Daily Archives: 2009/05/25

“GhostNet”: Uma botnet do Exército Chinês que controla as webcams e os microfones dos computadores infectados…

O governo chinês foi obrigado a ter que vir a público alegar que nada tinha a ver com uma rede de ciberespiões conhecida no meio da Segurança Informática como “GhostNet”.  A botnet visa alvos muito específicos – ao contrário da maioria que visam simplesmente invadir o maior número possível de computadores – e terá atacado centenas de computadores muito judiciosamente instalados em embaixadas, a Deloitte & Touche, instalações da OTAN, Bancos e… grupos de apoio à causa tibetana. No total, o exército chinês terá infectado mais de 1300 computadores e mais de 100 países, focando especialmente as suas vítimas no Irão, Índia, Coreia do Sul, Alemanha, Paquistão e Taiwan.

A botnet foi descoberta por investigadores da Universidade de Cambridge, da equipa “Information Warfare Monitor ” (IWM), liderada por Ron Deibert e Rafal Rohozinski que também identificaram o seu centro de controlo no sul da China. A investigação começou quando alguns membros canadianos da equipa foram chamados a um escritório de representação do Dalai Lama, em Ottawa, no Canadá. Foi nos computadores deste escritório que encontraram um vírus ativo e seguiram o rasto dos pacotes TCP/IP enviados a partir daqui até um servidor situado na ilha chinesa da Hainan, precisamente o local onde o exército chinês instalou um centro de informações, na base aérea de Lingshui. O vírus depende do envio de um mail, mas foi tão eficaz em infectar um grupo específico de máquinas-alvo, porque parece estar a ser enviado manualmente e apenas após uma aturada investigação dos hábitos, rotinas e intereses dos visados. No caso do gabinete tibetano no Canadá, quem envio a mensagem de correio terá seguido os temas debatidos por um determinado monge tibetano num fórum de discussão na Internet e depois, enviado-lhe uma mensagem com um anexo com um título com o exato tema que ele acabara de abordar no fórum…

O vírus militar chinês (termo bem cyberpunk… versão pequinesa!) contaminou estes computadores através do envio de um anexo de correio eletrónico e, após infecção, começa a capturar ficheiros de volta para o seu centro de comando, tendo alguns deles sido simplesmente apagados. O vírus consegue ligar também a Webcam e o microfone dos computadores afectados, captando som e imagem vídeo, que depois é enviada para a China continental.

Obviamente, responsáveis do governo chinês negam estas alegações (que admiração!…) acusando o governo canadiano de “estar a soldo do governo tibetano no exílio”. Sejamos justos: se de facto eu trabalhasse para uma agência de espionagem que está a criar uma botnet de guerra cibernética, tudo faria para fazer passar os meus pacotes por um proxy ou uma rede de zombies na China ou na Rússia, países onde estas redes (privadas e criminosas) existem em relativa impunidade devido à incompetência ou conluio descarado das autoridades, pelo que sim. Existe uma possibilidade de os chineses estarem a aparecer nesta história como os maus da fita, injustamente. Mas tendo em conta o historial da China neste campo (ver AQUI) e, sobretudo, o tipo dos alvos (grupos tibetanos no exílio, visados manualmente) temos que admitir que as hipóteses de o exército chinês estar mesmo por detrás da “GhostNet” são mesmo muito elevadas…

Fontes:

http://www.thefirstpost.co.uk/46883,features,china-denies-involvement-in-ghostnet-cyber-attacks

http://www.f-secure.com/weblog/archives/00001637.html

http://128.100.171.10/

http://www.timesonline.co.uk/tol/news/uk/article5993156.ece

Categories: China, DefenseNewsPt, Informática | Etiquetas: | 9 comentários

Quids S16: Em que país foi tirada esta fotografia?

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1. Todos os quids valem um ponto.

2. Os Quids são lançados pela manhã. Entre as 6:00 e as 10:00 (Hora de Lisboa)

3. As pistas só serão dadas à hora de almoço (12:30-14:30). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, desde que pedidas por um (qualquer) dos participantes.

4. Só há quids entre 2ª e 6ª (incluindo feriados). Salvo imprevisto…

5. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 30 pontos.

6. É vivamente desencorajado o uso de vários nicknames para o mesmo concorrente, já que desvirtua o espírito do jogo. Lembrem-se que o IP tudo revela…

Categories: Quids S16 | 16 comentários

A Opção Nuclear na Europa

“A Rússia cortou o abastecimento de gás, este Inverno, e milhões de europeus, da Eslováquia até à Bulgária, tiritaram de frio. O braço-de-ferro comercial entre Moscovo e a Ucrânia, no passado mês de janeiro, evidenciou que as carências do modelo energético de muitos países europeus.”

