estas linhas), tais como a supressão do trema (no Brasil) ou a supressão de algumas consoantes “mudas”, que afinal não o são tanto como pensavam os negociadores de 1990, como aquela que desaparece na palavra “ator”. Este último ponto é, aliás, o motivo maior de discórdia em Portugal. Walter Esteves Garcia, da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação brasileira indica também outro factor determinante na origem da resistência portuguesa ao Acordo: a percepção de que o Brasil está a tentar impor a sua grafia ao país matriz da língua, reeditando uma espécie datada de neocolonialismo linguístico. Algo que se resulta do erro crasso (e evitável) cometido em 1990 ao permitir que uma percentagem muito maior de palavras portuguesas fosse alterada contra uma percentagem inferior de palavras brasileiras. Esta desproporção forneceu argumentos aos opositores do Acordo e segue hoje ainda sendo bradada com maior ou menor justiça.

Será assim então o momento de encetar novas negociações? No Brasil começa a ganhar impulso o movimento Acordar Melhor, fundado pelo professor Ernani Pimentel, que tem como objetivo o aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico de 1990. O Movimento posiciona-se contra a supressão do trema no Brasil, mas também contra todas as exceções a regras e duplas grafias (lusoafricana e brasileira) atualmente aqui contempladas e a padronização de todos os radicais. O Movimento repete também algumas críticas dos opositores portugueses ao alegar que não existiu aquando do momento da sua redação um debate aberto e democrático. E este movimento Acordar Melhor está a ganhar adeptos entre o Senado brasileiro com apoiantes de peso como o senador Flávio Arns (PSDB-PR) e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Se o Movimento lograr obter apoios suficientes no Senado e no Congresso brasileiros o Governo será forçado a avançar no mesmo sentido… Tendo em conta impopularidade do Acordo em Portugal (sobretudo) e no Brasil (menos) a revisão do Acordo será inevitável.

Sempre defendemos o Acordo Ortográfico de 1990. Não exatamente “aquele” Acordo mas O Acordo. O Acordo pode (ainda acreditamos em tal) servir de ferramenta de união dos povos lusófonos, de ponte de culturas, de simplificação de ortografias divergentes e plenas de elementos anacrónicos e de facilitador da aprendizagem do português. Mas este Acordo não foi bem negociado. Dizem que foi o “Acordo Possível”, mas desde os primeiros momentos que recolheu críticas de isolacionismo e “academismo exclusivista”, de falta de transparência e de cultura democrática por parte dos negociadores. Se o Brasil optar pela revisão do Acordo, haverá condições para aperfeiçoar o Acordo de 1990? Haverá matéria bastante para uma simples revisão, ou as alterações serão tão numerosas que forçarão a um novo e efetivo novo ReAcordo que possa (tarefa hercúlea) sanar todas as críticas que sofreu, de ambos os lados do Oceano, mas especialmente em Portugal?

Vamos ver em que param as águas no que concerne a esta potencial ferramenta de aproximação da Lusofonia antes de aprofundarmos mais a nossa posição…

Fonte:

http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=97030&codAplicativo=2

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48 thoughts on “Re-Acordo Ortográfico em curso?

  1. ox_oua

    Boa noite,

    Não vejo o Acordo com grande optimismo. Tenho sérias dúvidas se o que traz de positivo a qualquer das nações envolvidas é mais positivo que negativo, e tenho algumas certezas de que não é de todo fundamental para a união dos povos lusófonos.

    As divergências linguísticas são saudáveis, culturais e naturais no desenvolvimento dos povos. Não tenho elevados conhecimentos da língua, mas parece-me que não estamos a falar de diferenças que impeçam a comunicação ou a compreensão entre os diferentes países. A língua faz parte da identidade de um povo, e todas as diferenças existentes são fruto do tempo, de diferentes costumes, culturas, etc. Da mesma forma que é a variabilidade genética e todas as diferenças inerentes a cada individuo que permite a constante evolução da vida, também as diferenças linguísticas e culturais permitem a evolução de um povo. A diferença é humana, une-nos de um ponto de vista histórico e actual.

    Que vantagens acredita que possa, um acordo ortográfico, trazer?

    Sou um leitor assíduo do seu blog e aproveito para agradecer todas as horas de interessante leitura que já me proporcionou.

    Cumprimentos

  2. Ox_Oua:

    “As divergências linguísticas são saudáveis, culturais e naturais no desenvolvimento dos povos. Não tenho elevados conhecimentos da língua, mas parece-me que não estamos a falar de diferenças que impeçam a comunicação ou a compreensão entre os diferentes países. A língua faz parte da identidade de um povo, e todas as diferenças existentes são fruto do tempo, de”

    > O Acordo procura apenas unificar (e parcialmente) as grafias, não as línguas, nem as variações locais (e saudáveis) da língua portuguesa. Essa riqueza é sinal da sua vivacidade e dinamismo e em vez de combatida, deve ser incentivada!

    “diferentes costumes, culturas, etc. Da mesma forma que é a variabilidade genética e todas as diferenças inerentes a cada individuo que permite a constante evolução da vida, também as diferenças linguísticas e culturais permitem a evolução de um povo. A diferença é humana, une-nos de um ponto de vista histórico e actual.”

    > Concordo em absoluto.

    “Que vantagens acredita que possa, um acordo ortográfico, trazer?”

    > Muito haveria aqui a dizer… mas resumindo:
    1. A simplificação da grafia permitiria facilitar o ensino aos neofalantes e às crianças
    2. A unificação da grafia, permitira aumentar a circulação livreira e de ensaios científicos e de textos técnicos
    3. aumentaria a facilidade de intercâmbio universitário entre Portugal e o Brasil
    4. reforçaria a sensação de pertença a “coisa única” entre todos os países da CPLP
    5. poderia reforçar os poderes e a ação da ainda latente CPLP, se esta recebesse atribuições no âmbito de desta ortografia unificada
    6. redução de custos nas edições, resultantes da desaparição de hífens, consantes mudas, etc

    “Sou um leitor assíduo do seu blog e aproveito para agradecer todas as horas de interessante leitura que já me proporcionou.”

    > Obrigado pelas suas amáveis palavras! É por causa de leitores como o Ox_Oua que mantenho vido este espaço já há mais de 4 anos (como o tempo passa!)

  3. Víctor

    Essas e outras muito citadas “vantagens” do AO não passam de ilusões. Senão vejamos:

    1. A simplificação da grafia permitiria facilitar o ensino aos neofalantes e às crianças
    As crianças aprendem tudo o que se lhes ensine e muito mais; nunca me fez confusão em criança ler banda desenhada na grafia brasileira enquanto aprendia a ler e escrever na grafia europeia. Por outro lado, o desaparecimento dos ‘c’ e ‘p’ não facilita nada, mas dificulta a aprendizagem do português aos neofalantes que saibam inglês francês ou castelhano, linguas em que essas letras se mantêm.

    2. A unificação da grafia, permitira aumentar a circulação livreira e de ensaios científicos e de textos técnicos
    Estamos no reino da especulação. Na realidade a grafia não é obstáculo ao entendimento por escrito entre portuguese e brasileiros. Ao invés, no que toca ao vocabulário, faz falta um “dicionário” para traduzir os ‘ônibus’ em ‘autocarros’, os ‘trens’ em ‘comboios’, as ‘violetas’ em ‘violas d’arco’, as ‘caixas de câmbio’ em ‘caixas de velocidades’ e as ‘camisinhas’ em ‘preservativos’. Não há AO que resolva isto!

