Porque é que há tão poucos casos de “Gripe A” (Influenza H1N1) em Portugal?

Até agora, e num mundo onde os casos de “Gripe A” ultrapassam já os 16 mil e onde se caminha rapidamente para que a OMS declare o grau máximo de pandemia, Portugal continua numa situação muito melhor do que muitos países, mesmo estando de fronteiras abertas com Espanha, um dos países europeus mais afetados.

A gestão desta crise sanitária mundial por parte da ministra Ana Jorge tem sido excelente, até agora, revelando-se uma figura discreta, mas muito competente e séria. Comunicações feitas regradamente, mas de forma eficiente, cientifica e tranquilizadora.

O facto de haver em Portugal até ao momento apenas dois casos confirmados de Gripe A, já tornaram Portugal num “Case Study” internacional. Isso mesmo admite Paulo Moreira, diretor-adjunto do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo das Doenças.

A unicidade do exemplo português resulta alem da ser um dos países do mundo menos afetado pelo surto mas também da reação dos doentes (especialmente a primeira), que foi notavelmente rápida e completa.

Existem várias razoes que concorrem para explicar o caso de sucesso português. A boa condução da crise pelo ministério da Saúde é uma delas, mas não é porventura a maior… Há duas grandes razoes que explicam esta resistência lusa à infeção: em primeiro lugar o facto de sermos hoje os descendentes das populações medievais que tanto sofreram com a Peste Negra. Esta pandemia levou a vida a um terço dos europeus da época, conseguindo trazer a morte, nalguns locais, a aldeias e cidades inteiras. As populações sobreviventes traziam uma resistência natural a ataques virais que transmitiram aos seus descendentes. Nós. Séculos depois, novo fenómeno viral, a Gripe Espanhola, arrastaria para o Além dezenas de milhões de europeus. De novo, os sobreviventes carregavam nos seus genes uma resistência reforçada que transmitiram aos seus descendentes. Nós.

São por estas razoes que os caucasianos são das etnias mundiais menos vulneráveis a fenómenos pandémicos, que são especialmente virulentos em populações que viveram isoladas durante milénios, como os índios sul americanos ou algumas populações africanas ou asiáticas. Curiosamente, é precisamente porque tantos dos nossos antepassados sacrificaram as suas vidas que hoje, gozamos desta resistência (ainda assim relativa) a pandemias virais como a atual da “Influenza A H1N1”.

Fonte:
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1224452

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Categories: Ciência e Tecnologia, Portugal, Saúde | Etiquetas: | 7 comentários

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7 thoughts on “Porque é que há tão poucos casos de “Gripe A” (Influenza H1N1) em Portugal?

  1. pedronunesnomundo

    uma questão (em dia de jejum quideiro):
    uma vez que a Gripe Espanhola também grassou com força no continente americano, como explicar que por lá a suína não sofra as resistências que aqui sofreria?…

    eu vou mais pela explicação da N Senhora de Fátima
    (uma vez que a brilhante acção do Ministério da Saúde ainda é mais mirabolante 😆 )

  2. porque por lá, a matriz genética mais numerosa é a ameríndia, uma das populações que esteve mais isolada das demais por mais tempo (até ao século XIX, nalguns casos)… Por isso é que doenças benignas entre os europeus (como a varíola, a gripe comum ou as várias doenças venéreas) tiveram uma mortalidade tão anormalmente elevada entre os indios da Amazónia, p.ex.

    Todos nós, temos as heranças das resistências genéticas do terço de europeus que sobreviveram à Peste Negra…

  3. Pigy wii

    existem poucos casos de gripe A porque os portugueses estam um pouco em crise e nao viajam para fora, e porque os mexicanos nao querem vir para portugal, preferem imigrar para outros sitios melhores….

    e porque portugal tem muitas mais condições de igiene do que esses paises!!!

  4. Pigy wii

    existem poucos casos de gripe A porque os portugueses estam um pouco em crise e nao viajam para fora, e porque os mexicanos nao querem vir para portugal, preferem imigrar para outros sitios melhores….

    e porque portugal tem muitas mais condições de igiene do que esses paises!!!

    resto de boa tarde…

  5. é verdade: não há praticamente imigração mexicana ou sulamericana em Portugal, ao contrário do que se passa em Espanha (e até no Reino Unido). Esse é um outro factor a pesar, aqui.
    Quanto às condições de higiene, são ao padrão europeu (grosso modo falando) e não é por aí… não acredito que tenhamos mais do que Espanha ou o RU.

  6. Paulo39

    Essa é de facto uma boa explicação entre várias. O motivo dos Portugueses não estarem a ser grandemente afectados é uma conjugação de vários factores, tanto os que o Clavis reportou, e muito bem, como os outros deixados aqui nos comentários. Eu acrescentaria também que quem vive em Portugal e já viajou por outros países não pode deixar de reparar que em Portugal existe bem menos convivência na rua actualmente. Talvez devido à crise que o país atravessa, a população passa muito mais tempo a trabalhar e em casa. Já não se vai tanto ao cinema, ao futebol, não se sai tanto, etc. Penso que por não haver também tantos ajuntamentos grandes de pessoas, a propagação do vírus se torna bem mais lenta.

  7. é um factor curioso, a somar aos demais, de facto, Paulo…
    assim, como a tradicional melancolia do nosso Povo, reforçada agora pela recessão e pelos níveis de desemprego que atravessa o país…

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