Xinjiang, o “Outro Tibete” chinês: censura, colonização e repressão

Tumultos raciais entre colonos Han e Uigures locais em http://blog.cleveland.com

Tumultos raciais entre colonos Han e Uigures locais em http://blog.cleveland.com

Durante todo o mês de julho a polícia chinesa tem dispersado manifestações em Urumqi, a capital da região “autónoma” chinesa de Xinjiang à força de bastonadas e gases lacrimogéneos. A maioria dos ataques são conduzidos por colonos de etnia Han, migrantes que vieram da zona de Pequim e Xangai, sob “convite” governamental para repovoarem esta província chinesa e o Tibete, procurando assim esmagar demográfica e cultural as populações locais, e condicionar os impulsos autonomistas locais. Neste sentido, a situação em Xinjiang tem muitos paralelismos com a ocupação do Tibete.

Desde que começaram os tumultos já terão morrido mais de duas centenas de pessoas, a maioria das quais da etnia indígena uigur, vítimas de ataques das multidões Han, armadas com bastões, bestas, armas de fogo e armas brancas de todos os tipos.

Vários grupos – por vezes com milhares de Han – varrem as ruas de Urumqi, destruindo lojas e residências de indígenas, perante a incapacidade intencional ou incompetente da polícia chinesa.

Toda esta violência começou quando no começo do mês alguns Han foram atacados por uigures numa fábrica, depois da morte não esclarecida de dois uigures. A etnia uigure é predominantemente muçulmana e de língua turca e segundo o governo de Pequim – que ocupa este país desde finais do século XVIII – existe um grupo ligado à Al Qaeda de origem uigure ativo nesta região “autónoma”.

Os media governamentais chineses – todos eles altamente controlados pelo Governo – estão a publicar notícias sucessivas dando conta da responsabilidade de exilados uigures na gestação da atual crise. Como fez no passado recente com a revolta tibetana, Pequim fechou as fronteiras da região a jornalistas e cortou o acesso à Internet, tentando impedir que imagens dos tumultos cheguem ao mundo exterior.

A região tem sido alvo de um intenso e continuado processo de colonização Han que fez com que hoje em dia, a população indígena Uigure tenha menos de 50% do total. O Governo recorre a formas mais ou menos sub-reptícias para impedir o acesso dos uigures a cargos políticos, mesmo nas regiões onde são a maioria. O processo de assimilação de Xinjiang começou em 1949, quando os comunistas invadiram um país que ainda que fosse teoricamente administrado a partir de Pequim, gozava de grande autonomia, como o Tibete. A partir desse ano, Pequim passou a governar o país com mão de ferro e enviando milhões de colonos Han que ocupam em exclusivo os melhores empregos, postos na Administração e na Polícia e todos os cargos políticos.

Fontes:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1390706
http://aeiou.expresso.pt/policia-chinesa-usa-a-forca-para-controlar-tumultos-etnicos=f524815http://www.voanews.com/english/2009-07-07-voa79.cfm?rss=topstories
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=1297420
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1302982&seccao=%25C1sia

Categories: China, Política Internacional | Etiquetas: , | 3 comentários

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3 thoughts on “Xinjiang, o “Outro Tibete” chinês: censura, colonização e repressão

  1. Silêncio ,o Dragão está acordando é tem mt fome…Quem poderá dete-lo? É o que a ONU está q ñ se pronuncia?

  2. não, porque a China tem aqui direito de veto, é uma “questão interna” e todos temem o poder comercial da China…

  3. Vc meu amigo, disse “todos”…como se enfrentassem o “IMPÉRIO”, ie. a potência mundial hegemonica….

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