Sobre a petição decorrente do “Caso Alexandra” e da atitude do PCP e de Ilda Figueiredo

As eleições europeias de 2009 já passaram, mas nem por isso gostaria de deixar de publicar esta mensagem:

“Ex.mos Senhores,
Encarrega-nos a deputada Ilda Figueiredo de acusar a recepção da “Petição por uma alteração legislativa que impeça que os Tribunais retirem às famílias de acolhimento crianças que estejam com estas há mais de um ano”.
Agradecemos a informação sobre o teor da Petição, que merecerá a nossa melhor atenção no quadro do Parlamento Europeu e igualmente no plano da Assembleia da República.
Sem deixar de ter em devida atenção a proposta que é feita nesta Petição, consideramos ser necessário avaliar igualmente quais as medidas que devem ser tomadas, antecedendo o processo judicial, que garanta um adequado acompanhamento da criança, da família de acolhimento e da família biológica, de modo a permitir que em todo o processo se tenha em conta o superior interesse da criança.
Da nossa parte, temos desenvolvido diversas iniciativas, designadamente na Assembleia da República relativas ao reforço das comissões de protecção de menores.
Consideramos ser necessário continuar a aprofundar estas matérias, seja no plano da Assembleia da República, seja no plano do Parlamento Europeu, visando o reforço das medidas que assegurem a defesa destas crianças e jovens.
Com os melhores cumprimentos,
Gabinete de Apoio aos Deputados do PCP ao PE”

Esta mensagem não vem diretamente da própria Ilda Figueiredo, mas do gabinete de apoio aos deputados do PCP no Parlamento Europeu, é certo, mas a verdade é que enviámos a mesma petição a todos os eurodeputados portugueses – em pleno período eleitoral – e nenhum outro se dignou a contemplar-nos nem sequer com uma simples mensagem automática.

Nesta petição apresentamos mecanismos legais que poderiam impedir que as crianças fossem sujeitas ao tremendo e cruel trauma psicológico que levou aos recentes dramas “Esmeralda Porto” e ao “Caso Alexandra”. Estes casos mediáticos são apenas a faceta mais visível de uma série de dramas pessoais que se multiplicam às dezenas em Portugal, todos os anos, e que resultam da incompetência crónica dos serviços de Segurança Social (que deixam cruelmente arrastar no tempo estas situações), na arrogância e sobranceria de uma “Justiça” descredibilizada e cruel e no desprezo pela vida e dignidade humanas revelados pelos deputados da Partidocracia sobre estas questões, mais preocupados que estão em alterar o “regime das faltas dos deputados”, em legislar sobre “sacos de dinheiro vivo” ou em degladiar-se por tachos como no recente patético caso do “provedor da República”.

Esta resposta do gabinete de Ilda Figueiredo foi a única de mais de duas dezenas de mensagens enviadas para todos os eurodeputados a este propósito. O simples facto de existir num muro de silêncio e indiferença onde se movem os partidos do “centrão” e até nos partidos mais pequenos, como o Bloco de Esquerda e CDS/PP revela bem a distância que existe entre a partidocracia e os cada vez mais distantes e indiferentes cidadãos. Não duvidamos que a esmagadora maioria das mensagens enviadas por cidadãos para caixas de correio virtuais ou reais caem no mais profundo desprezo. Esta petição ou outras manifestações de interesse e participação cívica são encaradas pelos partidocratas que exercem em regime de monopólio cioso o poder democrático com suspeita ou, pior ainda, com desprezo, já que julgam que ninguém pode gerir o nosso destino do que “eles”, nas suas doutas e sobranceiras altanias…

Entre estes temos que realçar esta atitude do PCP. Nesta questão, assim como noutras anteriores como a questão da Petição contra as taxas no Multibanco ou no comunicado contra o “Pacote das Telecoms”, o partido sempre exprimiu alguma forma de resposta, aparentemente não meramente formal, mas interpretativa e pessoal. Bem haja por tal. Lamentamos contudo que permaneça no PCP o discurso e ação de apoio a uma das mais terríveis e tirânicas ditaduras do mundo, a China, assim como o seu radical e fanático apoio à ocupação do Tibete e ao extermínio étnico e cultural do povo tibetano, razão suprema para não votar PCP em nenhumas eleições, passadas ou futuras.

Ver:
http://www.europarl.europa.eu/members/expert/alphaOrder/view.do?language=FR&id=4466

Já assinou ?

