A fragata Corte-Real impede mais um ataque de piratas na costa somali

(A Corte-Real em exercício)

A fragata portuguesa da classe Meko “Corte-Real” (NRP Corte-Real F332) navega agora nas águas perigosas do Golfo de Áden… Quinhentos anos depois da conquista da ilha de Socotorá e da presença dominante das naus portuguesas nesta região. O navio enquadra-se numa força internacional de mais 30 outros navios, provenientes de várias origens, desde a China (a primeira presença chinesa numa missão internacional), a Índia, a Rússia e a maioria das nações da OTAN. A missão da OTAN “Allied Protector” (onde a atividade da Corte-Real aparece especialmente destacada) é agora comandada pela fragata portuguesa, devendo manter-se neste papel até ao final do corrente mês de julho, numa missão que começou a 5 de março. Durante os próximos dias a fragata permanecerá nestas águas, precisamente aquelas onde a atividade pirata somali é mais intensa. Já no âmbito desta missão, a fragata salvou um dhow indiano, com 14 marinheiros a bordo, e outro ataque a um petroleiro, como aqui noticiámos. Estes navios fazem parte dos milhares de cargueiros que passam por estas águas todos os anos.

Recentemente, a fragata impediu um ataque de um pequeno grupo de piratas, armados com AK-47s e RPG (ver o vídeo AQUI) quando uma pequena embarcação (um “skiff”) se deslocava a 40 nós aproximando-se do cargueiro “Maersk Phoenix”. A fragata recorrendo à sua velocidade máxima de 32 nós (a gás, já que a de cruzeiro, a diesel é de apenas 20 nós) conseguiu interceptar a pequena embarcação e com tiro real de metralhadora dissuadiu os somalis quer prosseguirem com os seus intentos, ergendo as mãos no ar, sendo depois abordados por uma embarcação da fragata, que capturou as armas que estavam no “skiff” (4 Ak-47, um RPG-7, 3 granadas e barras de dinamite). No “skiff” estavam também duas escadas daquelas usadas para abordar cargueiros.

A força naval multinacional que opera na região está agora confrontada com a perigosa opção de continuar a cumprir o mesmo tipo de missões de escolta e reação contra ataques que tem desempenhado nos últimos meses, com sofrível eficiência – sobretudo enquanto não houver enquadramento legal que permita deter estes piratas em águas internacionais, nem nacional para o permitir – ou começar a ponderar realizar missões de resgate aos navios que já estão reféns dos piratas e que estão atracados a portos somalis controlados pelos grupos de piratas. Estima-se que existam vários navios nas mãos dos piratas, com as respectivas tripulações ficando alguns deles, mais de um ano detidos, enquanto os detalhes do resgate são definidos… Perante tal impunidade e recompensa por parte dos piratas e dos banqueiros dos bancos do Dubai que recebem a comissão destas transferências, a comunidade internacional tem que empenhar mais meios no local (todos os grandes países do mundo têm o dever e a obrigação de terem aqui meios militares), as leis nacionais e internacionais têm que ser adequadas à esta nova realidade (as leis portugueses, por exemplo, impossibilitam que a Corte-Real detenha piratas que não sejam apanhados em flagrante) e as alternativas militares à realização de operações de resgate a navios atualmente aprisionados têm que ser medidas.

De novo, e apesar do pedido (raro) feito recentemente pela Marinha, os piratas tiverem que partir em liberdade porque o Código Penal português não prevê a figura jurídica adequada para levar à detenção destes indivíduos. A mesma inacção legislativa dos mesmos deputados que se apressaram a cozinhar secretamente e entre si a lei dos “sacos de dinheiro vivo” que Cavaco (num raro momento de lucidez) haveria de vetar, agora, que a Marinha está a arriscar a sua vida no Índico e clama por uma alteração legislativa que suporte as suas operações, as credibilize e aumente a sua eficácia, os senhores deputados DESTA partidocracia dormem na forma, esquecem os seus deveres e embrenhados como estão nas confusões e declamações da vida partidária esquecem que são (supostamente) o fiel e primeiro depositório da Lei e que antes de qualquer Governo enviar forças militares para qualquer cenário do mundo, devia ter sido acautelado o quadro legal adequado para enquadrar e dar eficácia à sua operação. Felizmente que os 19 oficiais; 40 sargentos; 102 praças; 13 elementos da equipa de voo e 6 elementos da equipa de abordagem trabalham muito melhor que os senhores deputados ou o nome de Portugal não estaria a ser tão bem como está nesta missão.

Fontes:

http://aeiou.expresso.pt/corte-real-navega-na-costa-norte-da-somalia-onde-ha-tres-navios-sequestrados-cfotos-e-infografia=f521098

http://aeiou.expresso.pt/corte-real-impede-ataque-terrorista-com-video=f522118

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Categories: DefenseNewsPt, Defesa Nacional, Política Internacional, Portugal | Etiquetas: | 1 Comentário

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One thought on “A fragata Corte-Real impede mais um ataque de piratas na costa somali

  1. Fenix

    Acheia lindo foi salvamento do cargueiro indiano que por sinal era de diu a coisas do destino.

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