Teixeira de Pascoaes: Portugal e a Europa (parte 2)

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(Teixeira de Pascoaes in http://img.photobucket.com)

Ao Povo Português: A Renascença Portuguesa

“A Renascença Portuguesa é uma associação de indivíduos cheios de esperança e fé na nossa Raça, na sua originalidade profunda, no seu poder criador duma nova civilização. Esta fé e esta esperança não resultam duma ilusão patriótica, mas do conhecimento verdadeiro da alma lusitana, a qual, devido a influencias estrangeiras de natureza política, artística, literária e sobretudo religiosa, se tem adulterado nos últimos séculos da nossa Historia perdendo o seu carácter, a sua fisionomia original e, portanto, as suas forças criadoras e progressivas.”

Assim como a Renascença Portuguesa tinha como órgão a revista “Águia”, também o MIL: Movimento Internacional Lusófono tem hoje na revista semestral “Nova Águia” o seu órgão… A terminologia “Raça”, empregue por Pascoaes não é atual, mas o sentido do termo permanece e a esperança na renovação de Portugal continua atual. Na grave situação económica e social que se vive hoje no mundo, e em particular, em Portugal há uma necessidade premente de reencontrar o destino nacional, de reformar em larga escala a estrutura e até o objetivo do Estado. Este reencontro de Portugal consigo mesmo não pode ser feito pela sua descaracterização e pela supressão do seu caracter identitário e pela adopção dos modelos norte-europeus de sociedade e de Cultura. A adopção de um projeto verdadeiramente nacional e polarizador é pois, urgente para assegurar a própria sobrevivência de Portugal nesta Europa cada vez mais federalista e anexadora e do país numa Globalização cujos efeitos

Assim, quando o filósofo declama contra as forças estrangeiras que procuram “normalizar” Portugal segundo os padrões europeus, toca o busílis da decadência do país: é a anulação da sua identidade que está na direta origem de uma decadência que começou com o único momento da sua Historia em que perdeu a sua independência (a dinastia filipina) e que se acentuou sempre que procurou “ser mais europeu, que os europeus”, rejeitando a sua própria alma ibérica e portuguesa em favor de um “espírito europeu” desprovido de sentimentos ou de alma que oferece ao Homem a crua e fria realidade dos números e das padronizações e normalizações ad absurdum tão do agrado do espirito germânico, mas tão avessas à tradição individualista e libertaria da Península.

De entre todas estas influencias exógenas e negativas, aquelas a que Teixeira de Pascoaes dá mais relevância não são aquelas que no moderno espírito positivista e materialista atual poderíamos escolher: não são nem as influencias sociais, nem as políticas, nem as económicas… São as influencias religiosas que mais contribuíram para a perda do caracter português e para a adulteração da nossa especifica forma de encarar e de participar nas coisas do mundo. Esta perda da perspectiva portuguesa de ver a realidade que esteve tão viva em Quinhentos seria a explicação para a evaporação das forças criadoras em Portugal que já era tão visível no começo do século XX e que hoje é gritantemente patente, tamanha é a ausência de um projeto nacional verdadeiramente polarizador e potenciador das energias de Portugal e dos portugueses. Projeto este que julgamos reconhecer no MIL, verdadeira “Renascença Portuguesa” dos tempos contemporâneos e nos seus Princípios e Objetivos, desde a defesa de uma Descentralização municipalista, passando pela defesa das Economias Locais contra os pavores da Globalização e pela proposta de uma “União Lusófona” que multiplique os efeitos benéficos da CPLP e a torne numa alternativa mundial às formas atuais de organização do Estado e das relações internacionais fundadas na força e no poder económico.

“O fim da Renascença Lusitana é combater as influências contrárias ao nosso carácter étnico, inimigas da nossa autonomia espiritual e provocar, por todos os meios de que se serve a inteligência humana, o aparecimento de novas forças morais orientadoras e educadoras do povo, que sejam essencialmente lusitanas, para que a alma desta bela Raça ressurja com as qualidades que lhe pertencem por nascimento, as quais, na Idade Média, lhe revelaram os segredos dos governos dos municípios”

A Educação do Povo assume assim um papel determinante no ressurgimento dessa adormecida alma nacional. Um movimento tão amplo, não pode portanto assentar de forma duradoura e resistente nas elites intelectuais ou económicas da Nação. Não só porque estas – na sua esmagadora maioria – estão arregimentadas pelos interesses de Paris ou de Roma, mas porque este movimento de reencontro consigo mesmo deve partir das bases e de um sentimento popular e este está entorpecido pelos resquícios da Educação castradora e bloqueadora do salazarismo e pela continuada descaracterizadora e hesitante educação do pós-vinte e cinco de abril. Entre os dois modelos – um minimalista e o outro laxista, importa ressuscitar a alma e os valores do Portugal das liberdades municipais que ergueu o essencial das energias criadoras que encontrariam a força para gerar esse movimento mundial chamado Descobrimentos. Nesse indispensável – para a sua sobrevivência – redescobrimento de Portugal em si mesmo, a Educação é pedra basilar, já que somente pela revolução interior de cada um de nós se poderá cumprir o Quinto Império, ou fim (pela concretização da “coisa perdida”) de Portugal e o seu reencontro com aquilo que a nova “Renascença Portuguesa”: o MIL haverá de cumprir no seu devido tempo.

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