    3. aumentaria a facilidade de intercâmbio universitário entre Portugal e o Brasil
    Porquê? Como já esclareci a grafia é o menor dos obstáculos no intercâmbio Portugal-Brasil. Se falamos de universidades, a adaptação ao novo vocabulário técnico, isso sim, representa uma dificuldade muito maior. Um AO, qualquer que ele seja, não é o instrumento adequado para atacar esse problema.

    4. reforçaria a sensação de pertença a “coisa única” entre todos os países da CPLP
    Não percebo essa. A CPLP é composta por países e povos diferentes. Para quê homogeneizar? Não apreciam a diversidade?

    5. poderia reforçar os poderes e a ação da ainda latente CPLP, se esta recebesse atribuições no âmbito de desta ortografia unificada

    Não percebo como. Para isso a língua teria de mudar de nome me passar a chamar-se ‘brasileiro’. Se alguma vez a língua portuguesa se afirmar no mundo como língua internacional será em virtude dos 400 milhões de falantes brasileiros, não dos 10 milhões portugueses ou os vários milhões de africanos e timorenses.

    6. redução de custos nas edições, resultantes da desaparição de hífens, consantes mudas, etc

    Porque devemos sacrificar a nossa identidade ao maior lucro das editoras? Ou a uma solução meramente conveniente para a sua incompetência? Não vejo as editoras espanholas, inglesas, americanas, canadianas, francesas, alemãs, belgas e outras a queixarem-se dos custos de terem de lidar com as diferentes grafias das línguas em que publicam. Porque se hão-de queixas as editoras portuguesas e brasileiras? Uma boa editora faz um uso adequado dos correctores ortográficos informáticos, emprega revisores nativos do país onde vai publicar, e não exporta livros fisicamente, mas edita localmente (esteja onde estiver a sede da empresa). Façam-no!

    • Enquanto português revejo-me em absoluto na posição do Víctor.

      A grafia nos países anglo-saxónicos nunca foi unificada. Aliás, os britânicos mudaram a sua grafia propositadamente para se distinguirem da ortografia americana. Os canadianos e os australianos usam uma mistura das duas. A noção de que se pode impôr a nações diferentes a forma como escrevem e os vocábulos que devem usar parece-me ridícula…

      E depois, só em termos de vocabulário e preferências gramaticais há mais diferenças entre as vastas regiões do Brasil do que entre o Brasil e Portugal, ou Brasil e Angola 🙂 Quando estudava no liceu, há quase 30 anos atrás, dizia-se que o português era uma língua sem dialectos, apenas com sotaques diferentes, “regionalismos” e variantes ortográficas consoante a região. Hoje em dia já se definem, só para o minúsculo espaço de Portugal, uma dúzia de “dialectos”. Do lado brasileiro suspeito que sejam centenas. Deveremos então abolir os dialectos também e forçar todos os falantes de língua portuguesa a falar e a escrever precisamente da mesma forma? Mas isso é utópico e impossível, além de contribuir para um empobrecimento cultural da língua portuguesa…

      • Otus scops

        LMS

        nem imagina o quanta satisfação me deu ao ler o que escreveu!!! 🙂

        se quer participar no combate contra este (des)AO90 pode fazê-lo aqui http://ilcao.cedilha.net/?page_id=18, assinando e angariando mais adeptos na Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra esta coisa abominável que tanto mau-estar está a causar na sociedade portuguesa.

        permita-me sugerir a leitura deste link http://www.filologia.org.br/revista/artigo/5%2815%2958-67.html que prova o autêntico acto colonial que Portugal está a sofrer do Brasil (diga-se elites – isto não são os povos nem há nenhuma guerra em curso):
        “…grande parte da discussão em torno da ortografia da língua portuguesa – como, de resto, em torno da própria língua – redunda na tentativa de afirmação nacionalista de uma vertente brasileira do idioma, em franca oposição à vertente lusitana.”

        caso deseje tenho mais para lhe fornecer.

  4. ..q se cumpra td é qualquer acordo, em especial esse.

  5. o ponto 1 e 2 da sua argumentação, Victor admite que o AO simplifica a grafia… um e outro (Ensino e partilha de textos) podem significar uma poupança astronómica em tempo de aprendizagem e leitura.
    De facto, nessa área, o AO poderia e deveria ter ido muito mais longe. A grafia de uma língua deve por essas mesmas razões ser tão próxima da oralidade quanto o possível.
    A CPLP é – na minha visão – uma forma latente para uma União Lusófona que a prazo é o destino estratégico e último de Portugal. O AO pode ser um instrumento no aprofundamento destas ligações culturais e inter-estatais…
    A redução de custos, favorece o consumidor, se não for desviada para os lucros dos operadores… mais não seja para as edições não-lucrativas, para o ensino, em África e Timor onde estas existem.

  6. Otus scops

    Estou frontalmente contra o Acordo Ortográfico. Quem tiver a mesma opinião e quiser fazer alguma coisa tem aqui uma oportunidade concreta:

    Resistir à imposição do AO e insistir na ILC (Iniciativa Legislativa de Cidadãos)
    http://ilcao.cedilha.net/

  7. Odin Borson

    Se for pra esse acordo provocar mal-estar, rejeição, devia é ser deixado de lado. Se realmente levasse os povos a confraternização, eu apoiaria. Mas se é pra provocar ressentimentos, é melhor desistir disso. Deixemos cada país em paz com a sua ortografia. Façam o seguinte! Abram o mercado brasileiro para novelas, filmes e jogos desportivos portugueses e africanos, assim como novelas brasileiras passam em canais de tv desses países. Assim, os povos se aproximam mais, pois o público brasileiro vai conhecer mais os outros países de língua portuguesa.

    • Otus scops

      olá Odin Borson
      este acordo não tem como objectivo confraternizar. na minha opinião é um acto colonial do Brasil sobre toda a Lusofonia (estas palavras não são minhas mas concordo com elas).
      este link http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1367389&seccao=CPLP explica na perfeição o modo de sentir do português médio e de a quem interessa esta autêntica balbúrdia.

