Uma empresa espanhola ganha (?) o 2º troço do TGV

Ferreira Leite lá fez renascer o fantasma do “perigo espanhol” a propósito do TGV, mas com ou sem fantasma (esse mesmo que oprime a lusofonia na Galiza e ocupa Olivença) lá se vai safando…

Ainda que tivesse sido excluído da fase final das negociações no concurso para a concessão do primeiro troço de alta velocidade Poceirão-Caia (ganha pela portuguesa Mota-Engil), agora, os espanhóis da FCC vieram com a proposta mais baixa de todas para o segundo troço do TGV, entre Lisboa e o Poceirão, o mesmo que inclui a polémica terceira travessia sobre o rio Tejo.

Como o critério do custo é o dominante neste concurso as hipóteses da empresa espanhola ganhar o segundo troço são muito fortes… Isto são más notícias para os consórcios portugueses da Mota-Engil (Altavia) e Brisa-Soares da Costa (Elos). Das duas, mesmo a mais barata, a da Motal-Engil está a 300 milhões de euros da proposta espanhola! Enquanto que os governos espanhóis se desfazem em artimanhas para favorecerem as suas empresas em concursos internacionais, cá em Portugal preparamo-nos para dar de mão beijada um dos investimentos estratégicos do século a espanhóis… Sacrificando emprego em Portugal e que os lucros saiam do país, a caminho de Madrid.

Fonte:
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1398726

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | 4 comentários

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4 thoughts on “Uma empresa espanhola ganha (?) o 2º troço do TGV

  1. Lusitan

    Essa de sacrificar emprego em Portugal é de uma demagogia muito baixa… Então acham mesmo que uma empresa, mesmo sendo espanhola iria fazer subcontratações de empresas espanhola de construção civil, sabendo que os portgueses cobram menos que os seus colegas espanhóis? E mais… as grandes empresas portuguesas quando fazem os seus orçamentos, fazem-no sempre de uma forma pouco credível, sobrevalorizando materiais que depois na obra trocam por materiais de menor qualidade (lembram-se do betão do túnel do metro de Lisboa?). Além do mais é raro os seus orçamentos não serem largamente ultrapassados. Por isso não vejo qualquer razão para o troço não ser entregue a uma empresa estrangeira se ela se revelar mais vantajosa.

    É óbvio que uma notícia deste teor só poderia vir no Público.

  2. algum emprego se perderia. nem que fossem os administrativos que ficariam sempre em Espanha, os chefes de obra, os engenheiros, os informáticos, etc.
    Sub-contratariam claro (a FCC é um consórcio que tem pelo menos uma pequena empresa portuguesa), mas a riqueza gerada pela obra (lucro do construtor) iria direita para Espanha, assim como os empregos acima citados…
    E Espanha tem dado bastas provas de saber defender os seus interesses em concursos internacionais… Desde Aznar que pratica o “nacionalismo económico” em que os franceses também se viciaram. Só Portugal é que tem seguido essas regras de “sã concorrência”.

  3. Lusitan

    A verdade é que nós (Portugal) precisamos de atrair investimento estrangeiro, mais que a Espanha e a França. Se nos pusermos com nacionalismos económicos ninguém põe cá eurinhos!!!
    E de qualquer maneira os lucros de construtor das empresas portuguesas raramente ficam em Portugal. Isto dos offshores e de investir no Brasil e em Angola é muito mais giro que deixar os impostos ao Teixeira dos Santos.
    Além do mais a riqueza gerada só é importante para Portugal se for distribuída pelos trabalhadores, aumentando (ou se calhar hoje em dia é melhor falar em manter) o seu poder de compra de maneira a estimular a economia. Por isso tanto faz o patrão ser português como espanhol. O que interessa é que do dinheiro pago, o máximo possível seja gasto com os trabalhadores portugueses. Tal como com os contratos militares também aqui se deveriam exigir contrapartidas no valor do contrato.

  4. Nestas questões, sigo sempre de perto o pensamento de E.F.Schumacher… Economias locais, empresas locais, empresas locais.
    Acredito sinceramente que o foco no Global e o desfoco no Global é a solução para as conhecidas maleitas da Globalização.
    Nesse sentido, alimentar os interesses de multinacionais (portuguesas, chinesas ou espanholas) é pernicioso. Elas captam os lucros e distribuem-nos a um cada vez menos de abastados investidores. Quando mais longíquas forem, mas longe fica essa redistribuição…
    captar investimento, pode resolver o problema durante algum tempo, mas havera sempre quem faça dumping e desvie este capital que hoje é tão fluido e instável…
    importa assim, mais cativar o capital local, que já existe e fica, se for localmente multiplicado.

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