O tesouro japonês das Filipinas

Foi em 1937 que o imperador do Japão, Hirohito Showa encarregou o seu irmão, o príncipe Chichibu, de comandar uma operação ultra-secreta com o objetivo de reunir e esconder todo o ouro saqueado pelos exércitos nipónicos nos países que tinha invadido nos anos precedentes.

A maior parte deste ouro foi levado pelo exercito japonês até às Filipinas, tendo que enterrar aqui, porque não conseguiu meios de transporte seguros até ao Japão. Durante meses, as forças comandadas por Chichibu escavaram túneis, poços e subterrâneos suficientemente grandes para receberem camiões inteiros carregados de barras de ouro.

Sabe-se que às Filipinas chegaram exatamente 172 esconderijos contendo barras de ouro, cuidadosamente referenciados pelos contabilísticas do Exército Japonês em mapas cartográficos e identificados aqui com um sistema de 3 dígitos com o valor de cada esconderijo em ienes. Uma destas localizações, descoberta perto de Teresa, nas Filipinas, com o signo “777” continha mais de 90 mil toneladas métricas em ouro, ou seja, 75% de todas as reservas mundiais atuais… Ou seja, mais de 101 triliões de dólares, às cotações de 1945. Isto dá uma boa medida das quantias envolvidas, especialmente se tivermos em conta que este seria apenas um de 172 esconderijos.

Um outro esconderijo, desta feita em forma de túnel e situado não muito longe de Teresa tinha 500 metros de comprimento com vários montes de barras de ouro em pilhas de até um metro de altura. Aqui, foram recuperadas mais de cem mil barras de ouro, de 12,5 kg cada.

Estas primeiras recuperações deste ouro foram conduzidas pelos agentes da “Office of Strategic Services” (OSS) entre 1945 e 1948. Estas operações secretas foram lideradas por Severino García Santa Romana e pelo general Edward Landsdale, mas só lograram encontrar o primeiro esconderijo, apesar de terem total acesso a vários prisioneiros de guerra japoneses envolvidos com a ocultação do tesouro, dois anos depois de terem começado a busca.

Mais tarde, entre 1953 e 1970, o ditador filipino Ferdinand Marcos, recorrendo também a prisioneiros de guerra japoneses desenterrou “apenas” 600 toneladas métricas de ouro. Mas em 1971 teria acesso a uma cartografia com todos os esconderijos, alterando radicalmente a eficácia das suas pesquisas.

A partir de março de 1973, 300 militares do Batalhão 16 da infantaria filipina foram levados de olhos vendados até uma região perto do lago Calijara, em Lumban. Aqui, foram instruídos para começarem a cavar, sendo vigiados atentamente por soldados da Guarda Presidencial comandados pessoalmente pelo seu comandante supremo do Exército Filipino, o general Fabián Ver. Os vários túneis então encontrados estavam protegidos por armadilhas e explosivos, o que tornou o trabalho muito lento e perigoso, tendo ocorrido um número não especificado de baixas. O mesmo cenário haveria de repetir-se mais 12 vezes, tendo sido explorados apenas 13 de um total de 172 presentes nos mapas japoneses.

No total, o ditador terá recuperado entre 1973 e 1985 mais de 60 mil toneladas métricas de ouro, que hoje correspondem a uma quantia superior a dois mil biliões de dólares. Mas Marcos não logrou recuperar todo o ouro… Estima-se que no total, o Japão tenha escondido nas Filipinas mais de 1,33 milhões de toneladas de ouro, das quais 400 mil toneladas métricas ainda estão por recuperar, algures nas Filipinas… À sua espera?

Nota: 72 mil destas toneladas de ouro japonês teriam sido levadas para Fort Knox, nos EUA, em troca da aceitação do exílio de Ferdinand Marcos e de sua mulher Imelda no Hawai.

Fonte:
Mas Alla, junho de 2009

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Categories: História, Mitos e Mistérios | 9 comentários

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9 thoughts on “O tesouro japonês das Filipinas

  1. muinto interessante bom trabalho.

  2. obrigado… é sempre um prazer escrever sobre tesouros perdidos (ou não!)

  3. E sempre a um tesouro a se procurar.

  4. sim…
    cresci mesmo lado desta quinta:
    http://www.qsserra.com/
    onde se contavam lendas sobre um tesouro cristão-novo do tempo das perseguições manuelinas…

  5. Gostaria de ver mais post´s tipo esse aqui. Eles estão entre os meus favoritos.

  6. Agora que saltou novamente para os escaparates nomeadamente o tesouro do galeão espanhol “Las Mercedes” carregado de moedas de ouro proveniente do Peru, afundado pelos ingleses em águas portuguesas do Algarve, descoberto por um caça tesouros americano e a vitória do estado espanhol em exigir a sua devolução por parte dos norte americanos, causa alguma perplexidade ou talvez não o papel passivo de Portugal no meio desta história.
    Esperemos que o estado português tenha assumido esse papel com um alcance mais vasto e objectivo e que certamente muitos portugueses nem sabem, estamos a falar do maior e mais valioso tesouro do mundo escondido no mar, do naufrágio da maior nau da frota portuguesa da índia carregada até às costuras, de 400 toneladas, a nau que teve uma acção crucial na Batalha de Diú, que se chamava Frol de La Mar, ou Flor do Mar.
    Segundo rezam as crónicas ela afundou-se por excesso de carga no estreito de Ormuz, o que sinceramente não acredito que seja esse local, isso apenas terá sido transmito como falsa informação desde então e que perdura até hoje.
    Certamente que Portugal poderia e deveria ter reclamo espólio do galeão espanhol porque se encontrava em território português, ou seja em águas portuguesas mas não o fez, o que levará a indicar que fez bem no sentido de agora ter um caso jurídico internacional em que se agarrar no caso da Flor do Mar ser descoberta.

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