      toda a gente sabe que ao instalar um Sistema Operativo ou algum corrector ortográfico num computador existem mais de 20 versões de inglês (british, americano, australiano, carabenho, internacional, etc…), ou seja, nem eles tiveram a veleidade de normalizar a escrita.
      existem muitos mitos e falácias sobre o assunto:
      1. só uma percentagem pequena de palavras é que muda.
      realmente a percentagem é pequena mas a frequência de utilização é enorme. o impacto para os portugueses seria enorme. também sei estatística…
      2. argumentos económicos.
      hoje em dia os novos processos tipográficos estão completamente informatizados e combinam a moderna linotipagem com a técnica offset industrializando o processo a níveis nunca vistos. mais ainda, com as potentes redes de informação é até possível mandar imprimir o mesmo livro em muitas mais gráficas ao mesmo tempo. os argumentos que atrasam a impressão e a encarecem não são honestos.
      3. unificar permite melhorar o ensino.
      eu não me queixo, nem nenhum português se queixou. que eu saiba nenhum brasileiro também. talvez quem fique confuso sejam os PALOP e Timor. aí que escolham os governos a norma que quiserem – ou criem uma própria.
      4. falta de democraticidade e transparência.
      este acordo está a ser “enfiado pela garganta abaixo” aos povos. quando assim é, nos dias que correm, deixa os cidadãos desconfiados (o meu caso) e é meio caminho andado para o insucesso.
      5. deixei este tema para o fim, a ETIMOLOGIA das palavras.
      este para mim é o que devia nortear qualquer acordo e não a FONÉTICA ou ou desuso.
      quando se fala em consoantes mudas, pelo menos para os portugueses, existem subtis variações sonoras na articulação dessas palavras. para alguém medianamente instruído, quando fala também conceptualiza a palavra de forma gráfica. a eliminação das consoantes torna a literatura cansativa.
      eu já estive em África (lusófona) várias vezes. raramente tive dificuldades em perceber o que diziam os locais (os que sabiam português) e raramente tive dificuldade em me fazer entender. com Portugueses e Brasileiros a coisa é muito diferente. os Brasucas (no geral) não entendem os Tugas mas o contrário (no geral) não acontece. logo “o nosso problema” é mais fonético do que gráfico.
      pessoalmente não gosto de ler em PT-br (uma arrogância designar o PT do Brasil e “o outro” por PT europeu… não sabia que a Europa falava português), cansa-me e dispersa-me a atenção, tendo já ouvido várias pessoas a exprimir a mesma sensação. se fossemos então pela fonética e não pela Etimologia propunha a eliminação do “r” no fim de milhares de palavras que os brasileiros em geral NÃO dizem. que acham? se é argumento as consoantes mudas aqui está um. outra coisa que me irrita porque me confunde é o sem numero de palavras estrangeiras que o Brasil adapta sem o mínimo de regras e as converte para português. é um desespero! isto não é criatividade é falta de respeito pela matriz da língua e por Luís Vaz de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa ou Vinicius de Morais (perdoem-me todos as outras centenas de escritores de em português que não honro nesta muito modesta citação). depois existem fortes influências da cultura africana, italiana e de outras origens socio-geográficas com um impacto fortíssimo na língua que Portugal nunca teve.

      quanto a uma abertura das TVs é uma ideia bondosa e simpática. duvido que o povo brasileiro estivesse interessado, porque a produção de conteúdos tem um espírito muito diferente e a maioria não iria entender o Português de Portugal . como muitos dizem “o português fala enrrolado” 🙂
      e sejamos honestos, as novelas brasileiras são como os jogadores de futebol – as(os) melhores do mundo! era mau negócio.

      da minha parte – e penso que da maioria dos portugueses – nunca nos passou pela cabeça impor acordos ortográficos. aqui “a malta” ficaria muito honrada que os outros nos sigam mas não peçam para mudar, 900 anos de história pesam muito. para o bem e para o mal.

  8. eu sei, eu sei… sou uma voz no deserto, neste ponto.
    quase ninguém está de acordo comigo. mas isso não me chateia: concordamos em discordar e adiante!
    de qualquer modo o Acordo não é um ponto fundamental, nem do MIL, nem da aproximação dos povos lusófonos. Pode ser uma ferramenta neste sentido, mas não é uma ferramente indispensável e se separar mais do que aproximar, descarto-o sem hesitar.
    mantenho contudo, a opinião de que aproxima mais do que separa: logo, continuarei a seguir a sua grafia.
    apesar da discordância de alguns dos meus melhores amigos (em cujo número, perdoem-me, mas já vos conto)

    • Otus scops

      caro CP
      as maiorias nem sempre tem razão. pode até ser o caso.
      reconheço também que a uniformização tem vantagens.
      agora sob a minha perspectiva etnocêntrica este acordo, FORMA e CONTEÚDO causa-me uma rejeição fisiológica! nem consigo racionalizar… e o falar e escrever é algo muito emocional e sensorial daí não conseguir aderir.

      também concordo em discordar e discordo das concordâncias sem discussão. o exercício do contraditório é saudável e muitas vezes útil. é por estas e por outras que gosto imenso deste site e lhe dou os parabéns (não parabenizo…) 😉

  9. ok! 😉
    de qualquer forma a questão só o é atualmente…
    daqui a uns poucos anos, as nossas crianças já estarão a aprender na nova grafia e todo este debate fica obsoleto…

  10. Odin Borson

    Olá, Otus Scops!
    O ponto que eu quis focar foi justamente esse. Você é um exemplo de alguém, como português, que se sentiu ofendido com o AO. E há muitos portugueses e africanos dos palops que certamente estão se sentindo assim. E isso é péssimo para a já não boa imagem do Brasil no mundo. “Acto colonial do Brasil sobre…”, é uma frase que eu não gosto de ouvir ou ler. Acho que o Brasil deve deixar cada país ter as suas próprias normas ortográficas, fazer o que quiser com sua ortografia nacional. Quanto ao “português falar enrolado”, eu após ter assistido a RTP internacional, ter assistido algumas coisas no Youtube da RTP, SIC e TVI, eu fui me familiarizando mais com a linguagem do povo português. Pelo menos a linguagem que aparece nos canais de TV. E, considero a pronúncia de Portugal bonita. Acho que é mais por falta de contacto por parte da maioria dos brasileiros.

    Clavis Prophetarum! Eu sei que você não é preso a particularismos nacionais, você sonha com os países lusófonos reunidos, mas o problema é que esse acordo vai fazer o Brasil passar por “vilão”.

  11. Odin: Eu sei. Essa é a leitura de muitos por aqui. E lamento-o porque tal se deve a um erro-fraqueza na negociação da parte portuguesa ao aceitar que houvessem mais palavras de Portugal a mudar de grafia do que palavras do Brasil (0,6% contra 1,4% salvo erro). Isso poderia ter sido evitado, de forma a criar uma aparência e essência mais paritária… por isso é que acho que este AO não é um “acordo acabado”, mas um primeiro passo para uma aproximação futura mais otimizada e verdadeiramente unificada, sem deixar estes amargos de boca a ninguém, nem no Brasil, nem em Portugal… Nem em Angola, que nesta questão se sentiu muito subalternizada, diga-se. (Moçambique limita-se a seguir Angola, nestas questões).

    • Odin Borson

      Eu vejo da seguinte forma. A maioria da população portuguesa quer uma reforma ortografica dentro dos termos do acordo? A maioria da população brasileira quer a reforma ortográfica dentro dos termos do acordo? Mesmo que tratados internacionais não sejam submetidos a plebiscitos e referendos, um governo democrático não tem o direito de ir contra a vontade de seus eleitores. Ou em 1990 a maioria dos portugueses queria o AO e agora em 2010 não quer mais? Um governo eleito não pode desconsiderar assim a vontade de seu povo, e nisso tanto o Brasil quanto Portugal e os demais erraram sim. A maioria pode estar errada, mas democracia implica em satisfazer a vontade da maioria. A CPLP, no meu ponto de vista, é uma iniciativa boa, mas tem que ser mais prática. Não pode ser uma comunidade só “de enfeite”. Cada um dos países tem que ganhar algum benefício evidente por ser membro da CPLP, e não sofrer prejuízos por causa disso. O Brasil já pôs em prática a reforma, não compensa voltar atrás agora. Mas se os portugueses e demais acham que não vale a pena, aí o Brasil deve se respeitar a decisão deles. Se Angola, por exemplo, quiser seguir em frente e reformar, também os angolanos devem ser respeitados quanto a vontade deles. Não creio que os Palops e Timor vão deixar de ter interesse por obras portuguesas por causa de ortografia não. E fico contente em saber que o AO não é um acordo acabado, que pode ser revisto.

