Biocarvão e Bio-óleo: Duas promessas ecológicas

Uma das formas mais simples e eficientes para combater o Aquecimento Global poderá ser a multiplicação do uso de “biocarvão”. Os agricultores podem ser instruídos e fiscalmente incentivados a produzir “biocarvão” a partir da biomassa que produzem nos seus campos. De forma idêntica, podem ser localmente fabricados – pelos próprios agricultores – “fertilizantes de carvão” que podem melhorar a fertilidade natural de vários tipos de solos. Se estas medidas se generalizarem centenas de milhões de toneladas de biomassa que não são aproveitadas todos os anos poderão gerar riqueza para esses agricultores e impedir a dissipação para a atmosfera de milhões de toneladas-ano de CO2.

O “biocarvão” é um resíduo rico em carbono que pode ser produzido facilmente a partir de técnicas com milhares de anos de existência e que podem ser tão simples como a cobertura de uma massa de resíduos vegetais com uma camada de terra e deixando-a decompor até ao uso de tecnologias sofisticadas como o “processo de pirólise”. Os métodos de combustão e decomposição tradicionais emitem todos os anos grandes quantidades de CO2 para a atmosfera contribuindo de forma muito significativa para o Aquecimento Global. O “biocarvão” pode conservar uma parte desse CO2 no solo, reduzindo o Aquecimento Global e melhorando a fertilidade dos solos aumentando a quantidade de nutrientes que podem ser usados pelas plantas, retendo mais água e reduzindo o uso de fertilizantes químicos de consequências tantas vezes nefastas para o meio ambiente local. Adicionalmente, o seu produto pode ser usado como fonte de energia local, autónoma e eternamente renovável.

O método tecnologicamente mais evoluído conhecido como “pirólise” ainda é mais promissor. De igual forma aos métodos tradicionais, permite processar os resíduos agrícolas, desperdícios de madeira e resíduos urbanos produzindo energia limpa na forma de biocarvão, bio-óleo ou gás.

Existem dois métodos industriais de pirólise: o rápido e o lento. No lento, são necessárias varias horas para produzir carvão, no rápido apenas alguns segundos bastam, mas a produção de biocarvão é de apenas 20% do total da matéria processada, enquanto que no primeiro é de 50%. No processo rápido uma temperatura muito alta exige uma alimentação de biomassa constante e regular, assim como um pré-processamento que a reduz a pequenas partículas de tamanho uniforme.

O bio-óleo é um líquido cinzento escuro com uma composição idêntica à da biomassa. É composto de uma mistura muito complexa de hidrocarbonetos oxigenados com uma densidade muito superior à da madeira. Esta compressão permite reduzir o espaço de armazenamento e os custos de transporte e usar este material para combustões lentas. O bio-óleo não é contudo adequado a combustões rápidas, como aquelas que ocorrem nos motores de combustão que utilizam biocombustíveis “tradicionais”.

Fontes:
http://news.mongabay.com/2008/1217-zafar_biochar.html
http://e-geonews.blogspot.com/2008/12/biocharcoal-helps-check-global-warming.html

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Categories: Ecologia, Economia | Etiquetas: | 3 comentários

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3 thoughts on “Biocarvão e Bio-óleo: Duas promessas ecológicas

  1. Pegasus

    Um sem numero de novidades e alternativas energeticas, mas porque sera que demoram tanto para entrar em operação, se colocassemos uma lista aqui das alternativas viaveis, ela seria bem longa, então…chega de papo e vamos colocar pra funcionar.

  2. porque toda a sociedade e a economia estão formatadas para o petróleo, o produto que efetivamente define a nossa “Idade” como o silex ou o Ferro no passado do Homem…

  3. palavras ao vento

    o problema das sociedades atuais e da humanidade, é que se criou uma psicose a volta dos combustíveis…mesmo instalando torres eólicas em grande escala, a paisagem ficaria preenchida poluída visualmente só satisfaria uns +-20% das necessidades de qualquer pais… outro exemplo: os bio combustíveis (bio óleo) não é uma alternativa viável porque o processo de produção sai caro… o problema é que a nível mundial aumenta a melhoria de vida… isto transforma num problema pra todos nos…os conscientes…

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