10. Parágrafos agostinianos de pensamento político em “Ir à Índia sem abandonar Portugal”: Portugal como um agregado de municípios republicanos e liberais

Página 124

“Quando o bravio Afonso IV herda seu Reino, é ele, fundamentalmente, um agregado de municípios republicanos e liberais” (…) “Havia decerto educação oficial e seriada, no cimo da qual estavam os estudos universitários, ainda incertos de rede e rumo; mas o que realmente criava cidadãos e homens de arte era a escola da experiência em serra, campo ou mar e o aprendizado dos misteres.”

Será a este modelo de organização do território que devemos regressar. A um Portugal que no reinado de Dom Afonso V soube lançar as fundações para o processo de Descobrimentos e Expansão dos séculos seguintes. Foi da riqueza e do dinamismo municipalista que brotou o essencial da energia anímica que alimentaria o extraordinário vigor criativo e a dinâmica global da portugalidade no mundo. O pendor centralista e autoritário do ultracatólico Dom João III e, mais recentemente o pavor pelo “Outro” exposto na tacanha mentalidade de Salazar e mais recente no inculto e “contabilístico” cérebro de Cavaco Silva tentariam tudo para castrar este espirito libertário, republicano e liberal do municipalismo português… Mas a energia está ainda bem viva entre nós, ainda latente e pronta a ressurgir logo que os eurocratas de Bruxelas a libertem e os seus cães-de-fila que viajam as quintas-feiras  no voos da TAP em Executiva os deixem de servir e passem a servir o Portugal que os elegeu e que lhe enche as gamelas douradas.

A restante parcela deste segmento de texto refere-se a um dos focos mais intensos da ação pedagógica do Professor, especialmente desenvolvida no Brasil, em Santa Catarina. A admiração e a defesa de um ensino “operativo”  eminentemente prático, sobrepujando um ensino meramente académico, elitista e centrado sobre si mesmo, infelizmente tão comum nas academias universitárias. Em suma, Agostinho da Silva defende a prioridade de um ensino prático sobre um ensino abstrato. Advoga um ensino profissionalizante – na nossa interpretação – sobre um ensino teórico e académico, impossível de aplicar ou de fazer diretamente refletir na vida real… Não defende obviamente uma supressão do estudo das matérias mais especulativas e abstratas (ainda que identifique no português uma incapacidade inata para “filosofar”), mas estas matérias devem ser mais o foco de uma “vida conversável”, de momentos de pensamento e especulação argumentativos presentes na vida de cada um e não espartilhado em programas de ensino denso e indigestos. Efetivamente,  os atuais “programas de ensino”,  nada mais fazem do que repelir futuros cientistas e criadores das matérias que em crianças lhes são apresentadas como “obrigatórias” e logo, negativas… Porque nada que não seja livre e fruto puro do interesse e da vontade individual pode alguma vez ser percepcionado pelo indivíduo como algo de positivo.

Categories: Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia | 1 Comentário

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One thought on “10. Parágrafos agostinianos de pensamento político em “Ir à Índia sem abandonar Portugal”: Portugal como um agregado de municípios republicanos e liberais

  1. Fenix

    Os homens pensam pensam mas nenhum pensa tão brilhatemente como a Agostinho da Silva neste caso pensava,o registo escrito é brilhate assim como as suas ideias,assim como seu ar de pescador que queria pescar mas tambem ensinar a pescar por nos proprios ou; será pensar por nos proprios?!E termos a sua visão mas sem esqueser a nossa,ensinar a termos criatidade.E ao mesmo voar livres no ar como anjos que não somos,mas tu foste…um grande profeta dos maiores que mundo já viu. Um professor que com as suas palavras esvoaçantes toca corações e almas. Estes registo merecem mais comentarios porque cada palavra cada idea são simplesmente brilhantes e este o homem e um LUSOFUNO e dos maiores desde luis camoes ou Fernando pessoa e outros…

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