Sobre o ensino do português na Extremadura Espanhola e a questão de Olivença

A Comunidade Autónoma da Extremadura aderiu oficialmente ao acordo entre Portugal e Espanha que possibilita o ensino da língua portuguesa nessa Comunidade. Neste âmbito, o português será ensinado nas escolas da Estremadura por 14 professores portugueses enviados para Badajoz e 3 outros enviados para Cáceres.

O objetivo do governo autónomo é dentro de alguns anos, todos os alunos conheçam língua portuguesa. Do lado português, a situação recíproca está mais avançada, havendo perto de 60 mil alunos de castelhano em Portugal, muitos dos quais no ensino privado e fora de qualquer cobertura institucional, como sucede em Espanha.

A Extremadura coloca-se assim na vanguarda da aplicação deste acordo Luso-Espanhola, bem à frente da Galiza, onde a Xunta (recentemente transitada para o Partido Popular) se mantêm ainda no bífido terreno das promessas…

A introdução do ensino do português na Extremadura reveste-se de especial importância se tivermos em conta que é precisamente nesta Comunidade que se situam os 3 concelhos portugueses ocupados ilegalmente e ao arrepio de tratados internacionais nunca honrados por Espanha desde 1801. Badajoz situa-se muito próximo dos concelhos de Olivença e estes professores de português poderão contribuir para o renascimento da língua de Camões depois de séculos de repressão e de apoio isolado, mas abnegado por parte da associação local Além Guadiana.

A situação da língua portuguesa em Olivença é hoje dramática. Até aos começos da década de cinquenta, a maioria dos habitantes dos três concelhos ainda usavam o português de forma corrente e quotidiana. Mas por volta dessa época o Estado Espanhol começou a introduzir o castelhano, no ensino e na administração local. Usando métodos muito semelhantes à máscara do bilinguismo na Galiza, Madrid conseguiu reduzir a língua destes territórios portugueses ocupados a uma expressão praticamente museográfica. Na década de 60, todos os habitantes eram bilingues – antecipando a plena aculturação – e hoje em dia, em grande medida devido ao afluxo contínuo de colonos e de repressão linguística por parte do Estado central, o português quase desapareceu.

Existem muitos paralelismos entre os concelhos de Olivença e a presente situação da Galiza: o Bilinguismo, o poder do Ensino e da Administração Publica aplicado contra a língua local por parte dos espanholistas e a indução de mitos infundados e desprestigiantes que buscam associar na mente dos habitantes locais o uso do português à ruralidade e à incultura, são instrumentos que já conhecemos e que seguem hoje sendo aplicados na Galiza, sempre com o mesmo objetivo: aculturar a população local e substituir a língua portuguesa pelo castelhano.

Fontes:
http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1039:portugues-sera-segunda-lingua-do-ensino-na-estremadura&catid=2:informante&Itemid=74http://pt.wikipedia.org/wiki/Extremadura
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1318336
http://www.olivenca.org/historiaDeOlivenca.htm
http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/

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Categories: Educação, Galiza, História, Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: , , | 8 comentários

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8 thoughts on “Sobre o ensino do português na Extremadura Espanhola e a questão de Olivença

  1. Fenix-twiter-Lusofonia

    O ensino da lingua da Portugesa na estremadura castelhana é sempre possitivo mesmo que seja tardio mas é sinal de alguma abertura por parte castela em relação a olivença ou da estremadura que procura mais a sua intidade autonoma em relação ao poder central de castela.

  2. veremos qual é a sinceridade espanhola nesta questão…
    no que concerne a Olivença, têm feito muito pouco (nada) para preservar a língua e herança portuguesa nos 3 concelhos ocupados…

  3. bruno paulo

    meus amigos,o brasil está a se tornar uma grande potencia regional e internacional,principalmente na america latina,muito em breve o brasil será os EUA do mundo latino,a espanha para fazer valer os seus interesses na america latina terá que firmar parcerias estratégicas com o brasil,e como e sabido,os brasileiros são muitro resistentes em falar linguas estrangeiras,tal como os espanhpos em espanha,como tal,espanha terá que se render ás evidencias e terá que fazer com que uma parte significativa da população espanhola aprenda o português,pois só assim será possivel um dialogo com as empresas brasileiras,população brasileira etc etc…
    paises como o uruguai,paraguai,argentina,venezuela e muito brevemente a colombia estão a leccionar o português nas suas escolas.Não tenho qualquer duvida que será o brasil a concretizar a “professia” do quinto imperio português,ou seja,o brasil devido á sua importancia irá tornar a lingua de camões das linguas mais importantes do mundo.
    O brasil muito brevemente irá “engolir” a america do sul de forma pacifica,é um pais enorme,com uma grande diversidade cultural e muito apelativo

