“Gripe Suína” ou “Influenza A subtipo H1N1”: Atualização

Designação

Existem várias designações possíveis para aquela que é mais popularmente conhecida como “Gripe Suína”. Desde os mais corretos e oficiais “Influenza A subtipo H1N1” (que convenhamos, não é fácil de memorizar) até “gripe suína”, “gripe porcina” (mais usado no Brasil), a “gripe mexicana” (Israel) até “gripe norte-americana” ou “influenza norte-americana” (o 2º maior foco mundial de infeção) ou até o original, mas fadado a uma inevitavelmente desatualizado termo “nova gripe” temos nomes para praticamente todos os gostos.

Desde 30 de abril de 2009 que a designação oficial da OMS é “Influenza A ( H1N1)”. De facto, a designação correta é mesmo “influenza A subtipo H1N1”, sendo influenza o termo clinicamente mais correto e que descreve uma doença infeciosa provocada por um vírus RNA da família dos Orthomyxoviridae, que afeta também as aves e vários mamíferos, razão pela qual existem as conhecidas “gripe das aves” e a verdadeira e original “gripe suína” que agora é confundida com o vírus do presente surto. A palavra “influenza” resulta do italiano “influência”.

Sintomas

Os sintomas mais comuns são febre repentina, dores musculares, frios, dores de cabeça e pelo corpo, tosse, além de fraqueza e de uma sensação generalizada e difusa de desconforto. Nos casos mais graves, a gripe comum pode levar à morte as suas vítimas, especialmente se estas forem muito jovens ou idosas, sendo que nas primeiras ocorrem nos casos mais graves também náuseas, diarreias e vómitos. Há também indicações que este quadro sintomático mais grave ocorre em sujeitos de outras idades, mas mais raramente, ainda que de uma forma mais comum do que na gripe comum.

Propagação

A forma de propagação do “influenza A subtipo H1N1” é idêntica à do vírus da gripe comum, ou seja, por via aérea, por contacto direto com o infetado através das mãos ou de objetos contaminados. Ainda que cedo tenham começado a surgir rumores sobre a contaminação a partir do consumo de porcos mortos com a doença, tal nunca teve qualquer tipo de fundamento, permanecendo apenas no campo das especulações infundadas. De qualquer forma, ainda que houvesse, cozinhar carne a temperaturas superiores a 70 graus Celsius destroi qualquer microorganismo. De sublinhar também que ainda que o vírus da Gripe A tenha código genético do vírus da “Gripe dos Porcos” nunca foi encontrado no México, o epicentro desta crise, nenhum porco morto pelo vírus da Gripe A. Pela variante humana, naturalmente, cuja mutação terá ocorrido no interior do corpo do primeiro hospedeiro humano e não no corpo de um porco, já que este nunca foi encontrado.

Tratamento

As formas mais eficazes de tratamento são os medicamentos antivirais Oseltamir e Zanamivir. No que concerne a prevenção, a mais eficiente é a lavagem frequente de mãos.

Vacina

Já existem vacinas para a variante suína do H1N1, mas é específica a esta variante e não pode ser usada em seres humanos, razão pela qual existem atualmente várias entidades a ultimar uma vacina eficaz para a variante atual do vírus Influenza A, nomeadamente no Japão, no Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, em França, nos Laboratórios Pasteur, no Brasil, no Instituto Butantan, de São Paulo. Contudo, se o surto escapar ao controlo dentro das próximas semanas, não haverá ainda vacinas armazenadas em número suficiente para realizar uma campanha global de vacinação.

O “verdadeiro” Vírus da “Gripe Suína”

O único vírus que efetivamente merece a designação de “Vírus da Gripe Suína” é aquele que atinge apenas os suínos. Curiosamente, ainda que este seja altamente contagioso entre esta espécie, não revela grandes níveis de mortalidade entre estes. Este vírus não contamina normalmente seres humanos, nem mesmo aqueles que mais contatam com os animais (como sucedeu em vários casos da “gripe aviária”), mas existem casos (raros) reportados ainda que nenhum nesta presente crise. Contudo, quando acontece, a contaminação ocorre através do contato com secreções das vias respiratórias dos animais, ou inalando partículas da sua respiração. Esta contaminação apresenta um quadro clínico idêntico ao do vírus da gripe humana, sendo tratado de idêntica forma.

Curiosamente, os suínos podem ser infetados pelo vírus da gripe humana, assim como pelo da gripe aviária e terá sido por essa razão que há a possibilidade de que tenha sido num suíno que esta mutação atual, que contêm material genético dos três vírus de Influenza se tenha verificado. Esta nuance tem contudo uma vantagem imprevista: como o vírus se desenvolveu inicialmente num suíno, a sua contaminação entre humanos não é tão eficiente como com o vírus da gripe humana e esse factor pode explicar porque é que apesar de tudo não temos ainda tantos casos de contaminação como existem com o vírus da gripe humana…

História do Surto

A variante porcina do H1N1 foi identificada pela primeira vez na década de trinta. Sendo que esta nova variante do “Influenza” foi detetada pela primeira vez no México em março de 2009, mais precisamente a 18, tendo sido registado o primeiro caso mortal a 12 de abril (uma mulher de 39 anos, em Oaxaca). Foi somente a 16 de abril, contudo, que as autoridades mexicanas notificaram a Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a existência de um surto de uma variante de gripe, no seu país. Este atraso da notificação tem sido aliás criticado severamente por muitos especialistas.

Atualmente (19 de julho de 2009) há já mais de 29 mil infetados em todo o mundo, com especial incidência no México, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Espanha e Alemanha. No Reino Unido, em particular, a situação é especialmente preocupante com indicações de que o surto estaria “fora de controlo” na cidade de Birmingham.

A OMS coloca atualmente o vírus na escala de Pandemia 6, ou seja, o nível mais alto jamais registado desde que este indicador foi criado por esta organização internacional.

Existem atualmente (6 de junho de 2009) mais de 20 mil pessoas infetadas em todo o mundo, com especial incidência no México, EUA, Canadá, Espanha, Reino Unido e Alemanha. Estando o vírus, na escala de pandemia da OMS (criada em 2005) no nível 5, e antecipando-se para breve a passagem ao nível 6, ou seja, o mais alto estado jamais registado nesta escala por uma pandemia, desde o ano da sua criação, o que revela bem a gravidade potencial que a OMS atribui a este surto em particular.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Influenza
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1387292&idCanal=62
http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/safra/2009/04/29/carnesnome+correto+para+epidemia+deve+ser+gripe+mexicana+diz+stephanes+5847944.html
http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=20&id_news=118611
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1222634&seccao=EUA%20e%20Am%E9ricas
http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE53R02820090429

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