Anna Lappe: Uma alimentação ecológica

É oficial: a produção de alimentos é má para o planeta. De facto, é até terrível. Dezoito por cento dos gases de efeito de estufa produzidos pelo Homem resultam somente da produção agropecuária. No conjunto, isso é mais do que toda a industria de transportes combinada. Estes números constam de um relatório da ONU e sublinham – talvez pela primeira vez – a importância do papel da produção de alimentos no problema do Aquecimento Global.

Nos Estados Unidos, uma pessoa muito versada na relação perniciosa entre a produção de alimentos e a mudança climática é a dinâmica Anna Lappe. Esta investigadora tornou-se reconhecida pelo seu trabalho no campa da sustentabilidade, da política alimentar, da globalização e da mudança social e foi incluída na lista de “Quem é quem” da revista Time.

Segundo a investigadora “Houve um grande incremento na atenção para a alteração climática, mas até agora, a alimentação foi apenas uma parte invisível do problema e da solução.” Segundo ela, as razões pelas quais o sistema de produção de alimentos cresceu e a forma como cresceu, cocomo usa o sistema de transportes, fazem com que as emissões de gases com efeito de estufa criadas pela produção de alimentos eja hoje de uns estimados 31% do total das emisssões.

Os dois maiores responsáveis desta elevada taxa são a produção de gado vivo e as quintas agrícolas de grande escala que dependem em grande medida de produtos químicos e de combustíveis fósseis para assegurarem os presentes níveis de produção. Os efeitos desta forma industrial de operação estão a repercutir-se em todo o mundo… Os primeiros alvos são os pequenos e médios agricultores que tentam criar o seu gado ou plantar os seus alimentos de uma forma mais sustentável e que estão a perder a suas quintas por causa dos efeitos do Aquecimento Global (secas, inundações, tempestades, furacões, etc). Atualmente, a produção industrial de alimentos é suficiente em termos de resposta às necessidades mundiais. O problema está em que esta produção não está a ser bem distribuída e existe um sério déficit alimentar, especialmente em África. Não há ainda uma “crise alimentar mundial”, o que enfrentamos é uma “crise financeira alimentar mundial”, já que é cada vez mais dificil a um número crescente de pessoas obter os alimentos que são essenciais à sua sobrevivência.

Anna Lappe recomenda que todos aqueles que têm a opção de mudar o seu estilo alimentar (ou seja, todos os habitantes do mundo desenvolvido) devem escolher as suas dietas baseando-se em quatro factores:
1. Não comprar produtos provenientes da agricultura industrial, desenvolvida em torno do consumo de elevadas quantidades de combustível fóssil
2. Comer muito menos carne, a carne ocupa um papel dominante nos regimes alimentares ocidentais e a quantidade de carne consumida implica geralmente o consumo de uma quantidade proporcional mas piramidalmente superior de produtos vegetais, de meios de transporte, de combustíveis, rações químicas, pesticidas para forragens, etc, incomparavelmente superior. A adopção de alguns dias por semana como “livres de carne” poderia reflectir-se numa notável redução da “pegada ecológica”
3. Evitar alimentos processados… Ou seja, em vez de optarmos por alimentos tratados em que grãos, fruta é tratada, partida e transformada em derivados como cereais, barras, etc. Consumir as frutas inteiras têm um impacto menor no Ambiente porque os processos industriais de tratamento, processsamento e armazenagem se tornam desnecessários. A sua supressão irá reduzir significativamente a Pegada de Carbono até valores muito inferiores aos dos alimentos processados.
4. Evitar consumir produtos exóticos, oriundos de países distantes… Os custos ecológicos desse transporte e armazenamento são enormes, e dispensáveis se preferirmos produtos produzidos localmente ou, idealmente, na nossa vizinhança.

Fontes:

www.smallisbeautiful.org (Tradução livre)

www.etihadairways.com (Kathryn Clark)

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Categories: E. F. Schumacher Society, Ecologia, Economia, Nova Águia | 3 comentários

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3 thoughts on “Anna Lappe: Uma alimentação ecológica

  1. Ze_ninguem

    Não existe aquecimento global, existe arrefecimento global. As temperaturas médias estão altas mas a decrescer a bom ritmo e não há evidências que o aumento das temperaturas que se verificou até ao início desta década tivesse algo a ver com a actividade humana. As temperaturas médias globais seguem o ritmo da actividade solar, que de há uns anos para cá tem sido baixa. A histeria do aquecimento global como resultado da actividade humana foi apregoada sem base científica e muita gente ganhou dinheiro com isso, e muita gente continua a ganhar, e a gritar “aquecimento global” perante evidências que o planeta está a arrefecer rápidamente.

  2. bem, esse é apenas um dos aspectos da questão aqui apontada e está muito longe de a esgotar…
    mas a tese não colhe, nem mesmo entre os clássicos detractores da tese que agora prefere falar de Aquecimento Global de genése natural e não humana, em vez de o negar simplesmente, como faziam há uns anos…
    e como explicar o que está a passar com os glaciares da Argentina, do Pólo Sul, do Alasca, da Groenlândia e com o degelo iminente do pólo norte?
    Isso colide frontalmente com quem advoga que não há tal coisa como o Aquecimento Global…
    e sim, já por aqui referi que o Sol está num ciclo invulgarmente (sem manchas) baixo e atividade… quando retomar a normalidade, então ainda será pior!

  3. Ze_ninguem

    Mas os ciclos de actividade solar baixa/alta/baixa são a normalidade. O aquecimento/arrefecimento é de tal maneira ligado à actividade solar que tudo o resto se mostra insignificante. Os gelos derreteram porque aqueceu, mas não o suficiente para a gronlandia voltar a ser “green land”. As temperaturas já foram muito mais altas, já foram muito mais baixas, e voltarão a a diminuir e a aumentar ciclicamente. De há meia dúzia de anos para cá estão a baixar, ou seja, tudo indica que estamos a entrar em mais um ciclo de arrefecimento. A teoria do aquecimento global antropomórfico não passa de um mito. Há muita mentira, interesses económicos e pseudo-ciência por trás desse alarmismo.
    http://www.mitos-climaticos.blogspot.com/

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