Daily Archives: 2009/09/05

Crescimento Zero: Um novo paradigma económico

Tradução livre de “Maior não é melhor” do economista Peter A. Victor

Não há nada como uma boa crise para nos fazer pensar sobre ideias antigas. A Depressão de 1930 levou à rejeição da ideia então prevalecente de que o desemprego se corrigiria sozinho somente se as pessoas trabalhassem por salários mais baixos. Estas ideias foram derrubadas pela experiência e pela invenção da Macroeconomia moderna por John Maynard Keynes. Na época do fim da Segunda Grande Guerra, a maioria dos governos ocidentais tinham adoptado políticas económicas keynesianas de forma a garantir níveis mínimos de desemprego.

Os economistas keynesianos concluíram que o pleno emprego, hoje, produzia uma economia maior, amanhã, porque algum do investimento necessário para manter baixo o desemprego: infraestruturas, construção e equipamentos também aumentava a capacidade produtiva da Economia. E o mesmo efeito tinham uma população em expansão e uma força laboral crescente. Inicialmente, os governos desejavam o crescimento económico como forma de manter o pleno emprego, mas na década de 50, o crescimento económico tornou-se o objetivo número da política económica e todos os outros, como a produtividade, a inovação, a competitividade, e até a educação tornaram-se em simples meios para alcançar esse fim último do crescimento.

Os economistas neoliberais rejubilavam de contentamento até 2007 altura em que o colapso do mercado imobiliário norte-americano deu indícios claros de que algo estava mal no paraíso neoliberal… E que as peças de dominó iam começar a tombar, umas a seguir às outras. As falências dos bancos especializados no imobiliário, arrastaram seguradoras como loucamente aventureira AIG e grandes bancos como o Bank of America e o Citigroup. A Globalização (outro “filho querido” dos neoliberais) encarregou-se de propagar rapidamente, pelo mundo fora, a crise, transformando-a na recessão que agora vivemos. A necessidade keynesiana de “estimular” as economias tornou-se consensual em todo o mundo, em todos os governos, alinhados ou não à Esquerda ou à Direita. O “pensamento único” que negava o direito à intervenção direta do Estado nas economias, mudou de sentido e tornou-se quase sacrossanto.

O problema é que a solução de Keynes não é adequada aos tempos modernos. A população mundial já triplicou três vezes desde a sua época, e a Economia mundial já se multiplicou por dez, no mesmo período… Um e outro factor significam que estas a exercer uma pressão inédita sobre os recursos limitados do planeta e a emitir mais emissões para a atmosfera do que em qualquer outro período da História. Talvez tenha chegado o momento de colocar em causa o modelo que advoga uma expansão permanente da Economia…

Uma solução intermédia ou de transição poderá ser converter a Economia atual numa “Economia Verde” em que se mantém o paradigma de “crescimento económico” contínuo, mas se reduz o consumo de bens e matérias-primas, através de uma produção mais eficiente de energia e bens manufaturados e pela redução do consumo privado e público. Estas medidas podem servir num período mais imediato, mas a prazo não resolverão o “problema” de termos apenas uma Terra para consumir. Mais cedo ou mais tarde , teremos que mudar o paradigma económico e repensar a relação da Humanidade com a Natureza.

Uma solução de maior foco poderá ser a “Economia Ecológica” que encara a Economia como um subsistema do ecosistema terrestre, sustentada por um afluxo constante de materiais e energia. Estes fluxos não podem ser ignorados, como faz a Economia convencional que ignora completamente a integração com o Ambiente e que julga a “protecção ambiental” como um entre muitos outros “custos”.

É possível manter num país moderno o pleno Emprego, baixos níveis de Pobreza, reduções nas emissões dos gases com efeito de estufa e orçamentos equilibrados num tal modelo de economia? Isto é, sem Crescimento contínuo? Há varias soluções – propostas desta a concepção do conceito “Crescimento Zero” na década de 60 – desde:
1. Uma jornada de trabalho inferior para reduzir o Desemprego sem perder as vantagens do progresso tecnológico. O Tempo Livre remanescente deve ser gasto em fortalecer os laços familiares, dedicando mais tempo às crianças e consumindo e produzindo Bens Culturais (imateriais) de todos os tipos.
2. Um “preço de Carbono” a cada produto de forma a desencorajar as emissões de gases com Efeito de Estufa. Este preço deve constar em cada etiquetagem e sempre de forma separada do preço regular, de forma a instruir cada consumidor sobre a escala da sua Pegada de Carbono e a racionalizar os seus hábitos de consumo.
3. Programas anti-pobreza muito generosos, para estimularem o Consumo e melhorarem a qualidade de vida.

