Consolidam-se os sinais de retoma nos EUA. Mas, serão sólidos ou inquinados pela base?

Nos EUA, pela primeira vez desde que começou a presente recessão mundial, em meados de 2008, foi registado um crescimento do Produto Interno Bruto de 3,5% no último trimestre.

Já havia sinais e previsões que em meados de 2009 antecipavam a retomada da maior economia do mundo, mas agora estes 3,5% vêm confirmá-los. Aparentemente esta retomada assenta novamente no estafado (e perigoso) rumo do aumento do consumo privado (em particular no setor automóvel) e no investimento (transitório) do Estado no setor da construção. Ora estes dois pilares são extremamente frágeis porque se baseiam ambos num aumento de endividamento que parte já de patamares extraordinariamente altos e insustentáveis a curto prazo. É este ciclo vicioso consumo-endividamento que há que quebrar e que existe apenas para sustentar níveis sempre crescentes de consumo em sociedades onde os rendimentos do Trabalho estagnaram desde a década de 60. Os rendimentos do Trabalho devem acompanhar os crescimentos da produtividade, devem de servir de fundamento para o consumo das famílias e o endividamento deve ser de investimento, não e consumo, porque só este é verdadeiramente virtuoso, isto é, multiplicador e criador de valor.

As sociedades modernas estão doentiamente dependentes do endividamento das famílias e de uma “coisificação consumista” perniciosa para o Ambiente e insuportável a prazo num planeta de recursos necessariamente finitos. A fonte dos recursos familiares não deve ser a dívida, mas o trabalho e o setor financeiro deve ser expulso do papel central e quase totalitário que ocupa hoje nas economias, colocando-o no seu verdadeiro lugar de assistente e colaborador na geração de Valor… Não é contudo isso que está a acontecer nesta “retoma”. Tudo permanece basicamente na mesma e apesar de toda a verborreia dos políticos, o setor financeiro, a armadilha incompreensivelmente complexa dos mercados financeiros persiste e com ela… A ameaça latente da fragilidade de uma retoma que tem lugar sem que nada de essencial tenha ainda mudado no sistema económico.

Fonte:
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1405190

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Categories: Economia, Política Internacional | Etiquetas: | 4 comentários

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4 thoughts on “Consolidam-se os sinais de retoma nos EUA. Mas, serão sólidos ou inquinados pela base?

  1. Isto para não falarmos da falência do CIT Group, a 5ª maior falência dos EUA.
    E que dizer brevemente do dia em que os russos e os chineses deixarem de pagar em dólares e passarem-no a fazer em Euros ou outra moeda.
    O que se vai passar a seguir, establidade?
    Ou o afundar de vez de toda uma civilização?

  2. exato… a falência do CIT indica que a recessão está longe de estar terminada…
    é o fim dos EUA… especialmente se acompanharem tal decisão com a venda dos títulos do Tesouro dos EUA…

  3. Deltóide Latejante

    Hehe. Meus caros, por muito que os Estates estejam em declínio, quem os financia não tem interesse em fechar a torneira. Se os deixassem cair, que ganhariam com isso? É o chamado Pareto. Ninguém tem interesse em alterar a situação com receio que a sua perda seja grande.

    Enquanto os endividados deste mundo vão pagando, que lhes empresta, não tem razões para se preocupar.

    Antes de os Estados Unidos irem ao fundo, irão antes muitas mais Islândias…

  4. exato! se os EUA colapsassem seriam os chineses (sobretudo) a pagar a fatura, porque os seus rendimentos frutos de duas décadas de exportações (para os EUA e Ocidente) foram aplicações em obrigações do Tesouro dos EUA…
    mas a questão é: isto não pode durar eternamente… e quando quebrar…

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