  12. Otus scops

    vou aproveitar e replicar “em pacote”, quer a Odin Borson quer a CP.
    Odin eu entendi a sua delicadeza e capacidade para se colocar na pele do outro. registei no primeiro post e neste segundo também. é uma postura que louvo, o mundo seria muito melhor se metade das pessoas fizessem assim.
    mas eu não me senti ofendido. nem sequer zangado com o Brasil! se eu fosse brasileiro, sentindo que tenho 190 milhões de falantes contra 50 milhões seria natural pensar que a minha vontade devia impor-se. eu provavelmente pensaria assim.
    agora eu fico perplexo com alguns portugueses que andam a tratar disto nas nossas costas e ainda para mais contra a vontade do povo. há aqui interesses velados.
    quanto às pronuncias é uma questão pertinente. realmente o português de Portugal é difícil. nós fechamos as vogais. tenho como exemplo frequente “aqui ao lado”, descontando alguma má vontade, realmente os espanhóis tem dificuldade em nos entender. se for com um brasileiro já comunicam às mil maravilhas. confesso também que entendo melhor um Carioca do que um Micaelense. já vivi em S.Miguel uns meses foi muito difícil entende-los sobretudo na zona de Ribeira Brava e Rabo de Peixe. por vezes é indecifrável!
    para terminar queria dizer que não se ouve ninguém dizer que está contra o Brasil, as pessoas estão indignadas sim mas é com os políticos nacionais que estão a impor o OA por isso a ILC http://ilcao.cedilha.net/ .
    os “particularismos nacionais” são para respeitar. “aqui” ninguém quer ser brasileiro nem “aí” querem ser portugueses e essas diferenças são benéficas e saudáveis e nada impeditivas de continuarmos juntos, bem pelo contrário, demonstra respeito uns pelos outros.
    agora o CP.
    a questão não é meramente estatística. não conheço ninguém “cá” que quisesse mudar o que fosse nem sequer negociar a mesma percentagem. as pessoas no geral pura e simplesmente não querem mudar.
    estive a dar “uma voltinha” na Rede e não vi nada sobre algum acordo na English Orthography. só sobre o nosso “acordo” ortográfico. incrível.
    quanto a Angola existem vastos territórios que mal se sabe português. actualmente a zona de Luanda é a única do país em que as pessoas SÓ sabem falar português. pelo resto do território falam os dialectos que por lá abundam, como segunda língua umas vezes mas também como primeira língua em muitos casos, exibindo baixas competências linguísticas no que ao português diz respeito.
    em Moçambique esses “traidores”(*) estão como observadores da Commonwealth . em Maputo falava-se bom português no interior desconheço. fiquei com a sensação que é bem pior do que em Angola. ou melhor, acho que Angola nem é mau, até está bem.
    acho que Angola ainda não pode queixar-se muito pois a sua contribuição para a língua portuguesa ainda não é significativa, quer ao nível cientifico, quer ao nível literário. a sua vez há-de chegar.
    (*) apesar da minha opinião sobre as opções deles neste assunto – não retiro uma vírgula – fiquei apaixonado pelo país. deixei lá amigos, se calhar para avida. o Índico tem outro exotismo. é um encontro de culturas exemplar. ali é que é miscigenação, ou melhor, “misturação”! 😀

  13. Fred

    Posso dar minha opinião de além mar?

    O maior número de palavras alteradas creio ser culpa do malfadado acordo de 1911, quando Portugal simplificou sua escrita e o Brasil com uma incrível corrente antifonetisista (será que é assim que se escreve?)se recusou e na alguns anos depois tentou corrigir com o pseudo acordo de 31 que acabou por separar de vez a ortográfia.

    O acordo de 43 (Brasil) e 45 (Portugal) foi outra tentativa, mas não foi muito efetiva.

    O Engraçado é é ciclotímico, quem queria acabar com as consoantes mudas foi o comitê português de 1911 e o Brasil foi radicalmente contra, depois aderiu e foi além e dessa vez foi Portugal que recuou e agora de novo.

    Mas é bem como o CP escreveu, o acordo não é para nós, tanto faz querermos ou não, quem vai aprender assim é que vai usar de verdade, nossas crianças.

    E tenho certeza que em algum futuro acordo de lá para os 2057 esses senhores e senhoras alfabetizados após o atual acordo terão os mesmos argumentos utilizados agora para tentar impedir ou para criticar o tal acordo.

    Foram os mesmos argumentos em 10/11, em 35, em 43/45 e finalmente agora em 90, porque será diferente em um futuro acordo?

    Forte abraço

    Fred

    • Otus scops

      caro Fred
      a opinião, seja aquém ou além-mar, é sempre bem vinda.

      gostei de ler o post e assim sendo os acordos ortográficos só tem dado discórdia. podemos questionar a sua utilidade e se se apurar alguma então concluo que é sempre mal feita. Portugueses de um lado e Brasileiros do outro… só tem dado asneira!
      leva-me a concluir, por esta via, que o acordo é errado.

      o grande problema actual é que estas coisas cozinhadas por elites, onde se deviam misturar vaidades e idiossincrasias nacionalistas não são, nem podem, ser aceites com passividade, e porquê?
      1. nesses belos tempos o impacto era diminuto, pois quem sabia ler e escrever eram poucos, logo podiam “brincar” à escrita quantas vezes quisessem, hoje as mudanças afectam milhões!
      2. hoje vivemos em democracia, logo é essencial que uma matéria desta importância e impacto na vida dos povos não seja submetida a discussão pública, com toda a clareza.

  14. Fred

    Ola Otus,

    Bem errado ou certo, por aqui Inês jaz morta, por aqui já está vigorando e os novos livros estão sendo editados já na nova forma.

    Não sei como o peixe foi vendido ai, aqui ficou um tempo em consulta pública no Ministério da Educação. Acho que um ano, se não me falha a memória, mas ninguém, ou muito pouca gente fez algo a respeito.

    Mas, lembro de ter lido em algum lugar que Portugal participou em peso do acordo, salvo engano, eram 9 ou 10 pessoas.

    Do Brasil foram o Houaiss e a Nélida apenas, que eu saiba, claro. 🙂

    Mas será que o acordo fará tanta diferença assim? Para mim tenho certeza que não, acho que só vai ter impacto mesmo para os alfabetizados de agora em diante.
    E para quem estiver fazendo vestibular as duas formas estão válidas no Brasil, só não pode misturar as duas.

    Forte abraço

    • Otus scops

      olá Fred, novamente

      se ficou em consulta e “…mas ninguém, ou muito pouca gente fez algo a respeito.” a minha leitura é a seguinte:
      1. ou as pessoas “por aí” não se interessam (ao contrário de “por cá”).
      2. ou então “o acordo” não é desfavorável para os brasileiros (para os portugueses é).

      quanto “à participação” dos portugueses não é tanto assim, sabemos que é um assunto que não arrasta multidões mas está presente na sociedade, toda a gente em blogs, editoriais, um sem número de programas televisivos, debates públicos na TV em “prime time”, no Facebook, etc, está na ordem do dia.
      lá por haver gente quem vá impondo “o acordo” não quer dizer que o assunto fique resolvido, os que contestam mexem-se daí a ILC(Iniciativa Legislativa de Cidadãos) http://ilcao.cedilha.net/ entre outras.
      o tempo o dirá.
      a “doutrinação” em marcha das novas gerações e a impressão de livros não é importante, conforme se fez pode refazer-se, ou volta-se ao que era ou refaz-se.
      só fico preocupado se for este “acordo”.
      apesar de tudo considero existir vantagens, não é tudo mau, agora este acordo não.
      cumprimentos à Vilma(*) ;-D
      agradeço e retribuo com um abraço transatlântico

      (*)estou a brincar, ok?

