Daily Archives: 2009/06/01

Porque é que o “investimento público” como resposta à crise é uma grande falácia

“O orçamento do Estado 2009 prevê um aumento de 36% no investimento publico – para 4,82 mil milhões de euros -, mas até março, no subsetor Estado, só foram gastos 28 milhões. Ou seja, apenas 3,2% do previsto e mais 2,2 milhões face ao período homologo. (…) Os dados contrariam o discurso que o Governo tem feito no sentido do reforço do investimento publico para atenuar a recessão. Na prática, e em percentagem do PIB, o dinheiro que o Estado gastou nesta componente, nos primeiros meses do ano, está ao nível de 2002 – quando a economia cresceu 0,8% – e próximo do registado em 2008.”

Portanto, de permeio com tanto e tão efusivo anuncio – quase diários – de investimentos, temos um cenário real e concreto bem diverso. O Estado está de facto a infetar na economia bem menos do que diz e muito menos do que estão a fazer os seus parceiros europeus. O grosso da atividade reativa do Governo foi na Banca e não na economia real e os efeitos dessa opção estratégica são agora evidentes: enquanto se notam sinais de recuperação nos EUA e em alguns países europeus, Portugal bate recordes de Desemprego e o PIB recua para valores inéditos nas últimas décadas.

“Portugal tem a sétima taxa de investimento publico mais baixa (2,9%) face à riqueza produzida na União Europeia, sendo também inferior à média comunitária e a Espanha (…) em ano de forte recessão económica e em que a maioria dos Estados está a aumentar os gastos em investimentos, Portugal projeta subir em 0,8% do PIB o investimento público. A média da EU aponta para um rácio de 3,8%, enquanto que na Zona Euro se perspectiva um investimento de 3,3%.”

E nem sequer se pensa em reduzir a intensa carga fiscal – que este Governo aumentou severamente – para pela via de um estímulo fiscal, reanimar a economia! O discurso governativo fala de “grandes investimentos públicos” e, estupidamente o PSD, alimenta este discurso criticando os “grandes projetos” do Aeroporto e do TGV. Os 0,8% de Portugal comparados com os 3,8% da média europeia mostram à exaustão a fraqueza da vontade de investimento do Governo. Não só os “grandes projetos” são estrategicamente errados (já o dissemos aqui varias vezes) como não criam um setor industrial ou tecnológico capaz de alavancar o desenvolvimento económico do país, como seria, por exemplo, se se lançasse um programa massivo de energia solar ou eólica. Tendo mantido o essencial da sua estrutura de Despesa, devorada por um setor publico numeroso, inepto e muito ineficiente, o país tem que alimentar uma ávida máquina fiscal central, precisamente quando a devia aliviar e descentralizar, deixando surgir inúmeros pequenos, mas sólidos, projetos locais de investimento energético. Assim, se reduziriam as emissões de CO2, se reduziria a pesada factura energética que pagamos ao exterior e se criaria um setor tecnológico de ponta (painéis solares, aerogeradores, etc) de exportação e gerados de centenas de milhares de empregos.

Mas nada disto se faz… Há uma aposta correta e clara na eólica, mas em terceiros e a um ritmo insuficiente, já que o grosso dos recursos vão para a Banca e para projetos faraónicos de retorno duvidoso. E sobretudo, não se tendo alterado o quadro da Despesa do Estado, não querendo reduzir a carga fiscal (em ano de eleições, isso traria poucos votos na Função Pública) não há dinheiro para investimentos à escala daqueles que se fazem em França ou em Espanha.

E assim (mal) vai o nosso Portugal…

Fonte:
Jornal Sol de 9 de maio de 2009

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Afinal os sindicatos também usam o novo Código do Trabalho e… despedem por “extinção do posto de trabalho”

Menos uma cabeça. Que foi extinta. Em http://www.romildo.com

Menos uma cabeça. Que foi "extinta". Em http://www.romildo.com

“O SINTAV – sindicato filiado na CGTP – despediu uma funcionária de limpeza, invocando as novas regras do Código de Trabalho. Como escreveu Helena Matos (Publico de quinta-feira), tratando-se da sua única funcionaria de limpeza e sendo que o argumento invocado foi a extinção do posto de trabalho.”

Ora toma. Eis do que vale toda a verborreia sindical: quando se trata de causa própria em casa própria, o discurso aplicado em casa alheia deixa de ser causa própria e torna-se alheia. Sempre acreditei que não há melhor forma de persuadir alguém, do que fazê-lo através do exemplo. E se despedir alguém usando o estafado “truque” da extinção de funções é usado pelos próprios sindicatos, então é porque este país está mesmo mal e o sindicalismo é aquilo que muitos dizem ser: um cadáver maiorenetado pelo partido Pró-Chinês Português (também dito de PCP). Não uma Central Sindical preocupada acima de tudo com a defesa dos direitos dos trabalhadores, mas uma extensão da ação publica do Partido, disposta a decretar o fim das “limpezas de escritório” para substituir a última empregada por empregadas temporárias, como qualquer “boa” multinacional.

Fonte:
Jornal Sol de 9 de maio de 2009

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COMUNICADO MIL SOBRE AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES EUROPEIAS

Enquanto movimento cultural e cívico, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO não apoiou, nem tinha que apoiar, nenhuma das listas que se apresentaram às eleições europeias, que decorrerão no dia 7 de Junho.Nem por isso, porém, o MIL deixou de acompanhar a campanha eleitoral, na expectativa de que alguma dessas listas defendesse uma visão de Portugal e do Mundo próxima daquela que resulta da nossa Declaração de Princípios e Objetivos.Sem surpresa, isso não aconteceu. Como já se tornou manifesto nos vários debates que decorreram, nenhuma das listas equaciona a integração de Portugal no espaço europeu em articulação com a nossa integração no espaço lusófono, como seria desejável. Mesmo aqueles que se assumem como mais reticentes à integração de Portugal no espaço europeu, não tomam tal posição em prol de uma maior integração no espaço lusófono, pelo aprofundamento, a todos os níveis, da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).

Não sendo contra a integração de Portugal no espaço europeu, o MIL é assumidamente a favor de uma maior integração de Portugal no espaço lusófono, sendo, a nosso ver, a partir desta que aquela se deve equacionar. No mundo que sairá da crise global que atravessamos, o papel de Portugal na Europa será tanto mais forte quanto mais estreitos forem os laços com os demais países da CPLP. É nos momentos de crise, como o que vivemos, que mais importa ter em consideração, ao escolhermos os representantes de Portugal no Parlamento Europeu, qual é a visão estratégica para o país em que cada um dos candidatos faz assentar o seu programa.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Secção Portuguesa

Nota de apresentação: O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico recentemente criado, em associação com a NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, que conta já com quase um milhar de adesões, de todos os países lusófonos.
A Comissão Coordenadora é presidida pelo Professor Doutor Paulo Borges (Universidade de Lisboa), Presidente da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL).
A lista de adesões é pública – como se pode confirmar publicamente (www.novaaguia.blogspot.com), são pessoas das mais diversas orientações culturais, políticas e religiosas, pessoas dos mais diferentes locais do país e de fora dele.


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