A China e a Turquia discutem por causa da repressão no Turquestão (Xinjiang)

Repressão chinesa na Capital do Turquestão (http://graphics8.nytimes.com)

Repressão chinesa na Capital do Turquestão (http://graphics8.nytimes.com)

A China – esse conhecido campeão dos Direitos Humanos – exige que a Turquia, ou melhor que o seu Primeiro Ministro, Erdogan retire a sua denúncia do Genocídio que o regime colonial de Pequim está a executar sobre a população de língua turca do Turquestão Oriental (Xinjiang, na terminologia chinesa).

Há milhares de uigures desaparecidos e perto de dez mil detidos em prisões chinesas, segundo denunciam grupos de resistência uigures. Foi esta situação que levou Erdogan a falar destes acontecimentos desta forma: “posto em termos simples, um genocídio. Não faz sentido nenhum interpretá-lo de outra maneira”. Isto irritou os chineses – sempre muito sensíveis nestas questões, mas muito displicentes quanto às suas causas – e fez com que o Governo de Pequim fizesse publicar no jornal um “editorial” (na China nada se publica sem passar antes pela censura do Partido) onde se exige que Erdogan “se retracte” de algo que “constitui uma interferência nos assuntos internos da China” (outro chavão usado recorrentemente para o outro país que a China invadiu em 1949: o Tibete).

A China reconhece atualmente 184 mortos em consequência destes “distúrbios raciais”, mas alega que a maioria são colonos Han, oriundos da China do sul… A resistência Uigur fala pelo contrário de pelo menos 400 mortos, todos uigures…

Não esqueçamos contudo que o registo otomano no que respeita a Direitos Humanos está longe de ser exemplar com o negro (e nunca reconhecido) genocídio arménio e o massacre e opressão de muitos milhões de curdos, bem no interior da Turquia. De facto, é como se um genocida se queixasse a outro genocida. Mas é precisamente isto que torna esta história mais interessante… A memória dos Estados é aparentemente muita curta e, seletiva, parece-me…

Ps.: o Genocídio Arménio e a continuada repressão contra os Curdos são as duas razoes fundamentais que me levam a opor-me contra a entrada da Turquia na União Europeia.

Fonte:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1391682

Categories: China, DefenseNewsPt, Política Internacional | Etiquetas: , | 13 comentários

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13 thoughts on “A China e a Turquia discutem por causa da repressão no Turquestão (Xinjiang)

  1. enzo

    Desculpe-me, mas se o critério para entrar na UE for “não ter praticado genocídio”, não há UE:Espanha(Maias,Incas,Astecas), Portugueses(centenas de etnias),Franceses(magrebinos,sudeste asiático),Alemães(judeus e outros),Ingleses(etnias norte-americanas),etc,etc,etc.

  2. É sr.Enzo. td eles tem sangue de inocentes nas mãos,+ a turquia só vai ficar na falando ao vento..nada vai mudar ; o Dragão só está ajeitando a sua cama .Eles mandam no mundo e na ONU, até os ianks tem pavor deles, antes era os Soviéticos,agr eles.O Dragão vai acordar…

  3. bem, todos “fizemos” genocídio num dado momento da nossa história nacional e fomos – por sua vez – vítima dele!
    veja-se Portugal, por exemplo: terá cometido genocídio sobre algumas tribos índias, mas sob Roma, foi vítima do mesmo processo…
    não devemos sobrevalorizar o passado, mas valorizar o presente e os genocídios atuais, que podemos ainda travar.
    como o dos uigures e dos curdos.

  4. xpto

    Caros Enzo e Clavis:
    Estão a confundir a beira da estrada com a estrada da Beira. Espanha, Portugal, França, Alemanha e Ingleses já cometeram genocídios, mas reconheceram esses erros trágicos e já pediram desculpas por isso. A Turquia não reconhece o genocídio arménio, nem tão menos crimes praticados pelo Império Otomano e o assunto é Tabu na Turquia. Isso é que é grave num país que se diz democrático e que quer pertence à U.E..
    Um aparte: não se deve esquecer que o Chipre está dividido principalmente por culpa da Turquia, e da enorme desconfiança e tensão entre a Turquia e a Grécia. Perguntem aos gregos porquê estes não querem a Turquia na U.E….
    A U.E. actualmente é mais do que um modelo económico, é um modelo político. Só quando a Turquia mostrar vontade de pertencer a esse modelo político é que deve entrar. Não se deve adulterar o espírito da U.E. só para dizer que somos uns gajos porreiros, muito multiculturalistas (que até se compreende muitas barbaridades cometidas pelo mundo fora, porque são de uma cultura diferente) e amigos do Islão. Isso é o primeiro passo para o fim da U.E.

  5. bem observado, xpto.

  6. É se essa demora continuar, eles vão perceber q estão sendo “enrolados”e se ocidentalizando p nada…se isso já ñ está ocorrendo…se bem q os curdos é uma prova ,assim como a espanha com o ETA, o Bascos…

  7. por comparação, os bascos são muito bem tratados… a Turquia tem uma tradição de repressão tremenda sobre a sua minoria curda.
    Os castelhanos estão a tentar absorver culturalmente a Euskaria, mas não no mesmo registo brutal dos turcos.

  8. É esse o olhar turco…pq ñ nós? Eles vão falr ao vento ,quando for sobre a poderosa China..vê se os ianks abriram suas bocas?Tudo dantes no QG de abrantes…são iguais. ..

  9. os EUA estão muito condicionados com a China… ela detêm uma parcela fulcral dos títulos da dívida do Tesouro… se os vender, os preços afundam e com eles… os EUA.

  10. Isso é verdadeiramente como controlar o inimigo…

  11. controlar de forma interdependente.
    nem a China pode sair (perderia triliões de USDs) nem os EUA a podem deixar sair (seria a falência do governo dos EUA)

  12. Até nos aqui no sul maravilha compramos titulos ado tesouro dos ianks….

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