Sobre os projetos argentinos Tronador I e II e o “Carga Útil VS-30” com o Brasil

Ainda que seja muito pouco mediático, existe um programa espacial argentino, bem vivo e relativamente ambicioso. O seu cerne gira em torno do chamado “Projeto Tronador”. O projeto consiste no desenvolvimento faseado de um lançador de satélites a combustível líquido.

A primeira fase tem a designação de “Tronador I” e tratar-se-á de um veículo balístico com o principal objetivo de conceber, testar e provar um motor de combustível líquido de concepção argentina.

O motor a combustível líquido está a ser desenvolvido pela CONAE, a agência espacial argentina em colaboração com o Centro Atómico Bariloche e o Instituto Universitário Aeronáutico da “Fuerza Aérea Argentina”.

O foguetão “Tronador I” terá uma altura de 3,4 metros e pesará pouco mais de 60 kg. O seu motor recorrerá a anilina como combustível liquido e a ácido nítrico na função de oxidante. O motor deverá ser capaz de produzir um impulso de 550 kg e será lançado a partir da base de “del Chamical”, na província de La Rioja. O foguetão foi concebido para alcançar uma altitude máxima entre os 15 e os 20 kms, variando com o ângulo de lançamento.

O “Tronador I” será composto por sete secções distintas, em que a superior contêm aquilo a que os argentinos chamam de “Ojiva Cónica” que terá um peso máximo de 4 kg. Imediatamente abaixo, segue uma secção de instrumentos alojando um receptor GPS, dois acelerómetros e outros instrumentos, assim como baterias e reguladores de tensão para a alimentação elétrica de todos estes sistemas.

A fase seguinte do “Projeto Tronador” será desenvolvida em torno de um foguetão de dimensões maiores designado muito adequadamente como “Tronador II”. Este foguetão já não será meramente balístico, como o seu antecessor, mas será capaz de realizar um voo controlado e dirigido, graças a sistemas de controlo remoto e navegação desenvolvidos inteiramente na Argentina.

A cooperação com o Brasil produziu o “projeto carga útil VS-30. O projeto decorre de um acordo assinado entre o Brasil e a Argentina em 1998 e que deverá produzir o primeiro resultado concreto dentro de alguns anos com o envio de uma experiência de “validação ambiental” de uma carga útil tecnológica não-propulsada argentina num veículo lançador de satélites brasileiro VS-30. A experiência irá comprovar, num voo suborbital, o desempenho do hardware e software, do sistema de navegação por GPS e do sistema de controlo de atitude que orientará a “carga útil” por intermédio de pequenos jatos de gás frio. A “carga útil” conterá também uma experiência brasileira de microgravidade.

O programa espacial argentino é portanto modesto e relativamente pouco ambicioso. Talvez num e no outro aspecto seja adequado às presentes graves dificuldades económicas argentinas (o país está praticamente em bancarrota), mas tem a inteligência bastante para criar as bases de um lançador de satélites nativo, através da aprendizagem do projeto Tronador, procura realizar um “salto quântico” usando a plataforma brasileira de lançamento para testar uma carga útil, antes mesmo do país ter meios próprios para o lançar e, sobretudo, recorre a uma lógica de cooperação e parceria com o Brasil, país em que a tecnologia aeroespacial está mais madura, para alavancar um programa espacial muito embrionário, mas que (se não faltar o dinheiro) pode dar à Argentina as bases para um programa espacial autónomo.

Fontes:
http://www.conae.gov.ar/accesoalespacio/tronador.html
http://www.conae.gov.ar/accesoalespacio/vs30.html

Categories: Brasil, SpaceNewsPt | Etiquetas: | 12 comentários

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12 thoughts on “Sobre os projetos argentinos Tronador I e II e o “Carga Útil VS-30” com o Brasil

  1. Fred

    Oi clavis, veja só, a Argentina tem sim vários e graves problemas, mas não está assim tão perto da bancarrota não, apesar de muito afetada pela crise mundial seu pib é quase um terço do brasileiro e sua população perto de um quarto da população brasileira, então para a região podemos dizer que é a segunda ou no máximo terceira economia!

  2. Luiz Ely Silveira

    A Argentina acerta em um ponto e erra em outro. O desenvolvimento de foguetes a combustível líquido é o caminho certo para os grandes projetos espaciais em que há cargas úteis muito pesadas. Quanto a escolha do combustível, acho que estão querendo reinventar a roda, já que na atualidade o conjunto de propelente e oxidante utilizado pelas nações tecnológicamente avançadas é bem outro. A opção argentina foi inclusive objeto de pesquisa na Alemanha Nazista, e abandonada. A verdade é que a simples intenção de desenvolver tecnologia própria, por sí só é um grande avanço. Quanto à cooperação brasileira, não lhes fará mal, já que o país de língua portuguesa está bem mais avançado (e sofrido) neste campo.

