A Dança do Acordo Ortográfico de 1990: minuetes, hesitações e recuos sucessivos…

Graça Moura, o antipapa do Acordo Ortográfico

Graça Moura, o antipapa do Acordo Ortográfico

Continuam as hesitações portuguesas quanto à aplicação do Acordo Ortográfico de 1990… Chegou à Assembleia da República uma petição que propõe a renegociação do Acordo Ortográfico. É claro que esta já foi aprovado pelo Governo, pela Assembleia da República, para além de ser um compromisso internacional assumido pelo Estado português em 1990, mas os detratores do Acordo – liderados pelo seu Papa Demagógico, Graça Moura (um dos eurodeputados mais ausentes desse plenário, a propósito) conseguiram por via desta petição levar ao Parlamento esta discussão. É claro que há outras petições que alcançaram o limite legal de cinco mil assinaturas, mas nenhuma mais é apoiada por Graça Moura…

De facto, os amigos de Graça Moura foram determinantes, já que o deputado Barreiras Duarte do PSD elaborou em seu apoio um relatório que foi discutido na Comissão de Ética e Sociedade, tendo sido aprovado por unanimidade.

Este relatório recomenda que o Governo reabra negociações para rever os termos do Acordo porque (palavras de Graça Moura) “o acordo é um acúmulo de disparates“.

O problema está que o Acordo de 1990 já está em vigor e logo, tecnicamente não há nada para “reabrir”. Poder-se-á, eventualmente, abrir novo processo negocial, mas se este for dirigido por alguém como Graça Moura que tanto falou e escreveu contra QUALQUER ACORDO, isso não inquinará fatalmente qualquer negociação? E afinal, não será essa afinal a verdadeira intenção de Graça Moura? Fingir que se começam negociações que sabe estarem fadadas ao fracasso, para depois poder dizer “tentámos e falhámos, porque eles (o Brasil) não quiseram”?

O Brasil já deu inicio oficial ao período de transição para a aplicação do Acordo de 1990 e São Tomé e Príncipe e Cabo Verde também já o aprovaram nos seus parlamentos. Os demais estão expectantes, mas deverão seguir o impulso brasileiro, tal é hoje a sua importância económica e demográfica no mundo lusófono.

Se Portugal procurar renegociar os termos do Acordo de 1990 dará uma imagem de si completamente absurda, já que segundo Rui Peças, assessor de imprensa do ministro da Cultura: “O facto é que o acordo já está em vigor. Foi aprovado pelo governo, aprovado pela Assembleia da República, promulgado pelo presidente e o instrumento de ratificação foi depositado no Ministério de Negócios Estrangeiros no dia 13 de maio“. Ou seja, procurar refazer tudo de raiz daria uma imagem internacional de hesitação e desnorte e serviria apenas para produzir o efeito diretamente oposto ao pretendido pelos detratores do Acordo: dar mais força à posição natural predominante do Brasil na Lusofonia, uma vez que Portugal iria marchar para uma cisão ortográfica comparável aquela que já fez na 1ª República e que – afinal – deu origem à presente distinção ortográfica.

Assim, a discussão na Assembleia da República é muito importante para que Portugal guarde o que lhe resta de face e dignidade nesta questão e seguiremos atentamente o que daqui for aparecendo…

Fonte:

http://groups.google.com/group/observatorio-lp/browse_thread/thread/2afb70cc01688c8f/f3f6393254d00252?show_docid=f3f6393254d00252&pli=1

Categories: Brasil, Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia | Etiquetas: | 12 comentários

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12 thoughts on “A Dança do Acordo Ortográfico de 1990: minuetes, hesitações e recuos sucessivos…

  1. como tu costumas dizer… a resposta cabal a este post não pode ser dada de forma tão sumária e superficial como um “comment” obriga

    😉

    (se tiver tempo, estou interessado em passar por este assunto em breve…)

  2. pois… que fazer!
    sei que clamo sózinho, no deserto, por esta causa! 😉

  3. Pois… Já sabes que sou a favor da diversidade e contra imposições institucionais sobre algo que, como um organismo vivo, se desenvolve per si… 🙂

    Antes de mais, deviamo-nos preocupar com o analfabetismo efectivo da população portuguesa. Há por aí muita gente com escolaridade que não sabe escrever, nem interpretar um texto simples. E agora com estas “escolaridades à pressão” que se inventaram por aí, em breve teremos analfabetos diplomados…

    E já nem falo de documentos emanados de algumas entidades públicas ( que deveriam dar o exemplo… ) que parecem reger-se por um acordo ortográfico Luso-Tailandês ou algo do género…

  4. desenvolve e se vai afastando cada vez mais, até à descaraterização final… que este Acordo pode ajudar a travar…

  5. Pois… Onde tu vês descaracterização, eu vejo diversidade e riqueza cultural. Do ponto de vista prático, entendo a utilidade, mas fico-me por aí… Dizer que uma língua se descaracterizou é como dizer que uma espécie animal se “descaracterizou” por ter tido uma evolução diferente em dois ambientes geográficos diferentes.

