Espanha está a secar os rios portugueses. Impunemente. De novo.

Depois de décadas em que os governos portugueses se têm limitado a ecoar um gritante silêncio perante sistemáticas violações por parte de Madrid de todos os acordos e tratados internacionais, finalmente aparece um governo (e ainda por cima minoritário) que lá ensaia um leve arrufo e faz saber que “Espanha não cumpriu o acordo das águas e reteve 200 milhões de metros cúbicos do Tejo.”

Este primeiro vago suspiro de protesto ocorre no momento em que os níveis de água do Tejo alcançam valores recorde. Zonas do rio há muito submersas, são expostas pelo baixo caudal e pragas de algar verdes estendem-se por dezenas de quilómetros.

A continuação da redução dos caudais dos rios internacionais – que nascem em Espanha – está já a colocar em risco os ecosistemas que grande parte do nosso território e se estes colapsarem, é a ruína para o que resta da economia do interior de Portugal. Orlando Borges do Instituto da Água admite que só nos primeiros dias de outubro, os espanhóis só deixaram passar 2500 milhões de metros cúbicos de água, menos 200 milhões do que se tinham comprometido no Tratado. E isto mesmo sem que os Espanhóis tenham os novos transvases do Tejo que estão agora a planear no seio da Junta da Extremadura para “salvar” o parque natural de “Tangas” (perdão: “Tablas”) de Daimiel. De facto, os espanhóis tencionam é desviar ainda mais água do Tejo para alimentar a sua agricultura industrializada, sacrificando o Tejo a um tal ponto que irá comprometer a própria existência de qualquer caudal significativo que chegue a Portugal.

Espanha, através de uma agricultura intensiva e industrial tão destrutiva e desregrada que levou Bruxelas a lançar um processo contra Madrid por “catástrofe ecológica”.

Se estes perniciosos planos espanhóis se concretizarem, Portugal tem o direito de apelar a Bruxelas, mas em negociação, pode prescindir de o fazer assim como – por exemplo – prescindiu de fazer valer os seus direitos quanto a Olivença… Espanha gosta de partilhar com Portugal tudo o que lhe dá benefícios, como o TGV (fundos de Bruxelas e empreitadas para empresas espanholas), um Mundial de Futebol (onde os estádios espanhóis terão muito mais espectadores), Mercados “ibéricos” da Energia e do Retalho onde as empresas espanholas exportam para Portugal e blindam a sua economia contra as nossas exportações. E agora querem tirar ao Tejo a água que lhe resta. A questão é: irão os nossos governantes persistir na sua docilidade canina aos interesses de Madrid, mesmo à custa do assassinato do maior rio português?

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/espanha-tira-agua-a-portugal=f544175

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Categories: Política Internacional, Portugal | Etiquetas: | 11 comentários

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11 thoughts on “Espanha está a secar os rios portugueses. Impunemente. De novo.

  1. HSMW

    Para os que ainda acreditam que de Castel… ups, que dizer, Espanha, só bom vento e bom casamento (gay)

  2. Esses espanhois ..q sacanagem.

  3. sempre quero ver é se continuam a sair-se impunes e a serem tratados pelos Cavacos e Cia. como “senhores” da Ibéria…

  4. bokaido

    Boas Clavis! Esta foto que rio retrata? Parece-me familiar mas não me consiguir recordar onde a terei visto..
    Também em matéria de recursos hídricos, continuamos a ser a “biatch” da Península. É para somar ao resto..

  5. francamente, não sei…
    a imagem é do site http://www.apremavi.org.br/
    (que por lapso omiti, aqui)

    somos, mas não temos que ser! a água é um recurso vital e não está escrito em lado nenhum que temos que vergar a espinha a Madrid!