  3. É mt bem vinda a cooperação dos pratinos, os hermanos são bem cirativos, tanto quanto nós,BRASUCAS; é mt boa essa união; só temos a ganhar, sempre fora das mãos dos ianks.assim que tem que ser. O Vls vai sair do solo. é sem fracassos desta ves, é olho nos ianks/francos.

  4. “# Global recession will combine with domestic political and policy uncertainty, causing trade conditions to weaken and investment to fall. As a result, the economy is forecast to contract by 3.5% in 2009 and to grow weakly in 2010.
    # Although the government will be able to remain current on its”agreed”debt obligations ahead of the June election, the outlook for the public finances and political stability will darken thereafter, raising the risk of a new default.
    # Weaker agricultural export earnings and recession will narrow the primary surplus to 1.2% of GDP in 2009, leading to an overall budget deficit of 1.1%, with only a modest improvement in 2010.
    # Unofficially measured inflation will ease to 10-15% in 2009, as private demand falls. Assuming a depreciation of the peso in the second half of the year, the official rate will end 2009 at 9.3%, and 2010 at 9.5%”
    http://www.economist.com/COUNTRIES/Argentina/profile.cfm?folder=Profile-Forecast

    A situação dos platinos não é tão grave como a dos anos 90
    http://en.wikipedia.org/wiki/Argentine_economic_crisis_(1999-2002)
    um “case study” atual… mas estão a levar forte e feio com a recessão mundial…

  5. Pegasus

    A Argentina se apoia muito na agricultura e pecuaria para exportar, mas a seca tem aruinado sua produção nos ultimos anos, e tinha como apoio ate um tempo atras Hugo Chavez que comprava titulos Argentinos a preços bem generosos, quando o petroleo estava naqueles preços extratosfericos, mas agora com a crise e a queda violenta do petroleo, os sonhos Bolivarianos,de comprar aliados,foram suspensos ate segunda ordem, o que piora para “nuestros hermanos”.
    Quanto a programas espaciais, isso so vem a mostrar que quando voce desiste de seus projetos por pressões externas, o caminho do recomeço pode ser bem mais penoso.(Me refiro a terem enterrado o projeto Condor,literalmente por pressões americanas, como fez ,tambem o Brasil na epoca com o projeto Sonda)

  6. sim, o afundamento (temporário) do preço do crude retardou muita da política externa chavista…
    A Argentina tem agora um caminho maior para percorrer, mas se integrar regionalmente o seu programa espacial, e se usar os seus laços históricos com a Europa (com Espanha e Itália, sobretudo) pode recuperar terreno perdido e alavancar o seu desenvolvimento económico e tecnológico.
    Por mim falo, que torci por eles durante todo o conflito das Malvinas, contra os nossos “aliados” britânicos…

  7. Pegasus

    Bom…quanto a torcer por eles na guerra das Malvinas, eu não chego a tanto, pois aquele foi a ultima tentativa de uma ditadura agonizante de se manter no poder querendo unir os argentinos atraves de uma causa muito perigosa, poque , como se comenta por aqui, eles acharam que invadindo a Malvinas os britanicos iriam apenas protestas junto as nações unidas sem uma atitude concreta.Como mostra a historia, quebraram a cara, pois Margaret Thatcher declarou guerra de imediato.
    Conversei certa vez com um amigo argentino meu, que o povo daquela epoca considerava um crime o que os militares estavam fazendo com o povo, mandando garotos sem condições ou preparo(em sua maioria) para encarar uma luta assim, aonde no fim ,muitos se renderam para não morrer de frio e fome, segundo esse meu amigo, os militares cometeram um crime de guerra contra seu proprio povo.

  8. é verdade que era difícil nutrir simpatia por uma ditadura tão perversa como a Argentina, mas era latinos, lutavam contra a “pérfida albion” e combatiam em condições desfavoráveis, dando bastas provas de coragem e combatividade. Como não torcer por eles, apesar da sua liderança, incompetente e cruel?

  9. Eu confesso q torci contra a ditadura…ñ contra os hermanos..a ilhas Malvinas é propriedade deles, isso é invasão ; aliás, a injustiça a um é uma ameaça a todos …A ONU era p/ posicionar nestes casos..Palestinos…e por aí vai.

  10. mesmo não sendo tão grande quanto o brasileiro é bom saber que o brasil não esta sozinho na america latina

  11. e quando não é?

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