Sobre a repressão chinesa no Turquestão Ocidental (Xinjiang)

O exército chinês transferiu mais forças militares para Urumchi, a capital do Turquestão Oriental (Xinjiang). Apesar deste aumento de forças, bandos de chineses Han, armados com paus, facas e machados, percorrem impunemente as ruas da capital desta colónia “de facto” chinesa destruindo propriedade do povo uigure e atacando todos os indígenas que tenham a imprudência de lhes aparecer à frente.

Estima-se que as autoridades militares chineses tenham detido mais de 1400 uigures, enquanto as linhas telefónicas e de Internet têm sido bloqueadas e desbloqueadas ao sabor da intensidade dos confrontos étnicos entre colonos Han e Uigures locais.

Os meios de comunicação chineses – completamente controlados pela censura governamental – têm procurado traçar um quadro em que os uigures são os únicos responsáveis pelo atual conflito, ignorando ostensivamente o papel de “pogrom racial” e de “limpeza étnica” que os seus colonos exercem há mais de vinte anos neste país invadido pela China desde o século XVIII, mas autónomo, com autogoverno, até 1949 (como o Tibete).

Os atuais conflitos começaram após a morte de dois uigures numa fábrica de brinquedos no sul da China. Em resposta algumas centenas de uigures manifestaram-se na capital do seu país. Sendo, acolhidos com dura repressão da polícia anti-motim chinesa. Só nestas primeiras manifestações, terão havido mais de cem mortos, entre os uigures. Nos dias seguinte, milhares de colonos chineses de etnia Han ocuparam a rua – impunemente – destruindo propriedade uigure e atacando todos os nativos que encontravam.

Ao contrario do fecho ao mundo, decidido pelo exercito de ocupação chinês no Tibete, há alguns meses atrás, desta vez, no Turquestão, deixaram entrar alguns jornalistas estrangeiros, mas os seus movimentos são severamente vigiados e as suas reportagens censuradas. De facto, embora haja amplas reportagens e fotografias de turbas chinesas Han nas ruas, só há registos de um grupo de centenas de mulheres e crianças uigures, junto a uma prisão pedindo a libertação dos seus maridos e pais.

Basicamente, a China – dominada pela etnia Han – ocupa imperialmente dois países completamente distintos, cultural, linguistica e religiosamente, desde 1949: o Tibete e o Turquestão, em ambos houve recentemente distúrbios, com centenas de mortos e milhares de detidos, em que o falhanço rotundo da política de “pacificação”, pela via do genocídio cultural e religioso e da colonização massiva são evidentes. Tibetanos e Uigures, continuam a protestar sempre que surge oportunidade ou motivos (como a morte de seus concidadãos) contra a presença de Pequim. Sobretudo, ambos os povos protestam contra as migrações de milhões de colonos Han que Pequim comandou e que estão a transformar os povos locais em minorias étnicas.

A resposta do regime comunista perante esta contestação segue sempre a mesma bitola não-imaginativa: culpar a liderança exterior destes movimentos, e nunca realizar o necessário exercício de auto-análise que as circunstâncias, a decência e os Direitos Humanos impõe.

Pequim sabe que nunca na História um exército invasor conseguiu vencer uma insurgência. Sempre que houve vitórias, estas ocorreram porque os invasores souberam recrutar forças locais (Malásia, Oman ou, mais recentemente, Iraque) ou porque… Esmagaram pelo número de colonos, as populações locais e, assim, o apoio que estas poderiam dar à Insurgência. Esta foi a via maquiavelicamente seguida por Pequim no Tibete e no Turquestão. Tornando a cultura local como minoritária o processo de assimilação imperial fica enormemente facilitado… O mesmo processo é aliás seguido na Galiza, pelos servos que Madrid arregimentou no Governo autonómico.

Fontes:
http://www.eastturkestan.net/china04.html
http://en.wikipedia.org/wiki/East_Turkestan_independence_movement
http://www.uygur.org/enorg/h_rights/chinese%20migrants.htm

Categories: China, Política Internacional | 2 comentários

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2 thoughts on “Sobre a repressão chinesa no Turquestão Ocidental (Xinjiang)

  1. laura

    Estou a fazer uma prova de geografia sobre este assunto, ou seja sobre a não aceitação chinesa com as outras culturas ( tibetanas e turquestanesas) e esse site de informações sobre a autualidade, mas colocando os motivos históricos me ajudou muito.

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