  15. Odin Borson

    Reportagem sobre o grupo Impresa aplicar a nova ortografia
    http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5goN9HQq-4kJ4uTsV_DAg_Mkqrwog

    • Otus scops

      manifestação contra o acordo no dia em que o governo apresenta um conversor para a nova ortografia, desenvolvido pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC).

      curioso o facto dos brasileiros (neste blog) apoiarem este acordo e não haver ninguém contra. é mesmo muito curioso…

    • Odin Borson

      Eu já fui a favor sim. Mas, mudei de opinião depois de uma reflexão, e de ter ouvido argumentos de professores brasileiros. Esse acordo ortográfico, segundo eles, não beneficia nem a população brasileira, exceto a industria editorial e aqueles estrangeiros de países não-lusófonos que queiram aprender Português não só por causa do Brasil e nem só por causa de Portugal ou Angola, por exemplo, mas pra vários países. Eu acho que o Brasil tem como ser uma grande nação no sentido sócio-econômico sem ter que “colonizar” outros países. Não precisamos de “colônias” pra sermos uma nação desenvolvida, e sim de mudança de mentalidade da população. Não precisamos estabelecer bases militares noutros países, antes é melhor respeitar a soberania dos países. Não precisamos de “império”, nem de “súditos” e nem de “escravos”. Toda ação tem uma reação. Todas as potências colonizadoras sofreram consequências desagradáveis, inclusive a Roma antiga. Colonialismo e imperialismo é “feitiço que se vira contra feiticeiro”. Olhando a economia de forma panorâmica, não é tão vantajoso assim ao Brasil fazer Portugal ler e escrever em “brasileirês”*(nunca ouvi dizer que isso existe), nem aos demais países lusófonos. Há muito mais coisas que podem nos unir que a linguagem escrita. Mas, acho que países podem sim colaborar uns com os outros. Nisso, eu apóio a existência da CPLP sim. Mas esta tem que ser mais prática, trazer mais retorno aos membros, e não prejuízos, não dar margem a um novo império português e nem a um império brasileiro. A CPLP tem é que ajudar no desenvolvimento das nações. Eu sei que sou sonhador, idealista e que o mundo real não é como eu quero que ele seja. Mas eu sou minoria no planeta, e minoria no Brasil também.

    • Otus scops

      olá Odin
      parabéns, mais um que se junta à luta contra este acordo.
      podem não parecer mas não sou contra acordos, mas a este oponho-me.
      não consigo ver (se calhar preciso de ir ao oftalmologista…) este assunto como algo colonizador/colonizado nem vinganças por sentimentos de inferioridade recalcados com cerca de 200 anos. agora como pátria da língua ser obrigado a mudar para pior e por decreto custa aceitar, a mim e à maioria dos portugueses (especulativo). seria como alguém do exterior ir dizer ao Brasil para fazer alterações ao Samba… 🙂
      o português é para Portugueses e Brasileiros a língua materna, ao contrário dos PALOP que é apenas língua oficial (exceptuando Luanda que já tem o português como língua materna), portanto os Brasucas tem tanto direito a ela como os Tugas, nenhum dos dois é dono dela, são como sócios.
      concordo com as sábias palavras “muito mais coisas que podem nos unir”. mas como já disse podíamos fazer OUTRO acordo e quiçá unir-mo-nos ortograficamente também.

      “Todas as potências colonizadoras sofreram consequências desagradáveis, inclusive a Roma antiga” apesar desta frase ser diferente do tema principal, quais foram elas? e Roma sofreu as consequências de quem? não concordo.
      “Colonialismo e imperialismo é “feitiço que se vira contra feiticeiro” quando, onde e com quem? nunca vi nada disto. o que vejo são os mesmos a explorar e a serem explorados com ligeiras nuances, ao melhor estilo de Maquiavel “algo tem que mudar para que tudo fique na mesma”. estes dois pensamentos deixam transparecer um sentimento certo sentimento revanchista… 😦

      cumprimentos, cá de Midgard, aí para Asgard 😀

      P.S.-“Eu sei que sou sonhador, idealista e que o mundo real não é como eu quero que ele seja.” bem hajas ò Deus Nórdico, precisamos muitos mais assim! sonhar é preciso! 🙂
      singela homenagem aos Sonhadores:

      Pedra Filosofal
      António Gedeão

      Eles não sabem que o sonho
      é uma constante da vida
      tão concreta e definida
      como outra coisa qualquer,
      como esta pedra cinzenta
      em que me sento e descanso,
      como este ribeiro manso
      em serenos sobressaltos,
      como estes pinheiros altos
      que em verde e oiro se agitam,
      como estas aves que gritam
      em bebedeiras de azul.

      Eles não sabem que o sonho
      é vinho, é espuma, é fermento,
      bichinho álacre e sedento,
      de focinho pontiagudo,
      que fossa através de tudo
      num perpétuo movimento.

      Eles não sabem que o sonho
      é tela, é cor, é pincel,
      base, fuste, capitel,
      arco em ogiva, vitral,
      pináculo de catedral,
      contraponto, sinfonia,
      máscara grega, magia,
      que é retorta de alquimista,
      mapa do mundo distante,
      rosa-dos-ventos, Infante,
      caravela quinhentista,
      que é cabo da Boa Esperança,
      ouro, canela, marfim,
      florete de espadachim,
      bastidor, passo de dança,
      Colombina e Arlequim,
      passarola voadora,
      pára-raios, locomotiva,
      barco de proa festiva,
      alto-forno, geradora,
      cisão do átomo, radar,
      ultra-som, televisão,
      desembarque em foguetão
      na superfície lunar.

      Eles não sabem, nem sonham,
      que o sonho comanda a vida,
      que sempre que um homem sonha
      o mundo pula e avança
      como bola colorida
      entre as mãos de uma criança.

      In Movimento Perpétuo, 1956

    • Otus scops

      ENGANEI-ME NO LINK:

      manifestação contra o acordo no dia em que o governo apresenta um conversor para a nova ortografia, desenvolvido pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC).

      http://www.publico.pt/Cultura/manifestacao-contra-acordo-ortografico-no-dia-de-apresentacao-de-conversor_1440919

      curioso o facto dos brasileiros (neste blog) apoiarem este acordo e não haver ninguém contra. é mesmo muito curioso…

      SE CALHAR O ACORDO VEIO PARA FICAR, SÓ APARECERAM 3 PESSOAS (JURO QUE NÃO FUI…) 😀

  16. Otus scops

    ninguém comenta as objecções e argumentos CONCRETOS do “post” de 2010/06/02 às 00:12 …
    será que são tão más que nem merecem comentário???
    ou serão tão boas que ninguém se atreve a contestar???
    😉

  17. …bem, e mais um bitaite vai daqui

    o meu problema com este (des)acordo é simples “e são dois”

    não sendo eu um linguista, sei que tento convencer os meus alunos de que a evolução gráfica dos vocábulos de uma língua não acontece à balda, de forma arbitrária, mas respeitando princípios universalmente reconhecidos, deles sendo exemplos o “princípio da lenta evolução” e o “princípio da inconsciência”. ou seja:

    – “princípio da lenta evolução”, que prevê que uma genuína evolução ortográfica ocorre de forma progressiva, diluída no tempo, pelo uso recorrente de uma quebra da norma, que por maioria de razão se torna norma ela mesma;