Neste novo modelo de Economia, o sucesso seria medido mais pelo Bem Estar pessoal e comunitário do que por métricas abstratas de crescimento económico. Nesta Economia, seria mais importante o consumo de serviços, culturais, médicos ou de puro lazer, do que o consumo “bruto” de bens e equipamentos. E os Bens consumidos seriam mais privilegiados se duradouros e resilientes do que se estivessem de acordo com o “design” do momento ou a última moda tecnológica (desnecessária, como o Blue Ray ou o HD-DVD). O Uso e a Necessidade seriam mais importantes que o Estatuto Social na escolha de um dado Bem. Só assim o Consumismo desregrado das sociedades modernas poderia ser estancado. Tendo que ser radicalmente alterados os paradigmas que impulsionam o mundo da Publicidade, tão virado para o cego Consumismo e para a promoção de ocos padrões de Estatuto…

Infraestruturas, edifícios e todos os mais diversos tipos de equipamentos devem ser concebidos a pensar na eficiência energética e na sua durabilidade e resistência e não em função de fátuos Modismos. Todo o Consumo deve favorecer a produção Local e não a Globalização com extensos, anti-ecológicos e desumanas cadeias de produção e distribuição.

Categories: E. F. Schumacher Society, Economia | Deixe um comentário

O Movimento Anti-Consumista e o “Buy Nothing Day”

Nos EUA começa a ganhar força um original movimento cívico que convida os seus membros a comprar e a utilizar menos bens e serviços: menos combustíveis fósseis, menos alimentos processados (cereais, barras de cereais, congelados, etc), menos presentes e gadgets e assim a reduzir a tremenda “pegada ecológica” que cada cidadão do dito “mundo desenvolvido” deixa sobre a Terra.

O Movimento é ainda muito minoritário nos EUA, já que a maioria dos seus cidadãos continuam empenhados numa descontrolada orgia consumistas alimentada por níveis de endividamento pessoal perfeitamente absurdos. Os membros deste Movimento acordaram não trocar de presentes este ano, uma das varias medidas defendidas pelo Movimento que recebeu o nome “Buy Nothing Day” e que elementos já em mais de 40 países. O Movimento começou em 1993, em Vancouver, no Canadá. Alguns usam badges indicam a sua pertença ao Movimento Anti-Consumista, outros optaram por uma abordagem mais discreta, mas preferem passar o seu tempo com os amigos ou filhos em vez de o passarem nas compras…

Nos EUA, as vendas médias de produtos de consumo subiram 4,8% nos últimos dez anos. Mesmo agora, em plena recessão da economia norte-americana, com uma queda do PIB superior aos 6% cada casa norte-americana gasta mais de 1600 dólares em prendas, viagens, entretenimento, decorações em cada período anual de férias.

O Movimento Anti-Consumismo tem ganho adeptos, especialmente entre os meios mais ligados à Esquerda pela sua defesa de uma filosofia de “vida simples”, sem luxos nem excessos.

Joe Hill, um dos organizadores do evento “Buy Nothing Day” acredita que o Sobre-Consumo é uma das raízes fundamentais dos males das sociedades modernas: “produtos que têm efeitos horríveis no Meio Ambiente são desenvolvidos por Corporações apenas para fazerem dinheiro. Os Sindicatos são manipulados de forma a que as pessoas possam ter produtos mais baratos do Extremo Oriente.”

Em 2008, a organização estima que mais de um milhão de pessoas cumpriram o “Buy Nothing Day”. Não é muito, especialmente à escala global, mas o facto de este artigo existir prova que a mensagem pelo menos está a passar…

As atividades do Movimento são coordenadas através do site www.adbusters.org e quem estiver interessado em juntar-se ao Movimento e explorar formas de vida menos dependentes do Consumo pode inscrever-se em grupo de discussão intitulados “círculos da simplicidade” no site www.simpleliving.net.

Tenha ou não sucesso, o atual modo de vida Ocidental é, a prazo completamente insustentável. Hoje em dia 5% da população do Canadá e dos EUA, ou seja 5% da população mundial, consome 33% de todos os recursos produzidos pelo globo, num ano. Isto significa que mais um terço da poluição, dos Gases de Efeito de Estufa, também são produzidos por eles… E a Europa não esta muito longe destes valores. A escala geométrica dos padrões de consumo não pára de aumentar e a após esta Recessão Global, em grande medida “artificial” porque residiu no exagero de produtos virtuais do mercado financeiro, haverá uma Recessão bem mais real quando o globo não conseguir produzir alimentos suficientes ou quando o Ambiente deixar de conseguir suportar o nosso (Ocidental) estilo de vida. Talvez possamos aproveitar esta Recessão, com o seu “Credit Crunch” para alterar os nossos hábitos de consumo e evitar esta próxima Recessão, de efeitos muito mais graves e duradouros que a presente… Ou não.

Os críticos poderão dizer que o Consumismo é a base das nossas economias. E até certo ponto, tal é verdade. Mas que tipo de vida é esta em que o Homem não é mais do que um Produtor-Consumidor de Coisas, como dizia Agostinho da Silva?

Fonte:
http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=/chronicle/archive/2000/11/26/BU55310.DTL

Categories: Ecologia, Economia | Deixe um comentário

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade