Daily Archives: 2009/08/07

Comunicado MIL sobre o “Passaporte Lusófono”

Conforme foi noticiado esta semana, o Partido Socialista “está a estudar a criação de um novo conceito, o Estatuto do Cidadão da CPLP, que na prática poderá proporcionar a livre circulação de pessoas oriundas dos países de expressão portuguesa”.

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO congratula-se com essa intenção, esperando que não seja uma mera promessa eleitoral.

Lembramos que essa medida havia sido já por nós lançada, numa Petição em prol do Passaporte Lusófono, “uma das grandes aspirações de Agostinho da Silva, que venha a permitir a livre-circulação dos cidadãos em todos os estados da comunidade lusófona”:
http://www.gopetition.com/online/20337.html

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

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Teixeira de Pascoaes (Parte 8): O Espírito Lusitano ou o Saudosismo

Estátua do poeta, em Amarante

Estátua do poeta, em Amarante

“O Povo português criou a Saudade, porque é a única síntese perfeita do sangue ariano e do semita.
No povo espanhol domina o sangue semita que o tornou ferozmente espiritualista, violento e dramático. No povo italiano domina o sangue ária que o tornou exclusivamente pagão. Veja-se a avidez com que os seus Artistas se abraçaram à arte greco-romana, quando os primeiros investigadores a descobriram. Os próprios Pontífices sentiram a voz do seu sangue dominar e vencer a palavra de Cristo. O casamento que, na Itália, de alguma forma, se deu do Cristianismo adquirido com o Paganismo nato, foi um casamento celebrado a frio, apenas exterior, sem haver tido o verdadeiro amor como causa.
Mas o povo português, criando a Saudade, que é o Desejo e a Dor, que é Vénus e Maria, o Espírito semita e o Corpo ária, viveu a própria Renascença, a qual encontrou portanto, na alma da nossa Raça, a sua expressão vivente e espontânea, a sua força viva que, posa, de novo, em movimento, criará uma nova Civilização. O espírito lusitano abrirá na História uma nova Era.”

É nesta mistura única de cruzamentos e influencias que se encontra precisamente a especial característica da portugalidade: a sua competência para estabelecer pontes entre civilizações e correntes de diálogo entre diferentes religiões e culturas. Ao contrário das crenças norte-européias que dão a mestiçagem como inferior aos paradigmas da pureza racial e cultural, a cultura portuguesa, brotando ela própria do cruzamento de civilizações assume como natural e até benéfica essa mestiçagem.
Quando Teixeira de Pascoaes escreve “O Povo português criou a Saudade, porque é a única síntese perfeita do sangue ariano e do semita”, assume aqui a dúplice matriz que está na origem daquilo a que noutros textos seus identifica como “raça portuguesa”: de um lado a origem indo-europeia que se instalou no ocidente da Península a norte, na Galiza dos gallaeci, na Lusitânia central dos Lusitana e, mais a sul com os celtici que faziam fronteira com os algarvios cónios. Do outro, sobretudo a sul, entre cónios e na costa ocidental, em feitorias fenícias dispersas (Almada, costa algarvia) e depois num afluxo constante, mas sempre ligeiro, durante as presenças cartaginesas, romanas e muçulmanas judeus de várias diásporas oriundos da Palestina ou de outros locais (como o norte de África). Quando Eduardo Lourenço identifica como características fundamentais do povo português o “conservadorismo na ordem dos costumes, autoritária na ordem dos costumes, autoritária no plano da justiça, dogmática na ordem das ideias, intolerante em matéria de crença”. Este conservadorismo e autoritarismo brotam do solo semita da nossa matriz genética mas estes traços não esgotam aquilo que é o português… A estes há que somar o impulso para a descoberta e aventura que os celtas espalharam até ao extremo ocidental ibérico e irlandês e que serviria mais tarde para impulsionar os descobridores até ao Japão e a Ceilão.
E no passo em que Pascoaes fala de “No povo espanhol domina o sangue semita que o tornou ferozmente espiritualista, violento e dramático” encontramos o tipo de visão e presença que ainda hoje é patente em Espanha, não somente na forma apaixonada e absorvente de viver a religião que observamos na devoção popular da “Semana Santa”, encarada com alguma indiferença em Portugal e na própria importação de Espanha da Inquisição e dos seus radicais e cruéis excessos que em Portugal nunca foram tão radicalmente seguidos.

E o poeta amarantino identifica também que “no povo italiano domina o sangue Ária que o tornou exclusivamente pagão”, ou seja, o impulso para o reconhecimento de uma multiplicidade poderes divinos, caprichosos e de curso dificilmente compreensível que explica boa parte da ingovernabilidade italiana e até a juventude de Itália enquanto país, nascida apenas no século XIX quando Portugal tinha já quase novecentos anos de História.

“Sim: a Saudade é a Renascença vivida pela alma de um Povo e não criada pelo artifício das Artes Plásticas, como aconteceu na Itália. A Saudade é espírito lusitano na sua super-vida, no seu aspecto religioso. Ela contêm em si, em vista do exposto, uma nova Religião. Se descende, como demonstramos, de duas religiões (Paganismo e Cristianismo), a Saudade é, sem dúvida, uma nova Religião.”

Se existe cerne na visão política para o futuro de Portugal é este: a arreigada convicção de que é preciso fundar uma nova (re-novada) religião ou – atualizando os termos – uma recuperada visão espiritualista do termo. Esta visão espiritual do mundo, começada a demolir pelo afluxo da influência católica romana e depois, a partir de 1822, com o advento do Constitucionalismo, e posteriormente com o anticlericalismo radical dos Republicanos, terá que ser recuperada se Portugal se quer encontrar a si mesmo e à sua alma perdida.

O processo de recuperação do lodo anímico e depressivo e depressor em que está imerso desde a época do Constitucionalismo só pode ser feito com o tipo e a escala de energias motivacionais e propulsoras de que as religiões são capazes. Assim como foram os Lusíadas que mantiveram viva (pela “Saudade” dos tempos e das glórias que cantavam), também será pela formação de uma verdadeira “igreja lusitana”: tolerante, porque bebendo essa influencia no puro cristianismo, a primeira religião universal anti-étnica e universalista, mas também naturalística e ctónica, na tradição da matriz celta que Dalila Pereira da Costa corretamente reconheceu em “A Nau e o Graal”. Essa religião nova, terá com objeto de adoração a devoção pelo Espirito Santo, como método o Culto do mesmo, ainda hoje bem vivo no Brasil e nos Açores e como vertente intelectual (porque a tem que haver, na sua fundadora) o pensamento sebastianista de Pessoa, Vieira, Agostinho e, claro, do próprio Teixeira de Pascoaes e da Renascença Portuguesa, agora reinterpretada e reatualizada na forma do MIL: Movimento Internacional Lusófono.

“Nós somos, na verdade, o único Povo que pode dizer que na sua língua existe uma palavra intraduzível nos outros idiomas, a qual encerra todo o sentido da sua alma colectiva. A alma lusitana concentrou-se numa só palavra, e nela existe e vive, como na pequena gota de orvalho a imagem do sol imenso. O único povo que sente a Saudade é o povo português, incluindo, talvez o galego, porque a Galiza é um bocado de Portugal sob as patas do leão de Castela. A Galiza é a nossa Alsácia!”

A Saudade é a constatação da temporalidade da existência humana. Não é portanto um exclusivo da portugalidade ou da Lusofonia e existem efetivamente vários termos equivalentes em outras línguas europeias. Mas o termo, em português, tem um significado diferente. Consagra a constante insatisfação do português para com o normal fluir do tempo, expondo a sobrevivência do pensamento mítico bem vivo e atual no seio da cultura e da mundovisão portuguesa atual.

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