    – “princípio da inconsciência”, que prevê que uma real alteração morfológica transita do uso para a sua normalização e não o inverso, é a norma que acaba por validar a violação sistemática de uma forma, reconhecendo a sua involuntária e espontânea implantação no terreno linguístico; ocorrendo – derradeira evidência – a verdadeira evolução vocabular da norma da oralidade para a norma da escrita

    qualquer um destes princípios grosseiramente atropelado pelos diversos linguistas encartados a quem foi dado engendrar o (des)AO

    ao invés de deixar a Língua crescer e amadurecer no tempo pelos distintos caminhos por onde se espraia, altera-se a Língua por decreto
    ao invés de deixar que sejam os falantes de uma Língua a moldar-lhe o corpo à imagem dos seus usuários e seus cultores, ensina-se aos falantes a Língua decretada, sob ultimato progressivo de crime de transgressão

    o que afirmo é que – interesses editoriais à parte – é rotundamente inútil forçar uma grafia partilhada para a desejada aproximação dos povos
    o que defendo até hoje é que – jogos diplomáticos fora – a Língua se empobrece, perdendo variedade e vida, despromovida de cimento das culturas a livre-trânsito de um clube

    • Otus scops

      PNM, perante esta brilhante argumentação sinto-me um troglodita cultural. muito bem!
      realmente a violasão do “segundo princípio” é o que mais me afecta, seremos obrigados a esqrever de forma que não estamos abituados com alterasões impostas do echtrior que não refletem os nosos ábitos.

  18. Fred

    Olá Otus, a Vilma está ótima, obrigado. 😉

    Então vamos lá, como te falei antes, por aqui o acordo já é fato consumado, a consulta pública acabou em 2008 e na época houve, sim, intelectuais em campanhas pró e contra acordo.

    Não sei se foi o fato da simplificação para facilitar o aprendizado da plebe rude (argumento primeiro usado por Portugal em 1911 para a primeira simplificação) pois o Brasil, na última década, tirou da miséria, repito míséria, por volta de 30 milhões de pessoas.(faltando no mínimo outros 30)

    Não sei se foi o peso dos intelectuais pró acordo, como a Nélida e o Houaiss e a maioria da ABL.

    Ou o fato mesmo de só alterar para as novas gerações, pois por alguns anos os dois modelos são válidos.

    ou se foi todos esses juntos que fizeram o acordo vencer.

    Mas posso falar que eu vejo o acordo mais como união que como problema, com diversos pontos que podem, devem e vão ser melhorados em futuros acordos.

    Não vejo o renunciar ao acordo por parte de quem quer que seja como útil nessa altura do campeonato, falo isso não por ameaças ou revanchismos, mas pelo fato de nos outros acordos,11,43,45,70, os que renunciaram sempre ficaram prejudicados, mesmo que de forma sutil, de tal modo incomodados que tentaram emendar o erro nos acordos seguintes.

    E tenho certeza que apesar de não escrevermos nas regras do acordo, nos entendemos muito bem.

    Lembrando que essa pendenga começou quando o Brasil renunciou ao de 11, ficando as duas ortográfias diferentes, a nossa cheia de consoantes mudas e duplas e a de vocês com poucas.

    Forte abraço ultramarino

    Fred

    • Otus scops

      caríssimo Fred

      já devia ter respondido à tua cortesia e bom humor há mais tempo, portanto cá vai.
      1. “eu vejo o acordo mais como união que como problema” eu infelizmente gostava de ter essa opinião, mas não consigo com ESTE acordo.
      2. se “diversos pontos que podem, devem e vão ser melhorados em futuros acordos.” então é a prova que é um acordo errado para todos.
      3. logo “o acordo já é fato consumado” e “Não vejo o renunciar ao acordo por parte de quem quer que seja como útil nessa altura do campeonato” pelo motivo enunciado em 2 deve ser suspenso imediatamente! pelos vistos não serve ninguém.
      4. “Lembrando que essa pendenga começou quando (…)” se fosse hoje se calhar eu seria contra esse acordo também!
      5. “apesar de não escrevermos nas regras do acordo, nos entendemos muito bem.” concordo plenamente!

    • Otus scops

      “cliquei” cedo demais:
      agradeço e retribuo o abraço.
      amizade aquém e além-mar!

  19. bem, sabem mesmo, mesmo o que penso?
    que todo este debate é agora anacrónico.
    Bem ou mal negociado (concedo que foi mal), o Acordo está agora em vigor e tem a força de um Tratado internacional. Portugal não é um país que dá o dito por não dito, e agora deve aderir ao Acordo, porque os seus representantes (eleitos) assim o entenderam. Temos contudo todo o direito de não seguir a sua grafia, não advindo daí absolutamente nenhum mal.
    Eu sigo-o, mas sou altamente minoritário, eu sei.
    E somente na geração dos nossos filhos é que o AO começará a ser aplicado, e só isso de facto importa: caminhar para uma crescente aproximação gráfica entre os povos da Lusofonia, de forma a cimentar cada vez a consciência e alma lusófona comum que defendo.

    • Otus scops

      caro CP
      não me parece que seja anacrónico.
      realmente a troca de argumentos é longa e se calhar desinteressante, mas já que temos o privilégio de poder aqui exprimirmos a nossa opinião (facto que agradeço) aproveito de forma fundamentada (pode estar errada) discordar.
      também assuntos anacrónicos é coisa que neste site abunda e todos eles interessantes (para o meu gosto). 🙂
      esse assumir de “Bem ou mal negociado (concedo que foi mal)” é contrário aos interesses de Portugal então, aplicando a lógica mais elementar é então contrário à Lusofonia! então é ilógico apoiá-lo. vai contra a alma Lusófona (já agora, de forma clara, como se define?).
      já o disse que os filhos aprendem aquilo que nós lhes ensinamos, apenas temos que evitar este erro.
      agora se fosse possível fazer outro acordo não me oponho…

  20. Odin Borson

    Saudações de Asgard à você e toda Midgard, Otus Scops! 🙂
    Você é professor? A pergunta é devido ao seu notório saber.
    Quer conhecer Asgard, Vanaheim e Ljusalfheim? Envio uma de minhas valquírias para buscá-lo.
    Depois de séculos e de ter perdido os meus adoradores para o Cristianismo, estou recuperando eles aos poucos, já não exijo que morram em batalhas, que tenham o sangue derramado, me flexibilizei, hoje sou mais bonzinho. Apóio a paz entre as pessoas em Midgard, agora. 🙂
    Estou muito menos exigente daqueles que quiserem entrar no Valhalla.

    Eu li os protestos dos portugueses contra a “colonização cultural” brasileira. E foi à isso que eu respondi. Roma se expandiu tanto que teve que “contratar” gente dos povos “bárbaros”(minhas antigas testemunhas entre eles :)) para aumentar o contingente das tropas. Facilitou as invasões e a queda do Império. A glória de Roma chamou a atenção dos “bárbaros”. Não só a colonização de tomar posse de um território, domínio político e jurídico. Colonização cultural (difundir costumes de uma nação à outra) pra complementar a colonização econômica (multinacionais, investimentos com a finalidade de obter lucros) tem o mesmo efeito de se voltar contra o colonizador. Os imigrantes ILEGAIS dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento para os países desenvolvidos é uma das consequências do colonialismo/imperialismo. Pois a situação de vida deles é de tal forma ruim que não conseguem nem respeitar leis, entram ilegalmente em países mais prósperos e acreditam estar com a razão.
    E cria um estereotipo de que gente de tal país é tudo gente ruim. Até hoje os vizinhos do Japão no extremo oriente não superaram o rancor contra os japoneses. Parece que os franceses e ingleses perdoaram os alemães e vice-versa com mais facilidade pelas duas guerras mundiais. Revanchismo? Isso não leva a nada. Brasil e Portugal não vão ganhar nada rivalizando um com o outro. Vão ganhar ambos se fizerem parcerias. Portugal não tem que se tornar Brasil e nem Brasil tem que se tornar Portugal. Brasil é Brasil e Portugal é Portugal. Mas ainda há brasileiros que insistem em guardar rancor de Portugal por causa de um passado que nunca mais vai voltar e portugueses que se sentem ameaçados pelo Brasil e pelos brasileiros, e só vêem o lado ruim dos brasucas, uma paranóia. Mas fico feliz que estão aparecendo cada vez mais brasileiros simpáticos a Portugal e ao povo português. Já encontrei brasucas que torcem pra que a PT não venda a Vivo pra Telefónica. Encontrei brasileiros torcendo para Portugal ganhar a copa da África do Sul, pois não gostaram da formação da seleção do Brasil.

