A China queixa-se de “práticas comerciais” ilícitas dos EUA…

A China – esse campeão do dumping laboral e ambiental – apresentou queixa contra os EUA, na Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que os EUA estariam a impor direitos aduaneiros ilegais sobre as importações chinesas. Mais tarde, elevando o nível de desfaçatez até à estratosfera, a China alegou também que haveria dumping na produção de galinha e automóveis nos EUA.

A China alega que estas práticas estariam a comprometer décadas de “comércio livre” e a ressuscitar o proteccionismo. O facto de a China estar paulatinamente a esmagar qualquer atividade industrial que ocorra fora das suas fronteiras pela via de dumping sistemáticos em direitos humanos e laborais e por um quase absoluto pelo Ambiente e pelo Clima, foi esquecido, naturalmente…

O protesto pífio chinês resulta da imposição pela Administração Obama de taxas alfandegárias aos pneus chineses da ordem de 30% e 25%, durante 3 anos. Esta imposição resulta de reiterados pedidos neste sentido feitos não pelas empresas do ramo, mas pelos seus sindicatos que assistem ao colapso do setor – com 7 mil postos de trabalho perdidos em apenas 2 anos – e à sua transferência para a China.

Este discurso pequinês no tom de “dama ofendida” vem à superfície pouco tempo depois de vários países terem criticado as ajudas diretas à exportação por parte do governo chinês, como garantias monetárias, mantendo o yuan artificialmente baixo, concedendo empréstimos vantajosos, etc, que conseguiram manter as exportações chinesas em níveis elevados em plena recessão mundial, e sacrificando milhões de empregos nos países importadores cujos governos não têm hoje as condições para responderem com idênticas medidas, porque não tem os recursos financeiros que hoje Pequim controla (e que resultam de décadas de excedentes comerciais massivos).

Este discurso anti-protecionista continua a fazer parte dos sacrossantos dogmas neoliberais, cuja cega aplicação deu tão bons frutos no passado recente… Não importa muito em que condições se produz e exporta, desde que se exporte, é o que dizem os jesuítas do “comércio livre”. É claro que em clima recessivo, e perante o avassalador superavit chinês, todos os governos responsáveis procuram formas de defender o que resta do seu tecido produtivo das constantes e cada vez mais poderosas iniciativas chinesas, assim é normal, razoável e até correto que procurem corrigir estes tremendos desequilíbrios com a aplicação de taxas aduaneiras que corrijam estes desequilíbrios. A China não gosta, porque se habitou a décadas de desregulação comercial, e a produzir sem regra nem lei, sacrificando tudo e todos, inclusive a sua própria população, a poluição no seu país e o clima mundial. Mas talvez as coisas estejam a mudar… E o neoprotecionismo venha por cobro a estas disfunções.

Fonte:
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1400691

Categories: China, Economia, Política Internacional | 2 comentários

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2 thoughts on “A China queixa-se de “práticas comerciais” ilícitas dos EUA…

  1. Pegasus

    A China aprendeu como poucos a usar a “arma silenciosa”, isto é, a economia, e os americanos os ajudaram nisso, transferindo suas fabricas para la, para não ter que pagar os direitos trabalhistas dos operarios americanos, como muitos paises do mundo estão fazendo, agora estão tentando uma forma de recobrar terreno e a China esta respondendo do mesmo modo que eles fazem, fechando os olhos para o direito dos outros e defendendo os seus, isso vai dar muito o que falar porque eles se prepararam bem.

  2. Fenix

    A china é maior pesadelo economico enventado pelos estados unidos da america é um bin laden economico pronto estirar com todo capitalismo.Se não se poder medidas neoprotecionistas na economia havera um culapso nuna visto.

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