A China diz que vai alterar o seu polémico “sistema de doação de órgãos”

A China diz agora que o seu polémico sistema – único no mundo – de “doação” de órgãos vai ser alterado. Atualmente, a principal fonte de órgãos humanos – 90% segundo a OMS – são os prisioneiros executados por pena capital, uma fonte abundante, se tivermos em conta que a China é o país que mais pessoas executa por ano, tendo sido mortas em 2008, 1718 segundo a Amnistia Internacional.

Apesar desta fonte regular, na China 4 em 5 pacientes morrem esperando órgãos vitais e as doações regulares sempre estiveram fora das tradições populares. Ora apesar desta carestia, a existência de autenticas “excursões de turismo de saúde” até clínicas operadas pelo Exército no sul da China e na ilha de Hainan é conhecida, sendo sabido que ricos empresários japoneses fluem a estas paragens em busca de órgãos todos os anos…

Agora, perante a multiplicação das queixas internacionais Pequim quer reformular o seu sistema de “doações civis e voluntárias” e instalar em todos os hospitais “escritórios de doações” que as patrocinem e divulguem. Infelizmente, a China onde tradições absurdas são ainda muito poderosas: o consumo de partes de animais tem contribuído para a extinção de elefantes (marfim), rinocerontes (cornos), tubarões e a inefável “medicina chinesa” tem até devorado (literalmente) múmias egípcias com uma insaciável avidez por causa das suas supostas capacidades curativas. Entre estas superstições há também crenças de que o corpo do falecido pertence aos seus pais e que doar parte dele é um de profundo desrespeito. O peso desta crença é tremendo e explica porque é que em 2008 num país com mais de 1,3 biliões de habitantes apenas houve 36 doações voluntárias, e este ano apenas se registaram ainda 10!

Na China, as execuções são feitas com uma bala na nuca, de forma a minimizar os danos em órgãos “comercialmente”, mas nos últimos anos as autoridades locais estão crescentemente a usar injeções letais, porque mantêm também os órgãos internos, mas permitem uma melhor preservação.

Só em 2007 é que a China lançou leis que proíbem o pagamento por órgãos e o “turismo dos transplantes” e atualmente os nacionais chineses têm prioridade. Apesar disso é sabido que membros do partido conseguem prioridade e que continua a haver um mercado negro onde um rim custa 55 mil euros e um fígado mais de 130 mil euros. De facto, o problema continuará a existir enquanto a China não for uma democracia em que o povo possa repelir pela via do voto governantes corruptos. Educação cívica, assim como um combate contra a corrupção e o enriquecimento ilícito, a todo o custo, terão também que fazer parte da solução para esta situação incrível que degrade a imagem da China.

Fonte:
http://www.irishtimes.com/newspaper/health/2009/0929/1224255431878.html

Categories: China, Saúde, Sociedade | 1 Comentário

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One thought on “A China diz que vai alterar o seu polémico “sistema de doação de órgãos”

  1. Caro Quintus,

    Não aconselho a leitura e a visualização do artigo que envio a pessoas com tendências depressivas, mas é preciso que se conheça este lado da sociedade chinesa dos dias de hoje:

    http://oglobo.globo.com/blogs/gilberto/post.asp?t=a-incrivel-historia-da-sopa-de-feto&cod_Post=127911&a

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