    Gostei da homenagem, do texto! 🙂

    CP
    Você é minoria, mas as suas opiniões são importantes. E acho que, a reforma ortográfica é algo sem volta. Gostando os cidadãos dela ou não, pra reverter vai ser muito difícil. É uma batalha interna dos tugas, agora, tentar salvar a ortografia que estão acostumados. 🙂 Se o Brasil interferir, vai só agravar o mal estar.

  21. Otus scops

    olá Odin

    Midgard recebe sempre com a máxima reverência tudo o que Asgard envia! 😉 quanto às Valquírias nem me atrevo a dizer mais nada, manda rapidamente!!! 🙂 obrigado.

    gostava de dizer que para conhecer estes temas não é necessário ser professor, como haverá também professores que nada sabem de Mitologia Escandinava.
    a tua opinião sobre o meu “notório saber” é exagerada, mas recebo o elogio com agrado e vaidade… tento ser o mais ecléctico possível, tentando encarnar o verdadeiro espírito do Homem da Renascença. quem merece esse elogio é o Clavis Prophetarum pela diversidade de temas e qualidade com que os aborda.

    agora a o tema colonização queda de impérios que sai fora do principal deste post:
    Roma e todos os grandes impérios (salvo cataclismos) caiem sempre por dentro, nunca por fora! aliás a história demonstra que aos ataques de fora fazem unir-los para aniquilarem as ameaças e salvo algumas excepções (exº Gregos-Persas) conseguem-no sempre. Roma caiu pela decadência interna, corrupção, falta de vontade dos cidadãos romanos integrar as legiões, laxismo (panis et circensis), decadência económica e por consequência militar. obviamente sempre com as fronteiras sob pressão, porque os “de lá” queriam ser como os “de cá”. vejo nitidamente estes sinais decadentes na civilização ocidental, clivagens internas, assimetrias sociais, falta de patriotismo, oportunismo, exploração do seu semelhante, fuga aos impostos e obrigações para com o estado, fiscalização dos cidadãos inexistente aos políticos (quando Roma deixou de ser uma republica e passou a monarquia começou o declínio) etc…
    quem está por cima normalmente não perde a liderança pelos outros, é por si, são vítimas do sucesso, relaxam.

    a frase “efeito de se voltar contra o colonizador” continuo sem perceber, quando é que isto aconteceu concretamente?

    “Os imigrantes ILEGAIS dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento para os países desenvolvidos é uma das consequências do colonialismo/imperialismo.” como é isto? nunca vi tal coisa, o que vejo é países pobres com fluxos migratórios para os mais ricos, não há relação colonizador/colonizado como regra. exº:
    Portugal até aos anos 70 (sec XX) era pobre (para os padrões mais elevados) e teve desde os anos 30 um êxodo para: Brasil (sim, o Brasil até à ditadura militar era bem melhor que Portugal), Venezuela, África do Sul, EUA, Canadá, França, Alemanha, Suíça, Bélgica e Holanda. os “Tugas” não foram para Espanha, Itália ou até Inglaterra e porquê? porque não eram tão ricos como agora, não tinha interesse. e Portugal, tirando num passado longínquo com o Brasil NUNCA teve relações colonizador/colonizado com NENHUM destes países!
    outro exemplo, os Mexicanos nunca foram colonizados nem colonizadores dos EUA. e podia perder-me num sem numero de exemplos. agora o contrário, p.exº Cabo Verde. os Caboverdianos tambem emigraram em massa para Portugal, mas não só, a Holanda e EUA tem tantos ou mais, ou seja, as pessoas migram para onde é melhor e sem esse determinismo revisionista/revanchista da história entre antigos colonizadores/colonizados. estes são os factos.
    Odin, acho que há ainda um certo complexo de colonizado em ti e em muitos Brasileiros (como o contrário em muitos Portugueses). sei também que há muitos equívocos e coisas mal explicadas da história a todos nós, interessa aos governos instrumentalizar os seus cidadãos, atribuir culpas da sua má-fé e incompetência a causas do passado. pode ás vezes explicar mas NUNCA justificar!
    quanto às manifestações de simpatia/antipatia entre os povos, por vezes há razões, outras nem tanto, é a ignorância que impera. à dias li esta frase: os elementos mais abundantes na Terra são o hidrogénio e a estupidez. está certa! 😀

    quanto à Vivo espero que para bem do Brasil fique com portugueses por dois motivos:
    1. os portugueses são muito melhor patrões que os castelhanos (a Telefónica é Castela no estado puro)
    2. tecnologicamente Portugal é um “case study” mundial, aqui os eng. telecomunicações e o marketing são dos melhores do mundo. os consumidores agradecem.

    para terminar mais uma homenagem (bem humorada) ao (des)acordo ortográfico em: http://www.youtube.com/watch?v=6sIPqmjgHwM
    já aqui disse que os Portugueses não tem nenhum mal-estar com Brasil pelo (des)acordo, nem por outros motivos.
    se há país que acolhe o Brasil no geral, esse país é Portugal. e podia enumerar um sem numero de exemplos mas este post vai muito longo…

    cumprimentos ao Thor!
    despeço-me de ti Rei dos Deuses com um pedido final, manda a Sabrina Sato buscar-me, ok? e besuntada de hidromel! 😀

  22. Otus scops

    mais do mesmo:

    “a partir de 2012 vamos continuar a falar português e a escrever brasileiro…” (em Portugal).

    é um Acordo Ortográfico que não tem nada de acordo nem sequer de ortográfico!

  23. Luís

    Se os que foram e são contra a qualquer evolução do português valessem os seus argumentos, ainda escreveríamos atualmente, com a ortografia do séc XIX.

    Mas quem é contra, não é obrigado a escrever com a nova ortografia, nem os livros com a velha ortografia serão deitados ao lixo.
    Mas os livros que foram assim escritos serão paulatinamente substituídos pelos livros com a nova ortografia, o ensino escolar formará a futura sociedade já na ortografia do Acordo. A velha será lembrança, assim como foi a do séc XIX. É imparável.
    Normalmente as pessoas, principalmente os portugueses, são resistentes às mudanças, não é por acaso, foi sempre um país onde inovações chegavam mais tarde. Atualmente, já não tanto, mas o velho conservadorismo ainda vive, mas morrerá de podre.

  24. Otus scops

    “Se os que foram e são contra a qualquer evolução do português valessem os seus argumentos, ainda escreveríamos atualmente, com a ortografia do séc XIX.”
    a demagogia e populismo Lusófono continua!
    – antigamente NINGUÉM fazia valer os seus argumentos, era (e é) “cozinhado” por meia-dúzia de representantes de ambos os países com legitimidade duvidosa e interesses suspeitos
    – quem disse que a ortografia do séc XIX é má???
    – quando é que os anteriores acordos ortográficos foram seguidos??? Portugal mudou o que achava e o Brasil fez o mesmo ninguém respeitou nada nem ninguém.