    Não vejo porque tenhamos de nos “uniformizar” numa altura em que toda a gente apregoa a diferença, a diversidade. As línguas evoluem, transformam-se num processo natural ( A História da Língua prova isso mesmo ), tudo o mais são artificialismos ditatoriais que a própria língua recusará.

    Esse receio de “descaracterização” ter-nos-ia levado a quê? A ainda falarmos latim com receio de bárbaras descaracterizações?

  6. o Acordo não afeta a língua, apenas a ortografia (um aspecto, entre vários, da língua), por isso não a enclausura, nem “regulamenta” permanecendo tão viva como antes.

  7. Paulo39

    Este assunto tem feito correr muita tinta (ou pixeis xD) nos últimos tempos.

    Eu penso que as coisas como estão agora, ou seja, uma ortografia distinta entre o português do Brasil e o português de Portugal, até nem estão nada mal. Eu leio livros em português PT e em português BR sem nenhum problema e até acho que ficam melhor do que traduzidos. Eu penso que em termos de riqueza da linguagem, o melhor que se tinha a fazer era deixar as línguas evoluir independentemente.

    Mas o grande motivo que está por detrás deste Acordo Ortográfico é económico. Essa é que é a verdade. Tão simples quanto isto: o Brasil vai ser uma das grandes potências mundiais em muito pouco tempo (em conjunto com a China, Índia) e este Acordo iria amarrar os dois países, Portugal andaria a reboque do Brasil e iria recolher muitos frutos pelo simples facto de partilhar a língua (que já é uma fatia considerável duma cultura) com o Brasil.

    Enfim, primeiro tem de se deixar claro as prioridades: económicas ou culturais?
    Esse é o cerne da questão, na minha opinião.

    O que acham?

  8. tenho tendo ler romances na variante brasileira e não é fácil, ler até ao fim… e digo isto sendo um defensor do Acordo, atenção.
    Aliás, é por essa razão que também o defendo, para que essa leitura de obras de um e do outro país seja mais fácil nas gerações vindouras.
    A Cultura é hoje Economia… Ninguém duvida que o Reino Unido (p.ex.) gera um número incrível de receitas a partir da venda do seu “produto”, a língua inglesa. E algures alguém já avaliou que a contribuição da cultura para o PIB nacional rondava os 6%.
    O Acordo vai potenciar as exportações das nossas editoras para o imenso e crescente (em nº e poder de compra) mercado brasileiro, mas, por medo, as editoras não encaram isto como uma oportunidade, mas como uma ameaça…

  9. A língua e a escrita não se podem separar… São duas faces de um mesmo processo.

    Quando escreves: “o acordo não afeta a língua”, tenho sempre de ler duas vezes o “âfêta”. Não passa no “filtro”… Não é normal, nem natural – é imposição! E se escreveres: “Esse fato é novo”, eu penso na peça de roupa, nunca em facto.

    Enfim… Não podemos sempre estar do mesmo lado da barricada, pois não? 😉

    Mudando de assunto, já viste isto:

    “Governo vai encomendar vacinas, mas só 5 a 30% da população terá acesso, segundo a ministra da Saúde.
    Portugal deverá, «a curto prazo», fazer uma pré-reserva de vacinas contra a gripe A H1N1 que irá abranger uma faixa de 5 a 30 por cento da população, revelou hoje a ministra da Saúde.

    «Essa pré-reserva poderá ser muito diferente. Há quem diga que poderá ser de 5 por cento, há quem diga que será 25 por cento e há quem diga que será de 30 por cento. Isto tem a ver com os sectores da sociedade que vamos ter de abranger», afirmou Ana Jorge.

    A governante falou aos jornalistas à margem de um colóquio sobre a sustentabilidade financeira do Serviço Nacional de Saúde, em Lisboa, realçando que ainda não está definida a franja da população que deverá receber a vacina.

    Fonte: Agência Lusa

    2009-06-15”

    Se esses 5 a 30% são quem eu penso, não tardarei a ter de cuspir na cara do próximo politico com que me cruze…

    Abraço!

  10. Pois!
    Neste campo temos mesmo que concordar em discordar! 🙂
    Sim, vi a notícia e pensei como tu…
    vacinas para as “famílias dos 400”, isto filharada de Sampaio, Cavaco e camarilha e o resto da malta, à bulha pelas restantes…
    Já vi esta cena nuns quantos livros de FC…

  11. Este povo anda tão ceguinho…

  12. Quem ñ e fiel no pouco, nunca é jamais o será no muito….lamentável.

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