Conclusão: Parágrafos agostinianos de pensamento político em “Ir à Índia sem abandonar Portugal”

Talvez cause espanto a alguns a profundidade e a extensão desta visão política de Portugal e do futuro do mundo que Agostinho da Silva dá mostras possuir nestas simples e apenas exemplificativas frases. De facto, a preocupação por temas de índole política, social e económica atravessa praticamente todas as intervenções públicas, orais e escritas do Professor, em Portugal e no Brasil, e ignorá-la, como têm feito alguns “estudiosos de Agostinho” não deixa de ser curioso… Tão curioso, como o comportamento sectário daqueles que sempre tentaram enclausurar o pensamento agostiniano nos esquifes “direita” ou “esquerda”, identificando aqui e ali, as opiniões que mais se conformavam aos seus desígnios e ignorando aquelas que mais se aproximavam da corrente contrária. Agostinho aliás brincava com estas tentativas dizendo que “os de Direita acusam-me de ser de Esquerda, e os de Direita, de ser de Esquerda”…

O dualismo Esquerda-Direita é aliás hoje praticamente obsoleto… Como se observa facilmente pela dificuldade em separar os discursos e políticas de PS e PSD, por exemplo… Não que se possa falar de um “partido agostiniano”, ainda que o seu pensamento político fosse consistente, profundo e extenso, se Agostinho não gostava do termo “discípulos” ou de ter “seguidores”, então nunca poderia ter formado um núcleo para um futuro partido político. Contudo, este pensamento tem as bases suficientes para constituir um alicerce para um conjunto de propostas políticas, consistentes, visionárias e alternativas à estafada dicotomia Esquerda-Direita. Esta poderá aliás a ser uma das formas de manifestação do MIL: Movimento Internacional Lusófono, por enquanto apenas movimento cultural e cívico, de futuro um movimento de intervenção também política advogando as ideias que Agostinho da Silva defendia:

Reunião com a Galiza,
Sociedades gratuitas,
Descentralismo municipalista,
União lusófona,
Libertação do trabalho material,
Rei simultaneamente hereditário e eletivo sem capital própria,
Comunitarismo agrário e pastoril,
Posse coletiva das terras e dos instrumentos de trabalho,
Economia de mercado,
Desenvolvimento da ciência e das técnicas,
Escola da experiência e o aprendizado dos misteres,
Reuniões de Cortes, com representantes democraticamente eleitos dos municípios federados

Se estas frases (algumas delas citações literais e todas presentes nos acima listados parágrafos agostinianos) não são um programa político… Então a cegueira de quem as lê está muito para além de qualquer limitação do órgão de visão.

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Categories: Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia | Etiquetas: | 4 comentários

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4 thoughts on “Conclusão: Parágrafos agostinianos de pensamento político em “Ir à Índia sem abandonar Portugal”

  1. Fenix

    Partido politico já era para ontem eu vota nele

  2. cada coisa a seu tempo… por enquanto é tempo de divulgar alternativas, colocar questões e fertilizar um solo politicamente muito estéril, como aquele em que cresce a partidocracia portuguesa.

  3. Odin Borson

    Um partido exclusivamente português ou um partido internacional, que também exista noutras nações lusófonas?

  4. internacional… um passo último para o MIL, que nesta fase inicial cumpre apenas uma missão cultural e cívica, essencialmente focado em criar uma consciência lusófona comum e em promover a expansão das missões e âmbito da CPLP.

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