  6. Fenix

    Vou ser radical como sempre.Para que não tenhamos mais vergonhas como esta temos de ter umas forças armadas fortes porque so assim podemos fazer pressão diplomatica.A diplomacia so por si não funciona.O nossso maior problema é tal bicho chamado defice da união europeia sair dela é uma cada vez mais uma questão de vida ou morte para Portugal.Como pode Portugal sair da União Europeia? Qual seria o nosso futuro? O que podemos mudar na economia portuguesa sem estar dentro da união europeia? Estas perguntas ficam para clavis responder.

  7. sem dúvida. a fraqueza relativa do nosso exército é um argumento adicional para estes abusos castelhanos.
    não digo que seja provável um conflito, mas o elemento disuasor existe sempre e não pode ser descartado.
    recordemo-nos de que para muitos, as guerra do próximo século, serão pela água e que todos os nossos grandes rios nascem em Espanha…
    país que já provou não ser digno de confiança, como demonstra o presente artigo.

  8. tino

    Só os radicais ambientalistas não vêem que temos de criar mais e mais barragens, para nos salvaguardarmos do dia em que os espanhois coloquem diques nos rios junto à nossa fronteira. Não me venham cá com tretas de “rios selvagens” e a salvação da pulga do Rio Lima! Água é um recurso tão estratégico como os submarinos que vamos comprar!

  9. e como forma de produção de eletricidade!
    fonte essencial para a redução do nosso défice energético!

  10. Caro Clavis,

    Fico inflamado quando penso nos abusos cometidos contra Portugal pelo governo internacional-socialista instalado em Madrid, mas nada tenho contra os castelhanos, até por ter algum sangue de Castela nas veias.
    Creio que todos nós, lusos, galegos, castelhanos, bascos, andaluzes,…, somos espanhóis, mas o actual estado que se arrogou o direito de se dizer espanhol nada mais é do que o instrumento de uma dinastia estrangeirada e inimiga da nossa raça para nos dividir e sugar os nossos recursos.
    A Península teria muito a ganhar se voltasse a ser uma terra de nações livres, tal e qual é próprio do carácter regionalista ibérico que no passado deu tantos frutos. Cada parte com a sua forma de estado e governo, com as suas leis, mas unidas por uma confederação com fins defensivos.
    Se expulsássemos daqui os vagabundos eugenistas dos Bourbon que estão no poder e desejam unificar a Península num estado totalitário, as Espanhas seriam imbatíveis em todos os campos, incluindo a liberdade.
    São estes vagabundos dos Bourbon, e os seus empregadinhos socialistas de fala mansa, que travestem o seu poder pessoal de poder castelhano e nos jogam uns contra os outros, e agora nos querem controlar a partir de Bruxelas, se desresponsabilizando assim da culpa da crescente opressão que nos é exercida a partir da tal de UE e evitando dessa maneira a pressão popular que ainda pode existir.
    Bom, um primeiro passo seria Portugal tratar de defender os seus interesses, inclusive se armando, para depois exercer a propaganda necessária para mostrar aos castelhanos que está na hora de expulsar os Bourbon para longe antes que eles acabem com a Península Ibérica.

  11. Agostinho da Silva dizia que Castela tinha assumido a missão de manter presa a liberdade criativa dos povos peninsulares, prendendo o basco, o galego, o catalão e procurando assimilar (inutilmente) o português nessa forma que quiz impor a toda a Península.
    Agostinho defendia a tese de uma reunificação entre Portugal e a Galiza, num primeiro passo, e depois a formação de uma confederação peninsular de livres e pares parceiros, em que Castela seria apenas um dos membros e não o membro dominante, como é hoje.
    “Espanha”é uma ficção bourbónica, sim, mas radicando ainda mais longe no “nacional-clericalismo” dos reis católicos e nas aspirações imperiais de Castela, que a UE atual (um constructo norte-europeu, muito ao arremedo do sentimento peninsular profundo) é uma das várias encarnações atuais.
    Toda este rede irá mudar, caindo de podre.
    E com ela, estes nossos pífios líderes políticos que baixam o pescoço quando almoçam com os “reis” de Espanha na nossa embaixada em Madrid.

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