Sobre o aparente sucesso da política suíça de combate à Toxicodependência

Na Suíça, a heroína é fornecida aos toxicodependentes por receita médica desde há mais de vinte anos. Ora a Suíça é também o país da Europa onde a idade média de um toxicodependente é mais elevada, rondando hoje os quarenta anos. Por contraste, no Reino Unido, um país que, como Portugal segue o modelo mais tradicional de Combate ao Fenómeno da toxicodependência, essa idade média ronda os 15-19 anos.

Este contraste estatístico deve fazer-nos pensar sobre esta opção suíça por administrar de forma clinicamente controlada droga aos toxicodependentes do seu país. Podemos continuar a atacar um flagelo mundial que destroi tantas vidas e que é indiretamente responsável por mais de 60% de toda a criminalidade de uma forma absoluta e ineficiente, pela via da repressão e proibição, ou podemos ponderar a opção suíça autorizar o seu consumo através de receita médica e da subsequente produção e distribuição gratuita através de empresas publicas criadas especialmente para esse efeito.

Fontes:

Podcast de Doug Henwood

http://www.parl.gc.ca/37/1/parlbus/commbus/senate/Com-e/ille-e/library-e/collin1-e.htm

Categories: Política Internacional, Saúde, Sociedade | Etiquetas: , | 7 comentários

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7 thoughts on “Sobre o aparente sucesso da política suíça de combate à Toxicodependência

  1. pedronunesnomundo

    meu caro, percebo… mas como existe um fosso gigantesco entre tese e prática, estamos obrigados (pelo menos em parte) a discutir separadas duas questões que na realidade aparecem distintas…

    uma é o tratamento dos toxicodependentes como doentes – que são – de uma forma alternativa que se procura
    (sabes que a metadona causa dependência, e que veio “substituir” terapeuticamente a heroína, que causa dependência, e que já tinha vindo “substituir” terapeuticamente o ópio!…)
    e uma alternativa radical nunca considerada é não dar intermináveis alternativas de doença aos dependentes, mas dar-lhes a cura, ou seja, desintoxicá-los de todo, o mais depressa possível, pondo em segundo plano o “seu direito ao vício”!

    falar dos malefícios do nosso sistema “repressivo e proibitivo” face à droga é outra coisa um bocado diferente
    esse argumento – até já jogado politicamente de forma aberta! – não costuma centrar-se tanto nas dependências de drogas como cocaína e heroína e soluções para eles!
    costuma preocupar mais os preocupados com as chamadas “drogas leves” e a sua “repressão”
    quando – por exemplo – o BE se pronuncia sobre a “repressão” do consumo de drogas, está – como é seu hábito – a fazer o seu número de D. Quixote das Liberdades Cívicas Decadentes. por exemplo o direito do cidadão a fumar o seu charrito como o Miguel Portas sem ser importunado

    e é aí que está a armadilha desta discussão: discutir Liberdade ou liberdades
    quando a própria Holanda tem hoje regras de “liberalização” muito mais restritas do que já teve, face à necessidade de parar para repensar

    mas – como sempre – concordo que urge uma solução para um problema que ainda não a tem

  2. Paulo39

    Já pensei várias vezes neste assunto e tenho uma opinião acerca disto: E se a droga toda que é apreendida pelas polícias nacionais, em vez de ser incinerada, fosse precisamente utilizada para ajudar os toxicodependentes a sair do vício? Então é o seguinte, a minha ideia é haverem centros de desintoxicação onde os toxicodependentes pudesse ir buscar droga gratuita, no entanto, com algumas condições, isto é, fazia-se um contrato. “Tu sais da má vida, deixas de roubar, deixas de comprar droga fora daqui, tentas reintegrar-te na sociedade e nós damos-te a droga”. Como a droga é aquilo que eles mais querem, com certeza aceitariam (afinal estamos a oferecer-lhes, é muito tentador). Depois, aos poucos e de uma forma gradual, a quantidade de droga que se lhes dava ia diminuindo, para que eles fossem consumindo cada vez menos, mas sem ser de forma abrupta, de forma a conseguir desintoxicá-los aos poucos. Outra das condições que se lhes podia impor para poderem receber a droga gratuitamente era pô-los a fazer trabalhos comunitários, etc. E vir até a pagar-lhes um pequeno salário, tudo isto bem feito e com bom senso poderia ajudar muito a sua integração na sociedade e, ao mesmo tempo, i-los tirando do vício.