    “Mas quem é contra, não é obrigado a escrever com a nova ortografia, nem os livros com a velha ortografia serão deitados ao lixo.”
    humm, que suavidade, que tolerância, para quem escreveu “Pena é, que não tivesse ido mais longe quanto possível, pois para além da ortografia, devia ser tb um acordo lexical. (…) Assim se unificará a língua na percentagem residual que a divide.” nota-se uma mudança no tom. teremos mudança de opinião em breve??? muito bem!!!

    “não é por acaso, foi sempre um país onde inovações chegavam mais tarde”
    mais uma afirmação errada sempre cheia de fel para o seu próprio país.
    é mesmo por um acaso geográfico. Portugal fica numa ponta da Europa, com uma cordilheira difícil de transpor (Pirenéus) e com dois reinos poderosos para atravessar (Espanha e França) que inibiam os contactos, a mobilidade e a troca de ideias. os inventos, modas e tendências chegavam sempre mais tarde e muitas vezes vinham esbatidos e alterados, portanto se os Portugueses são conservadores é por um fatalismo geográfico e não por escolha ou feitio.

    “Normalmente as pessoas, principalmente os portugueses, são resistentes às mudanças,(…). Atualmente, já não tanto, mas o velho conservadorismo ainda vive, mas morrerá de podre.”
    estou de acordo, os velhos conservadorismos morrem podres. mas cuidado, os “aventureirismos” vanguardistas colapsam frequentemente! como se costuma dizer, no meio é que está a virtude, ir mudando lentamente e constantemente.

  25. Otus scops

    dito por que sabe (3º comentário – Luís Salles) reza assim:

    Luís Salles
    Sr. Rui Martins, aproveito antes de tudo para lhe agradecer que o meu comentário tenha sido do seu agrado, porém, permita-me que discorde!
    Acredito que parte da riqueza de uma língua, assim como da humanidade, é a diversidade, logo, e esta… é a minha opinião, claro, não me incómoda de sobremaneira as divergências gráficas. Apesar de concordar que uma língua viva é sempre naturalmente mutável, creio que não há uma necessidade tão premente de uma adaptação da matriz original àquelas que são as discorrentes, faz-me pensar que o nosso país sofre de um certo complexo de inferioridade e subserviência a tudo o que seja externo, se não, vejamos os franceses e os ingleses!
    (Quando ando por estas páginas apercebo-me de que o francês é uma língua deveras difícil de escrever e que os próprios francês a escrevem, passo a expressão, mal-e-porcamente e talvez esse idioma necessitasse de facto de uns jeitinhos).
    Os franceses e os belgas e canadianos têem várias discrepâncias e aos franceses nunca lhes passaria pela cabeça adaptarem-se aos outros, e legitimamente! Com os ingleses e os americanos passa-se exactamente a mesma coisa.
    Porque é que nós, portugueses, nos devemos adaptar aos outros numa coisa que não traz mal ao mundo? Qualquer dia, por causa da assimilação telenoveleira, perderemos os pronomes reflexos, coisa que aborro.
    Não me faz confusão nenhuma reconhecer a origem de um texto, sinto-me enriquecido.
    Devemos sim aprender a viver com as diferenças.

    http://www.facebook.com/#!/profile.php?id=100000769663971&v=wall&story_fbid=148552295182193&ref=notif&notif_t=share_reply

    este testemunho contraria totalmente a ideia de “servir de ferramenta de união dos povos lusófonos, de ponte de culturas, de simplificação de ortografias divergentes e plenas de elementos anacrónicos e de facilitador da aprendizagem do português.”

    iremos pagar (Portugal) muito caro esta cedência vergonhosa (ao Brasil).

  26. Otus scops

    CP
    “…o Acordo está agora em vigor e tem a força de um Tratado internacional. Portugal não é um país que dá o dito por não dito,…”

    ai pode, pode!

    Decreto-Lei nº 8.286, de 5 de Dezembro de 1945
    Aprova o Acôrdo Ortográfico para a unidade da Língua Portuguesa.
    http://www2.camara.gov.br/legin/fed/declei/1940-1949/decreto-lei-8286-5-dezembro-1945-416343-publicacao-1-pe.html

    Lei nº 2.623, de 21 de Outubro de 1955
    EMENTA: Restabelece o sistema ortográfico do “Pequeno Vocabulário da Lingua Portuguesa” e revoga o Decreto-Lei n° 8.286, de 5 de dezembro de 1945.
    http://www2.camara.gov.br/legin/fed/lei/1950-1959/lei-2623-21-outubro-1955-361163-norma-pl.html

    se os brasileiros fizeram tábua rasa porque não podemos fazer o mesmo??? pode, pode e deve!

    “…e agora deve aderir ao Acordo, porque os seus representantes (eleitos) assim o entenderam.”
    como??? eu nunca vi isso em lado nenhum em nenhum programa eleitoral. isto foi mais santanalopiçe bem farçola, do (provavelmente) pior político que conheço.

  27. Fenix

    Vou escrever aqui sobre uma pm no facebook. “Acordo Ortográfico” À quem defenda que o nosso Portugues,escrito é o mais correcto. E estão certos.Mas o Portugues escrito não é apenas propriédade de Portugal. Como tal não podemos impor o mais correcto,mas sim uma nova variante mais universal desse Portugues.A que se podia chamar lusofono já para não haver confusoes. Sim,vamos escrever um “Portugues” menos correcto.Mas é tão incorrecto porque o brazil se afastou da matriz propria do Portugues,escrito anos afio por falta de acordos ortograficos. E Como tal e para aqueles mais radicais entendão que este “Portugues” escrito menos correcto é que pode arranjar.

    P.S. obrigado clavis pelas suas palavras.Mas eu não sou…

    • Otus scops

      depois desta miserável exibição de ortografia ainda fico mais convicto de lutar contra este (des)AO.

      “Sim,vamos escrever um “Portugues” menos correcto.” alem de mais é contraditório, nem sequer escreve na versão menos correcta.

      “e para aqueles mais radicais entendão que este “Portugues” escrito menos correcto é que pode arranjar.”
      contra a mediocridade, marchar, marchar!!!

      P.S. – posso estar a ser quixotesco, mas é algo muito bonito…

      • Fenix

        Nunca foi o meu dom a escrita.Mas vou melhorar.

      • Otus scops

        “Nunca foi o meu dom a escrita”
        eu idem…

        “Mas vou melhorar.”
        excelente atitude! 🙂

  28. Riquepqd

    Eu sou favorável a uma união politica e cultural entre Brasil e Portugal, mas infelizmente tenho que ser contra o Acordo Ortográfico de 1990, acho que brasileiros e portugueses já falam idiomas diferentes, a variante brasileira do português evoluiu nestes séculos de separação, recebeu ingredientes ameríndios, africanos, italianos, alemães, e podemos ver que as vezes é mais fácil a um brasileiro compreender a fala de um uruguaio, paraguaio ou argentino do que a de um português habitante de Portugal.

    Então fica quase impossível fazer um acordo para tornar igual a escrita de populações que falam de maneira muito distinta.

    E a exclusão do trema pra mim foi um crime, deixou capenga a escrita, porque agora não podemos distinguir graficamente se a letra “u” é pronunciada ou não em determinadas palavras.

    O vídeo abaixo é minha homenagem ao mais ferrenho opositor do AO 1990 que eu conheço, o meu amigo Otus Scops.

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