Por uma alteração legislativa que impeça que as crianças estejam mais de 6 meses em famílias de acolhimento e que, logo, os Tribunais não as retirem a estas ao fim de vários anos

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Categories: Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | Etiquetas: , | 5 comentários

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5 thoughts on “Sobre a petição decorrente do “Caso Alexandra” e da atitude do PCP e de Ilda Figueiredo

  1. Manuel Vilas Boas

    Para Clavis Prophetarum,
    Com os meus cumprimentos, por este meio refiro-me aos seus comentários elogiosos e pelos vistos com razão, sobre a resposta da Deputada Ilda Figueiredo, dada muito naturalmente através do gabinete de apoio aos deputados do PCP no Parlamento Europeu,relativamente à «petição por uma alteração legislativa que impeça que os tribunais retirem às famílias de acolhimento crianças que estejam com estas há mais de um ano». Só não entendo, por um lado, as suas ressalvas derivadas da resposta ser dada através do gabinete, certamente por indicação da própria deputada, por outro lado os seus comentários finais totalmente fora do contexto e respeitantes ao discurso do PCP em relação à China e ao Tibete. Por fim, fica-lhe muito mal trazer para este «fórum» a sua intenção de escolha eleitoral, seja ela qual for, pois nada disto respeita a petição em causa, mas, como diz o ditado popular, «preso por ter cão, preso por não ter».
    Manuel Vilas Boas

  2. Obrigado pelo seu comentário.
    Obviamente, discordo do seu teor.
    O PCP ainda não percebeu (os seus dirigentes, melhor dizendo) que por muito bom trabalho que demonstre (e demonstra-o efetivamente) não conseguirá jamais lavar a sua imagem estalinista enquanto não tiver a coragem de rejeitar a ditadura do PCC, a sua ocupação imperial e colonial do Tibete.
    Só então, poderá verdadeiramente crescer, tornar-se alternativa de Governo e conquistar o voto de tantos que, como eu, estão descontentes com a partidocracia, mas que não encontram no BE a seriedade suficiente para formar uma alternativa credível de Governo.
    Se não querem ser “presos por ter cão”, não adotem pequineses, diria ainda eu.

  3. Suzana Fonseca

    Sr. Clavis Prophetarum:
    É realmente triste que alguém socialmente activo, conhecedor e defensor de matérias do interesse público, como parece ser, venha fazer apreciações sobre escolhas político-partidárias pessoais aqui, tendo por base uma petição, que pelo seu teor é necessariamente transversal a diversas opiniões políticas.
    (O que dirão as pessoas que a assinaram e não concordam consigo?)
    É também lamentável que não se limite à apreciação em discussão e faça uma avaliação partidária com base em assuntos que não são âmbito da petição.

    Parece que lhe custa muito não ter sido um partido político do seu agrado a ter a atitude que para si seria a mais correcta… Por isso lhe digo que, se for tão exigente com as políticas do seu partido como é com o partido comunista português, e se observar com atenção as políticas efectivas deste partido, talvez mude de opinião partidária…

  4. Cara Suzana:

    Se não apreciou a frase:
    “a China, assim como o seu radical e fanático apoio à ocupação do Tibete e ao extermínio étnico e cultural do povo tibetano, razão suprema para não votar PCP em nenhumas eleições, passadas ou futuras.”

    tem uma boa solução:
    pressione a atual direção do PCP (do qual é militante ou pelo menos simpatizante) a mudar a sua posição de apoio acrítico a um dos regimes mais tirânicos, censórios e desprezantes da vida e dignidade humana (como se pode aferir pela forma como trata os seus próprios cidadãos) e passe a defender publicamente a saída da China das suas colónias Tibete e Turquestão Oriental. Até, não tem autoridade moral para exprimir a sua opinião.

    Nota: Não tenho partido. Prefiro inteiros.

  5. João Carlos

    Boa noite Sr. Clavis,
    Gostaria de lamentar, como o fizeram os comentadores anteriores, o despropósito das suas afirmações sobre questões que sómente o sr. levantou. O que é facto é que a propósito da petição que aqui todos mobilizou, o gabinete da Drª Ilda Figueiredo (Eurodeputada do PCP) enviou a mensagem públicada que faz todo o sentido e que em meu nome pessoal agradeço bem como as diligências feitas.
    Quanto às suas considerações deveria oumitir-se de as fazer em local impróprio e para quem nada tem a ver com as suas posições partidárias. As questões que levanta são muito mais complexas do que afirma e certamente se alguém tiver paciência para aturar o seu anti-comunismo primário poderá fazer um esforço de debate sério e aprofundado, coisa que me pareçe ´dificil pois a sua obstinação pelo tema (dado que pareçe não compreender o que anteriormente já duas pessoas lhe referiram) parece-me óbvia. Gostaria que por respeito à petição se limite`ao seu teor e não desmobilize mais ninguém fazendo comentários despropositados.
    João Carlos

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