Pelo segundo ano consecutivo, a Rússia – no decurso de um longo conflito com a Ucrânia – cortou o gás à Europa. O ato continuado reflecte a falta de fiabilidade russa como parceiro económico europeu e expõe as vantagens usufruídas pelos países do sul da Europa que recebem o seu gás da – paradoxalmente – mais fiável Argélia. A Rússia acusa a Ucrânia de desviar para si o gás que devia deixar transitar para a Europa, e a Ucrânia, acusa a Rússia de cortar simplesmente o gás. De uma forma ou de outra, é certo que a Europa tem que repensar a sua estratégia de dependência do gás russo.

“A Suécia foi o último país a renovar a sua confiança nos reatores (nucleares). Um referendo realizado há três décadas fixou 2010 como ano de encerramento de todas as centrais. Mas o Governo de centro-direita decidiu (em fevereiro) manter as suas dez centrais em funcionamento e dotá-las de novos reatores. Segundo uma sondagem publicada pelo jornal “Dagens Nyheter”, dois terços dos suecos apoiam esta iniciativa.”

A Suécia reavaliou o seu abandono do nuclear mais por impacto do aumento dos custos da energia por fontes de combustíveis sólidos do que por causa do gás russo. Em época de receios generalizados pelas consequências catastróficas do Aquecimento Global, a opção nuclear está a ser reavaliada em praticamente todo o mundo e até aqueles países que tinham optado pelo abandono do nuclear – como a Suécia e a Espanha – estão por de novo tudo sobre a mesa.

“Mas não é só a Suécia. A França, campeã nuclear da Europa, com cerca de 80% da eletricidade gerada através da temida energia, construiu um reator de nova geração. A Finlândia também. E o Reino Unido convidou diversas empresas, no ano passado, a construir novos reatores em centrais já em funcionamento.”

E este é efetivamente o rumo um pouco por toda a Europa. Não advogamos o seguidismo acéfalo adoptado pelos nossos políticos do “Bloco Central” que tudo fazem apenas “porque já se faz em vários países europeus”, mas acreditamos que perante o problema energético todas as opções devem ser reavaliadas.

“A última sondagem da União Europeia sobre a atitude dos cidadãos relativamente à energia, publicada em julho de 2008, registava um empate técnico entre favoráveis e contrários ao nuclear.(…) A preocupação com a mudança climática faz com que muitos se inclinem para uma energia que, pelo menos durante o processo de produção, não emite dióxido de carbono. “Os riscos nucleares (acidentes, problemas com o armazenamento dos resíduos no futuro) são apenas hipotéticos.”

A decisão de construir ou não uma central nuclear é mais técnica e cientifica do que política ou popular. A opção tem que se fundamentar em critérios de segurança e eficácia energética e menos em popularidade ou na fátua e geralmente mal informada “opinião pública”. Os riscos de um acidente nuclear são tremendos (como demonstraram Tree Mille Island, nos EUA, ou Chernobyl, na União Soviética), e o problema da armazenagem a longo prazo dos resíduos nucleares ainda está essencialmente por resolver. É certo que os reatores de Terceira Geração, como aqueles que hoje se constroem em França resolvem parte dos problemas dos resíduos e levam a segurança do sistema a um novo patamar, em que o acidente de graves consequências se torna praticamente impossível. Mas “praticamente” não é impossível… Se se construírem um número suficientemente grande destes reatores, se estes operarem por tempo suficiente, então, mesmo essa remota possibilidade de acidente deixa de o ser.

Sejamos claros: os riscos de um acidente nuclear numa central de última geração são muitíssimo baixos. O problema dos resíduos ainda permanece, mas estas centrais produzem muito menos do que as centrais atuais. Mas construí-las é ainda um pesadelo financeiro… E enfermam da mesma lógica centralista dos “grandes projetos” que marcaram os últimos decénios da industrialização. Em vez destas “megacentrais” devíamos apostar numa rede de pequenas e médias centrais, dispersas pelo território, para reduzir os custos de distribuição e as perdas daqui decorrentes, aumentando a flexibilidade e resiliência do sistema à falha de uma única “central faraónica”. Esta rede de pequenas centrais, hídricas, solares, eólicas, de maré, de biomassa pode até ser complementada por aqueles micro-reatores nucleares autónomos e sem manutenção que empresas como a Toshiba estão hoje a ultimar. Mas dependermos de grandes centrais nucleares… Isso já me parece mais perigoso, a todos os níveis.

Em suma: nuclear, sim. Mas pequeno e pouco…

Fonte:
Courrier Internacional, abril de 2009

Categories: Ciência e Tecnologia, Política Internacional | Etiquetas: | 8 comentários

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