  4. eles estão a começar a fazê-lo
    este acordo, é aliás sinal disso mesmo.
    duvido que houve este acordo, se não fosse a ascensão económica do Brasil…

  5. Fenix

    O Quinto Imperio não será brazileiro assim como não será portugues será Lusofono de todos aqueles que falam portugues para isso portugal tem que morrrer o pais das cinco quinas e das cincos chagas de cristo,morrendo a era do novo testamento virá a do futuro testamento a era do espirito santo será uma evuloção humana e espiritoal não material nem belica a nivel universal mas de paz.Para não dizer a nivel mundial.

  6. sem dúvida.
    estamos em plena sintonia!

  7. Fenix

    Segundo a rosacruz Portugal pouco depois de entrar no euro vai falir economicamente e moralmente e os desempregados e os pobres serão muitos as pessoas roubaram qualquer coisa por qualquer meios até as mais banais e as prostitutas echem as ruas e estradas.A chenofofia e racismo “também os getos”criara legioes cabeças rapadas e porga vai começar as mafias voam se instalar os politicos seram ums inaptos.A ingorancia versos a fome e a luta pela sobrivencia dar na morte de Portugal.Por isso acho que é um dever nosso com a maior urgencia transformar o mil num partido politico pois o tempo urge podemos atenuar os efeitos dessa destruição tentando outras maneiras pensamento politico e economicos numa esfera lusofona podemos morrer mas de uma forma mais pacifica renegado a nos mas sem sague e fome nem matarmos irmão.Para os racistas digo a fome não tem cor nem relegião é a altura de estramos mais unidos não divididos pois é na familia e nos vizinhos e nosssos amigos que podemos ter ajuda assim como podem e devemos ajudar com o pouco ou nada que nos resta porque amanhã á outro dia.E sol nascera de novo no horizonte e a esperança aqueçe o nosso coração enquanto nas rua á gritos gemidos de dor tosse das emfermidade daqueles que foram por outro caminho mais facil mas que não veram o Quinto império.

  8. Caro Quintus,

    A questão de Olivença é realmente uma vergonha, mas, diante da realidade da presente relação de poder na península ibérica, é um detalhe, ainda que de enorme simbolismo.
    Representa a forma como a peníncula ibérica foi dividida por rivalidades resultantes do centralismo e da arrogância dos interesses instalados em Madrid, dos quais participa a família Bourbon actualmente coroada.
    São estes interesses que jogam bascos, catalães e galegos contra castelhanos e tratam Portugal de maneira arrogante, tentando o reduzir a uma província. Sou da opinião que foram estes interesses, contrários à tradição ibérica de fortes localismos e cooperaçao entre as partes diante das ameaças comuns, que destruíram a invejável posição ibérica depois do século XVI ao envolver os povos peninsulares em guerras que não lhes intessavam em prol dos interesses de algumas famílias que eram grandes devedoras de banqueiros.
    Primeiro foram os Habsburgos, agora são os Bourbon. Sempre famílias impostas de fora…
    Se o mundo ibérico expulsar estes invasores, o caminho para uma confederação peninsular, que poderia se estender por várias nações de matriz ibérica de ambas as margens do Atlântico Sul, estaria aberto, e não precisaríamos de nenhuma aliança estrangeira que nos amarra a uma teia que pode nos envolver um dia numa guerra mundial.
    Temos condições para dizer ao mundo que nos deixe em paz e seguir o nosso caminho particular em liberdade. Conhecendo os vastos recursos destes territórios e a sua criatividade, para além da massa crítica científica que temos neste conjunto, ouso dizer que seríamos a mais poderosa aliança de nações livres do mundo, e que todas as nações livres do mundo procurariam a nossa amizade para se protegerem do assalto das corporações, do islamismo radical e do bloco sino-soviético.
    Assim, posso resumir a minha posição da seguinte maneira:
    Olivença é portuguesa, Gibraltar é andaluza e os Bourbon não são espanhóis!

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