  3. Deltóide Latejante

    A mendicidade é proibida na Suíça. O indivíduo que tocar no metro ou na rua por uma moeda pode contar certamente com a sua detenção. Os sem-abrigo estão proibidos de entrar nas cidades. Se entram, são detidos e despejados nos arrabaldes. Isto já foi denunciado pela Cruz Vermelha.

    Relembro isto para explicar que a Suíça tem a possibilidade económica, política e social de exercer as maiores atrocidades sobre drogados e marginais em geral, que outros países não têm. Para mais, na Suíça, pode-se pagar a droga que se quiser aos agarrados desde que estes não se aproximem das cidades e não conspurquem o seu ambiente limpo.

    A Suíça age da mesma maneira que os restantes paises perante o problema da droga. Reprimindo. E a droga administrada aos dependentes não é mais que outro tipo de repressão. Droga em troca da paz social dos ricos.

    A admissão da irrecuperabilidade do toxicodependete que a entrega de droga insinua, sempre me chocou!

  4. ok, o modelo suíço terá os seus defeitos, mas é uma abordagem (a da legalização da droga “pesada” pela via da sua fabricação e distribuição pelo Estado, com receita médica) que é alternativa, radicalmente alternativa ao sistema seguido em Portugal e nos EUA (p.ex.).
    O sistema repressivo já provou a sua incapacidade para resolver o problema, havendo, bem pelo contrário, indícios que ainda o vem agravar ao criar mafias de narcotraficantes com recursos quase ilimitados e dando como resultado final, um aumento do nº de toxicodependentes em todos os países que o implementam.
    Por isso, acho o modelo suíço tão interessante… terá problemas e não defendo a sua aplicação literal e acrítica, mas o modelo da legalização para esvaziar o espaço onde se movem os narcotraficantes é interessante porque ainda que possa não reduzir o nº de toxicodependentes (o que não indica o exemplo suíço, de resto) certamente que iria reduzir o impacto criminal no resto da sociedade desse flagelo.

  5. pedronunesnomundo

    isto é um grande novelo

    como base sou um desconfiado do de na conversa da droga misturar na mesma frase “repressão” e “insucesso”

    é que gostava muito de ver a tal da via da “repressão” ser acompanhada decentemente com com uma prevenção eficaz, com fortes políticas de tratamento e sólidas estratégias de reintegração
    não só em Portugal mas em cada país “repressivo”

    é que a ser como é apenas se obtêm duas coisas: uma desculpa esfarrapada e polivakente da superioridade moral de um combate que verdadeiramente o não é; o rótulo fácil da “via esgotada” que exige originalidade

    a “legalização” de drogas – sejam quais forem – evoca-me aquele dito (de que gosto pouco) do “andam os meus impostos a pagar isto”
    sendo o “isto” os vícios/doenças de concidadãos, que alguém sugere que se possam sustentar/alimentar/patrocinar, vivendo eles em situação de ruptura

    repele-me a ideia de num País que não sabe prevenir, tratar nem reintegrar a dependência, “liberalizar” seja o que for
    essa é uma de mil soluções progressistas e brilhantes enxertadas numa árvore que não está preparada para as receber

    parece-me a história do aborto…
    “se não der para ok, o modelo suíço terá os seus defeitos, mas é uma abordagem (a da legalização da droga “pesada” pela via da sua fabricação e distribuição pelo Estado, com receita médica) que é alternativa, radicalmente alternativa ao sistema seguido em Portugal e nos EUA (p.ex.).
    O sistema repressivo já provou a sua incapacidade para resolver o problema, havendo, bem pelo contrário, indícios que ainda o vem agravar ao criar mafias de narcotraficantes com recursos quase ilimitados e dando como resultado final, um aumento do nº de toxicodependentes em todos os países que o implementam.

  6. Estamos passando por essa doença , eu tenho que os problemas de “N” ordens,leva ao consumo desta praga, é espero q o governo preste + atenção ..é uma calamida

  7. Tenho= a de temor..

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